A Princesa Prometida, uma ode a sessão da tarde

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    “Meu nome é Mateus Mantoan, você leu minha resenha, prepare-se para assistir a um filme incrível”

Há exatamente trinta anos um filme era lançado, um filme que veio fazer uma paródia do gênero conto de fadas, muito antes de Shrek, podíamos assistir A Princesa Prometida, um clássico da sessão da tarde perdido no tempo que hoje poucos se lembram ao fazerem suas listas de “melhores qualquer coisa”.

Existem diversas histórias sobre princesas, príncipes, plebeus que viram príncipes, reis traídos, maldições e tudo mais. Entretanto nenhuma dessas histórias conseguiu ser mais completa e instigante do que A Princesa Prometida. Nenhum outro filme de princesa conseguiu unir um casal improvável apaixonado, conspiração, pirataria, vingança, magia e ladrões de maneira tão magistral.

Somos apresentados no começo do filme a uma criança doente em seu quarto completamente datado dos anos 80 recebendo uma visita de seu avô, esse que vem para ler um livro para ele, o livro tem o mesmo nome do filme. Toda a história é narrada dessa maneira, uma metalinguagem incrível onde o personagem orelha do filme é tão espectador dele quanto nós.

“Como desejar”

Quando partimos para a narração do avô ele conta a história de uma plebeia chamada Buttercup  seu camponês de estimação, o Westley, esse camponês fazia tudo que ela pedia, sempre respondendo “como desejar”, eles se apaixonam, uma vez apaixonados ele decide sair pelo mundo atrás de dinheiro para poder bancar os dois, logo em seguida é contado que ele morreu assassinado pelo “terrível pirata Roberts”. Depois disso se passam cinco anos e o príncipe escolhe a mesma para ser sua esposa.

O filme segue uma linha simples interessante de história, em resumo: Buttercup sai para cavalgar, três sequestradores a sequestram, o Westley vestido de pirata Roberts mata o líder dos sequestradores e resgata ela, o príncipe e seus soldados capturam Buttercup de volta. Westley morre e os dois sequestradores que sobraram o resgatam e o revivem, eles invadem o castelo antes do casamento para resgatar a princesa e a resgatam. Durante isso também temos a história secundária da vingança do Inigo Montoya matando o assassino de seu pai. Como dito, linha simples e interessante.

Revi a alguns dias esse filme, diversos detalhes são interessantes em termo de produção, é raro quando a trilha sonora entra nas cenas e funciona tão bem. Tem um exemplo incrível, numa cena onde Inigo Montoya persegue por corredores o assassino de seu pai a trilha vai acompanhando seus passos e em um momento ele chuta uma porta, a cada chute a música sobe e volta, como se a trilha fosse composta com base no que está acontecendo na cena, isso é algo realmente raro, ainda mais depois dos anos 90.

Os personagens são muito bem construídos, o casa principal bem simples, mas pelo incrível que pareça com poucos clichês, Westley é um cara simples, ele assumiu o manto de um pirata e voltou para seu amor, ele tem muitos escrúpulos, tanto que não mata dois dos sequestradores de sua amada por perceber que eles estavam apenas trabalhando, diferente de seu líder que ele mata sem remorso. Para completar o casal demos Buttercup, ela é interpretada pela Robin Wright, conhecida na década de 90 por fazer a parceira do Forrest Gump, nos anos 2000 por apanhar do Sean Penn, e nos anos 2010 por interpretar Claire Underwood em House Of Cards. Ela no filme tem pouco espaço, mas com esse espaço ela se mostra muito firme e agressiva contra seus inimigos.

O príncipe é apenas um vilão genérico que quer dar um golpe burocrático se casando com Buttercup e matando ela em seguida. O James Mcavoy vira um sobre-humano no final de fragmentado, mostrando que as personalidades não mudam apenas a psique mas também suas habilidades físicas e motoras, mostrando que as pessoas traumatizadas e quebradas pela vida desenvolvem habilidades superiores ao demais humanos.

Temos um segundo vilão no filme, o chefe da guarda do príncipe, o mesmo homem que matou o pai de Inigo Montoya (que será analisado no próximo parágrafo) um sádico homem de origem nobre que tem seis dedos, o homem que matou um espanhol na frente do seu filho e fez questão de deixar a criança viva, um homem que criou uma máquina de tortura pelo simples prazer de ver outros sofrendo. Essa é a construção do personagem que é feita em segundo plano durante o filme.

“Você parece um cara decente, vai ser uma pena te matar”

“Meu nome é Inigo Montoya, você matou o meu pai, prepare-se para morrer” essa frase icônica fica na cabeça de todos que veem o filme. De longe o melhor personagem apresentado. O mesmo é um espadachim espanhol que vive por sua vingança, vive para matar o homem que tirou a vida de seu pai na sua frente quando ainda era uma criança. Inigo protagoniza duas das cenas mais legais do filme, a primeira é o combate com Westley onde ele está lutando com ele e admira a habilidade na espada dele, quando mostra que estava usando a mão esquerda enquanto era destro, nessa mesma luta é dita a frase “Você parece um cara decente, vai ser uma pena te matar”. Outra cena é justamente a da sua vingança, mesmo que ele seja diversas vezes cortado pela espada de seu inimigo ele consegue derrubar o homem de seis dedos, repetindo diversas vezes sua frase de efeito. E em mais uma cena brilhantemente construída, quando Inigo desarma seu combatente ele pede pra ele oferecer algo para não morrer, pede que ele ofereça dinheiro, poder e o quase moribundo oferece “tudo que ele quiser” Inigo chega perto dele e diz “quero meu pai de volta” enfiando sua espada no coração com força. O escritor dessa resenha acabou de ficar arrepiado ao escrever isso.

O filme é uma sequência de cenas quase tão legais quanto a descrita no último parágrafo, cheio de detalhes e sem nenhuma barriga no roteiro. Personagens incríveis e construídos com poucas palavras, com uma trilha que encaixa nas cenas, violência perfeitamente aplicada, sem frescuras nem hipocrisia, e tudo isso em menos de 90 minutos, um filme diversas vezes visto na sessão da tarde. É muito recomendável ver esse filme com a dublagem brasileira, nos serviços de Streaming ela é facilmente encontrada e acrescenta de mais no filme. Principalmente na dublagem do chefe da guarda e do Feezik, um gigante gentil que pelo seu absurdo tamanho não teve espaço nessa resenha.

    Fica assim a recomendação dessa obra prima do que pode ser considerado um filme B das histórias de contos de fada.

Por favor, comentem na postagem, interaja se não conhecia o filme e ficou curioso, se conhecia o filme mas havia caído no seu esquecimento e agora o lembrou com um puta sentimento de nostalgia. independente do motivo entre em contato.

 

Para falar direto com o escritor da resenha podem entrar em contato no twitter @mateusmantoan e no podcast Curva de Rio.

 

Mateus Mantoan

Podcaster e editor nos tempos livres ali no curvaderio.com, nômade nos tempos livres, freelancer no ministério da verdade. Tenho pouco tempo livre. Futuro unificador da Jugoslávia

  • Fabiana Murray

    Nossa, eu adorei! nem me lembrava mais desse filme.