Fanfic – A mulher do meu destino – 25 — I’m losin’ you

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Meu filho foi recebido com muito entusiasmo. Thor ficou demasiadamente empolgado com Váli e revelou-se um “tio” muito dedicado. Fazia questão de apresentar a todos o sobrinho. Aredhel, por sua vez, se mostrou ser uma mãe extremamente zelosa. Cuidava de nosso filho com todo esmero, levando-a a me deixando de lado várias vezes. Váli era o novo centro de nossas vidas.

Com o passar dos meses Aredhel voltou a me dar novamente mais atenção e, para meu desgosto, também a treinar. Agora ela já conseguia mover objetos e criar cópias suas como eu, mas as suas eram mais instáveis. Ela não conseguia mantê-las por muito tempo. Suas travessuras também ficaram cada vez mais criativas. Fandral, Sif e Volstagg eram suas principais vítimas.

Váli já estava perto de completar um ano. Ainda engatinhava, mas era um bebê muito risonho e esperto. O sorriso dele me lembrava o de Aredhel. Seu cabelo era liso e preto como o meu e ele cada vez mais parecia comigo. Inteligente, já balbuciava algumas palavras. Sua primeira palavra, para desgosto de Aredhel, foi “Loki”.

— A gente carrega um filho por quase nove meses, ele nasce a cara do pai e não contente a primeira palavra ainda é “Loki”! Isso não é justo! — exclamou Aredhel emburrada.

— Ele só repetiu o que mais ouviu — comentei meio rindo. — Fazer o que se você vive falando meu nome próximo a ele — dei de ombros.

— Ainda assim não é justo — fez um muxoxo. — Tenho me esforçado tanto em sua educação. Eu tentei tanto fazê-lo falar “mamãe” — resmungou.


Chegara a data da visita a realidade de Aredhel, ou melhor, aos pais dela. Nós já vínhamos nos preparando para isso com bastante antecedência. Sabíamos que, com a diferença de tempo entre as duas realidades, poderíamos ficar até meses afastados de Asgard. Portando era necessário deixar as coisas encaminhadas em minha ausência. Aredhel decidira, por questões óbvias, levar Váli conosco.

Despedimo-nos de Thor e partimos para o mundo de Aredhel, utilizando a água do lago, como de costume. Chegamos algumas horas antes dos pais de Aredhel chegarem. Conforme o acertado, eles viriam direto do aeroporto para a casa dela. Mudamos a nossa aparência para que eles não estranhassem nossas roupas. Cheguei a mudar a aparência inclusive de meu cabelo, fazendo-o parecer bem mais curto. Combinamos que eu ficaria calado enquanto ela tentasse explicar tudo.

— Loki, enquanto eles não chegam, vou alimentar Váli e depois colocá-lo para dormir. Depois de explicar tudo nós o pegamos no quarto e o apresentamos para minha família — explicou e depois ficou pensativa. — Tomara que dê tudo certo — parecia nervosa.

— Vai dar certo. Não sei o porquê de todo esse nervosismo — comentei.

— Você não os conhece… — murmurou com um olhar sombrio.

Aredhel pegou Váli do meu colo e dirigiu-se para a cozinha.

— Fique à vontade para ler ou ver o que quiser — gritou da cozinha.

Caminhei lentamente pela casa, observando melhor o local. Sob uma mesa, eu vi a caixinha do filme que Aredhel havia recebido na outra visita que fizemos, “Thor, o mundo sombrio”. Senti uma curiosidade imensa de saber como as coisas eram no filme. Era muito estranho ver na capa daquele filme a foto do Thor e da Jane. Na verdade, sempre que pensava em minha vida sendo retratada em um filme, parecia-me muito surreal.

Não me contive…

Recorrendo às memórias do exílio, quando observava os midgardians, tentei decifrar os instrumentos que havia naquela casa. O tal aparelho de vídeo parecia bem simples de utilizar e segui minha intuição. Liguei a televisão e coloquei o disco no aparelho. Ouvi os passos Aredhel se distanciando, enquanto ela subia as escadas.

Acomodei-me em uma poltrona gasta, mas confortável e comecei a assistir ao filme. Aquilo tudo era muito estranho. As pessoas eram iguais a nós. Frigga, Thor, eu e até a humana, a tal Jane. Pasmo, reconheci a voz de Odin explicando sobre os elfos negros. Ver Asgard, assistir meu julgamento apenas colo espectador e rever Frigga, foi algo assombroso.

No decorrer do filme, comecei a pular algumas partes, nas quais apreciam a Jane e outras pessoas. Tais histórias não me interessavam. Ansiava e temia a chegada de um determinado trecho do filme. Após mais alguns minutos, finalmente cheguei à parte de um dos dias mais difíceis da minha vida. Assisti minha última conversa com minha mãe.

