AS QUATRO ESTAÇÕES

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Arte: Tim Sale

Roteirista: Jeph Loeb
Colorização: Bjarne Hansen

Lançadas entre setembro e outubro de 1999 (no Brasil), em 4 edições. Cada uma das edições representa uma estação do ano e respectivamente um ponto de vista diferente do Superman (por exemplo no Outono a história é narrada pelo Lex Luthor). E assim a trama se desenrola mostrando um Clark Kent tímido, introspectivo até um Superman confiante e frágil. Apresentarei aqui 3 motivos para você ler/comprar ou mesmo presentear alguém (especial e ligeiramente nerd) com essa revista: 1) O traço e a belíssima colorização. Deus do céu, aonde arranjaram esse colorista, Bjarne Hansen? Estranhamente é muito difícil achar alguma foto dele na internet. No máximo sua galeria de trabalhos. Chega a ser irônico saber que Tim Sale é daltônico. Se você assistiu Heroes, talvez fique surpreso ao saber que era o Tim Sale que fazia os quadros que o personagem (drogado dependente químico) Issac Mendez pintava (para prever o futuro). 2) Um Jeph Loeb ainda não tão lesado, como esse roteirista descaiu tanto! Hoje ele só faz trabalhos voltados para a ação descerebrada. No entanto, essa HQ tem diálogos e monólogos memoráveis, principalmente na edição 1 e 4 que são as melhores. Não vou mentir, algumas situações parecem meio desconexas e mal explicadas (exemplo: o plano do Luthor, eu juro que li e reli e não entendi direito como ele conseguiu fazer o Superman cair no plano). Mas no geral a história, os roteiros honestos e simples compensam isso de forma magistral. Impressão minha ou na maioria das boas histórias do Superman ele dificilmente precisa dar um soco em alguém? Paixão e criatividade são a alma e o coração de tudo na vida, inclusive uma agradável história. 3) As Quatro Estações tem como mote principal o amadurecimento. Quando somos jovens (quase sempre) imaginamos que o mundo vai se dobrar a nossa vontade e quando caímos mostramos o quanto somos frágeis. Um ponto de vista egoísta as vezes pode custar uma amizade. E assim essa história mostra como um terceiro (Clark Kent/Superman) é visto pelo outro, tanto aqueles que o conhecem profundamente como aqueles que vêem apenas uma parte de quem ele realmente é. Confesso que nessa resenha o meu lado pessoal pesou muito, mas a força dessa HQ soa para mim como uma bela música clássica. E as vezes lágrimas são inevitáveis. É uma pena que mesmo Smallville usando muitos elementos dessa HQ (principalmente na primeira temporada) conseguiu se perder miseravelmente. Na verdade, acredito quando a série resolveu evoluir sua cronologia o mais lenta (e bizarramente) possível praticamente decretou seu “fracasso”. Para mim essa HQ transcende sua mídia e se torna uma obra de arte. Parabéns Bjarne Hansen e Tim Sale.