Fanfic – A mulher do meu destino – 19 — Nobody said it was easy

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Na manhã seguinte eu fui o primeiro a acordar. Passei a noite toda sonhando com Aredhel. Olhei para meu lado e ela ainda dormia de forma serena. Amava vê-la dormindo. Não era um sonho, fora tudo real. Ela era minha finalmente.

Virei-me de lado ficando face a face com ela e comecei a acariciar seus cabelos. Ela lentamente abriu os olhos e me fitou.

— Bom dia — murmurei sorrindo para ela.

— Bom dia — respondeu dando o meu sorriso predileto.

Levantamos e fomos juntos tomar um banho demorado. Dizer que eu estava feliz era pouco. Eu mal conseguia me conter de tanta felicidade. Meu humor havia mudado radicalmente. Saí distribuindo “bom dia” para todos. Os servos e guardas olhavam-me chocados ao cumprimentá-los. Fandral não deixou de tecer novos comentários sobre meu novo comportamento, mas eu estava feliz demais para me deixar irritar pelo que ele falava.

Thor acabou por me dispensar de minhas obrigações como seu conselheiro, dizendo que eu deveria aproveitar alguns dias ao lado de minha esposa. Eu nem pensei em recusar e tratei de procurar por Aredhel. Encontrei-a na biblioteca, seu eterno refúgio. Estava lendo o livro de magias distraidamente.

— Olá mulher do meu destino — sussurrei em seu ouvido e em seguida dei um beijo em seu pescoço.

Ela se virou rapidamente e me olhou meio sobressaltada, mas em seguida sorriu toda sem jeito.

— Você não ia passar o dia ajudando Thor? — perguntou franzindo o cenho.

— Thor me deu alguns dias para ficar com você — expliquei.

— Ah, então teremos uma lua de mel — comentou em meio a um sorriso.

— Lua de mel? — indaguei confuso.

— Sim, é assim que chamamos esses dias que vem após o casamento. Dias em que o casal se isola ou, geralmente, viaja. Se eu não me engano tem algo a ver com as comemorações vikings serem regadas a muito hidromel — explicou.

— Ah, sim. Entendi. Como você viu, o hidromel é a bebida principal de nossas comemorações, principalmente em casamentos — anuí. — Então — dei um pigarro —, o que prefere fazer hoje? — inquiri.

— Bem… — mordeu os lábios. — Você que sabe. Eu não tinha planejado nada especial — ergueu os ombros.

Inclinei-me e aproximei meus lábios de seu ouvido.

— Acho que você sabe o que quero. Devo lhe alertar que sou insaciável — sussurrei e beijei levemente atrás de sua orelha.

Ela ficou rubra, mas nada disse. Estendi a mão e ela depositou a sua sobre a minha, se levantando. Passei meu braço pelo dela e conduzindo-a apressadamente para nosso quarto.

Mal entramos, fechei a porta com o pé e fui desabotoando as costas do vestido dela. A pressa era tamanha, que cheguei a arrancar alguns botões. Por que os vestidos das mulheres tinham que ter tantos botões?

Deixei que o vestido caísse no chão e a carreguei até a cama. Aredhel ria com o rosto corado. Joguei-a na cama e comecei a tirar a minha roupa de forma afoita. Ela ficou me observando e rindo o tempo inteiro.

— Não deveria rir do desespero de seu esposo — brinquei e ela gargalhou.

Ajoelhei-me na cama e praticamente arranquei o resto de sua roupa. Dessa vez ela não ficou constrangida enquanto eu a olhava lascivamente. Passei as mãos suavemente e em seguida os meus lábios, por seus pés e fui subindo por suas pernas e coxas. Aredhel cerrou os olhos e arfou. Segui beijando seu corpo, seu pescoço e, por fim, cheguei a seus lábios e lá mergulhei.

Beijava-a insaciavelmente, de um jeito obsessivo. Descobri que era obcecado por ela. Não tinha ideia do que causava essa ligação magnética e desesperada que havia entre nós. Tudo que eu tinha certeza era de ser algo impossível de se resistir. Minha sanidade e autocontrole ia as favas quando estava perto de Aredhel.

Quando tudo terminou, olhei para ela todo ofegante. Reconheci que havia sido um pouco voraz e impaciente.

