Fanfic – A mulher do meu destino – 20 — She’s the only one that makes me sad

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Na manhã seguinte Aredhel acordou e me encontrou sentado na poltrona ao lado da cama. Ela, inconsciente de minha descoberta, despreocupadamente me sorriu.

— Bom dia amor… — murmurou com seu sorriso mais doce.

— Não há nada de bom no meu dia — respondi com rispidez.

O sorriso dela murchou e ela me fitou ligeiramente assustada.

— O que houve? — indagou confusa.

Levantei-me e fui até a cama.

— Isso é você quem deveria me dizer — falei puxando o braço dela e arregaçando a manga da camisola.

Apontei para os hematomas e a encarei.

— Loki… Eu… Eu… — começou a gaguejar.

— Você achou que iria me enganar por quanto tempo? — larguei seu braço. — Continuaria me evitando até quando? Com quem você está treinando? — perguntei aos gritos.

Ela baixou a cabeça por um tempo e eu aguardei em silêncio suas explicações. Sentou-se na cama e voltou a me olhar.

— Eu sabia que você não aceitaria que me treinassem, por isso tentei esconder — confessou com tranquilidade. — Pensei em contar quando eu já estivesse melhor em minhas habilidades — deu de ombros. — Mas não se preocupe. As marcas somem mais rápido com os remédios daqui. Se fosse na terra eu ficaria semanas com marcas. A maioria dos hematomas já desapareceram no primeiro dia e… — falar de um jeito despreocupado.

Não consegui deixar que terminasse a frase. Fiquei furioso.

— Você estava mais machucada? — rosnei. — Você é louca? Uma suicida? — questionei aos berros, agarrando-a pelos ombros.

Ela ficou muda, me olhando visivelmente chocada. Prendi a respiração e tentei me acalmar.

— Você é imprudente! — continuei esbravejando. — Quem está treinando você? — perguntei entredentes tentando conter minha fúria.

— Eu não vou dizer — meneou a cabeça e permaneceu altiva. — Você vai descontar sua raiva nessa pessoa e a única responsável por isso sou eu — afirmou me fitando nos olhos.

Respirei fundo. Ela tinha razão. O irresponsável que a estava treinando é quem pagaria por isso.

— Você não vai dizer? Pois eu mesmo descobrirei! — sorri deliberadamente. — Nenhum guarda ou servo a treinaria sabendo que é minha esposa. Só um dos quatro pode ter tido a audácia de aceitar fazer isso! — rosnei.

Ela me fitou e o medo faiscou em seus olhos. Era astuta, mas não o suficiente para mentir para mim. Seus olhos a denunciaram e isso acabou por confirmar minha teoria. Aredhel pulou da cama e começou a se vestir de forma apressada. Dei as costas a ela e saí do quarto decidido a interrogar Thor, Sif, Fandral e Volstagg.

Entrei no salão e, por acaso, estavam todos reunidos. Eu estava extremamente irritado então fui direto ao assunto, sem rodeios.

— Qual de vocês está treinando Aredhel? — praticamente cuspi as palavras.

Thor me fitou confuso e encarou os demais. Fandral deixou escapar um assovio e olhou para os outros dois.

— Eu avisei que isso não ia dar certo — Volstagg deu um pigarro e conteve o que pareceu uma risada.

— Sou eu — confessou Sif me encarando.

— Sif! Não! — ouvi Aredhel gritar atrás de mim.

Virei-me para encarar Aredhel com um olhar fulminante e depois me voltei para Sif.

— Você tem ideia do perigo a que está expondo a minha mulher? — avancei na direção dela.

— Foi sua própria mulher que me procurou pedindo para treiná-la — ergueu os ombros despreocupadamente. — Ela não corre perigo. Eu tomo cuidado, sei controlar minha força — provocou.

— Ah, então você se controla? — fui sarcástico.

Aproveitei que Aredhel tinha se aproximado de mim e a puxei pelo braço, arregacei a manga de sua roupa e mostrei a Sif um de seus hematomas.

— E você tem extremo cuidado! — ironizei em alta voz. — Ela está cheia de marcas como essa pelo corpo!

— Se acalme, irmão — Thor se aproximou. — Você sabe que essas coisas acontecem nos treinamentos — tentou amenizar.

— Isso mesmo — empertigou-se Sif. — São coisas que acontecem. Além do mais, ela está no início do treinamento. Com o tempo ela vai apanhar menos. Sua mulher, apesar de ser apenas uma midgardian, é ágil e tem alguma noção de técnicas de luta. Ela, por exemplo, nunca se deixou ser atingida no rosto — explicou.

— Verdade — murmurou Aredhel, sorrindo toda orgulhosa.

— Não há a menor necessidade de você se expor a isso! — sibilei para Aredhel.

