Fanfic – A mulher do meu destino – 28 — ‘Cause I’ve drawn regret

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Quando a espada atingiu o berço a ilusão se desfez. Váli não estava no berço. Aredhel havia criado uma ilusão. Voltei a respirar. Aproveitei a distração de todos e me livrei de um dos jotuns e em seguida de outro. Aredhel havia conseguido se soltar de Other, mas o vi avançar sobre ela.

— Não! Fiquei longe dela! — gritei.

Eu estava lutando com o último jotun quando vi Other cravar o punhal no abdome de Aredhel. Gritei em desespero. Ele puxou o punhal de volta e ela caiu de joelhos no chão. Em seguida ele deu uma bofetada nela, lançando-a ao chão. Eu senti o tempo parar. Uma dor imensurável tomou conta do meu ser. Ela não…

— Não! — berrei.

Podia ouvir a gargalhada estridente de Other. Ele e o soldado chitauri correram para a sacada e pularam dela. Livrei-me do jotun e minha pele começou a voltar ao normal. Aredhel se encolheu no chão e eu corri em sua direção.

— Aredhel! — joguei-me de joelhos ao lado dela.

Aredhel estava com uma marca que começava a arroxear no lado esquerdo do rosto e um pequeno corte no pescoço. Seus lábios estavam sangrando e ela estava toda encolhida com as mãos sobre a barriga. Havia muito sangue em suas mãos. Senti tanto ódio de Other. Matar ele seria pouco. Eu queria torturá-lo de todas as maneiras possíveis. Desejava profundamente fazê-lo implorar para que eu o matasse.

— Eu… Eu vou ficar bem… — murmurou visivelmente sentindo dor. — Acho que não pegou nenhum órgão vital… — gemeu voltando a se encolher.

Puxei a mão de Aredhel e pude ver que o corte fora do lado esquerdo. Estava sangrando muito. Puxei um lençol do berço de Váli e enrolei em volta de sua cintura. Fiz um nó e apertei. Ela gemeu de dor. Eu tremia de raiva.

— Onde está Váli? — perguntei preocupado.

— Ele está seguro — fez uma pausa tentando respirar. — A babá o levou para o local combinado. Quando cheguei ao quarto vi da sacada Greta saindo pelos jardins com ele nos braços — revelou com dificuldade.

Aredhel e eu sempre tivemos medo de uma retaliação dos jotuns. Temendo o pior, fiz um plano de fuga para o bebê, caso Asgard fosse invadida novamente. O combinado era que o primeiro que alcançasse o quarto do bebê o levaria para o esconderijo que eu havia determinado.

Olhei para Aredhel com tristeza. Ela estava muito machucada. Mais uma vez eu havia falhado em protegê-la. Eu estava a todo custo tentando conter minha fúria.

— Você fique aqui — ordenei. — Eu vou atrás deles. Eles não pegarão nem o Tesseract e nem a Casket — afirmei seriamente.

Mais uma vez olhei para Aredhel. Não queria deixá-la ali sozinha, mas eu tinha que ir atrás de Other. Não poderia deixá-lo escapar. Eu não teria misericórdia. Nada me faria esquecer o que ele tinha feito. Eu o faria pagar amargamente pelo que fez a Aredhel.

Deixei Aredhel no quarto de Váli e segui direto para a sala das relíquias. Chegando lá a batalha continuava. Parecia uma zona de guerra. Havia vários corpos ou parte deles espalhados pelo chão e partes das paredes já não existiam mais. Parecia que Thor e os demais andaram bem ocupados em nossa ausência. Saí golpeando todos que cruzavam meu caminho. Eu só tinha um objetivo: alcançar Other. Ele estava lutando com alguns guardas de Asgard, enquanto tentava alcançar o Tesseract. O Destroyer não deixava ninguém se aproximar nem da Casket e nem do Tesseract. Livrei-me dos últimos chitauris que estavam próximo a mim e fui em direção a Other. Eu teria minha vingança.

