Fanfic – A mulher do meu destino – 24 — And life starts over again

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Depois de Aredhel me arrastar para a sala de cura e esperar por meus curativos, finalmente fui conversar com Thor. Ela queria me acompanhar, mas a convenci a descansar mais um pouco. Quando entrei no local Thor estava junto com os demais todo feliz, fazendo planos para o sobrinho. Fiquei, de certa forma, aliviado, pois, pelo menos, naquele momento eu escaparia de ouvir seus sermões sobre meus atos.
— E ai vem o futuro papai — Fandral falou divertidamente.
— Realmente você mudou muito, Loki — pigarreou Volstagg. — Primeiro apaixonado, depois casado e agora será pai. Pensei que o primeiro a fazer isso seria Thor — deu um tapa no ombro dele.
Revirei os olhos e dei um sorriso sarcástico. Thor e Sif pareceram meio tristes com o comentário. Sif ainda gostava de Thor e este ainda vivia longe de Jane. Definitivamente, dois idiotas. Percebendo o clima desconfortável dos dois, Fandral deu um cutucão em Volstagg pelo comentário.
— Meus parabéns, Loki — parabenizou Volstagg, tentado disfarçar.
— Parabéns, Loki — falou Fandral.
— Parabéns — murmurou Sif sem muita vontade.
— Meus parabéns mais uma vez, irmão — falou Thor me abraçando abruptamente.
— Está bom. Já chega — disse me desvencilhando dele.
— Mas, mudando de assunto — ele me olhou com severidade —, você foi muito irresponsável ao ir a Jotunheim sozinho — ralhou.
— Eu sei, mas sabe meus motivos. Eu não me arrependo — falei secamente.
— Isso quase custou a vida dela também — alertou-me Sif. — Enquanto você estava desmaiado, aquele Jotun que você matou, iria matá-lo. Aredhel se debruçou sobre você para defendê-lo. Se não fosse Volstagg, vocês dois estariam mortos — revelou.
— Obrigado Volstagg — murmurei meio sem jeito. — Por salvar Aredhel…
— Você está mesmo mudado — Volstagg arregalou os olhos. — Até me agradeceu — riu.
Dei um suspiro irritado e pensei “As coisas que sou obrigado a fazer por Aredhel”.
— Acho que todos nós precisamos de um descanso depois dessa batalha — Thor balançou seu martelo. — Vá cuidar de sua esposa. O que você fez não foi nada diferente do que eu faria pela minha Jane — pôs a mão em meu ombro. — Mas acho melhor você pensar no que faremos para resolver esse problema com Jotunheim. Provavelmente teremos uma retaliação — franziu o cenho.
— Eu sei disso, Thor. Pensarei em algo — falei meio impaciente, afastando a sua mão.
— Agora quem é o imprudente, Loki? — provocou Sif com um sorriso malicioso.
— Melhor ser imprudente que viver iludido — rebati com ironia.
Sif adorava me provocar, mas eu não tinha dó da paixão tola dela por Thor. Ela me olhou furiosa, mas nada falou.
— Do que vocês dois estão falando? — perguntou Thor.
Revirei os olhos e Sif ficou envergonhada. Thor só podia ser cego ou ter algum tipo de atraso mental.
— Nada. Esses dois vivem se estranhando mesmo — Fandral tentou remediar.
Thor nos dispensou, retirei-me e fui para o quarto. Encontrei Aredhel dormindo em nossa cama. Eu tomei um longo banho e depois me sentei ao seu lado. Preocupações sobre nosso futuro minaram minha mente. Fiquei pensando em uma forma de resolver a situação com Jotunheim. Eu tinha que reforçar de alguma forma a segurança de Asgard e nos preparar para uma possível guerra.


Os meses foram passando lentamente. Tirando os eventuais enjoos e alguns desmaios, a gravidez de Aredhel seguia de forma tranquila. Todavia, nem tudo eram flores. O comportamento dela não me deixava ter um pouco de paz. Ela começou a tentar fazer magias por conta própria, assim como continuava fazendo algumas experiências com as plantas. A sede de aprendizado dela parecia aumentar conforme o tamanho de seu ventre. Teimosa, sempre argumentava que nada era perigoso para ela e o bebê, mas eu discordava veementemente disso.
