CÉU, INFERNO E DANTE: A REPRESENTAÇÃO DA RELIGIÃO NA CULTURA POP

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Saudações nerds, geeks, religiosos, espiritualizados e ateus de todo o mundo! No artigo desse mês, vamos tratar um paralelo da importância dos mitos, lendas e registros religiosos da humanidade, de seus primórdios até os dias atuais, com tudo o que permeia a cultura pop! De livros ao cinema, de músicas aos quadrinhos, vamos ver como a religião se faz presente e importante até mesmo em nossos hobbies! E como é de costume, não entrarei aqui no mérito de certo ou errado, de ter ou ter uma fé. O objetivo aqui é apenas mostrar como esse lado metafísico é retratado!

E antes de começar, queria deixar também um enorme obrigado ao meu querido amigo e parceiro Teamblue, que editou quase todas as imagens do artigo, que não sairia sem a ajuda dele! Valeu cara, você é foda!

 

A RELIGIÃO NO MUNDO

Nórdia, Grega e Egípcia: mitos politeístas (imagem editada por Teamblue)

Desde os primórdios da humanidade, o ser humano busca respostas para explicar o fenômeno do mundo ao seu redor. Antes do surgimento das religiões monoteístas (baseadas em apenas um único Deus)o homem já significava a natureza com caráter divino. As primeiras religiões creditavam esse ar de divindade para o Sol, a chuva, os astros, e os fenômenos da natureza.

Com o passar dos anos e das gerações, com os choques culturais das invasões de outros povos e da expansão marítima, religiões que se concentravam em pontos específicos do globo se espalharam por todo o planeta, enquanto várias outras religiões foram extintas. Muitas culturas foram absorvidas por outras culturas, tendo seus nomes alterados para servir aos dogmas daquele povo, como  ocorrido com a cultura grega após a conquista do império romano.

Nos dias atuais, existem várias religiões diferentes, e muitas variáveis dentro da mesma linha religiosa. O cristianismo, por exemplo, tem mais de quatro vertentes diferentes, tendo como base o mesmo livro sagrado, a Bíblia.

 

Um Mundo, Várias Religiões

Seja para servir como uma bússola moral, seja para dar respostas aos sofrimentos da alma, seja para dar um sentido na existência, cada pessoa leva sua fé para o caminho que melhor lhe atende em suas necessidades íntimas. Muitas religiões existem há milênios, como o Judaísmo e o Islamismo. Algumas já são crenças mais recentes, como o Kardecismo, e existem as culturas religiosas consideradas pagãs, baseadas nas culturas pré-monoteístas. E claro, em meio a tanta diversidade, temos também aqueles que não tem crença alguma, sendo totalmente ateus, e aqueles que tem uma espiritualidade, mas não se prendem a dogmas de uma religião específica.

 

Independente de sua visão de vida e religião, o importante é ter respeito e tolerância. É saber que a pessoa do seu lado tem uma visão diferente da sua, aceitar isso, e viver em paz com essa ideia!

 

O CÉU E O INFERNO

Existirá um dia um consenso sobre Céu e Inferno?

Um dos pontos em comum entre quase todas as religiões ao redor do mundo, é a visão de que a morte não é o fim de toda a existência, e que existe uma “vida” ou uma sequência de eventos após a morte. É um ponto em comum que algo exista, mas o que é esse algo, varia de acordo com cada cultura.

A visão mais comum a ser vista, é a existência de um Céu e um Inferno, dois planos completamente opostos entre si, que abrigam as almas imortais daqueles que morreram na vida terrena. Essa visão de céu e inferno, apesar de variar para cada religião e cultura, tem muitos pontos em comum.

Geralmente, o Céu é tratado como um lugar de luz e muita paz, de tranquilidade e harmonia, com abundância de beleza, onde as almas justas e boas, que seguem os dogmas de sua religião e vivem de acordo com suas leis vem parar. Muitos refletem o céu como um lugar ausente de qualquer tipo de sofrimento, com dádivas e méritos de reconhecimento a vidas sofridas e de entrega. Essa visão celeste é muito difundida em religiões cristãs, mas não é exclusividade dessa cultura. Islamismo, Judaísmo e várias outras religiões não cristãs também tem a visão de um plano celeste, de harmonia e paz, para onde as boas almas vão. Obviamente, os modelos de céu correspondem às visões dessas religiões, e não são os mesmos modelos para todas.

Céu e Inferno são opostos que se complementam.