— Você deveria me agradecer — falou Other me encarando. — Ela nem deveria estar aqui. Pelo menos desfrutou de algum tempo. Ele tinha outros planos para ela.

— Ele? — perguntei confuso, mas logo entendi de quem falava. — Que planos? — sibilei.

— Foi ele quem a trouxe para você — ele revelou.

— Thanos… — ouvi Aredhel murmurar.

Olhei para Aredhel, me distraindo, e Other acabou me derrubando. Em seguida ele mergulhou no portal que estava aberto. Levantei-me rapidamente e fui em direção ao portal.

— Não Loki! Não vá! — ouvi Aredhel gritar.

Antes que eu alcançasse o portal a luz se intensificou e desapareceu. Sentia tanta raiva. Por muito pouco eu não o alcancei.

— Quem é Thanos? — perguntou Thor.

— É a morte e a destruição em pessoa… — disse Aredhel com a voz falha e se apoiou em uma pilastra que havia ali.

Olhei para Aredhel. O lençol estava encharcado de sangue. Ela estava pálida e ainda sangrava. O que eu estava fazendo? Cego pela fúria e desejo de vingança, eu havia esquecido de Aredhel.

— Pequena? — espantou-se Thor. — O que houve?

— Ela está ferida e sangrando muito… — comentou Sif.

Fui em direção a Aredhel, carreguei-a e a levei para a sala de cura.

— Vai ficar tudo bem… — murmurei para ela, no caminho.

Ela deu um sorriso fraco e tocou meu rosto. Repentinamente, suas pálpebras tremularam e ela desmaiou. Fiquei desesperado.

Deitei-a na cama na sala de cura, tirei o lençol e peguei outro tecido e pressionei sobre o corte. Gritei para apressar as servas, até que elas finalmente vieram.


Enquanto era atendida fiquei me remoendo por ter ido atrás do Other e deixado Aredhel para trás. Meus pesadelos voltavam a me assombrar. Lá estava minha esposa novamente a beira da morte. Aquilo era um tormento sem fim. Parecia que o destino a todo custo tentava tirá-la de mim. Será que eu nunca poderia ter um momento de paz? Eu sempre teria que passar por esse tipo de aflição?

Greta, a jovem que estava cuidando de Váli, apareceu trazendo-o de volta. Ele estava dormindo serenamente. Por um lado eu estava aliviado por ele estar bem, mas por outro eu estava desesperado pela mãe dele estar tão ferida. Mandei que a serva fosse para o meu quarto e levasse com ela dois guardas por segurança.

Uma das servas curandeiras me chamou. Disse que precisava de mais ajuda na magia para ajudar a estancar o sangramento. Ela confirmou que o punhal não havia atingido nenhum de seus órgãos, mas que Aredhel havia perdido sangue demais, o que estava dificultando o processo de cura. Pus a mão sobre o ferimento e comecei a fazer a magia junto com as demais servas. A respiração de Aredhel estava cada vez mais fraca, enquanto eu mal conseguia conter as lágrimas. Não sabia o que faria se a perdesse. Eu estava tentando manter a calma para fazer a magia, mas estava muito difícil controlar meu desespero. Não conseguia me imaginar seguindo a vida sem ela ao meu lado.

Depois de alguns minutos conseguimos estancar a hemorragia e prontamente as servas começaram a fazer os curativos. Sentei-me em uma poltrona ao lado da cama de Aredhel e fiquei olhando as servas transitarem de um lado para o outro carregando ervas, tigelas e bandagens. Minha mente estava em outro lugar. Minha cabeça apenas girava em torno do meu maior medo, Aredhel morrer.

Fui trazido de volta a realidade quando uma das servas tocou meu ombro.

— Agora ela já está fora de perigo, majestade — Ada anunciou dando um meio sorriso.

— Obrigado. Muito obrigado — murmurei com a voz rouca.