— Fazer magias consome energia — ralhei irritado. — Você não está em condições de fazer isso. Pode fazer mal a você e ao bebê!
— Estou muito bem — rebateu indiferente. — Eu não sinto nada. Além disso, são magias bobas. Você quer que eu passe a gravidez inteira na cama? Eu nem posso sair desse palácio — rosnou.
— Aredhel, será que você não consegue agir como uma princesa? — retruquei impaciente. — Por que não se ocupa de coisas menos perigosas? — insisti.
— Eu sou humana e não sei ser princesa. Tampouco gosto dessa ideia! — gesticulava. — Quer que eu aprenda a costurar? Ou apenas me ocupe de organizar festas? Parece que você não me conhece. Eu detesto tudo isso! — bufou. — Sinto-me tão inútil — murmurou com tristeza.
— Aredhel, você não é inútil — falei calmamente. — Você é muito inteligente. Vive em uma busca incansável pelo conhecimento, mas precisa ir com calma.
— De que adianta todo esse conhecimento e ser inteligente, se nunca consigo ter sucesso em nada? — sibilou com raiva.
— Do que você está falando? — questionei em dúvida.
— Nada. Esqueça! — gritou e ergueu o braço, saindo toda irritada.
— Mas o que deu nessa mulher?
Fiquei ponderando por um tempo e comecei a lembrar de algumas coisas que Aredhel falava sobre sua vida em Midgard. Ela sempre se queixava de que nunca teve o mesmo sucesso profissional que o irmão. Por conta disso e outras coisas, Aredhel tinha uma baixa autoestima e tentava exaustivamente se auto afirmar.
Depois de me desocupar de minhas funções, na hora do almoço, fui atrás dela e a encontrei na biblioteca. Ela estava lendo um livro de música.
— Agora vai aprender a tocar algum instrumento? — Indaguei. — Você já tem uma voz adorável. Seria perfeito.
— Sim. Eu gosto de música e sempre quis aprender a tocar algum instrumento — resmungou de má vontade. — Já que não posso fazer outra coisa no momento… — deu de ombros.
Percebi que ainda estava de mau humor.
— Aredhel, tenha paciência — tentei amenizar. — Você não pode, por alguns meses apenas, praticar magia. Meses, ouviu? — lembrei-a. — Você ainda está pensando como uma Midgardian. Lembre-se de que não vai mais viver menos de cem anos. Você terá o tempo todo do mundo para aprender magia — falei calmamente.
Ela continuou calada encarando o livro. Mas ela não estava lendo, estava prestando atenção e claramente pensando no que eu havia dito. Eu a conhecia muito bem. Assim como eu, não gostava de dar o braço a torcer.
— Você já pensou que talvez nunca tivesse tido sucesso em nada de seu mundo, justamente porque não era seu destino continuar por lá? — insisti.
— O que você quer dizer com isso? — perguntou de má vontade, sem tirar os olhos do livro.
— Bem, você conseguiu executar algumas magias só lendo livros. Sem que ninguém lhe ensinasse a se concentrar ou algo parecido. E tudo isso em pouco tempo — argumentei. — Eu nunca tive força física e habilidades de luta como Thor. Mas sempre tive facilidade para a magia. Talvez você não tenha nascido para ser boa em algo humano, mas sim para magia — expliquei.
Aredhel largou o livro e encarou-me.
— Acredita mesmo nisso? — franziu o cenho com uma expressão esperançosa no rosto.
— Sim. Talvez seu destino sempre fosse vir para esta realidade. Ser minha esposa e aprender coisas novas. Coisas que você jamais aprenderia lá. Você não mudou apenas meu destino, mas o seu também — fui sincero. — Você só precisa ter paciência. Já que você diz que não se sente cansada, vou lhe ensinar algumas magias para você ir treinando. Mas, se você sentir o menor cansaço que for, você para. Certo? — pedi.
— Certo — respondeu abrindo um largo sorriso.
— Promete?
— Prometo! — anuiu alegremente.