— Desculpe-me. Eu machuquei você? — perguntei preocupado.

Ela arqueou as sobrancelhas e começou a rir.

— Machucar-me? — riu mais. — Não mesmo — meneou a cabeça. — Você me levou aos céus — afirmou dando-me um sorriso malicioso.

Ela segurou meu rosto entre suas mãos e me beijou nos lábios com doçura. Passado o calor do momento, ela se aninhou em meus braços e, após uma longa troca de carícias, cochilamos.


Nos dias que se passaram, cenas parecidas se repetiram inúmeras vezes. Tentávamos retomar a nossa rotina, indo ao jardim ou lendo livros, mas logo eu perdia o controle. Tentava desviar meus pensamentos, mas perto dela a tensão era gigantesca. Acabávamos nos amando novamente e nem sempre conseguíamos chegar ao quarto. Na verdade, não havia lugar ou hora inadequados. Qualquer moita, sombra de árvore, sala ou corredor vazio servia de “leito” para nós. Eu mal conseguia me reconhecer. Aredhel tinha o poder de me deixar insano e inconsequente. Mesmo distante dela eu ficava nervoso e distraído e quando a via era pior, perdia a razão. Ela me fazia pegar fogo por dentro.


Acabada a tal “lua de mel”, fomos obrigados a começar a nos controlar. Eu tive que voltar a ajudar Thor com as questões de Asgard. Aredhel havia começado a estudar magia com mais afinco. Eu a convencera a aprender a montar. Mas ela também me convencera, a contragosto, a ensiná-la a lutar. Isso ela não achava perigoso. No início chegamos a discutir por isso.

— Eu não concordo — rosnei impaciente. — Não há necessidade para isso. Você não poderá batalhar ao meu lado! Lembre-se de que é apenas uma midgardian! É frágil demais! Além do mais, você tem a mim para protegê-la. É perigoso demais para você, Aredhel! — vociferei.

— Eu acredito que preciso aprender a me defender — rebateu Aredhel. — Posso até não acompanhar você em suas jornadas, mas e se invadirem Asgard de novo ou algo assim e você não estiver aqui para me defender? — argumentou com veemência.

Deixei escapar um suspiro irritado. Aredhel sempre fora extremamente persuasiva.

— Você sabe que estou certa — insistiu. — Sei que não tenho a força de vocês, mas, pelo menos, aprender a me esquivar será algo útil.

— Está certo. Eu treinarei você — concordei meio contrariado.

Conforme ela mesma tinha sugerido, imaginei que ensiná-la a se esquivar seria uma boa ideia. Presumi que isso seria suficiente para ela ter algo para se ocupar e desistir de aprender técnicas mais complicadas e arriscadas. Eu sabia que Aredhel era frágil demais para lutar contra qualquer inimigo de Asgard, então ela seria útil que aprendesse a fugir.

Aredhel vestiu novas roupas, mais apropriadas para luta. Seu novo traje era parecido com o meu e tinha minhas cores. Levei-a para o local onde treinávamos, em um dos muitos pátios externos de Valhalla. Expliquei inicialmente a ela como se esquivar de ser agarrada.

— Entendeu o que expliquei? — questionei.

— Sim. Esquiva e fuga — anuiu sorridente. — Não sou muito boa correndo, mas isso eu posso treinar até ficar boa — parecia otimista em demasia.

— Certo. Agora eu vou tentar lhe agarrar e imobilizá-la, peço que tente aplicar o que lhe ensinei — falei calmamente.

Eu tinha a plena consciência que Aredhel, mesmo que tivesse muito treino jamais conseguiria fugir de mim. Eu era muito mais veloz e forte que ela, mas eu alimentava esperanças de que isso pudesse ser efetivo contra um inimigo menos ágil que eu.

Avancei sobre ela e de início ela fez as esquivas que ensinei. Aredhel se mostrou ser até bem ágil para uma midgardian. Eu resolvi brincar com a situação, comecei a usar minhas ilusões para confundi-la. De forma fácil, agarrei a gola de seu traje. Aredhel jogou o ombro em direção ao meu pulso de forma brusca, fazendo-me soltá-la. Surpreendi-me. Isso eu não havia ensinado.