Vi-me sugerindo ao monstro seguir pelas escadas da esquerda e ansioso passei a prestar atenção nos passos do monstrengo. Para meu desalento, ele seguiu minha sugestão, desativou o campo de força, o que levou a entrada da aeronave no salão do trono. Em seguida, foram para o quarto de Frigga.

Pausei o vídeo e segurei a respiração. Voltei algumas cenas para rever os passos do monstro e, por fim, assisti a morte de Frigga. Senti algo se partindo em minhas mãos. Era a capa do vídeo. Ouvi um soluço vindo atrás de mim e virei-me na direção de onde o som vinha. Era Aredhel me fitando com lágrimas escorrendo pelo rosto.

Levantei-me furioso e fui em direção a ela. Agarrei-a pelos ombros e a empurrei com violência contra a parede.

— Você mentiu para mim! — gritei.

— Loki… Eu… Eu… — gaguejou em meio às lágrimas.

— Você me olhou nos olhos e disse que o que falei não havia interferido na morte de Frigga! — berrei apertando-a e pressionando-a mais contra a parede.

— Eu não achei… Eu não… — continuou gaguejando.

— Não precisa ser muito inteligente para ver que mesmo que eu não tenha sido diretamente responsável, eu acelerei os acontecimentos — aproximei meu rosto do dela. — Se ele não tivesse seguido minha orientação, Thor ou Odin teriam chegado a tempo de salvá-la! — rosnei com raiva.

— Loki, não se culpe… Você não… — murmurou chorosa.

— Estou furioso comigo mesmo pelo que fiz, mas estou mais furioso com você por ter mentido! — sibilei trincando os dentes de raiva. — Justo você, minha esposa! Mentiu para mim! — esbravejei. — Quantas mentiras mais você inventou? Primeiro você não era vidente coisa nenhuma! Depois veio aquele maldito treino secreto com Sif, as magias e agora a morte de Frigga! Há quanto tempo você vem me enganando? — encarei-a, lívido de raiva. — Será que desde o início você vem apenas me manipulando? Afinal, você vem mentindo para todos, com a desculpa de me defender! Será que me enganei todo esse tempo com você? O que mais está escondendo de mim? Será que a história de seu pai não gostar de você é verdade ou foi mais um truque que você usou para se aproximar de mim? Será que você realmente me ama ou apenas queria uma chance de deixar para trás sua vida miserável que tinha aqui em Midgard? E diga-me… Na verdade, quantos homens você teve além de mim e aquele seu noivo idiota? — cuspi as palavras sobre ela.

Eu a soltei e instintivamente fiquei esperando levar uma bofetada, mas isso não aconteceu. Aredhel ficou parada apenas me fitando e tudo que vi foram dor e decepção refletidas em seus olhos. Percebi o enorme erro que tinha cometido.

De repente, ela saiu correndo porta afora. Deixei escapar um suspiro frustrado e passei as mãos pelo rosto. Pelos deuses, tinha perdido o controle.

Estava com irritado por ela ter mentido, mas também descontei nela o ódio que sentia de mim mesmo. Fiquei extremamente envergonhado pelas palavras duras que lhe havia dito e não sabia nem o que dizer para tentar me desculpar ou me redimir. Desejei profundamente que ela tivesse gritado comigo, me agredido, feito qualquer coisa, menos ter me olhado daquele jeito.

Pensei em ir atrás dela, mas não fazia ideia de onde ela havia ido. Passado algum tempo ouvi um barulho de veículo vindo da frente da casa. Fui verificar pensando que poderia ser Aredhel. Não era ela…

Um carro havia parado à frente da casa e dele desceram uma mulher e dois homens. Um deles e a mulher pareciam ser bem mais velhos que eu. Ela tinha cabelos escuros como os de Aredhel. O homem mais velho já tinham os cabelos meio grisalhos. Imaginei que fossem os pais de Aredhel. O rapaz tinha de cabelos castanhos e um porte atlético. Algo nele me lembrava um pouco minha esposa, presumi ser seu irmão. Eles cochichavam entre si, enquanto caminhavam em minha direção.

De repente senti alguém se aproximando por detrás de mim. Era Aredhel. Ela não estava mais chorando, tinha apenas um olhar vazio e uma expressão séria. Pensei em falar algo, mas antes que eu pudesse abrir a boca a mulher mais velha se aproximou e falou.

— Minha filha! — estendeu os braços. — Você está bem? Ficamos tão preocupados quando soubemos… — fez uma pausa franzindo o cenho. — Do ocorrido — pareceu ficar constrangida e deu um abraço em Aredhel.