Desse dia em diante passei a ensinar magia a Aredhel. Ela, de fato, tinha uma facilidade muito grande para executar algumas magias. Realmente parecia que tinha nascido para isso. Mas a evolução de Aredhel com magia não agradava a todos. Aredhel tinha a minha mesma paixão por travessuras e um dia isso começou a incomodar pessoas sem um pingo de humor.
— Será que você poderia controlar a sua mulher? — rosnou Sif entrando no salão enquanto eu conversava com Thor.
— Bom dia para você também Sif — respondi com sarcasmo.
— O que houve? — perguntou Thor.
— Aredhel fica criando esses truques e assustando a criadagem — bufou. — No início eram serpentes e roedores, agora ela está reproduzindo algumas criaturas maiores. Ela fez um servo derrubar todas as armas da sala de treinamento por conjurar um lobo gigante. Outro dia ela simulou fogo em um dos corredores! Por favor! Ela está grávida! — ergueu os braços. — Quando ela vai começar a agir como uma futura mãe? — questionou visivelmente irritada.
— Um lobo gigante? — perguntei abrindo um largo sorriso. — Aredhel está se superando mesmo — ri todo orgulhoso.
Thor começou a rir também. Sif ficou emburrada e ele logo se recompôs.
— Loki, fale com Aredhel — começou tentando parecer sério —, antes que alguém se machuque com essas travessuras.
Suspirei alto.
— Certo, certo. Vou falar com ela. Fazer o que se ninguém aqui além de nós tem senso de humor. Só tem gente amargurada por aqui — ironizei olhando para Sif. — Agora nos deixe trabalhar em paz. Depois falarei com Aredhel — disse secamente.
Sif retirou-se praticamente batendo os pés com força no chão de tanta raiva. Thor apenas ria.


Depois de discutir com Thor e de meses de planejamento, chegamos a uma nova forma de reforçar nossas forças de defesa de Asgard contra ataques externos. Principalmente nos acessos alternativos que existiam além da Bifrost, os quais eu tinha conhecimento. Criei também uma forma de bloquear o acesso à sala que controlava o campo de força mágico sobre o palácio. Aredhel havia me alertado dessa fragilidade, mas desconversou quando pedi mais detalhes. Parecia muito desconfortável ao falar do dia em que Frigga morreu.
Já havia se passado seis meses e os Jotuns não havia nos oferecido nenhum tipo de ameaça. Thor se gabava, afirmando que eles temiam o poder de Asgard, mas eu não compartilhava da mesma crença. Eu acreditava que isso tudo era muito suspeito.


Uma manhã estávamos sentados, Aredhel e eu, à sombra de uma árvore no jardim. Eu acariciava carinhosamente a barriga de Aredhel, a qual já estava bem grande. Adorava vê-la daquele jeito. Sentia uma espécie de agitação primitiva ao me deparar com a evolução da gravidez. Excitava-me a ideia de que eu era o responsável pelo estado dela. Que naquela barriga Aredhel carregava uma de minhas sementes.
— Eu sinto a falta do outono na Terra — Aredhel murmurou repentinamente. — Nesta época, já poderíamos ver casas e vitrines cheias com a decoração de Halloween. Abóboras, fantasmas, bruxas… — seus olhos brilhavam. — Adoro esta época.
— Halloween… — repeti pensativo. — Ah, aquela festa midgardian para a qual você fez o vestido em minha homenagem — comentei.
— Exato… E logo depois vem o inverno… Ah — suspirou —, eu amo o frio.
— Logo ele chega… — passei a mão por sua barriga. — Será que o bebê nascerá quando tivermos neve?
— Não sei… — disse pensativa. — Ah! Deixe-me lhe mostrar algo — falou toda animada, se levantando com certa dificuldade.
Aredhel estendeu a mão e parecia se concentrar. De repente flocos de neve começaram a cair em sua mão. Aos poucos a neve que caía começou a se expandir, cobriu primeiro Aredhel, depois a nós dois e aos poucos foi tomando conta de todo o jardim. A paisagem aos poucos foi mudando, a neve parecia se acumular no chão e as árvores mais próximas ficaram sem folhas. Tirando o frio que não sentíamos, o local ao nosso redor parecia estar no inverno. Aredhel continuava se concentrando e expandindo a área. Fiquei pasmo. Ela tinha evoluído muito em tão pouco tempo. Não era algo normal.
