Fanfic – A mulher do meu destino – 22 — And I will try, to fix you

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No caminho para a ponte gritei por seu nome, mas não ouvi resposta. Um calafrio percorreu minha espinha. Ao chegar na ponte pulei do cavalo. Aproximei-me da beirada e tentei ver se avistava Aredhel, mas nem sinal dela. Não pensei duas vezes e mergulhei no rio. Não achei nada no primeiro mergulho e o meu desespero só aumentava. Mergulhei a segunda vez e a encontrei. Agarrei-a pelo braço e nadei para a margem. Deitei-a no chão e notei que estava desmaiada e não respirava. Meu coração quase parou. Senti meus olhos se encherem de lágrimas. Tapei seu nariz e abri sua boca e comecei a impelir ar, tentando fazê-la voltar a respirar.

— Vamos Aredhel, respire! — murmurei desesperado.

Repeti a ação. Cada vez que repetia e Aredhel não reagia, pensava no pior. Lágrimas desceram por meu rosto e trinquei os dentes de frustração. Perderia a mulher que amava da maneira mais estúpida.

— Por favor — falei entredentes —, Aredhel, não me deixe — implorei em meio às lágrimas.

Continuei tentando até que ela tossiu, cuspindo a água. Dei um suspiro aliviado. Ela acordou meio confusa, mas logo se encolheu colocando as mãos sobre o tornozelo esquerdo.

— O que houve?

— Está doendo muito — indicou o tornozelo e começou a chorar.

Tentei examinar, mas ela gritou quando toquei levemente a bota. Parecia estar quebrado.

— Aredhel, acho que você quebrou o tornozelo — informei com tristeza. — Vou te carregar e te colocar em meu cavalo. Certamente seu tornozelo vai doer muito, mas sua bota vai conseguir mantê-lo razoavelmente no lugar. Você precisa aguentar firme, certo? — passei um de seus braços por meu pescoço.

Aredhel assentiu com a cabeça. Eu a carreguei e ela gemeu. Coloquei-a no meu cavalo, peguei as rédeas do outro e depois montei atrás de Aredhel. Seguimos devagar para o palácio. No caminho vi no rosto dela estava sofrendo com o movimento do cavalo, mas não se queixava. Ela não se deixava abater. Eu fiquei o caminho todo me culpando, amaldiçoando a hora que tive a brilhante ideia de propor a corrida. Remorso era o que eu sentia. Fora eu quem insistira para que ela aprendesse a montar. Sempre temi que Aredhel se machucasse gravemente em seus treinos de luta ou com magias, mas ironicamente ela se machucou montando. E pior, quase morreu afogada.

Depois de deixar os cavalos no estábulo, segui com Aredhel nos braços. Ao entrarmos no palácio encontramos com Thor e Fandral, que nos olharam preocupados.

— O que houve com a pequena? — perguntou Thor caminhando ao nosso lado.

— Ela caiu do cavalo. Acho que quebrou o tornozelo — fui direto.

— Nossa! Você só vive se metendo em encrenca, né Aredhel? — comentou Fandral, que também nos acompanhava.

— E por que estão molhados? — inquiriu Thor.

— A queda do cavalo ocorreu na ponte. Quase se afogou — respondi sentindo um nó na garganta.

— Encrenca em dobro — murmurou Fandral.

Lembro-me de ter pensado que, de fato, Aredhel parecia ter uma atração quase magnética com o perigo. Deixei escapar um suspiro de frustração.

— Acho que dei um comando errado ao cavalo — ela me olhou toda sem graça. — Em vez de acelerar, ele freou bruscamente — deu de ombros. — Na queda eu primeiro bati na beirada da ponte com minha perna esquerda, depois caí no rio. Tentei nadar, mas a dor era tão grande que não conseguia. Comecei a afundar e depois não lembro de mais nada — explicou dando um meio sorriso.

Entrei na sala de cura e os dois ficaram do lado de fora. Deitei Aredhel em uma das camas e uma serva, Ada, veio atendê-la. Expliquei o ocorrido e ela chamou outra mulher para ajudá-la. Segurei a mão de Aredhel e as duas começaram a tentar tirar a bota do pé de Aredhel.

