Diário de um Mago I

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Sim, é o Diário de um Mago, mas não é o livro do Paulo Coelho…

Como alguns devem ter acompanhado, joguei Storyteller na live stream do Cultura Nerd e Geek. Meu personagem foi um mago, e nesta série de posts disponibilizarei o diário do meu personagem.

Por que o diário de um personagem de RPG pode ser conteúdo de uma coluna de filosofia?

Bom, durante uma partida de RPG muitas coisas em entram em jogo: moralidade, conhecimentos, metafísica, visão de mundo, visão de pessoa… enfim, muita coisa. Todas estas coisas são passíveis de análise filosófica. Além disso, pretendo mostrar como elementos filosóficos estão presentes na interpretação dos personagens, sistemas de jogos e demais elementos de uma boa partida de RPG.

Ainda parece algo confuso… Qual o objetivo disso tudo?

Veja bem, acredito que o RPG é uma ótima ferramenta pedagógica. Numa partida de RPG normalmente mestres e jogadores trocam muitas informações e conhecimentos, dos mais genéricos aos mais específicos. Ao interno do jogo tais conhecimentos são colocados em prática, de uma maneira lúdica e interdisciplinar. Pretendo deixar isso mais claro ao longo das postagens e da análise do jogo, ressaltando quais elementos de conhecimento meu personagem exigiu de mim, de que modo a filosofia me ajudou a jogar e, por fim, o que se pode aprender ou elencar de filosófico de cada partida.

Então, vamos à introdução da série:

Mago a Ascensão é um dos RPG’s do cenário de Mundo das Trevas. Neste jogo os personagens, magos, são capazes de manipular a realidade através da magia. Tendo os conhecimentos e a habilidades certas, praticamente qualquer coisa é possível para um mago. Claro que tamanho poder há uma limitação. Contrariar bruscamente a realidade consensual coloca o próprio mago em perigo.

Na série de RPG Revelações, interpreto um mago. A história do personagem antes do jogo é inspirada nos elementos do próprio jogo, da história da filosofia ocidental e na literatura fantástica:

Søren Kierkegaard, nascido em família conceituada na Dinamarca. Recebeu este nome de um de seus antepassados, de um passado não tão distante, o nome, que foi um filósofo bastante importante no ocidente. Também, há séculos a sua família dedica a educação dos filhos homens ao serviço da Guarda da Coroa Real.

Desde pequeno sempre gostou muito da literatura fantástica, sobretudo Tolkien, Rowling, Cornwel entre outros. Em seu imaginário infantil, sempre brincava de ser os personagens dos livros. Curiosamente sempre preferiu os livros aos filmes… Na escola secundária, começou a demonstrar interesse pelas ciências antigas: alquimia, hermetismo, radiestesia. Mesmo que não fizessem parte importante da grade curricular, ele pesquisava e buscava livros e práticas por conta própria.

Um dia, enquanto praticava ciências antigas em seu quarto, uma borboleta pousou em seu ombro e ele ouviu em sua mente “Espero que o chá esteja pronto às 5h, chegarei aí sem atraso.”

Mesmo achando estranho, ele sabia exatamente o que fazer: chá!

Instintivamente ele sabia quem viria. Queria que viesse!

Às 4:45h mesmo sem que ninguém batesse à porta, Søren resolveu abrir. E lá estava ele. GANDALF, O CINZENTO.
Tomaram chá juntos, conversaram como velhos amigos. Sobre a escola, sobre a família, sobre o estudo de ciências antigas… Depois Gandalf sentou-se na poltrona ao lado da lareira, indicou o cachimbo pedindo permissão, e logo começou a fazer arcos e outras formas com a fumaça. Foi muito divertido para Søren.

Antes de ir embora, o mago disse: “Você despertou! Estamos ligados por um vínculo inexplicável e misterioso (1). Te indicarei o caminho com as borboletas… sua curiosidade pela ciência e gosto pelo mistério se uniram num só paradigma. Precisa conhecer a mais profunda ciência e os mais altos mistérios para equilibrar sua inteligência e sua Magika. Você quer? Você está preparado? Vais deixar a escuridão dominar as luzes do teu saber? Queres inundar-te de luz?”

Seguindo as mensagens do Gandalf, Søren iniciou sua Magika com um tutor da Tradição Sociedade do Éter, não com os cientistas loucos e estereotipados, mas com os pesquisadores da antiga ciência. Depois de um tempo, Gandalf indicou outro tutor, desta vez da Ordem de Hermes. Com estas duas Tradições Gandalf afirma que Søren poderá trilhar um árduo caminho para a Magika, mas, por sorte, ele é jovem…

Desde os 13 anos ele vem conciliando escola secundária e leituras, treinos e práticas de Mágika, ainda associado aos estudos e treinamentos tradicionais da família para servir à Coroa. Agora que ele concluiu a escola secundária e já é maior de idade, disse ao seu pai que não deseja seguir a carreira na Coroa, mas que quer dedicar-se à ciência. Seu pai não aceitou e o expulsou de casa.
Sua mãe apenas conseguiu que seus avós lhe bancassem os estudos e moradia em outro país, e nada mais pode fazer.
Agora com 16 anos(2), Søren inicia sua nova vida no Brasil.
1: O avatar de Søren se apresenta para ele como o Gandalf
2: A maioridade na Dinamarca se dá aos 15 anos.

Esta é a história, resumida, do personagem antes do jogo. Nos próximos posts vou explicar alguns elementos da história e como eles se articulam com a interpretação do personagem e com o sistema do jogo.

Sugiro a leitura do livro Mago a Ascensão 3ed. Com certeza vai ajudar na compreensão.
Para os que preferem uma leitura resumida e introdutória, acesse:  Mago a Ascensão – Livro dos Espelhos

Também sugiro que assistam ao gameplay: Revelações

Dúvidas, sugestões, correções e comentários sobre o personagem, o jogo ou sobre a filosofia, são bem vindos!

Abraço!

Eduardo Martins

Seminarista Católico; Bacharel em Filosofia; Graduando em Teologia; Nerd; Jogador e Mestre de RPG.