— Aredhel, pare — pedi preocupado. — Isso consome muita energia — alertei.
Ela me ignorou e continuou expandindo. Os arbustos mais adiante começaram a ficar cobertos de neve. Estava muito concentrada. Logo começou a suar e respirar com dificuldade. Aquilo não ia terminar bem.
— Aredhel, pare! — gritei.
Aredhel de repente colocou a mão sobre a barriga e se curvou com uma expressão de dor. Levantei-me rapidamente e a amparei.
— O que houve Aredhel? Eu falei para você parar! — rosnei com a preocupação evidente na voz.
— Não sei… Eu senti uma pontada muito forte — murmurou agarrando minha mão.
Ela apertou com força minha mão e novamente se curvou com dor, mas dessa vez gritou.
— Loki… Acho que estou com contrações… — falou com dificuldade e fechou os olhos com força.
— Mas ainda é cedo para ele nascer… — afligi-me.
— Diga isso para o bebê! — rosnou entredentes e deu um novo grito. — Vai nascer!
Eu rapidamente a carreguei e saí as pressas na direção da sala de cura. No caminho Aredhel continuava sentindo dores e visivelmente tentava conter os gritos, respirando pausadamente. Chegando à sala de cura eu a deitei sobre uma das camas e algumas servas vieram socorrê-la. Ada a examinou e crispou os lábios.
— Ela está em trabalho de parto — anunciou. — Vamos! Preparem a bacia com água e tragam panos limpos — ordenou às demais servas.
— Mas ela ainda está com oito meses — murmurei apavorado.
— Algo antecipou o parto. Isso pode acontecer — Ada comentou calmamente, enquanto arrumava panos e bacias.
— Aredhel, viu o que sua teimosia fez? — ralhei com severidade.
Aredhel me olhou furiosa e xingou-me. Ela se contorcia de dor e praguejava.
— Meu príncipe, acho melhor aguardar do lado de fora — Ada me deu um sorriso. — Cuidaremos dela. Vai ficar tudo bem.
Eu me retirei meio contrariado, estava muito preocupado com aquela situação inesperada. Andava de um lado para outro extremamente nervoso. O tempo passava e os gritos de Aredhel foram ficando mais constantes. Eu já estava aflito, angustiado com o sofrimento dela e com aquela demora.
Depois de um pouco mais de uma hora de espera, que pareceu ser eterna, fez-se o silêncio. Então ouvi o choro de um bebê. A porta se abriu e a serva pediu que eu entrasse. Ao entrar vi Aredhel desmaiada. Estava suada e pálida, visivelmente exausta. Sentei em uma cadeira ao seu lado e acariciei seus cabelos. Sua respiração ainda era ofegante.
— Ela vai ficar bem? — perguntei agoniado.
— Vai. Ela só precisa descansar — falou uma jovem serva.
Outra serva se aproximou com um pequeno embrulho nos braços. Era um bebê.
— Príncipe Loki, este é seu filho — disse me estendendo o recém-nascido.
Segurei o meu filho entre os braços meio sem jeito. Não era um bebê gigante, ele era de tamanho igual aos bebês Aesir ou midgardians. Era um menino. Perdi o ar.
Sua pele era muito pálida, igual à minha, mais clara que a de Aredhel. Ele tinha pouquíssimos cabelos, mas eram bem negros. Ainda que digam que todos os bebê nascem com os olhos azuis, os dele eram bem claros e nitidamente cristalinos. Eram azuis esverdeados, idênticos aos meus. Na verdade, ele era parecido demais comigo.
Depois de um tempo o observando é que percebi que eu sorria bobamente para o bebê. Eu acho que jamais teria palavras para descrever o que senti quando o vi ali se mexendo em meus braços. Uma parte minha e outra de Aredhel unidas em um único ser. Meu novo tesouro, minha nova obsessão. Antes meu mundo girava em torno de Aredhel, meu único sol. Mas agora eu tinha ganhado um segundo sol, um muito mais brilhante. Meu filho.
— Váli. É assim que te chamarei — murmurei para o bebê. — Váli, filho de Loki.

Gabi Luz

Escritora, nerd e "moça da informática".