O tornozelo havia inchado, elas teriam que cortar a bota para sair. Elas começaram o procedimento. Aredhel apertava fortemente minha mão. Percebi que sentia muita dor. Ela estava cada vez mais pálida e suava frio. Ao retirarem a bota, mesmo com todo cuidado, Aredhel gritou e depois se encolheu. Senti meu coração partir com o sofrimento dela.

Rapidamente veio a constatação: o tornozelo estava de fato quebrado. A serva pediu que eu me retirasse para elas fazerem os procedimentos com mais calma. Aredhel relutou em soltar a minha mão, mas no fim me largou.

No lado de fora estavam Thor e Fandral aguardando.

— Então? O que houve? — indagou Thor.

— Está quebrado mesmo — confirmei entristecido.

— Ela vai ficar bem, estamos em Asgard. Temos magias e medicamentos que não existem em Midgard. Ela se recuperará rapidamente — falou Fandral.

— A pequena é forte, logo estará lhe dando mais trabalho — brincou Thor.

— Sinto-me tão culpado. Ela não queria aprender a montar. Fui eu que insisti — desabafei.

— Loki, acidentes acontecem — rebateu Fandral.

— Não! Isso poderia ter sido evitado! Ela quase morreu! — rosnei.

— Irmão, você não pode controlar a vida dela — começou Thor. — Não vai poder protegê-la de tudo. Além do mais, você saber que ela é bem mais frágil — olhou-me com pena. — Humanos são assim, se machucam com facilidade. Você tem que aceitar isso. Eu entendo como se sente, mas você não pode colocá-la em uma redoma. Terá que aprender a lidar com a fragilidade e efemeridade dela.

Bufei de raiva. Mais uma vez o assunto vinha à tona. Aredhel era humana. Eu não podia mais fingir que o problema não existia. Aquilo parecia uma espécie de maldição. A mulher que eu amava tinha a fragilidade de um cristal e a longevidade de um sonho. Eu tinha que fazer algo para mudar aquilo.

A serva abriu a porta e disse que eu podia entrar. Aredhel estava sentada com o tornozelo imobilizado em uma bota de arabescos em tons de dourado. Sentei-me ao seu lado e ela agarrou minha mão e me deu um sorriso torto. Ela parecia meio dopada.

— Então? Em quanto tempo ela poderá tirar isso? — indaguei indicando com a cabeça para a bota.

— Bom, ela é uma midgardian, a recuperação deles é mais lenta — disse uma serva ruiva. — Acredito que com as magias de cura e os remédios, ela deverá ficar totalmente curada em um mês.

Um mês. Engoli seco. A culpa pesava sobre meus ombros.

— Ela sentirá muita dor ainda? — olhei para Aredhel que estava distraída e nem parecia ouvir a conversa.

— Demos a ela algo para dor agora — explicou Ada. — Mais tarde ela poderá tomar novamente. Mas amanhã a dor começará a diminuir. Ela só não deve tentar firmar esse pé no chão — alertou.

— Já posso ir para meu quarto? Não gosto de hospitais — murmurou Aredhel com a voz arrastada.

— Er… Pode. Hospitais? — Ada franziu a testa, visivelmente confusa.

— É como chamamos lugares como esse na Terra — explicou Aredhel, balançando a mão debilmente.

Carreguei Aredhel até nosso quarto. Deixei-a na cama e fui ao banheiro preparar um banho. Estávamos sujos de terra, principalmente ela. Ajudei-a se despir e levei-a até a banheira. Posicionei-a de forma a deixar o tornozelo pendurado para fora da banheira e a ajudei a se banhar. Depois ela vestiu uma camisola e a acomodei confortavelmente na cama. Em seguida, fui tomar um banho rápido.

Ao retornar sentei-me ao seu lado e a puxei para perto. Passado o susto, tudo o que eu queria era ficar com ela. Aredhel deitou a cabeça em meu peito e ficou remexendo a minha roupa. Eu a abracei sentindo um misto de alívio e culpa.

— Então — ela disse repentinamente. — Qual é o seu desejo? — encarou-me.

— O quê? — perguntei confuso.

— Você ganhou a corrida — sorriu. — Qual é o seu desejo? — insistiu.