— Loki, eu discordo — interferiu Sif novamente. — Você nem sempre estará disponível para protegê-la. Além disso, acho muito importante que ela saiba se defender. Asgard é responsável por manter a ordem nos nove reinos e, como habitante daqui, ela também é responsável por isso — lembrou-me com um sorriso de vitória no rosto.

— Sif tem razão. Até nossa mãe sabia lutar — arrematou Thor.

Bufei de raiva e tive vontade de esganar Sif. Ela estava defendendo a ideia de Aredhel de propósito, só para me provocar. Percebi que não teria apoio nenhum ali. Virei-me para Aredhel e disparei.

— Você vai parar com esses treinos! Eu a proíbo! — ordenei.

— Ah, não mesmo… — Aredhel pôs a mão na cintura. — Você não manda em mim! Eu faço o que eu quiser! — berrou de volta.

— Uh — murmurou Fandral com um sorriso cínico no rosto.

Volstagg deu um novo pigarro em meio a um riso e Sif sorriu triunfante.

— Sif, você não pode continuar treinando ela — falei com raiva.

— Se ela ainda quiser, continuarei sim — ela falou com um sorriso malicioso no rosto.

— Então estamos combinadas — acorreu Aredhel. — No mesmo horário, Sif — sorriu de forma displicente e em seguida saiu do salão.

— Aredhel! — gritei indo atrás dela.

Voltamos para o quarto e a discussão continuou. Tudo o que eu falava Aredhel rebatia com maestria. Eu já estava perdendo a paciência. Ela era teimosa demais! Eu não sabia mais o que dizer para convencê-la.

— Você tem que entender que não quero que você se machuque — apelei.

— Não se preocupe — segurou minhas mãos entre as suas. — Eu vou me esforçar bastante para evitar isso — seus olhos brilhavam. — Vou ficar cada vez melhor. Assim não me machuco mais. Prometo! — deu-me um beijo no rosto.

Suspirei alto e ela me abraçou apertado. Vencido, eu passei a mão pelos cabelos dela. Nada do que eu dissesse a faria mudar de ideia.

— Vai ficar tudo bem — murmurou contra meu peito.

— Espero que sim — respondi conformado.


Com o passar das semanas, de fato, Aredhel começou a aparecer com menos hematomas. Todavia, ainda que ela não se queixasse, isso ainda me incomodava. Principalmente em nossos momentos íntimos. Condoía-me, ver sua expressão de dor quando eu, inadvertidamente, tocava em seus machucados. Eu ficava extremamente frustrado com a situação.

Um pouco mais de um mês depois, ela tinha evoluído o bastante para quase não ter mais machucados e já treinava com lança e adagas. Isso me deixou aliviado. Nesse mesmo período aproveitei para sugerir a Aredhel ir ao seu mundo fazer alguns telefonemas para sua família e amigos. Pensei que, quem sabe assim, ela esqueceria esses treinos por um tempo. Ela prontamente aceitou minha sugestão.

— Eu tenho que avisar que está tudo bem. Lembro-me do telefone tocar várias vezes e como eu estava tão arrasada, acabei não atendendo. Eles devem estar preocupados — comentou Aredhel.

— Você vai, mas com o tempo controlado — alertei. — Não demore mais de cinco minutos na ligação. Lembre-se que o tempo lá passa de forma diferente. Depois veremos outra data para marcarmos um encontro com eles e explicar tudo o que vem acontecendo. Estamos acertados?

— Certo. Pode deixar. Vou ficar contando o tempo. Não vou demorar mais que alguns dias — falou sorrindo.


Aredhel partiu e passou quase quatro dias fora. Eu confesso que senti muita saudade. Notei o quanto ela me fazia falta. Sentia-me desamparado, solitário e deprimido. Desde que estava ao lado dela, mal me reconhecia. Eu era outra pessoa, vivia angustiado com a possibilidade de perdê-la. Podia ser o dono dela, mas escravo de seu amor. Ela era a única que conseguia me deixar feliz e triste ao mesmo tempo. Eu tinha a plena consciência de que meu amor por ela era a minha maior fraqueza.

Nesses dias me empenhei mais ainda em ajudar Thor com Asgard. Esforcei-me ao máximo para não aparentar o que estava sentindo. Não deixaria que me vissem abatido.

Quando Aredhel retornou, fiquei tão feliz que nem mais impliquei com seus treinos. Passado mais um mês decidimos que ela deveria ligar novamente para os pais e marcar o tal encontro. Os pais dela moravam em outra cidade e o deslocamento deles até a casa dela talvez nos desse até anos para nos prepararmos para o encontro. Avisei Thor que me afastaria por alguns dias e dessa vez eu fui com ela. Não ficaria longe dela novamente.

Como de costume, colocamos a água da lagoa em garrafas as quais escondi com minha ilusão. Então Aredhel me segurou pelo pulso e mergulhou o rosto na lagoa.


