Ergo #006 – Envelhecer

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Neste episódio do Ergo é abordado o envelhecimento, mas desta vez de forma um pouco mais pessoal.

Participação especial de Cafeína (Papo Delas), Orelha Miguel(Currada e Café com Porrada) e Thiago Rissut (Galera do Rau)

Tema: Envelhecer

Tempo do Episódio: 00:42:12


Padrinhos: 

  • Agatha Gonçalves
  • Olavo Montenegro
  • Vanei Anderson
  • Pensador Louco
  • Willian Lopes
  • Julian Catino
  • Dario Fukichima
  • Gharcya
  • Lohan Bentemuller


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Participantes:

Apresentador: Leandro Pereira

Roteirista: Leandro Pereira

Edição: Léo Oliveira (em substituição temporária ao Berg’s)

Arte da Vitrine: Léo Oliveira

Logotipo: Rafael Ramalli

Convidados:

  • Gharcia

    Audite Ergo Ado…

    Deveria estar ao sono mas sinceramente, como quase sempre acontece, o Ergo prende atenção.

    O assunto é um tabu na minha família… com tias que passaram fácil dos 80 e 90… e um avô, rezador, sabedor das ervas, diz a lenda, morreu aos 115. Escorregando no banheiro.
    Uma família longeva. No qual todos eram lúcidas. Saudáveis. Ativas. Morrem de ataque do coração.
    Algumas dormindo.
    Eu sou o caçula. Filho de caçulas.
    E temporão.
    Estou perto dos 36. Então temos a mesma idade. Mas eu já sou tio-bisavô.

    Somente hoje em dia eu percebo a velhice… não tive nenhum contato com o meu pai. Descobri que ele estava vivo ano passado… estava abandonado em uma cama de hospital. Sem saber direito onde estava.

    Sinceramente? Eu tb não sabia onde estava. Era um hospital em Ferraz de Vasconcelos. Ele tinha uma casa em Guaianazes. Então, naquele dia, estávamos os dois perdidos. Foi algum sacrifício encontrar a casa dele, achamos, e ele pouco ou nada lembrava do dia a dia. Mas certamente não sabia quem eu era. Sabe-se lá pq ele resolveu confiar em mim. Mesmo com Alzheimer.

    Descobrimos depois q uma das filhas usurpou todos os recursos e ele tinha uma casa, mutas dívidas, mas não tinha luz, água, comida… nada.

    Eu, na época q era fotógrafo, visitei asilos. São tristes. Optei por morar com ele. E ser cuidador, afinal, tenho administrado empresas com poucos recursos a tanto tempo… uma casa cheia de dividas e duvidas não foge totalmente disso.
    A parte nova era a velhice e doença.
    Aprendi muita coisa sendo cuidador nesse último ano.
    Muita mesmo.
    E ele escuta PodCasts. Curiosamente, como ele nasceu em 1931, o formato de rádio lhe parece familiar.

    • Gharcia, não tenho motivo algum pra te desculpar por contar uma história tão emocionante como essa.

      Raras são as pessoas que fazem o que você fez. Eu mesmo não sei se conseguiria fazer igual.

      O Alzheimer(ou diabetes tipo 3) é uma doença estranha. Minha avó e mãe estão cuidando do meu avô nessa condição e eu sei, a certa distância, muito do que vocês fazem. Felizmente no seu comentário eu vejo uma plenitude e esse senso de justiça e amor que tem. Cuida do pai, dos gatos, da própria família e ainda tem os cuidados de vir aqui comentar.

      Este comentário foi o melhor presente que eu poderia receber. Obrigado.

      • Gharcia

        Acho q escuto isso no Ergo.
        Cuidado.

        Existe todo um carinho pelo fazer bem feito e sempre trouxe à tona tantas questões humanas.

        É sempre bom comentar e fazer saber que, além de mim, o Ergo toca muitas pessoas. Mesmo q só algumas interajam, o que vc faz é importante pra muita gente muda, as quais vc dá voz.

        Que a Ventura conserve e guarde o ânimo e a saúde de sua família e tua tb.

    • Fabiana Murray

      Garcia socorro! Eu sou tia avó. hahaahahahahaha. Eu também cuidei do meu pai por 10 anos e comecei aos 5 anos a cuidar da minha avó porque minha avó tinha cancer e quem podia cuidar dela não trocavam a bolsa de colonoscopia. mamãe descobriu que eu fazia e com custo botou uma cuidadora. É difícil e meu pai era cantor, imagina com alzheimer! Ele cantava noite e dia, um tormento. Ah! Dos 14 aos 19 eu cuidei do meu avô e hoje da minha mãe. Ai chega não aguento mais!

      • Gharcia

        Nossa que luta hein Murray?
        Parabéns.
        Te falar q não incomoda a cantoria pq até peguei gosto pelas músicas. Mas ele tem esquecido as letras e canta cada vez menos.
        E, bem q vc lembrou: como caçula de caçula nunca conheci avós e tias mais velhas. Me safei. 🙂
        Abs e tudo de bom nas suas lutas.

