Eu prefiro os mais velhos…

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Oi, meu nome é Thaineh, eu tenho 22 anos e – pelo cheiro, pela experiência, pelo conteúdo, pela beleza exótica, pela economia e até por um pouco de ideologia da minha parte – eu gosto dos mais velhos. Sim, eu estou falando de livros mais velhos, claro.

Honestamente, eu não tenho muito apego em coisas materiais – se meu quarto estivesse em chamas, as únicas coisas que eu salvaria estão em uma caixa de sapatos: cartinhas antigas de amigos. Passei a perceber essa frieza da minha parte quando, ao sair da casa dos meus pais, carreguei roupas e alguns livros sem me importar muito com coisas que possam ter ficado pra trás. Enfim, tudo isso para dizer que, pra mim, livros são compartilháveis (no que depende de mim, devidamente compartilhados). Se empresto um livro pra um amigo, já nem considero mais a volta.  Meu pensamento é que, me sinto egoísta mantendo livros que eu já li, pois já vivi os sentimentos que eles poderiam me proporcionar – que grande desperdício é um livro parado!

Não que eu não compre livros – livros compreendem meu “gasto” mais frequente. Mas então, chegamos aos lugares onde ficam a maior parte dos meus dinheiros : os sebos! Sebos são maravilhosos!! São melhores do que loja de maquiagem, do que loja de departamento, melhor do que distribuidora de doces, melhor que lojas de instrumentos, que loja de action figures, melhor que loja de quadrinhos ou qualquer outra loja que possa passar pela sua cabeça – SEBO é a melhor invenção da sociedade até hoje.

Se você não está familiarizado com o termo, eu explico: sebos são lojas de livros (revistas, quadrinhos, CDs, LPs, e tudo o que você quiser) usados. Nesses lugares, você pode vender seus livros, trocar seus livros por outros livros ou comprar livros. O preço é melhor, geralmente são locais bem divertidos de se passear e ainda tem o fator surpresa: é bem difícil aproveitar a experiência de “garimpar” em um sebo se você já for com uma ideia fixa do que quer. O certo é ir sem expectativas, usar um tempo para descobrir coisas novas, se abrir a novas sessões de estilos de livros e simplesmente viajar. Posso dizer com absoluta certeza, que minhas melhores experiências literárias se deram com livros que eu nunca tinha ouvido falar, mas que por algum motivo me chamaram atenção e comprei.

O estado físico dos livros geralmente varia muito – têm desde livros novíssimos com cheiro de saraiva, até livros que pertenceram a Dom Pedro II. Pra falar a verdade, até gosto mais desses livros que estão mal-acabados – tem uma história em suas entrelinhas.

Quando compro um livro velhinho, fico pensando em quantas pessoas sentiram a mesma alegria (ou tristeza, ou desespero, ou qualquer outro sentimento que o livro esteja proporcionando) com aquele mesmo livro, segurando aquela velha capa, carregando aquele pequeno impresso em suas bolsas ou mochilas, lendo para seus filhos, compartilhando com amigos…

Muitas vezes encontro verdadeiras evidências de histórias paralelas – quase todos os livros que compro vêem com dedicatória (eu priorizo os que tem), já encontrei bilhetes, convites de casamento de 1980, receitinhas de uma revista dos anos 60, cartas de amor, fotos… Sério, já encontrei isso tudo! É maravilhoso o mundo dos sebos – sua vastidão de histórias não contadas vai além das que estão impressas em seus papéis.

Eu lhe encorajo fortemente a adquirir seus livros em sebos, ser a favor da livre troca e doação de livros e curtir profundamente a história além da história de cada livro.

Troquem livros comigo, obrigada (hihihi)

E sim, eu amo os mais velhos- eles sempre tem um charme a mais!

