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A saudade, onde ela está?

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Olá Leitor, se você está lendo essa coluna é porque deve estar se perguntando: o que isso tem a ver com TI?, ou também percebeu que a saudade já não é algo tão comum.

Nestes últimos anos, 10 para ser mais preciso, tivemos um aumento muito grande na capacidade de comunicação, e isso não se limitou somente à escrita. Hoje temos as facetimes e um enormes possibilidades de conversação com pessoas que moram longe.

 

Por conta disto dizemos até que a tecnologia aproximou as pessoas, mas será mesmo?

Possivelmente em um dos teus aplicativos de mensagens haverá pelo menos um que seja grupo de família, e estou sendo muito conservador nesta análise;

Agora me responda: quantas vezes você já quis sair do grupo, ou em casos mais dramáticos até mesmo saiu de um ou de vários; E por que isto ocorre, por que em grupos de pessoas desconhecidas ou que possuem algum tipo de temática que gostamos isto não ocorre com tanta frequência, mesmo que se fossem analisados os tipos de conteúdo eles são paralelos na forma do comportamento dos usuários?

 

O que se sabe de nós, humanos, é que necessitamos sentir falta, ou saudade, e que também queremos ser escutados seja sobre qual assunto for; isto não costuma acontecer em grupos de família, mas tem uma maior chance de acontecer em outros grupos.

Eu posso apostar que se o seu perfil digital é de uma pessoa mais conservadora você ainda sente saudades, e curte muito mais sua família quando estão em uma daquelas esperadas festas de fim de ano ou o aniversário de alguém como um avô ou avó. E por que isto ocorre?

 

 

 

Primeiro as pessoas que não interagem tanto com outras por meio digital tendem a lembrar das outras pessoas com mais frequência em sua vida real, ou seja, o local neural (hipotálamo), onde o sentimento de perda se dá, está mais ativo que em pessoas que se comunicam com mais frequência por meios digitais, melhor dizendo, a causa dessa atividade e a forma com que isto ocorre, ainda é mais frequente nesse tipo de pessoa, mais para além disto o cérebro grava o causador dessa necessidade ou o causador dessa não necessidade; isto quer dizer que, quando alguém só fala com você sobre trabalho pelo Telegram/Whatsapp e esse mesmo indivíduo escolhe falar sobre o cotidiano pelo ALLO ou Facebook é porque ele às vezes inconscientemente escolheu locais virtuais onde se sente melhor falando sobre um ou outro assunto. Em tempos menos modernos ou em um papo da vida real, seria aquele momento onde esse indivíduo esperaria pelo momento certo para falar sobre cada um desses assuntos, e essa espera causa nele mais estresse, que não necessariamente é ruim, na verdade dá ao indivíduo capacidade de controle próprio e o mais importante, quando ele inicia o assunto aquele momento é valorizado, e o cérebro entende que aquele estresse valeu a pena, assim é na saudade, não é o momento em que se está, mais o que se leva após o encontro, que dá aquele evento algo à ser recordado. Ora isto se chama saudade, ora se chama nostalgia.

 

Acredito que você já tenha utilizado as seguintes frases; “Vamos para o Messenger?”, “Vamos para o Whatsapp”, “Vamos para ….” isto ocorre porque você por algum motivo se sente mais confortável falando sobre um ou outro assunto, neste ou naquele aplicativo e como isto interfere na saudade?

 

Bom, o que se sabe da saudade é que ela tem muito a ver com nossos traços primitivos, onde homens e mulheres poderiam ficar longe por muitos dias e este estresse de perda vinculado a nossos antepassados moldaram o que nós entendemos como saudade;

 

 

Mas a saudade como você bem sabe é algo que só pode ser sentida quando perdemos algo ou alguém, e quando digo perda não falo sobre mortes ou um item roubado, ela também está presente nestes casos, mas, a saudade que me refiro são das pessoas que nos são agradáveis.

Entenda que este artigo não é uma crítica à pessoas que utilizam redes sociais com muita frequência ou algo do tipo. O que espero passar por meio deste texto é que nós, eu e você, tenhamos uma melhor ideia do porquê, apesar de estarmos em constante comunicação, ainda nos falta o fator realidade e o fator saudade em nossas conversas, e que isto modifica a forma com que vemos os nossos semelhantes.

 

E que por mais cômodo que seja conversarmos por meio dessas novas tecnologias, que isto não substitua a nossa capacidade de ter empatia sobre as pessoas;

Um forte abraço digital e até a próxima!

 

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Desenvolvedor e Pesquisador. Ademais só o mesmo.