Chegamos diretamente a porta da casa de Aredhel. Eu havia mudado a aparência de nossas roupas para não chamarmos muita atenção. A água do lago era imprecisa. Não havia garantia que surgiríamos diante de um grupo de pessoas ou em um lugar ermo, próximo ao que foi pensado.

A casa de Aredhel parecia simples e pequena. Tinha a frente estreita e era uma casa de dois andares. Sua faixada possuía tijolos aparentes, com janelas e porta brancas envidraçadas. Havia um pequeno gramado antes da entrada e algumas flores plantadas próximas à janela do térreo.

Contornamos a casa e entramos pelo quintal, cuja porta estava destrancada. Quando entramos notei que a casa era realmente muito diminuta. No cômodo havia um sofá cinza e uma poltrona de frente para uma janela. Na parede oposta à janela, tinha uma estante abarrotada de livros e outra cheia de caixinhas retangulares. De frente para o sofá ficava outro móvel com mais livros e alguns equipamentos, que Aredhel informou ser uma televisão, um aparelho de vídeo e dois notebooks.

O local exibia também fotos dela sozinha e outras com um rapaz que presumi ser o Phillip. Ele tinha a mesma aparência jovem de Aredhel. Era um homem de pele clara, com cabelos e olhos castanhos claros. Simplório! O que ela tinha visto nele? Ainda assim, eles pareciam felizes nas fotos. Disfarçadamente, eu tratei de virar as fotos dele. Irritava-me olhar para aquele rosto.

Ela pegou um objeto pequeno, que me apresentou como o celular dela, e digitou alguns números. Passado algum tempo começou a falar.

— Alô? Mãe? Sim, sou eu. Estou ligando para dizer que preciso conversar com vocês. É um assunto muito importante — falou ao telefone.

Enquanto ela conversava eu fiquei passando os olhos pelos títulos dos livros que ela tinha. Praticamente não conhecia nenhum, mas alguns títulos pareciam ser bem interessantes.

— Eu sei que está preocupada, mas eu estou bem — Aredhel fez uma pausa — Uhum. Sei — nova pausa.

Com a mão livre, ela pegou alguns livros da estante e foi me entregando. Colocou a mão sobre o telefone e se inclinou.

— Acredito que vá achar esses interessantes — sussurrava. — Dê uma olhada no resto e pegue o que quiser. Fique à vontade — depois voltou a retirar a outra mão do celular e retomou a conversa com a mãe.

Os livros eram “O príncipe” de Nicolau Maquiavel, “A arte da guerra” de Sun Tzu, “O livro dos cinco anéis” de Miyamoto Musashi, “Além do bem e do mal” e “O Anticristo” ambos de Friedrich Nietzsche. Peguei esses livros e mais alguns outros que me chamaram a atenção e os escondi com minha ilusão.

— Sim. Isso — prosseguia. — Eu preciso falar com você, papai e William, pessoalmente — pausa. — Falou? Eu não lembro. Melhor assim então — silêncio. — Certo. Depois de amanhã? Há que horas? Certo. Beijos. Também te amo. Tchau — despediu-se e mexeu no celular.

Ouvi um som semelhante a sinos. Aredhel fez uma careta e correu até a porta da frente. Um homem entregou um objeto e Aredhel escreveu algo nele. O homem entregou a ela um pequeno pacote retangular. Ela desembrulhou o embrulho, revelando uma caixinha retangular, como as outras que tinham na segunda estante.

— Chegou! — ergueu os braços. — Thor, the dark world! — comemorava mostrando uma caixinha que tinha a imagem de Thor e Jane estampada.

— O que é isso? — inquiri curioso.

— É o último filme da sequência de Thor — revelou animada. — Eu havia encomendado e entregaram hoje. Dei sorte de estar aqui bem na hora da entrega. Quem sabe um dia você possa assistir, ou não — fez uma pausa, me fitou demoradamente e a empolgação desapareceu. — Melhor não… Tem coisas que é melhor não rever… — murmurou com um olhar triste.

Imaginei que ela falava de Frigga. Mesmo não querendo ver isso, confesso que fiquei curioso. Aredhel colocou a caixinha ao lado da televisão.

— O que sua mãe disse? — resolvi mudar de assunto.

— Ah… — mordeu os lábios. — Ela falou que eles já tinham até comprado passagens para vir me ver. Disse, inclusive, que já havia me avisado que eles viriam quando falou comigo pelo telefone no dia do enterro de Phillip. Ou seja, ela me falou isso ontem… — ficou meio pensativa. — Vai ser complicado explicar tudo — franziu a testa e passou os dedos pela fronte.

— Teremos tempo para planejar o que falaremos — tranquilizei-a. — Quando eles chegam? — questionei.

