Eu na Bienal

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Não é segredo pra vocês que eu não tinha muita certeza do que esperar pra esse evento, não é? Quando eu falei do lançamento oficial do evento (aqui), deixei claro o quanto me surpreendi com a proposta. O nome “GIBICON” sugere uma coisa diferente, talvez eu esperasse uma COMIC-CON sulista. Mas a Bienal de Quadrinhos de Curitiba é muito diferente disso!

Vou aqui descrever a minha experiência solitária de exploração pela Bienal, que não foi longa nem cheia de histórias super interessantes, mas foi suficiente para me deixar apaixonada.

Ontem (dia 10 de setembro), quando cheguei no MuMa (o local do evento), já pude ver uma movimentação na porta – muita gente conversando e jogando pokemon, claro. Fui me adentrando e descobrindo algumas bancas de lojinhas de presentes – com camisetas e canecas nerds, vários cosplayers transitando de um lado para o outro – ou seja: um antro da nerdice!

Cheguei do outro lado do MuMa, onde notei os primeiros estandes de artistas. Fiquei admirada com tudo o que eu vi – lindos pôsteres, gente linda e gentil, idéias incríveis e muito talento. Eu estava na “sessão” de quadrinistas mais independentes, que dão a cara e a coragem pra publicar sua arte. Conheci alguns bem legais, e fiquei impressionada.

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Eu e a Bianca

A primeira que conheci foi a Bianca Reis, da página Anna Bolenna. Os quadrinhos dela são bem famosos pelas internets afora – eu sempre morri de amores! E conhecer ela é tão legal! Parei no estande dela e ela estava reclamando de como as pessoas curitibanas são realmente frias – percebi pelo sotaque que ela era mineira e já comecei a puxar papo. Super simpática <3 Perguntei  por quê ela começou a fazer quadrinhos na internet “ah, achei que era um ótimo jeito de mandar indiretas. Comecei dando indiretas pra família, pra amigos e assim foi…”. Achei um máximo, e, de fato, uma idéia genial. Eu uso os quadrinhos dela pra mandar indiretinhas (quem nunca? haha). Ela pegou um dos livros do estande e me mostrou: “esse por exemplo, eu escrevi pra mandar indireta para um garoto com quem eu estava ficando, e não desenrolava- não queria namorar nem nada. Ele ficava falando que ia embora pra Europa e etc e eu me irritava. Quando eu

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um livro com muita história 🙂

postei esse quadrinho aqui no facebook, ele apareceu na minha porta-  no mesmo dia – implorando para namorármos!”. Eu ri muito!! Adorei a história e adorei saber que as vezes essas indiretas realmente chegam onde precisam chegar (hahahaha). Eu, amante de livros que contam mais história do que aquilo que está escrito (por isso compro os meus em sebos), claro que comprei o livro dela (foto à esquerda).

Um outro estande que eu me apaixonei foi de dois artistas que fazem história para crianças – e, bem, digamos que eu com meus 22 anos ainda leio/assisto/vivo coisas que são “para crianças” (por que não?).

A Rebecca Cristina é uma super talentosa, que me chamou e disse “moça, vem aqui conhecer minha história”, e de fato é uma linda história. Os traços dela são bem leves com cores bem vívidas. Ela foi foleando o livro, me contando a história e, sabe o que eu mais gostei nela? Ela estava muito orgulhosa! Ela estava feliz em poder me apresentar seu trabalho. E quando eu perguntei “mas o enredo também é seu?”, ela respondeu “sim sim, o enredo e a ilustração”, “nossa, meus parabéns! É bem original!” eu disse – e ela me respondeu com um sorriso cheio de orgulho, percebi na hora. “Deve ser maravilhoso, você parece estar apresentando o seu filho” eu disse e ela respondeu, com um suspiro cheio de satisfação, “é sim”. Sério “Os Submodos” é uma história incrível! Super indico, de verdade.No mesmo estande da Rebecca, Felipe Campos (desse site aqui) apresentava seus livros de terror para crianças. O trabalho dele é impressionante!! Um dos livros, todo desenhado a aquarela, se passava em um circo dos horrores – e os traços do Felipe conseguiram equilibrar as cores do circo com um tom obscuro incrível. Mas o meu preferido mesmo foi o livro que ele me apresentou inteiro feito à caneta nankim – o visual era sensacional – o livro todo em preto e branco com um conceito bem metafórico sobre o medo. Não sei descrever, só sei sentir que esse livro é maravilhoso.

Quando eu vi uma mesinha pequena, forrada com uma bandeira do Brasil, e uns livros do Armandinho com o próprio Alexandre Beck vendendo e assinando os livros, eu perdi os sentidos por um momento (hahahaha que dramática). Eu sempre fui uma fã pirada das tirinhas do Armandinho. É claro que eu fui comprar uma tirinha e pedir pra ele autografar, certo?