Agarrei-a pelo pulso e ela o girou se soltando com facilidade. Avançou sobre mim, agarrou meu pulso com uma das mãos e com a outra empurrou meu cotovelo, enquanto puxava meu braço para trás. Parecia que estava tentando me imobilizar e quebrar meu braço.

Eu rapidamente me livrei dela e, por reflexo, a empurrei. Arrependi-me de imediato. Fiquei preocupado, pensando que cairia de costas no chão, mas ela caiu rolando sobre um dos ombros e se levantou com rapidez. Logo, assumiu uma posição peculiar: estava com as pernas separadas e parcialmente flexionadas. Toda ofegante, ficou parada me olhando com os punhos semicerrados, sendo um a frente do rosto e outro na altura da cintura. Ela estava visivelmente em posição de guarda. Uma clara posição de luta. Defesa e ataque na mesma postura. Eu não havia ensinado nada daquilo.

— Onde você aprendeu essas coisas? — perguntei surpreso.

Ela pareceu desconcertada e desfez a postura.

— Aprendi com meu irmão — deu de ombros. — Ele fazia artes marciais quando mais novo. Eu sempre quis aprender, mas meu pai dizia que isso era coisa para homens. Então eu subornava meu irmão para que ele me ensinasse o que aprendia — deu um suspiro irritado.

— Parabéns. Se você fosse tão ágil quanto eu, teria imobilizado meu braço — falei meio rindo.

— A intenção dessa técnica é usar a agilidade — começou a explicar. — Boa parte dos movimentos não precisa de força, só precisa acertar o golpe com rapidez. Se eu não fosse uma reles humana poderia ter dado certo — falou calmamente.

“Se eu não fosse uma reles humana poderia ter dado certo”. Dei um suspiro triste. Eu poderia treiná-la exaustivamente, mas, ainda assim, ela teria pouquíssimas chances de sucesso em uma luta. Como uma midgardian, ela era lenta, fraca e frágil demais. Aredhel tinha razão, eu não poderia estar sempre ao seu lado para protegê-la. Na verdade, havia uma coisa contra qual eu jamais poderia protegê-la, contra o tempo. Ainda que evitasse pensar nisso, eu sabia que ela viveria bem menos que eu. Uma batida de coração e a existência dela chegaria ao fim.

Aredhel pareceu adivinhar sobre o que eu ponderava. Ela se aproximou de mim com um olhar triste.

— Desculpe-me. Eu toquei de novo no assunto que você não gosta, não é? — indagou franzindo o cenho.

Eu não respondi, apenas a abracei forte. Eu tinha que achar uma forma de prolongar a vida de Aredhel.


O aprendizado de Aredhel continuava evoluindo. Pela manhã ela estudava magia, no início da tarde aprendia a montar a cavalo e em seguida treinava técnicas de luta. Aos poucos comecei a ensiná-la a manejar adagas. Com redobrada cautela, eu a ensinei a lançá-las e lutar com elas, mas apenas golpes simples. Entretanto, Aredhel não se conformava com pouco.

— Você tem que me ensinar a me defender de ataques. Nem sempre vou conseguir me esquivar ou fugir — certo dia reclamou.

— Não, Aredhel! Eu não vou atacar você! — rosnei impaciente com sua tenacidade.

— Então você acha que não pode controlar a sua força? — provocou. — Pensei que pudesse fazer isso com facilidade — soou irônica.

— Não tente me manipular, Aredhel. Você não tem capacidade para isso — sorri cinicamente. — Treine sozinha o que você aprendeu com seu irmão — rebati.

— Não posso treinar a me defender de ataques sozinha — bufou. — E se eu precisasse um dia me defender, não seria contra humanos, seria contra seres fortes como vocês — retrucou irritada.

Aredhel sempre tinha uma resposta pronta para tudo. Ela sabia ser bem insistente quando queria e tinha uma habilidade nata para ganhar discussões. Isso era tão irritante. Mas eu não ia ceder. Eu sabia que tinha habilidade suficiente para atacá-la sem o risco de machucá-la, mas, ainda assim, eu temia um acidente. Um descuido, um reflexo instintivo e eu poderia matá-la.

— Já falei que não! — vociferei de volta e saí do local, deixando-a só.