        • Gharcia, o documentário Alive Inside que tem no netflix mostra o quanto essa cantoria é benéfica. Muito legal que ele ainda cante. Isto fará com que ele vá ainda mais longe.

          Um abraço

          • Gharcia

            Uia! Que dica boa.

            Eu nem imagino o que seria uma vida sem acesso a música. Sempre me corta o coração ver população de rua cantando e dançando.

            Grato pela dica.

            Abs!

  • Que delícia de episódio. O texto e as músicas tão bem feitos e casados. Parabéns Leandro e Léo pela edição. E como é bom ouvir mccartney e lembrar essa versão de Sid Vicious que tinha esquecido hahaha como eu achei demais qdo ouvi pela primeira vez ;), “real punk”
    Desde criança eu tenho uma ideia fixa que morreria cedo. Ora por medo de envelhecer, ora por acreditar que “os bons morrem jovem”, como dizia Renato. E qdo criança eu ouvia na família que morrer cedo era sinal que vc era uma boa pessoa. Sim, estranho, vai entender rs.
    Agora, com a nossa idade Leandro, imagino que estamos vivendo a mesma confusão do “meio do caminho”. Pego-me pensando a mesma coisa… daqui 35 anos. O medo da dependência, da rejeição… Enfim.
    Ah claro, e não poderia deixar de citar que Nelson interpretado por Orelhuxo Miguel me fez rir hahahaha
    bjins, vida longa Ergo, Erga Omnes.

    • É algo que havia esquecido… o preconceito com a velhice é tão grande que ainda tem isso. A pessoa se torna velha “porque é ruim”. Como pode isso? E aí tem essa de que as boas pessoas morrem cedo, ou aquelas que verdadeiramente aproveitaram a vida. Que bom que a gente chegou aqui pra saber que isto não era verdade.
      Temos 35 anos pra pensar nessa agonia. Quem sabe como estaremos nessa idade? Talvez estejamos super saudáveis. Vamos torcer.
      Orelhita consegue pegar uma música engraçada, mas extremamente repetitiva se tornar só engraçada. d+ né.
      Obrigado pelo comentário, pela participação e pelo apoio. Beijo!

  • Tiago Ramos Melo

    Um episódio que me emocionou, um dia a gente vai chegar nesse período onde a certeza da morte e lembranças do passado ficarão mais na mente, apesar dos problemas que vivemos nessa sociedade (que esculacha a vida do idoso em geral, mesmo tendo leis e etc.), estaremos cientes que um dia vamos ser essas pessoas que estão mais velhas.

    Estou em Fortaleza há cinco anos, não foi minha idéia mudar, meus pais queriam já voltar pra terra deles e ficar mais perto dos parentes, pois até nesse período de transição que perdi minha vó por parte de pai. Nesse dia foi muito triste, pois como estávamos em São Paulo e meu pai não tinha condições de ir pro velório dela (resalto também que também durante o falecimento do meu avô, ele foi só noticiado por um telegrama (isso em ’94) e fez uma correria pra ir ver ele) e ficou num silêncio e tristeza total, até foi um dos fortes motivos dele e de minha mãe voltar pra ver parentes e principalmente por minha madre pra ver os pais dela no interior.

    Sei que um dia partiremos, saber viver e ter boas histórias pra recordar e falar pra outras gerações, mas o que vemos é muito triste e até desrespeitoso, vejo meus tios (quase a mairoria ultrapassando os 50 e 60 anos) ultimamente e mesmo com a correria do dia a dia, não temos aquele pique de jovens, mas pelo menos ficar próximo, saber o que está acontecendo com alguém e nas conversas relembrando de parentes e amigos que se foram e vão ficar tristes por recordar por coisas boas é um bom começo pra que pelo menos você não esquecer das pessoas mais velhas, um simples conversar e até um oi vale a pena e, com certeza, você terá seus bons momentos em família. Não é a toa que todo domingo que folgo no trabalho visito eles pra ver as “novidades” e claro lembrar dos bons momentos de cada um.

    Esse episódio foi algo que deixou coisas muito profundas no meu coração e claro de todos que escutaram e também vamos redrobrar sobre a nossa vida, que apesar poder ser curta ou longa dependendo das suas decisões na vida, saberemos o que é ter esse valor da vida que todos querem ter. Parabéns aos envolvidos e sucesso pra todos…e claro “Vida Longa ao Ergo!”

    • Tiago, é isso cara. Tô emocionado. Que bom que seus pais tomaram essa decisão e tiveram a oportunidade de faze-la. Eu não sei como é perder um dos pais. Raramente a morte visita minha vida. Estamos sempre pensando que a vida não acabará, que temos muito tempo ainda… quem sabe quanto né:?

      Um grande abraço

  • Vanei Anderson Heidemann

    É difícil admitir que está ficando velho. Aceitei quando me convidaram pra jogar no time de futebol de veteranos.