É isso, meus amiguinhos  zoneados, até dia 05,  visitem um sebo de coração aberto eeeeee se mantenham zoneados, por favor ☢

 

Thai

Projeto de cientista, bookworm e - essencialmente - Nerd. Escrevo, leio muito, assisto séries, muitos filmes, tento estudar as vezes, pc gamer sem muito talento, um pouco de quadrinhos, grande vício em desenhos animados e durmo quando dá. Sou um Pegasus nas horas vagas, uma hipérbole ambulante e meu super-poder é que 70% do meu organismo não é água – é café.

  • Luiz o Henrique

    Pô, que textinho maneiro meu!

    • Thaineh Souza

      hahaha obrigadaaaa, menino luiz :)))

  • Darley Santos

    Amei seu relato sobre sebos Thai! Gostei disso: “É maravilhoso o mundo dos sebos – sua vastidão de histórias não contadas vai além das que estão impressas em seus papéis”. Comprei um livro numa livraria de livros usados uma vez lá em Goiânia, uma leitura que me marcou bastante… Aquele livro com cheirinho leve de mofo estava ali dentre tantos e tantos livros… Peguei ele, folheei, e perguntei ao senhor que olhava vagamente para a rua qual o preço daquela preciosidade, e fiquei surpreso com o valor altamente acessível do livro, uma bagatela de R$13,00… O livro era “Saindo da Depressão”, de Andrew Paige, um sacerdote católico relatando sobre como foi passar pela depressão, sendo um dos objetivos (e méritos) da obra combater o preconceito de que pessoas religiosas não podem adoecer da alma como qualquer outro ser humano, foi uma leitura bastante especial… Um outro livro que consegui em sebos foi “Igreja: carisma e poder”, do Leonardo Boff, livro que eu procurava há bastante tempo mas não achava, até que uma colega minha me passou o link do site “Estante Virtual” e dessa forma consegui adquiri-lo, em ótimo estado de conservação apesar do aspecto meio envelhecido ou desbotado. Concordo que sebos são lugares especiais.

    • Thaineh Souza

      Uaaaau! Obrigada por comentar, querido Darley!
      Sim, compartilho dessa emoção de encontrar maravilhosos desconhecidos em sebos!
      O próprio lugar tem um charme que me encanta!!!!! adoro demais!

  • Anderson Lima

    Quando eu crescer quero escrever textos maneiros que nem voce.

    Antigamente eu frequentava muitos sebos, principalmente para adquirir revistinhas da turma da monica (nao tinha poder aquisitivo suficiente para adquirir livros, ia com no maximo 2 reais no bolso). So que minha visao era meio egoista e eu nunca me desfazia de meus quadrinhos para a awuisicao de novos. So depois de ler esse texto que percebi o quanto fui tolo.

    Parabens novamente pelo texto, você é demais 😉

    • Thaineh Souza

      nhaiwwww, obrigada meu querido amigo!
      Eu ganhava muitos quadrinhos da turma da mônica também, acho que foi aí que começou esse lance de não querer empilhar coisas – sempre os distribuía entre meus inúmeros primos e meus vizinhos.
      muito obrigada pelo comentário e obrigada pelo carinho <3

  • Fabiana Murray

    como eu te disse, sebo tá com precinho de livro novo. Por isso eu estou comprando nas promoções e sempre fico de olho nelas quando sobra uma graninha. Eu nunca me importei se o livro era novo de livraria ou de sebo, desde que tivesse completo em bom estado de conservação. Eu amo ler e se quiser eu troco uns contigo. Eu vou ver quais troco e te falo.

    • Thaineh Souza

      Oiii Fabi! Tem muito livro com preço alto mesmo, mas é que já existem sebos quase gourmetizados. Eu gosto de sebo zoneado, que os vendedores nem sabem direito o que tem lá dentro ahaha esses são os melhores! Esses sim, mantêm preço de sebo!
      E são nesses que eu mais gosto de gastar – sebos com precinhos honestos, sem frescura, sabe?
      Vamos trocar sim!!! Tenho que atualizar minha lista de trocáveis no skoob, mas farei isso essa semana 😉