Eu tinha coisas mais importantes a fazer do que lidar com a tenacidade de Aredhel.


Nos dias seguintes ela pareceu se conformar com a minha decisão e continuei a ensinando a lutar com adagas. Depois dos treinos ou quando eu não podia treiná-la, segundo ela mesma, Aredhel ficava treinando sozinha. Menos sobrecarregado com suas teimosias, passei a frequentar a biblioteca novamente em busca de uma forma de prolongar a vida dela.

Logo de início eu já encontrei certa dificuldade. Aredhel e eu havíamos bagunçado demais a ordem dos livros, o que acabou por aumentar a minha dificuldade em achar o que buscava. A biblioteca do palácio era um local frequentado apenas pela família real e pelos autorizados pelo rei. Servos não tinham permissão para frequentá-la, pois alguns possuíam magias e segredos que seriam perigosos se caíssem em mãos erradas. A limpeza do local era feita sobre forte vigilância.

Desta forma, a desorganização deixada por Aredhel e eu, tinha ficado quase intacta por mais de ano. Não preciso dizer que frequentar a biblioteca não era um hábito do atual rei. Thor nunca fora um amante de livros. E durante o tempo em que Aredhel passou na outra realidade, raras vezes retornei ao local, vez que sempre me lembrava dela. Em suma, eu teria que reorganizar tudo de novo antes de começar a minha procura.

No início Aredhel me ajudava na organização, mas com o passar dos dias ela voltava cada vez mais tarde e cansada do treino. Uma vez ela quase caiu da escada da biblioteca por cochilar. Eu me perguntava o que ela fazia sozinha para deixá-la tão exausta.

Uma noite eu cheguei ao quarto e ela estava na cama sentada tomando um chá.

— Vou tomar um banho e já venho — pisquei para ela com um sorriso malicioso.

— Ah… — deu um sorriso fraco —, estou meio cansada hoje. Você não se importaria se eu dormisse mais cedo? — perguntou franzindo o cenho.

— Não… Tudo bem — respondi meio frustrado. Já era a terceira noite que ela me evitava.

Fui para o banho e, quando saí, ela já estava dormindo. Deitei-me ao seu lado e a puxei para perto de mim. Senti um perfume diferente. Aredhel não cheirava a jasmim, mas sim a algo canforado. Estranhei. Ela mexeu o braço e a manga de sua camisola deslizou sobre seu pulso. Notei que ela tinha algumas manchas escuras nele. Empurrei mais a manga e vi que a mancha era extensa e tinha outra em seu cotovelo. Aproximei meu rosto e percebi que seu braço tinha o mesmo cheiro de cânfora. Desconfiado, puxei o outro braço dela e também descobri mais hematomas.

O que estava acontecendo?

Tirei o lençol de cima de minha esposa e vi que suas pernas também tinham manchas roxas de tamanhos variados. Levantei sua camisola e tinha outro hematoma na altura de seus ossos do quadril. Trinquei os dentes.

— O treino! — murmurei entredentes com raiva.

Eu deveria ter suspeitado! Aredhel havia se conformado fácil demais com a minha decisão. Ela certamente estava treinando com outra pessoa e agora estava toda machucada!

— Aredhel! — rosnei enquanto a sacudia para acordá-la — Aredhel! Com quem você está treinando? — perguntei furioso.

Ela permaneceu dormindo e seu sono era estranhamente pesado. Afligi-me. Aredhel, que sempre tivera o sono leve, agora não acordava. Olhei para mesa próxima à cabeceira da cama e vi a xícara de chá. Cheirei e provei o resto que havia sobrado da bebida. Era uma mistura de ervas para dormir, para dor e outras que não consegui reconhecer o sabor. Bufei contrariado. Começava a me arrepender de ensinar e ter dado acesso livre a livros sobre plantas e ervas para ela.

Fiquei preocupado. Verifiquei sua respiração e pulsação e, para meu alívio, constatei que estavam regulares. Ela realmente estava apenas desfrutando de um sono profundo. Voltei a cobri-la e sentei ao seu lado, extremamente irritado.

— Amanhã a senhora terá muito que me explicar! — sibilei ao seu lado.



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Gabi Luz

Escritora, nerd e "moça da informática".