Fanfic – A mulher do meu destino – 18 — You know I love you so

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Estávamos noivos. Aredhel em breve seria minha esposa. A notícia se espalhou feito fogo em folhas secas. “Príncipe Loki, o rei da trapaça, sem breve se casaria com uma Midgardian”, era o que se cochichava por todos os cantos de Valhalla. Até os guardas e servos olhavam-me assustados pelos corredores. Volstagg, Fandral e Sif ficaram muito mais desconfiados com a notícia. Somente Thor parecia acreditar e ficara muito feliz. Confesso que se eu, alguns anos antes, soubesse disso, também ficaria chocado. Em que tempo, realidade ou universo, eu me casaria com uma reles humana sem interesse algum? Apenas por… Amor.

O casamento foi marcado para dali a três semanas. Eu já tinha pressa para ficar ao lado dela e, agora, meu corpo também não podia esperar mais. Meu desejo sobre ela deixara de ser exclusivamente emocional, passou a ser físico também. Eu começava a evitar dar beijos mais calorosos em Aredhel. Temia não conseguir me controlar. Faltava pouco tempo para o casamento e eu realmente queria que tudo fosse especial para ela.

Aproveitei que ela ficara muito ocupada com os preparativos para o casamento e passei a me dedicar a ajudar Thor na administração de Asgard. Como eu já tinha certeza, ele estava perdido e não entendia praticamente nada sobre governar. Pelo menos ele confiava em minhas decisões. Praticamente acatava tudo o que eu sugeria.

Ficara decidido que o casamento seria um evento simples. Eu sinceramente nunca gostei muito de festas e não tinha amigos. A família de Aredhel, por questões óbvias, não seria convidada para o casamento. Ir até lá e explicar toda a situação a eles poderia levar meses, eu não podia deixá-la ficar tanto tempo longe de mim. E a dependência de Thor em relação às minhas decisões, impedia que eu fosse junto com Aredhel nesse momento. A diferença de passagem de tempo entre os nossos mundos mais uma vez atrapalhava nossa situação. Combinei com ela que dali a um mês eu iria com ela para tentar resolver a questão. Quem sabe até lá eu poderia me afastar por um tempo de Asgard.


Uma semana antes do casamento eu estava à procura de Thor para apresentar algumas questões de Asgard, quando vi Aredhel e ele novamente conversando. Às vezes eu detestava esse jeito amigável de Aredhel. Escondi-me atrás de uma pilastra e fiquei observando os dois. Ele a abraçou, trocaram mais algumas palavras e depois ele beijou a mão dela se retirando em seguida. O ciúme me cegou. Thor sempre tinha a atenção de todos. Acabava ficando com tudo aquilo que eu desejava, mas eu não ia deixar o mesmo acontecer com Aredhel. Esperei ela se aproximar de onde eu estava escondido e praticamente pulei em sua frente. Agarrei-a pelos ombros e a empurrei contra a parede com força desnecessária. Eu estava descontrolado.

— Você estava de novo falando sobre mim? — perguntei com certa rispidez.

— Você está louco? — arfou visivelmente assustada. — Esse seu ciúme já está ficando ridículo, Loki! — rosnou para mim.

— Precisava abraçá-lo? — retruquei com raiva apertando ainda mais seus braços.

— Ele estava me parabenizando pelo casamento — respondeu se desvencilhando de mim. — Ele é seu irmão e ama a Jane. Você e eu estamos noivos, lembra? Seu ciúme é infundado! — sibilou com raiva.

— Mas estar noiva não foi um empecilho para você quando se apaixonou por mim. Não é? — não pude contar a ironia.

A expressão dela mudou de forma veloz. Foi de raiva para mágoa e menos de um segundo. Aredhel deu-me uma bofetada e saiu correndo em direção a seu quarto.

Passei a mão pelo rosto e bufei irritado. Eu tinha uma habilidade nata em usar minha língua ferina para pegar nos pontos fracos das pessoas, mas dessa vez utilizei na pessoa errada. Eu gostaria de ter mordido minha língua antes de ter deixado as palavras escaparem de meus lábios. Percebi o quanto tinha sido imprudente e cruel o que eu havia dito. Fui atrás de Aredhel, mas ela se trancou no quarto. Bati a sua porta e ela me mandou embora.

— Desculpe-me. Ok? Eu fiquei com ciúmes! — confessei contrariado. Meu orgulho ainda falava mais alto.

— Você sabe que eu te amo! Não tem por que ter ciúmes! — gritou com a voz chorosa.

Senti um bolo se formar em minha garganta. Ela estava chorando, eu a tinha magoado.

— Eu sei… — dei um suspiro frustrado. — Vamos conversar? Por favor — pedi.

Ela abriu a porta, eu entrei rapidamente e a abracei forte.

— Você foi tão cruel — murmurou chorando.

— Perdoe-me — apertei-a em meus braços. — Thor sempre acaba conquistando tudo o que desejo. Não pude me conter — beijei sua fronte.