    • eu não tive a oportunidade ainda de ser convidado nem pro time das crianças hahahaha

      um abraço Vanei, e cuidado aí que o tiozão garotão pode travar as costas!

  • Fabiana Murray

    Olá leandro! Eu adorei a explicação de Ergo, bem bacana. E sabe, eu estava falando sobre esse assunto com mamãe. Eu, apesar da alimentação que tenho, sou mais saudável que meus pais e eu fico besta! Não tenho a mesma energia, até papai era a energia nuclear pura! Velhinho dava de 10 a zero em muita criança, mas por exemplo tenho ossos melhores, tenho meus dentes pois meus pais não tinham mais na minha idade e era comum isso antigamente. E do plano estou chocada que até entrei em contato com a ANS, alias falei procon no telegram e é proibido. É discriminação! Feio isso! Mas eu amei o episódioe fiz textão! Ai minha tendinite! hahahahahahah

    • Falamos anteriormente sobre isto. Eu não sabia se era proibido, mas realmente, foi preenchida esta informação e era ponto importante pra eles me negarem a condição de segurado.

      É discriminação por um lado. Por outro, a lei é frouxa:

      LEI Nº 7.716, DE 5 DE JANEIRO DE 1989.
      Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

      Veja que não está incluso aí a sexualidade (depois houve uma complementação pra isto), a idade, o peso, orientação política, forma de se vestir (desde que não indentifique raça), a aparência e etc.

      É ridículo. Eu estou um pouco acima do meu peso ideal, mas eu basicamente não uso o plano de saúde e nem vou ao médico. Eu sou o cliente ideal pra planos de saúde…

  • Darley Santos

    Escutar o Ergo é sempre uma boa surpresa, sempre! Ás vezes dá vontade de descobrir a receita do Ergo, ou não, visto que é sempre bom ser surpreendido com um tema inusitado! E que tema tocante, hein amigo?! Já vivenciei a partida de várias pessoas em minha família, e o sentimento de legado é sempre presente nas reuniões de luto – “e que os anjos de luz a conduzam para o eterno descanso”. Verdade, há diferenças culturais na visão da velhice ao redor do globo, como descrito no cast, mas te digo que hoje em dia, tanto para pessoas idosas quanto para crianças, as coisas estão bem melhores.

    • Não sei se está melhor pras crianças. Vários estabelecimentos estão se colocando child-free e tem ***muita*** gente apoiando isto. De uns tempos pra cá, começou a ser aceitável isso, mas é o mesmo absurdo.
      Em outra época, era papel das crianças acharem seu próprio papel e identidade na sociedade. Hoje os pais acham que têm obrigação de entregar isto pra elas, abrir caminho pras crianças passarem. Alguns derrubam quem está na frente e aí o preconceito que foi criado parece bastante justificado – continua sendo preconceito.

      Dos velhos, cada vez mais caminhamos pra isola-los e eu não vejo que isto seja uma melhora nem pra nós como sociedade nem pra eles sendo colocados fora dela.

      No fim das contas, a vida moderna massacra todo mundo…

      A fórmula do Ergo? Também estou conhecendo. Eu até disse no cast, mas eu não sei explicar o que ele é, pq saiu do meu controle. Eu mirei num lugar e fico feliz de ter acertado em outro.

  • Thiago Rissut

    Fala Leandro!
    Que episódio maravilhoso. Que mensagem.
    Algo tocante e que deve ser discutido.
    Vim deixar registrado dois comentários.
    Primeiro, quando ouvi o episódio, estava na casa da minha mãe. E aproveitei para mostrar a ela.. “escuta isso aqui”…
    Ela adorou e pediu o episódio para ouvir de novo. E sim, foi o primeiro podcast que ela se interessou em ouvir na vida hahaha.
    Segundo, agradeço o convite para interpretar uma música, assim como o Orelha também deve estar agradecido. Mas nos colocar no mesmo episódio que a Cafeína, com aquela voz, é uma sacanagem. É desleal… rsrsrs..
    Grande abraço e parabéns pelo Ergo, que só melhora.

    • Fico emocionado de saber que mamãe Franco ouviu este episódio e gostou!

      De estar entre Cafeína e Orelha, a escolha foi pelo tom da música e vocês casaram perfeitamente com a idéia que eu queria passar ali. O Orelha pegou uma música engraçada, mas muito repetitiva, e com o tom dele deixou só engraçada, como precisava. A Cafeína pegou uma história de um homem orgulhoso, altivo, e a voz dela(linda, é verdade) colocou exatamente isto. Você, eu precisava da voz de um cara cansado e querendo morrer com um tom que passasse sinceridade e que inspirasse compaixão.

      Deu muito certo.

      Mais uma vez obrigado pela participação, pelo apoio, pela audiência e por ser essa pessoa cabriocárica e mediovágel.

      • hahahah eu ri com as escolhas… e tô pensando aqui sobre o orgulhoso e altivo huuummm rsrsrs