— Esqueça isso — dei suspiro triste. — Tudo o que eu quero agora é que você fique boa e que fique longe de perigos, por, pelo menos, alguns meses — fui sincero.

— Considere feito — riu, segurou meu rosto entre suas mãos e me deu um beijo nos lábios.

— Aredhel, perdoe-me — apertei sua mão entre as minhas. — Eu não deveria ter insistido para você aprender a montar. Tampouco eu deveria ter inventado a história da corrida — fitei-a longamente.

— Shhh — assoviou colocando o dedo em meus lábios. — Não se sinta culpado. Fandral tem razão, eu só vivo me metendo em confusão. Fui eu quem deu ordens erradas ao pobre cavalo — fez um muxoxo.

— Aredhel… Você quase morreu… — tentei argumentar.

— Esqueça isso, meu amor. Eu estou bem — murmurou, se aninhando contra meu peito.

Ela ficou me encarando por um tempo e passou as mãos em meu rosto. Vi seu rosto ficar vermelho.

— Loki, me ame — pediu de repente.

Fiquei surpreso e senti meu rosto corar.

— Aredhel… Não acho isso prudente. Você está machucada e… — comecei a falar.

— Por favor… — pediu e em seguida me beijou de forma apaixonada.

Ela começou a abrir minha camisa enquanto me beijava. Depois desceu as mãos e abriu minha calça. Separei-me dela ganhando fôlego. Certos comportamentos de Aredhel me deixavam pasmo. Para ela não existia tempo ruim ou situação inadequada para fazermos amor. Estava sempre disposta e se excitava com facilidade. Definitivamente, ela era tarada. Mas eu gostava muito disso… Muito mesmo…

— Tem certeza? — perguntei preocupado.

— Sim — respondeu sorrindo cinicamente.

Tirei a camisa e voltei a beijá-la. Eu a amava com devoção e rapidamente me entreguei àquele momento. Quando terminamos, eu estava sem fôlego. Ela puxou minha mão de sua cintura e apertou contra seu peito.

— Eu te amo, Loki… — murmurou.

— Eu também te amo. Para sempre — sussurrei ao seu ouvido.

Aredhel rapidamente adormeceu, mas eu não conseguia dormir. O acidente, as palavras de Thor e meu medo me perturbavam. A ideia de encontrar algo que fizesse Aredhel viver mais não saía de minha cabeça.

Fiquei mais algum tempo deitado com Aredhel, tentando relembrar alguma lenda ou alguma esperança, na qual eu pudesse me agarrar. Eu sabia que existia uma, mas precisava de provas de que não passava de uma história que Frigga nos contava antes de dormir. Seria verdade? Se sim, como faria para conseguir? Inquieto, resolvi me levantar. Deixei Aredhel dormindo, me vesti e segui para a biblioteca. Faltava pouco para arrumar os livros. Em breve poderia começar minha busca.


Terminada a arrumação dos livros, passei a frequentar todas as noites a biblioteca. Às vezes ia para o quarto muito tarde e Aredhel acabava questionando a respeito. Eu sempre dizia que eu pesquisava alguma magia ou assunto de Asgard. Evitei dizer a verdade, imaginava que ela não aprovaria essa minha obsessão.

E assim se passaram três meses. Já ia fazer seis meses que havíamos casado. Nesse período que se passou, Aredhel levou um mês para ela poder firmar o pé esquerdo sem sentir dor. Durante esse tempo ela aproveitou para estudar com mais afinco magia, vez que não podia lutar. Ela ansiava por tentar pôr em prática algo que aprendera, mas eu ainda não achava seguro ensinar. Eu tinha receio que seu corpo frágil não suportasse o poder que teria que concentrar para executar algumas magias.

Aredhel passou esses três meses sem montar ou treinar. De início por causa do tornozelo e, depois, por um cansaço insistente que ela sentia. Isso me preocupava muito, mas ela não parecia se importar. Quando pensei que teria paz, ela começou com esses sintomas estranhos. Temia que fosse uma das enfermidades comuns aos midgardians. Angustiado com a displicência dela com o prolema, tentei mais uma vez conversar com ela sobre isso.