— Mas eu sou sua. Meu coração é seu — murmurou em meio às lágrimas.

Encarei-a e deixei escapar um suspiro triste.

— Eu tenho tanto medo de te perder — confessei e segurei seu rosto entre minhas mãos. — Gostaria que ficasse para sempre ao meu lado — fui sincero.

Ela me fitou com um sorriso singelo nos lábios. Limpei suas lágrimas com meus polegares enquanto segurava seu rosto e a beijei ternamente.


Na manhã seguinte ao acordar vi que chovia, enxerguei ali a oportunidade de compensar Aredhel pelo ocorrido. Fui até seu quarto e ela ainda dormia. Fiquei algum tempo apenas a observando dormir. Era tão bela e parecia tão serena. Acariciei seu rosto e ela acordou. Ela fitou-me meio surpresa, mas sorriu.

— Bom dia Aredhel. O dia está lindo lá fora, podíamos ir passear — convidei.

— Bom dia Loki — disse se espreguiçando e olhou para a sacada que estava aberta. — Realmente, o dia está lindo… Maravilhoso… — disse abrindo um largo sorriso. — Dê-me apenas alguns minutos — disse toda animada.

Aredhel correu para o banheiro e arrumou-se rapidamente.

Fomos passear inicialmente a pé na chuva. Ela parecia uma criança saltitando na chuva. Adorava vê-la tão alegre. Depois a levei para conhecer o estábulo. Ela inicialmente pareceu não gostar de estar lá. Disse ter medo de se aproximar dos cavalos. Eu ri.

— Sério que você tem medo deles? — perguntei rindo.

— Eu adoro animais, mas eles parecem não gostarem muito de mim — afirmou meio desconfiada. — Sempre acabam me mordendo ou arranhando — fez um muxoxo.

Aredhel podia não ser vidente, mas suas palavras tinham o poder de se concretizar. Ela estava próxima à baia de um dos cavalos e um deles deu um empurrão nela, pelas costas, com a cabeça. Eu a amparei antes que caísse no chão.

— Está vendo? — resmungou, voltando a se equilibrar.

— Está tudo bem. Vou lhe mostrar meu cavalo — falei tentando remediar o acontecido.

Fui até outra baia, peguei meu cavalo e montei nele.

— Vamos! Você vai adorar cavalgar na chuva — estendi a mão para ela.

— Ah não… — meneou a cabeça. — Eu não sei montar. E nem estou vestida para isso e… — se afastava temerosa.

Eu meu aproximei dela com o cavalo, a agarrei pela cintura e a puxei para cima. Coloquei-a sentada a minha frente e saímos cavalgando.

— Loki, não! — gritou.

Ela estava paralisada de medo no início, mas depois que seguimos na chuva, pela floresta, começou a relaxar. Eu a segurei com força pela cintura e fiz o cavalo aumentar a velocidade aos poucos. Estávamos correndo mais rápido quando Aredhel abriu os braços, toda feliz, na chuva.

— Isso é tão bom! — riu. — Sinto-me livre! — cerrou os olhos.

Eu adorava ver Aredhel feliz. Faria qualquer coisa para vê-la sempre assim. O passeio também estava sendo proveitoso e ao mesmo tempo uma tortura para mim. Estar tão próximo a ela, sentindo seu calor naquele movimento estava me deixando louco de desejo. Mas nada importava, eu só queria que desfrutássemos aquele momento juntos.

— É tudo tão bonito aqui… — ela murmurou. — Principalmente quando chove… Eu amo esse cheiro… Pode sentir? — sorriu para mim.

— Estás falando do cheiro de terra molhada? — indaguei.

— Sim. O cheiro de dias felizes, de infância, de vida… — dizia maravilhada.

Depois do passeio voltamos, devolvi o cavalo para a sua baia e seguimos encharcados de volta ao palácio. Eu abracei Aredhel no caminho, para aquecê-la. Ela já estava tremendo de frio.

— Eu amei o passeio — afirmou sorrindo à porta de seu quarto.

— Fico feliz que tenha gostado. Espero que perca esse medo dos cavalos — brinquei.

Ela segurou meu rosto e puxou-me para um beijo cálido.

— Prometo que vou tentar — sorriu.

Em seguida entrou no quarto e me deixou ali sonhando e relembrando nosso passeio.


Chegara o grande dia. Como era de se esperar, àquela altura eu andava extremamente irritado, tamanho era meu nervosismo. Os servos e guardas estavam sendo as principais vítimas de meu estresse.

Estávamos reunidos Thor, Volstagg, Fandral e eu quando acidentalmente um servo derrubou vinho em alguns livros sobre a mesa. Eu o expulsei aos berros de lá.

— Calma meu caro Loki — a voz de Fandral soava irônica. — Hoje à noite você finalmente poderá relaxar um pouco. Nada como uma mulher para nos fazer esquecer do mundo — sorriu cinicamente.