O Inferno, por outro lado, seria o local para onde as almas ruins vão. Geralmente retratado com um local de muito sofrimento, chamas incessantes, paisagens desérticas e áridas, com muito sangue e almas em sofrimento. A ideia do Inferno muitas vezes é usada como forma de amedrontar ou assustar as pessoas para que as mesmas usem seu livre-arbítrio para agir de forma correta e justa, evitando assim a punição eterna após a morte.

Não é incomum atribuir ao inferno a presença de demônios e pecadores, do próprio Lúcifer (ou Satanás, Satã, Capiroto…), e da fonte de todo o mal no mundo. Geralmente essa visão mostra o Inferno como sendo a fonte de todo o mal na existência.

Em alguns pontos de vista, o Inferno não é uma morada eterna, mas uma passagem necessária, uma punição pelos pecados cometidos em vida, que quando expiados, liberam a alma para seguir em frente.

Mesmo as culturas que acreditam na reencarnação da alma, Céu e Inferno existem para receber as almas após suas encarnações, de acordo com seus atos e sua vivência. Apesar de ser retratado como fonte de sofrimento e ausente de esperança, o Inferno não é mostrado como uma prisão da qual nunca se pode sair. É justamente a esperança, o perdão, o amor e a fé, sentimentos que são inexistentes lá, que podem conceder a salvação a um a alma.

 

DANTE, A COMÉDIA, E OS PADRÕES POPULARES DE CÉU E INFERNO

A obra A Divina Comédia (a princípio batizada apenas como Comédia), apesar do que seu nome a princípio sugere, é um poema épico/teológico, escrito por Dante Alighieri. A data exata da construção da obra não é clara, mas estima-se algo entre 1304 e 1321 (a data de seu falecimento).

Escrita em dialeto toscano (que se parecia, na época, em muito com a hoje conhecida língua italiana), e não em latim, como era costume na época, a obra foi responsável pelo grande feito de mostrar que outras línguas eram eficientes e capazes de grandes obras. Composta por três partes (Inferno, Purgatório e Paraíso), o poema narra a aventura de Dante (sim, o próprio autor) que parte em uma jornada em busca de sua amada Beatrice, sendo guiado e aconselhado por Virgílio, o poeta grego autor da Eneida. Durante sua viagem, Dante e Virgílio passam por todo o Inferno, pelo Purgatório, até que Dante sozinho atravessa os portões do Céu, e percorre todo o Paraíso. Através da narrativa dessa jornada o poeta italiano mistura conceitos de várias culturas diferentes, inclusive a cristã, para compor sua visão do mundo após a morte, e que ficou difundida e mundialmente conhecida até os dias de hoje, servindo como referência para várias obras posteriores que retrataram, de alguma forma, o mundo metafísico após a morte.

Dante e seu Poema, por Michelino

Na visão de Dante, o Inferno é acessível somente com a condução de Caronte, o barqueiro que transporta os mortos pelo Rio das Almas. Em sequência, o poeta atravessa todo o Inferno, que segundo ele é composto da seguinte forma:  Primeiro Círculo, o Limbo (virtuosos pagãos); Segundo Círculo, Vale dos Ventos (luxúria); Terceiro Círculo, Lago de Lama (gula); Quarto Círculo – Colinas de Rocha (ganância); Quinto Círculo – Rio Estige (ira); Cidade de Dite/Dis; Sexto Círculo, Cemitério de Fogo (heresia); Sétimo círculo, Vale do Flegetonte (violência); Oitavo círculo, o Malebolge (fraude); Nono Círculo, lago Cocite (traição) .

Durante a travessia pelo Inferno, Dante se encontra também com as almas de vários grandes nomes da cultura mundial, como Homero, César, Saladino, Platão, Sócrates,  Anaxágoras, Tales, Sêneca, Ptolomeu, Hipócrates, Cleópatra, Epicuro, Alexandre e Átila.

O Inferno, de Botticelli

 

Após passar pelo Inferno, Dante e Virgílio chegam até o Purgatório, que é descrito como um espaço intermediário entre o Céu e o Inferno, habitado pelas almas arrependidas de seus pecados, que estão em busca de redenção e passagem para os céus. Segundo a descrição do poeta, o Purgatório é divido em sete círculos ascendentes, com cada um deles representando um dos sete pecados capitais, na seguinte ordem: Orgulho, Inveja, Ira, Preguiça, Avareza, Gula e Luxúria.

 

A Síntese do Purgatório

No topo dos sete círculos do Purgatório está o Portão de São Pedro, a entrada do Céu. Segundo o poeta, o Paraíso também é dividido em dez círculos, sendo o décimo de pura luz, onde no centro habita a Santíssima Trindade.