As servas saíram e me deixaram a sós com Aredhel. Olhei para ela e notei que estava extremamente pálida. Sua respiração era lenta, mas estável. Beijei sua fronte e deixei escapar um suspiro de alívio. Não podendo mais me conter, lágrimas escorram pelo meu rosto. Baixei a cabeça fitando minhas mãos e vi que ainda estavam cobertas com o sangue dela. Eu agora estava encarando a mim mesmo e as consequências dos meus atos e ambições.

O que eu havia feito? O que eu havia me tornado? Não podia deixar de me sentir culpado. Tudo o que eu fiz de errado na minha vida havia ocasionado aquilo. Se eu não tivesse me aliado aos chitauri, Other e Thanos, se eu não tivesse tentado destruir os Jotuns e matado Laufey, nada disso teria acontecido. Aredhel tinha razão, a vida cobra caro por nossas decisões erradas e o que se faz de ruim uma hora volta para nós. Mas as coisas não atingiram diretamente a mim, mas sim meu real ponto fraco, ela. Parecia que eu estava acorrentado aos efeitos de minha ambição desenfreada. Estava fadado ao remorso da verdade das milhares de mentiras que eu já havia contado.

Como Other e os jotuns chegaram em Asgard? Thanos estaria por trás disso? Como eles abriram aquele portal? Perguntei-me o quanto Aredhel sabia sobre Thanos. E afinal, o que Other quis dizer quando falou que Thanos tinha outros planos para Aredhel? Realmente teriam sido eles que tinham trazido Aredhel para essa outra realidade? Com que objetivo?


Passado algum tempo, Thor apareceu. Ele me fitou assustado dos pés à cabeça.

— Como ela está? — franziu o cenho. — A pequena está viva, não é?

— Está… E agora está fora de perigo — dei um suspiro. — A apunhalada não pegou nenhum órgão dela, mas a fez perder muito sangue. Quase que nós não conseguimos… — não consegui completar a frase.

— Sinto muito, irmão — pôs a mão sobre meu ombro e se sentou ao meu lado. — Sei que ela ficará bem. Ela está bem mais forte agora que comeu a maçã. Tem praticamente a mesma força que nós.

Anuí em silêncio. De fato, se Aredhel não tivesse comido a maçã, certamente lamentaria a morte dela.

— Thor, eu fui o responsável por tudo. Se eu não tivesse feito o que fiz em Midgard. Nada disso teria acontecido — desabafei.

— Como assim? — perguntou em dúvida. Ele não sabia sobre Thanos.

Contei a Thor, brevemente, meu envolvimento com Other e Thanos. Contei sobre os objetivos deles na invasão. Pensei que Thor iria me culpar pelo ocorrido, mas a reação dele foi diferente. Ele pareceu se sensibilizar com meu arrependimento.

— O importante agora é Aredhel se recuperar e tentar prevenir outra invasão. Temos que descobrir como eles vieram para cá — falou Thor.

— Eu juro a você que vou descobrir — afirmei com raiva.

Thor se retirou e me deixou a sós com Aredhel novamente. Com minha magia eu trouxe de volta a caixinha de música que ela havia me presenteado. Fiquei ouvindo a música e pensando em tudo o que tinha acontecido. Passei o resto da noite velando o sono dela, ansioso por vê-la melhor.


Na manhã seguinte Aredhel acordou. Pela expressão de seu rosto ela ainda sentia muita dor e ainda estava visivelmente muito fraca. Levantei-me e sentei na beirada da cama. Peguei suas mãos e fiquei olhando para ela por um longo tempo. A marca roxa em seu rosto estava maior e mais escura. O corte em seu pescoço estava coberto com um curativo. Duas pequenas linhas vermelhas em seus lábios, sinalizavam os cortes que havia sofrido. Eu estava feliz por vê-la viva, mas sofria com a dor dela. Ela ergueu o braço e tocou meu rosto com um semblante triste. Eu segurei sua mão em meu rosto, baixei os olhos e suspirei.