— Esse seu cansaço é estranho. Um dia desses você quase desmaiou. Deve ser por que você não está comendo direito — alertei.

— Eu não sinto fome ultimamente. Aliás, quando vejo a comida meu estômago embrulha — fez uma careta. — Sou muito ansiosa, sempre tive esse tipo de problema quando estou estudando ou trabalhando muito. Não precisa ficar alarmado. Isso passa — falou calmamente.

— Então devia fazer uma pausa. Dar um tempo nisso — sugeri preocupado.

— Certo, vou diminuir, mas não vou parar — retrucou sorrindo.

A tenacidade de Aredhel era irritante.


Nesse mesmo período eu já havia encontrado o livro que tanto procurava: o livro de Iduna. Lembrei-me de já ter pegado nele a um longo tempo atrás. Ironicamente, Aredhel o colocara em minhas mãos, mas na época ele não me interessava e acabou por se perder na bagunça da biblioteca. O livro falava sobre a lenda de Iduna, a responsável por guardar as maçãs da longevidade. Dizia a história que essas maçãs é que eram responsáveis pela longevidade dos Aesir.

O livro descrevia detalhadamente a maçã e sua localização. A maçã era descrita como uma bolota vitrificada de cor rubra. Aquele que a ingerisse, seria detentor de uma vida longa como a dos Aesir, além de ter sua resistência e força aumentadas. Era tudo o que eu precisava para Aredhel.

Ainda, segundo o livro, as maçãs estavam localizadas em uma caixa de freixos, ao pé da estátua de Iduna, no palácio do rei de Jotunheim. Pensei “Jotunheim, tinha que ser lá… Não?”. A minha vida se resumia a ironias. Eu teria que ir até o reino que eu quase destruí e cujo rei, meu verdadeiro pai, eu havia assassinado.

Eu já vinha planejando minha jornada a Jotunheim há quase dois meses. Não seria algo fácil de fazer sem gerar uma guerra. Teria que ser cuidadoso e isso exigiria um bom plano. Eu já havia deixado tudo preparado para partir na manhã seguinte. Estava tentando descobrir mais alguns detalhes sobre um suposto guardião da tal caixa quando fui surpreendido por Aredhel na biblioteca.

— Quando vai me dizer o que tanto procura? — questionou ao entrar no local, me assustando.

— Eu já disse que não é nada importante. São assuntos de Asgard — fiz pouco-caso, tentando disfarçar.

— Se não fosse importante, você não estaria aqui a essa hora — estreitou os olhos. — Os assuntos de Asgard me interessam, afinal vivo aqui, não? — a ironia era clara na sua pergunta. — O que está tentando esconder de mim?

Aredhel sempre perspicaz. Fiquei feliz de já estar de partida no dia seguinte, pois eu não conseguiria enrolar Aredhel por mais tempo.

— Nada — sorri. — Não estou escondendo nada. Façamos o seguinte, vamos nos deitar e amanhã eu lhe explico o que estou procurando — disfarcei.

Levantei-me, fui até ela e passei a mão por sua cintura a conduzindo para nosso quarto. Amamo-nos intensamente e, assim que ela adormeceu, eu me arrumei para partir. Dei um beijo em sua fronte e sussurrei “Eu te amo” em seu ouvido.

Thor jamais aprovaria esse meu ato insano. Se eu fosse descoberto nessa empreitada à Jotunheim, eu poderia perder minha chance de finalmente ser rei. Mas como dizia um dos autores midgardians preferidos de Aredhel, “Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal” e eu faria qualquer coisa por Aredhel.

Parti para Jotunheim. Tomei cuidado para que ninguém me visse sair, nem mesmo Heimdall. Para me certificar disso, não fui pela Bifrost, mas sim por um dos caminhos alternativos que conhecia para Jotunheim. Da mesma forma que utilizei a minha técnica para me esconder de Heimdall.

Ao chegar lá vi as ruínas do que já foi um reino um dia. Eu sabia que boa parte daquela destruição eu que havia ocasionado. Eu tinha que ser rápido e astuto. Não desejaria enfrentar a fúria vingativa dos Jotuns.



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Gabi Luz

Escritora, nerd e "moça da informática".