A obra de Dante é uma das primeiras obras teológicas não religiosas do mundo. Mesmo tendo sua base principal na mitologia cristã, o poeta também usa muitos elementos da mitologia grega, e outros mitos pagãos conhecidos até a época. Essa visão ilustrada por ele molda a visão metafísica de Céu e Inferno até os dias de hoje, e é umas principais responsáveis por aproximar conceitos religiosos de trabalhos não religiosos em todo o mundo.

 

O CÉU, O INFERNO E A RELIGIÃO REORESENTADOS CULTURA POP

Céu, Inferno e vida após a morte são assuntos frequentes e recorrentes dentro da cultura pop. Seja na forma de filmes, músicas ou séries, do terror à comédia, eles fazem presença nas tramas, retratando uma visão que em sua maioria não assumi abertamente uma religião, mas faz referências a uma ou várias em maior ou menor grau. Seja utilizando da mitologia já estabelecida, ou criando uma mitologia própria, a visão do Céu e do Inferno tornou-se um tema importante dentro da cultura nos últimos séculos. Deixou de ser um tema a ser discutido apenas dentro dos círculos religiosos ou acadêmicos, para ser um tema abertamente discutido, debatido e refletido.

É importante lembrar e ressaltar que a visão cultural do mito do Céu e do Inferno é um reflexo artístico, e não uma obra que reflete uma verdade religiosa ou um dogma a ser seguido. O intuito da arte é retratar a visão do artista, seu ponto de vista, passar uma mensagem ou ideia. Com isso, a veracidade dos fatos e da criação artística fica subjetiva à visão do próprio artista, não sendo portanto o reflexo do pensamento coletivo ou da obra original.

Um dos exemplos mais famosos do uso dos mitos de Céu e Inferno recentes é a série Supernatural (Sobrenatural no Brasil). Na série os irmãos Sam e Dean Winchester se deparam com anjos, arcanjos, demônios, e até personagens bíblicos como Lúcifer, Caim, Rafael, Miguel e o próprio Deus. O Paraíso e o Inferno são também frequentemente retratados na série, que além de mitologia cristã, apresenta também personagens das mais diversas mitologias como o deus nórdico Loki, lobisomens, vampiros, os Leviatãs, fantasmas, hellhounds e muitos outros.  Apesar da série não retratar exatamente a composição do Paraíso e do Inferno, deixa claro que, assim como Dante colocou, o Purgatório é um lugar alheio aos outros.

Castiel, Escuridão (Darkness), Deus (Chuck), Crowley e Lúcifer – imagem editada por Teamblue

Já nas animações, temos clássicos exemplos do uso de mitologia, do Céu e também do Inferno. Clássicos animados do início da era da animação fizeram uso de personagens com trajes de anjos ou demônios, ou mesmo personagens que paravam no Céu ou no Inferno. Um dos exemplos está no desenho Tom e Jerry. O episódio n° 4, “Heavenly Puss (Um Gato no Céu)”, mostra Tom sendo atingido por um piano e morrendo. Com isso sua alma vai para uma fila onde há o julgamento das almas, e Tom vê vários gatos “do mal” ali. Após o julgamento de sua alma, Tom recebe o aviso que irá para o inferno por toda a maldade feita com Jerry, a menos que consiga dele uma assinatura no contrato de perdão. Como Tom não consegue essa assinatura, acaba caindo no inferno, até que é queimado com uma brasa de carvão e acorda próximo à lareira.

Heavenly Puss (Um Gato no Céu), episódio de Tom & Jerry

Mas não apenas os desenhos curta-metragem ou seriados tem episódios com Céu e Inferno. Longas animados também marcam presença com essa temática, como o clássico premiado “Todos os Cães Merecem o Céu”, que narra as aventuras do pastor alemão Charlie B. Barkin, que após ser assassinado por seu parceiro, desiste de entrar no Céu para buscar por vingança. Outro longa animado com essa temática é “The Book of Life (Festa no Céu)”, que conta a história de Manolo, que acaba embarcando em uma incrível jornada por três mundos diferentes: dos Vivos, dos Esquecidos e dos Lembrados.