Aredhel abriu um sorriso forçado, o qual a mulher pareceu não perceber.

— Estou bem mãe — falou.

— Bem? Tão rápido? — resmungou o homem mais velho, a olhando desconfiado.

— Oi, pai — murmurou Aredhel sem emoção na voz, abraçando-o.

— Olá maninha. Eu sinto muito — disse o irmão dando um abraço em Aredhel.

Até o presente momento ninguém parecia ter notado minha presença ao lado de Aredhel. Mas, após os cumprimentos, todos instantaneamente olharam para mim. Antes que eles começassem a fazer perguntas, Aredhel pediu que eles entrassem. O irmão de Aredhel não tirava os olhos de mim.

Depois de todos se acomodaram no sofá, sentei-me na poltrona e Aredhel em uma cadeira.

— Sim, nós não demos educação a você? — reclamou o velho. — Não vai nos apresentar o rapaz? — perguntou rispidamente, cruzando os braços.

— Ah, Sim… Desculpem-me — Aredhel sorriu nervosa. — Família, este é Loki. Loki estes são Mary, minha mãe. Wilson, meu pai. E William, meu irmão — apresentou.

— Prazer — foi tudo o que disse enquanto os cumprimentava.

— Loki? Que nome mais estranho — resmungou Wilson e em seguida levou um cutucão de Mary.

— Loki? É seu apelido? — disparou William. — Cara, você realmente parece demais com o personagem. Na verdade você é a cara do ator. Né Ared? — olhou de soslaio para a irmã.

Aredhel se limitou a dar um sorriso torto. Todos os três continuavam me olhando com aquelas expressões de incompreensão. Imagino que se perguntavam o porquê de minha presença ali, mas Aredhel continuava a fingir que não percebia isso.

Um breve e constrangedor silêncio se fez. Aredhel parecia atordoada e sem saber por onde começar.

— Sim, filhinha, você disse que precisava falar algo importante — disse Mary de repente.

— Bom — Aredhel pousou as mãos sobre o colo e mordeu os lábios. — No dia do acidente de Phillip, ele havia parado próximo à casa de Lucy, quando o celular dele tocou. Era Peter pedindo uma carona. Phil me deixou a alguns metros da casa e saiu para buscá-lo.

— Ah… Por isso você não estava no carro — comentou William.

— Graças a Deus… — suspirou Mary. — Oh… digo… — murmurou meio sem jeito.

— Você só apareceu na manhã seguinte — intrometeu-se Wilson. — Onde você esteve esse tempo todo? — indagou desconfiado.

— Pois é… — Aredhel fez uma pausa. — Vou contar o que aconteceu naquela noite… Mas tentem manter a mente aberta… — fez uma nova pausa e mordeu mais uma vez os lábios. Ela transpirava nervosismo. — Depois que Phil me deixou, eu vi uma luz no meio da floresta próxima à casa de Lucy. Fiquei curiosa e resolvi ver o que era, mas acabei sendo puxada para dentro dela e… — tentava explicar.

— Ared… Você está dizendo que você foi abduzida? — perguntou William chocado.

— Filha, o que você está dizendo? — espantou-se Mary.

— Mas que história é essa? — bufou Wilson. — Você andou bebendo ou está usando drogas? — indignou-se. — E afinal porque esse seu amigo aí, Loki, está aqui nessa conversa de família? — rosnou.

Passei uma de minhas mãos pelo rosto. Perguntei-me porque Aredhel não fora direto ao assunto. A conversa estava claramente saindo do controle. Olhei para Aredhel tentando fazer contato visual para alertá-la sobre isso, mas ela parecia me evitar.

— Ele está aqui porque faz parte da história que estou tentando explicar para vocês — Aredhel falou impaciente.

— Faz parte da história? Como assim? — inquiriu Wilson rispidamente.

— Foi ele que te sequestrou ou te achou? — indagou William, interrompendo o pai.

— Filha, quem é esse homem afinal? — perguntou Mary parecendo nervosa.

— Acalmem-se — Aredhel gesticulou com as mãos. — Eu já vou chegar nessa parte da história — tentava amenizar a situação.

— Fale logo quem é ele! — sibilou Wilson, perdendo a paciência.

— Ele é meu marido — Aredhel revelou de supetão.

Exalei o ar lentamente. Fez-se o silêncio novamente. Todos olharam de Aredhel para mim com uma cara de choque.

— Aredhel! Eu sabia! — exclamou William. — Então esse cara aí deve ser o Tom… — começou a falar.

— Você estava inventando toda aquela história de luz e floresta para dizer que tinha traído o pobre Phillip e casado em segredo com esse aí? — interrompeu Wilson.