Lancei um olhar fulminante para ele. Não era a primeira vez que Fandral tecia comentários sobre a situação tensa que eu vivia em relação a Aredhel. Ele inclusive comentara que no meu lugar, não resistiria à tentação de esperar até o casamento. Adorava dizer que os midgardians eram modernos e que eu deveria aproveitar isso. Esses comentários às vezes me deixavam furioso.

— Acalme-se irmão — Thor riu e pôs a mão sobre meu ombro. — No seu lugar eu também estaria nervoso. Acho que chega de trabalhar por hoje. Vá descansar, daqui a pouco todos temos que nos arrumar — sugeriu.

— Você está certo — murmurei em meio a um suspiro. — Vou para meu quarto — falei me retirando.

Tomei um banho demorado e depois me arrumei. Pus meu melhor traje, o elmo e a capa verde. Na hora marcada fui para o salão do trono e aguardei no alto da escadaria, ao lado de Thor. Ele é quem oficializaria minha união. Fandral, Volstagg, Sif e Jane assumiram seus lugares também. Eu estava sério e nervoso, tinha passado o dia todo sem ver Aredhel.

De repente, no fim do corredor do salão, eu a vi entrar. Toda de verde-escuro e dourado, com o cabelo preso em uma longa trança e com uma coroa de flores no cabelo. Abri um largo sorriso. Ainda que parecesse impossível, ela estava mais linda do que de costume. E, em breve, seria minha esposa.

Ela chegou ao pé da escadaria e eu fiz uma reverência. Estendi a mão e ela depositou a sua delicada sobre a minha. Ficamos lado a lado e quase não consegui desviar os olhos dela. Thor iniciou a cerimônia e eu fiquei radiante. Jamais imaginei que poderia me sentir tão feliz em minha vida. Na verdade eu sempre pensei que seria infeliz, mas felizmente eu estava errado.

Ao fim das declarações finais de Thor eu dei em Aredhel um beijo casto. Finalmente ela era minha. Somente minha.


Fomos para a festa. Acredito que foi a primeira vez que depois de adulto eu aproveitei uma festa. Comi pouco, mas bebi muito hidromel. Pedi que tocassem a canção que dancei com Aredhel na chuva e tirei-a para dançar. Foi quase como voltar no tempo. Eu praticamente podia sentir a chuva sobre nós. Foi como flutuar pelo salão. Podia ver nos olhos dela o quanto ela me amava.

Depois que terminamos a dança voltamos para nossos lugares na mesa. Passado mais algum tempo Aredhel me avisou que iria para nosso quarto. “Nosso quarto”, isso ainda soava de forma inesperada. Agora ela dormiria comigo em meu quarto. Deixei escapar um sorriso malicioso.

Pouco tempo depois eu me retirei também. Bati à porta. Ela pediu que eu entrasse. Era estranho pedir permissão para entrar no próprio quarto. Mas tudo aquilo era estranhamente novo. Comecei a ficar ansioso.

Ao entrar no quarto vi Aredhel sentada na cama. Ela estava penteando os cabelos e vestia uma camisola branca, um tanto transparente. Senti calafrios e algo começar a endurecer em minhas calças.

Sentei-me ao seu lado, peguei em uma de suas mãos e com a outra mão ergui seu rosto. Fiquei olhando-a nos olhos por um tempo, hipnotizado e perdido em seu olhar. Agora eu tinha certeza. Eu amaria Aredhel para sempre.

— Eu te amo — falei sentindo meu rosto se aquecer.

— Eu também te amo — respondeu toda rubra.

Não podia esperar mais… Inclinei-me e a tomei.

Comecei a beijá-la ternamente. Enquanto a beijava fui me debruçando sobre ela. O beijo foi ficando mais intenso e ela cedia sem o menor temor. Eu a envolvi em meus braços apertadamente e ela me abraçou de volta. O seu cheiro era delicioso e me inebriava. Percebi que jamais esqueceria seu perfume. Ela acariciava meus cabelos enquanto nosso beijo ia se tornando desesperado e obstinado. Parei para tomar fôlego e em seguida comecei a beijar seu queixo e depois seu pescoço e deslizei minhas mãos por suas costas, alisando-a. Aredhel se entregou para mim.

Passado aquele momento de paixão e luxúria, eu a encarei estupefato. Nunca havia tido uma experiência tão plena em minhas relações anteriores. Sorri para ela e recostei minha fronte na sua. Estávamos ofegantes e suados, mas realizados. Ficamos abraçados por um longo tempo trocando carícias.

— Eu te amo, Aredhel — sussurrei ao seu ouvido e depois dei mordidas em sua orelha.

— Eu te amo, Loki — murmurou em meu ouvido ainda ofegante.

Aninhei-a em meus braços e fiquei fitando o teto de nosso quarto. Passado algum tempo ela adormeceu, exausta, em meus braços. Eu acariciava o rosto de Aredhel pensando que agora, de fato, ela era minha esposa. Eu não deixaria que nada e nem ninguém a tirasse de mim. E com esse pensamento em mente, eu, por fim, entreguei-me ao cansaço e também adormeci.



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Gabi Luz

Escritora, nerd e "moça da informática".