Todos os Cães Merecem o Céu e A Festa no Céu – imagem editada por Teamblue

Lá do outro lado do mundo, nas terras orientais, também é comum o uso da religião e da mitologia dentro de suas obras. Um exemplo muito claro disso são os mangás japoneses, que não raramente exploram o mundo do além-vida em suas temáticas. Os Cavaleiros do Zodíaco, de Massami Kurumada, é um dos mais famosos exemplos no Brasil (principalmente por causa da animação de mesmo nome). De acordo com o mangá, de tempos em tempos, quando o mal surge na Terra, a reencarnação da Deusa Athena vem ao mundo, e reúne jovens com habilidades fantásticas. Sendo contrária ao uso de armes, ela concede ao seus guerreiros poderosas armaduras protegidas pelas constelações, e o poder do cosmo, sendo eles conhecidos como os Cavaleiros do Zodíaco. Durante a famosa Saga de Hades, a fase final do mangá, os Cavaleiros vão até o Inferno, e depois até o Paraíso, para derrotar o deus dos mortos Hades. A mitologia usada por Kurumada é muito semelhante à visão explorada por Dante em sua obra. Os Cavaleiros encontram também, apenas no longa animado, o próprio Lúcifer! Vale destacar que, mesmo sendo protetores de Athena, uma deusa grega, os próprios cavaleiros tinham religiões diferentes, como Hyoga de Cisne que é cristão e Shaka de Virgem que é budista.

Poseidon (Deus dos Mares), Hyoga (cristão), Shaka (budista), Athena (Deusa da Sabedoria e da Guerra), Abel (Deus do Sol), Éris (Deusa da Discórdia) e Lúcifer – imagem editada por Teamblue

Outro grande exemplo importante é YuYu Hakusho, de Hioshihiro Togashi, que também ficou famoso no Brasil por conta de sua versão animada, onde o jovem bad boy estudante Yusuke Urameshi morre salvando uma criança de um atropelamento, surpreendendo o próprio Céu que não esperava essa atitude dele (ainda mais levando em consideração eu a criança não se machucaria no acidente de qualquer forma). Recebendo a chance de voltar a vida do próprio Koenma, filho do Grande Enma Daioh, Yusuke passa então a trabalhar para o Mundo Sobrenatural como um Detetive Espiritual, resolvendo vários casos envolvendo demônios e seres mitológicos nipônicos.

Claro, outra obra que não poderia deixar de ser citada é Berserk, o mangá de Kentaro Miura, que narra as aventuras brutais de Gutts contra uma armada de demônios, e até mesmo uma viagem até o inferno. Ficou famoso no Brasil no auge da pirataria de animes que popularizou vários “desconhecidos” da mídia brasileira que também fazem uso da mitologia como Chrono Crusade, Soul Eater e Evangelion.

Chrno Crusade, YuYu Hakusho, Dragon Ball, Berserk, Evangelion e Soul Eater – mangás com a presença da mitologia nipônica (imagem editada por Teamblue)

A literatura não podia ficar de fora também! Não apenas A Divina Comédia usa esse tema, e essas características, mas um grande número de livros o fazem. Uma parcela grande da literatura espírita faz uso das descrições do Céu e do Inferno, e também da vida após a morte, a reencarnação e a justiça divina. Existem também obras que falam da religião, ou a usam como tema, em um aspecto mais político, como as obras de Dan Brown.

Em Anjos e Demônios, Dan Brow coloca o simbologista Robert Lagdon em uma disputa que atravessa a história da humanidade entre ciência e religião, e as diferentes formas como cada uma concebe sua visão de existência. Na continuação, O Código Da Vinci, Robert Langdom está de volta para enfrentar uma trama que remonta às obras do famoso artista e suas ligações com a história do cristianismo. Já em Inferno, Lagdon se envolve em uma trama envolvendo a obra de Dante Alighieri.

A Cabana, Anjos e Demônios, O Céu e o Inferno, Violetas na Janela – literatura com religião das mais diversas formas (imagem editada por Teamblue)

Nos cinemas, vários longas usaram esse tema, deixando marcadas sua importância na história dessa arte. Clássicos como O Exorcista são cultuados até os dias de hoje. Mas não é uma exclusividade dos filmes de terror fazer uso do gênero, já que sua presença também é marcada em gêneros como o drama. Uma das mais famosas obras dramáticas com essa visão é Amor Além da Vida, que narra a aventura de um homem após a sua morte para resgatar a alma de sua esposa. A comédia também marca sua presença, como mostrado em Little Nick – Um Diabo Diferente, que mostra as aventuras de Nick, filho de um anjo e de um demônio, que está agora na Terra.

E nos games? Claro que essa temática está presente! E muito! Desde clássicos da era dos 8-Bits como Castlevania, à épicos modernos como Guitar Hero 3 e Dante’s Inferno (inspirado n’A Divina Comédia). Seja como citação ou referência, ou fazendo parte fundamental da plot principal como em Xenogears, os games sempre se valem do uso da religião e de suas mitologias e importância política.