— Depois de amanhã. Ao meio dia — informou.

— Isso nos dá dois anos em Asgard — comentei.

Aredhel pegou um molho de chaves no qual tinha uma caixinha pendurada. Ela girou um pino da caixinha algumas vezes e uma melodia começou a tocar. Logo reconheci a canção, era “O lago dos cisnes”. Ela separou a caixinha das chaves e me estendeu em minha direção.

— Tome, para você sempre se lembrar de mim — sorriu com ternura. — É só dar corda e você sempre vai poder ouvir a melodia. — depositou a caixinha na palma da minha mão.

Fechei a mão sobre o pequeno regalo.

— Não preciso de nada para me lembrar de você — retruquei. — Você adora essa música. Não prefere que fique com você? — estendi-o de volta.

— Eu sei essa canção de cor — meneou a cabeça e empurrou o presente de volta. — Eu praticamente consigo ouvir as notas em minha cabeça. E enquanto eu estiver com você, vou sempre poder ouvir de novo. Você reclamou que sentiu saudades de mim quando vim para cá da outra vez, então…

— Nunca mais deixarei que se afaste de mim novamente — rebati a interrompendo.

— Ah, Loki — fez um muxoxo. — Você fala como se eu fosse… — começou a falar, mas parou e assumiu uma expressão sombria.

— Como se você fosse o quê? — perguntei.

— Nada. Esqueça — sorriu sem graça e desviou os olhos.

— Fale — insisti com rispidez.

— Ah… Como se eu fosse viver o mesmo que você — murmurou baixando a cabeça.

Engoli em seco e me calei. Aquele assunto me assombrava e tudo o que eu menos queria era pensar sobre aquilo naquele momento. Ela me olhou por um tempo, parecendo indecisa sobre o que ia dizer.

— Loki — pousou os dedos na palma de minha mão —, acho que você tem que começar a aceitar isso — franziu o cenho e me encarou.

— Aredhel, não — murmurei.

— Você tem que pensar que depois que eu partir, você tem que seguir em frente — ela continuou. — Eu gostaria que pudesse voltar a ser feliz, mesmo que fosse ao lado de outra…

— Aredhel, pare — pedi tentando manter a calma.

— Você terá toda uma longa vida ainda pela frente — insistia —, então pode conhecer alguém aqui mesmo ou em Asgard e…

— Basta! — assustei-a. — Eu já disse que não quero falar sobre isso! Eu te amo e não vou amar outra pessoa! — confessei aos berros.

Aredhel me fitou assustada. Ela se aproximou de mim e tocou meu rosto.

— Não, Loki… — disse baixinho. — Tenho receio de que se você não conseguir lidar com isso, que acabe seguindo novamente caminhos tortuosos. Assim como temo que seu medo de me perder, leve-o a cometer desatinos — declarou com tristeza nos olhos.

De certa forma ela estava certa. Ao me imaginar sem ela, ao tentar abstrair a dor que me esperava, a única imagem que me vinha à mente era a minha enlouquecendo. Eu jamais desejei me sentir assim, tão vulnerável. Era somente nisso que pensava quando me descobri apaixonado por ela. Estava determinado a fazer tudo para não sofrer por amor, a não deixar que esse sentimento crescesse dentro de mim. Se eu conseguisse sobreviver à sua perda, com certeza, não iria querer passar por isso tudo de novo. Eu sei que jamais me permitiria amar outra mulher novamente, principalmente uma midgardian. Certamente eu voltaria a ser o que era antes ou provavelmente pior. Não… Certamente pior…

— Quero crer nas palavras de Shakespeare em Hamlet — ela prosseguia. — Que as coisas no mundo não são eternas e que tudo um dia acaba. Que nossas vontades mudam nas viradas do acaso. Que o que sentes por mim seja apenas escravo de sua memória e algo transitório. Que você até acredite que não terá outra mulher, mas que essa crença morra junto comigo. Quero crer nisso para seu próprio bem — falou com lágrimas nos olhos.

— Você quer crer nisso, mas você não acredita de verdade, não é Aredhel? — questionei olhando-a nos olhos. — Realmente crê que deixaria de me amar se algo me acontecesse?

— Não… — disse em um sussurro, deixando as primeiras lágrimas rolarem. — Eu continuaria te amando… Mas… Deus… — soluçou. — Só não quero que volte a se fechar para o mundo. Que volte a ser ressentido e amargurado. Eu quero a sua felicidade — afirmou com veemência.

— Você é a minha felicidade — afirmei.

— Oh, Loki… — murmurou.

Eu a abracei e não discutimos mais aquele assunto. Algum tempo depois nos preparamos para partir e em seguida retornamos à Asgard.

Mais do que nunca eu estava determinado. Não a perderia, mas o tempo corria contra mim.



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Gabi Luz

Escritora, nerd e "moça da informática".