— Filha como pode esconder isso de nós? — choramingou Mary. — Casar-se em segredo! E o pobre Phil? Como teve coragem de fazer isso? Ele te amava tanto — disse pesarosa.

— Não… Não é isso… Will, ele não é o ator… E… — Aredhel gaguejava, enquanto sacudia as mãos.

— Veja Mary! — rosnou Wilson. — Olha só o que sua filha se tornou! Uma qualquer! Ela traía o próprio noivo! — gesticulava irritado.

— Minha filha? Quer dizer que agora ela é filha só minha? — retrucou Mary também perdendo a compostura.

Pronto! A coisa toda tinha saído do controle. Eu começava a ficar impaciente com tudo aquilo.

— Eu sei que você era fã do cara — arrematou William —, mas trair o Phil é sacanagem. Ele não merecia isso. O cara era muito legal, gostava tanto de você — ralhava.

— O que esperava? — Wilson ergueu as mãos. — Aredhel sempre foi mentirosa e melindrosa. Lembra quando ela era pequena? Quando ela contava aquelas histórias para assustar o Will ou a nós?

— Você só sabe apontar erros! — rebateu Mary. — Dar uma solução você nunca deu! Ela nunca fez por mal… Sua filha só queria um pouco de atenção! Fazia o que podia para que você passasse, pelo menos, uma migalha do tempo que passava com o Will!

— Poupe-me Mary! — inflamou-se o velho. — Desde quando mimo virou sinônimo de carência?

— Aredhel, mimada? — a senhora levou as mãos à cintura. — Ela nunca foi exigente ou de dar chiliques. Acho que você está trocando os filhos!

— Eu não sou mimado — bufou William. — Apenas sou o filho homem! Claro que sou mais importante… — disse convencido.

Eles não paravam de falar de Aredhel. Ela apenas se calou, desistindo de argumentar. Comecei a ficar irritado com as coisas que diziam dela.

— Olha Ared, eu nunca imaginei que você seria uma daquelas fãs doidas que ficam correndo atrás de atores — William arqueou uma sobrancelha. — Você sempre foi tão quietinha. Quem diria. E ainda posava de boa moça, dizia que Phil era seu primeiro namorado — comentou com ironia.

— Uma hora a máscara dela cairia — prosseguia Wilson. — Inveja é o que ela tem! Sempre invejou o irmão em tudo, inclusive no sucesso profissional. Também pudera, nem um emprego decente ela tem! Phillip era quem praticamente sustentava esta casa. O Will é diferente. Já tem uma carreira. O nome disso é inveja! Não é verdade Will?

— Sim, só pode ser inveja mesmo! — anuiu o irmão, juntando-se à discussão do casal. — Ela era uma “loser” e eu popular. Eu tinha amigos e ela não. Sempre vinha com desculpas de ser desastrada, mas pra mim ela quebrava meus brinquedos de propósito. Pior é quando ela me batia. Ela sempre teve ciúmes de mim. Tem inveja até do meu porte físico. Que culpa eu tenho se ela sempre foi gorda e ruim nos esportes? — deu de ombros.

— Você também nunca foi santo Will! — retrucou Mary. — Sempre fazia comentários cruéis e a excluía das brincadeiras. Depois que ficou maior que ela só piorou. Ela tinha que se defender.

— E as peças que ela pregava em mim? — rebateu Will.

— Verdade! — Wilson voltou a falar. — Ela sempre arranjava brincadeiras perigosas e colocava o irmão em perigo!

Os três continuaram discutindo entre si, elencando todos os defeitos possíveis que eles conheciam de Aredhel. Ela ouvia tudo quieta com um olhar perdido. De repente ela apenas se levantou e foi embora. Eles nem sequer notaram a ausência dela. Eu me levantei para segui-la quando ouvi certo comentário que me tirou do sério.

— Ah! Ela também não presta! Aredhel é ruim e inútil! — rosnou Wilson. — Sempre falei isso! É ruim!

— Basta! — gritei furioso.

Eles se calaram e me olharam assustados. Cansado daquela situação, desfiz a ilusão revelando minha real aparência diante deles. Os três simplesmente ficaram boquiabertos.

— Você… Você… — gaguejava William.

— Eu sou Loki de Asgard, filho de Odin — disse austero.

— Mas o quê? — perguntou Wilson se levantando.

— Loki. O verdadeiro Loki? Como o dos filmes? — questionou William chocado.

Com um estalar de dedos e minha telecinese, fiz Wilson se sentar novamente. E com outro truque fiz uma das cadeiras próximas vir em minha direção. Mais uma vez todos ficaram estarrecidos.

Empertiguei-me e me sentei na cadeira calmamente.

— Acho que agora podemos conversar — murmurei encarando-os.

Gabi Luz

Escritora, nerd e "moça da informática".