Assassins Creed, Dante’s Inferno, Guitar Hero III e Xenogears – imagem editada por Teamblue

 

Até mesmo os quadrinhos tem seu Céu, Inferno, e até mesmo religião. Na DC Comics, temos a presença dos Novos Deuses, criados por Jack Kirby, e toda uma mitologia em torno destes personagens com características divinas, incluindo um dos maiores vilões da mitologia da editora, Darkside. Mas a mitologia católica também marca presença, com a representação de Zauriel, um anjo que foi banido do Paraíso para a Terra, e junta-se à LJA para salvar o mundo (e está presente em sagas como A Pedra da Eternidade, DC Um Milhão e Crise Infinita). O Inferno também marca presença na editora, com a série Hellblazer, que mostra as aventuras de John Constantine, que vira e mexe vai parar no inferno por algum motivo. Mas mesmo no Universo Regular da editora, o Inferno já marcou presença, como na saga Vingança do Submundo, em que o demônio Neron faz um pacto com vários vilões da editora, e também no Universo Novos 52, com a série Os Cavaleiros do Demônio, que mostra o demônio Etrigan e vários outros personagens (dentre eles conhecidos como Vanda Savage e Madame Xanadu) na era medieval, lutando contra Lúcifer e Morgana pelo controle da lendária Camelot. Lúcifer, inclusive, depois de aparecer na série Sandman, ganhou também uma série própria, que inclusive está sendo adaptada para a TV, em formato de série de mesmo nome.

Zauriel, Etrigan, Demônio Azul, Lúcifer Morningstar e Neron – imagem editada por Teamblue

Já na Marvel Comics, a mitologia também está presente nas figuras de divindades que que se relacionam diretamente com heróis e humanos, como os asgardianos Thor e Loki ou o grego Hércules. A fé dos personagens também é claramente mundana, como Tony Stark que é ateu, ou o Capitão América que é católico, ou mesmo a Feiticeira Escarlate que tem origem cultural cigana. E demônios também existem por lá, e também fazem pactos com humanos e heróis. Um exemplo claro, e recente, seria o Mefisto, que fez um pacto com Peter Parker, o Homem-Aranha, nas sagas Mais Um Dia e Um Novo Dia.

Motoqueiro Fantasma, Blackheart, Thor, Hércules, Loki e Mefisto – imagem editada por Teamblue

Outro amado hobbie são os games de RPG, os populares “RPGs de Mesa”. Cada cenário possui sua própria mitologia, com seus deuses, universos paralelos, conceitos de vida e morte e muito mais. Vários personagens, como Clérigos e Paladinos, são diretamente ligados às divindades, e fortes devotos dos dogmas de alguma religião.

O Panteão de Arton, as divindades do cenário medieval de RPG brasileiro Tormenta

CONSIDERAÇÕES FINAIS

É fato que a arte imita vários aspectos da vida, assim como a vida tenta imitar o que é retratado na arte. Dessa forma, algo tão fundamental na existência social do ser humano como a religião, sejamos nós pessoas devotas ou não, não poderia ficar de fora das manifestações artísticas.

É importante lembrar que a forma como a religião é usada em obras de arte, sejam elas quais forem, é pura manifestação artística daqueles que a concebem. Não se baseie em uma obra para definir seu conceito de religião, de pós vida, de Céu ou Inferno, de Deus ou Deuses, de aliens ou duendes.

Seja qual for a sua religião, lembre-se que o que está sendo mostrado ali, como expressão de arte, tem o objetivo de passar uma mensagem, constar uma história, despertar um sentimento, chamar a atenção a um ponto de vista. Não é o intuito ofender a sua religião, o seu ponto de vista, ou dizer que você está errado por acreditar no que crê, ou de não acreditar em algo.

Nossos hobbies favoritos refletem a seu modo a sociedade em que vivemos, e fazem parte de nossas vidas pessoas com as mais diversas fés, crenças, pontos de vista, interesses, gostos, pensamentos e muito mais! Assim como respeitamos a nós mesmos, vamos respeitar as diferenças, comparar os diversos pontos de vista, absorver o que é bom para a vida, e descartar o resto!

A cultura pop tornou a religião pop, derrubou tabus, aproximou horizontes, e despertou o interesse de muitas pessoas por uma busca maior pela espiritualidade. Seja qual for o meio pela qual ela serpa expressa, na arte, ela sempre será parte da visão de quem produziu. Pequenas peculiaridades, pequenas influencias de outras culturas. A arte reflete a vida, e faz parte do populismo mundial.

Eduardo Filhote

Filósofo, podcaster do Machinecast, brisador por natureza, nerd por vocação, e viciado em cultura pop por opção. Em dias normais uma pessoa normal.