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A tirinha que foi quase roubada

Cheguei na mesa do Beck, em um momento fofinho – havia um homem e seu filhinho (de uns 7 anos, acredito), e o Alexandre assinava os livros que o pai havia comprado. Super atencioso e simpático, Beck me passou a idéia de que o objetivo dele ali não era vender livros, e sim se comunicar com os leitores! Sem pressa, ele conversava com o garotinho, puxou um papel e começou a ensiná-lo como se desenhava o sapinho tão presente nos seus quadrinhos (morri de fofura). Bem, chegou a minha vez, o cumprimentei, entreguei-lhe a tirinha que eu tinha escolhido “posso assinar?” ele disse, “POR FAVOR” eu disse, histérica, claro (acho que eu não sei lidar haha). Ele assinou (tive que soletrar o meu nome, claro haha “Thaineh” não é tão intuitivo), eu o cumprimentei de volta, parabenizei pelo trabalho, lhe desejei boas vendas e eu senti que ele me olhava de um jeito estanho – “acho que estou dando uma de tiete esquisitona” pensei. Mas, enfim, saí feliz da vida, com a programação na mão, a tirinha assinada pelo Beck, o dinheiro e… PERA AÍ, O DINHEIRO? Eu tinha esquecido de pagá-lo. Que vergonha! Bem minha carinha mesmo (hahaha). Voltei correndo “Meu Deus, eu esqueci de te entregar o dinheiro! Estava com ele na mão… Poxa, me desculpe” Ele, com um sorriso simpático e tranquilo me respondeu, “eu percebi, mas não quis dizer nada. As vezes a gente se distrai, isso é normal. Não se preocupe.”

Sim, ele é uma pessoa linda.

 

Esse lance das crianças também me deixou bem feliz. Eu vi muitos pais incentivando seus filhos a comprarem quadrinhos. Cenas como uma criancinha entregando 5 reais pro artista e dizendo “eu quero essa aqui” me deixaram emocionada.

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Um pequeno comprando quadrinhos 🙂

Eu sou uma traça de livros hoje em dia, e devo isso ao incentivo que meus pais me deram desde sempre. E sabe como foi que eu comecei a ler compulsivamente? Lorde Maurício de Souza <3 Os quadrinhos fizeram parte da minha vida – no colégio, em casa mesmo, quando eu comecei a querer escrever historinhas… Eu digo a você: incentive seu filho/sobrinho/neto/qualquer criança com quem você tenha contato a ler quadrinhos! É um universo incrível a se explorar, eu garanto.

Eu vi outras coisas sensacionais, mas convenhamos que se eu descrever tudo o que eu vi esse post aqui vai ficar gigante. Então, uma dica: venha na próxima! É uma experiência incrível. Eu, uma pessoa ogra de exatas, me senti muito bem nesse evento. E o mais incrível é que, mesmo indo sozinhona, eu não me senti sozinha! Depois de alguns meses trabalhando aqui nesse site e nos podcasts, eu pude enxergar mais ou menos como os produtores de conteúdo enxergam: a arte pela arte, a arte pelo feedback. O prazer que os artistas tinham em me explicar sua idéia, em expor seu

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Sério mesmo, como esse Troche pode ser tão lindeza?

trabalho, em assinar uma revista, em conversar, em ouvir um simples “sou fã do seu trabalho” sobrepõe qualquer recompensa monetária. E foi isso que eu amei nessa Bienal. Poderia falar das exposições, poderia falar que eu estou perdidamente apaixonada pelos traços do Troche, podia falar que os cosplayers são pessoas super divertidas… Mas quero deixar uma lição pra você, querido leitor: valorize a arte brasileira! Valorize o independente, ajude no catarse, compre livros nacionais, assista filmes e desenhos brazucas… O nosso país é rico, é cheio de cultura e se você ignora essa pluralidade, me desculpe, mas você está ERRADO.

Voltei pra casa com a cabeça explodindo pois descobri uma nova paixão : Os quadrinhos. (e um pouco triste também por não saber desenhar nem bonequinhos de palito, mas né? é a vida!)

 

Thai

Projeto de cientista, bookworm e - essencialmente - Nerd. Escrevo, leio muito, assisto séries, muitos filmes, tento estudar as vezes, pc gamer sem muito talento, um pouco de quadrinhos, grande vício em desenhos animados e durmo quando dá. Sou um Pegasus nas horas vagas, uma hipérbole ambulante e meu super-poder é que 70% do meu organismo não é água – é café.

  • Léo Oliveira

    Muito bom o texto. Não sou muito fã de quadrinhos mais fiquei doido pra ir nesse evento também … Se tivesse por ae com certeza iria.

    O que achei mais legal foi a parte da criança, por que realmente têm sido difícil ver crianças se interessando por esse tipo de material, e quanto mais crianças vendo quadrinhos, mais crianças teremos lendo, e mais crianças lendo são mais adultos informados no futuro então isso é sensacional!

    Parabéns pelo texto e parabém a organização do evento que parece ter feito um excelente trabalho!

    Abraços!

  • Excelente seu texto. Acho que se eu tivesse ido ficaria mais num lado babacasso somelier falando de coisas técnicas e blablablazzzzZZZZzzzz.
    Seu feeling de pessoa cativada é cativante.

    Agora tenho ainda mais vontade de ir na próxima

  • Felipe Campos

    Fico feliz que tenha curtido o meu trabalho com terror! Obrigado pela atenção e nos vemos nas próximas feiras!
    Os links dos livros que você mencionou são:
    http://www.mardeideias.com.br/o-pequeno-caderno-de-pesadelos.html
    http://www.mardeideias.com.br/excursao-ao-parque-do-terror.html

  • Muito o bom o texto Thai, parabéns! 😀

    Bateu uma inveja aqui, queria ter ido também! auhauhuhauhahua