Resenha de Elis o filme.

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Quando eu nasci, faltava 5 anos para Elis Regina apagar sua estrela. Me lembro de uma cena do enterro do caminhão dos bombeiros passando e no plano de câmera um banner enorme do antigo Mappin no prédio. Minha mãe contava que eu a ouvia nas trilhas de novela e chamava os outros para dançar e confesso que não sei porque eu gosto dela desde criança, mas eu gosto e como gosto.

Com advento do youtube vi Elis de todas as formas que não pude quando era pequena. Vi Tv Mulher, Tv Cultura, Globo, Bandeirantes, todos os programas que ela foi, além de atualmente seus filhos falando dela em todas as emissoras. Não quis ler os livros e não foi por falta de oferta, minha mãe quis me dar vários e não por não querer saber ou achar a falha, e sim por viver aquela vida intensamente nos livros e ver o fim triste de cortar o coração. E sim, eu sei tudo que ela fez, tomou, usou, bebeu, fumou, mas eu sei o que ela fez com o microfone. Elis viveu apenas, e viveu o seu sonho que era cantar e nada mais.

Quando soube do filme fiquei na expectativa por ele. Esperei 1 ano até que o cinema da minha cidade falhou e não passou o filme e como não podia ir em outro lugar para ver, esperei com ansiedade. Infelizmente não houve uma outra forma de ver e hoje consegui e ainda bem que não fui no cinema. Ia xingar até não poder mais e fiquei extremamente decepcionada, porque o biografista Hugo Prata ter feito um roteiro tão cafona e superficial que eu senti mais a Elis na minissérie da Globo do que no filme. Andréia Horta no papel de Elis Regina é impecável e vi que ela tentou, mas o roteiro ruim não deu para fazer milagre. Além de muita coisa melhor para ser contada foi omitida. Cadê águas de março? Não tem Tom Jobim com disco maravilha dos dois, além de nada de Gil, Caetano, Milton Nascimento.

Salvo somente a Andréia Horta, porque o filme peca extremamente não mostrando a potência e genialidade da Elis Regina no filme e só mostrando uma mulher mais frágil e influenciável, além de muito tempo com Bôscoli e negligenciando Mariano que foi o seu maior parceiro musical. Sincero não gostei, vou voltar para o youtube.

Fabiana Murray

Uma obra faraônica em construção. Host do Alias, Aspirante a escritora, Cinéfila, Seriaholic, Humanas com Miçanga, Netflix sempre aberto nas séries, fã das mulheres mais empoderadas da telinha e das telonas e claro, sempre no mundo da lua!