— Muitos perderam a vida ontem e quase perdi você — beijei seu dedos. — Tudo por conta do que fiz no passado. Por pouco nosso filho também não pagou com a vida por meus erros. Odin tinha razão, aonde vou levo morte e destruição — desabafei com tristeza.

— Loki. Não adianta se lamentar pelo que já foi feito — ela meneou a cabeça. — O importante é que você mudou e tem tentado se redimir por seus erros. Você ajudou seu irmão contra os elfos, agora o ajuda a cuidar de Asgard. E ontem arriscou sua vida para defendê-la também — apertou a minha mão.

— Você sempre vê algo positivo em tudo que faço — falei dando um sorriso de leve.

— Claro… Eu te amo… — disse baixinho e sorriu.

Aredhel era geralmente complacente com tudo o que eu fazia e também sempre tentava ver o meu lado bom. Mesmo quando este lado era inexistente… Ela simplesmente me aceitava com todos os meus defeitos. Algumas vezes podia não me apoiar, mas era a única que não guardava mágoas de minhas mentiras. Como eu a amava…

— Você é a única pessoa que me ama do jeito que eu sou — murmurei sorrindo.

Um sorriso brincou em seus lábios. Eu me debrucei sobre ela e a beijei apaixonadamente. Ela deixou escapar um gemido de dor, então me afastei preocupado.

— Desculpe-me — dei uma risada nervosa.

— Está tudo bem — deu um sorriso torto. — Só dói um pouco. Vou ficar bem rapidinho — piscou para mim.

Fiquei olhando para Aredhel relembrando meus questionamentos sobre Thanos. Eu precisava saber o que ela sabia.

— O que você sabe sobre Thanos? — perguntei repentinamente.

— Bom — estalou a língua e se ajeitou na cama —, sei pouca coisa. Li que ele queria causar a morte dos humanos. Era ele quem estava por trás do Other quando você atacou a Terra. Ele também aparecia depois dos créditos do filme. A história dele ainda não havia sido definida quando eu cheguei aqui, mas sei que tinha algo com as Infinity Gems. As tais Joias do Infinito. Lembro-me que seriam seis ao todo — explicou.

— Você sabe me dizer por que Other falou que ele tinha outros planos para você? — insisti.

— Não faço a mínima ideia — franziu o cenho e meneou a cabeça negativamente. — Eu jamais imaginei que eles é que estavam por trás da minha chegada a esse mundo. Não faço parte dos filmes. Fiquei tão surpresa quanto você.

Eu já havia ouvido falar nas tais Infinity Gems. Eram seis ao todo. O Tesseract e o Aether faziam parte delas. Se Aredhel sabia disso então talvez os filmes pudessem dar uma pista de onde estariam as demais ou dos planos futuros de Thanos. Mas antes eu precisava ter certeza que tudo era como nos filmes. Eu sabia que as partes que diziam ao meu respeito realmente ocorreram de forma quase igual, com exceção da presença de Aredhel na história toda.

— Tudo o que você viu nos filmes que me contou, aconteceu? — perguntei.

— Sim. Praticamente sim — afirmou. — Eu alterei algumas coisas, mas o resultado continuava sendo o mesmo. Na verdade só alterei o seu e o meu destino — ficou pensativa.

As palavras de Aredhel acenderam outro ponto em minha mente. Se tudo acontecia exatamente como nos filmes, isso poderia ser perigoso. Ela e meu filho não faziam parte deles. Então ter novos filmes poderia colocar a vida dela e de Váli em risco.

— Você sabe se haverá outros filmes sobre nosso mundo? — perguntei tentando disfarçar minha preocupação.

— Sim. Até onde sei terá mais um que se passará na Terra, no qual Thor ajudará novamente os Avengers. E havia rumores de outro filme de Thor. Fora os filmes dos outros integrantes dos Avengers — mordeu os lábios. — O enredo ainda não estava definido quando vim para cá, mas boa parte do elenco tinha assinado contratos para vários filmes. Will diz que agora que a Marvel descobriu essa mina de ouro, provavelmente fará filmes de inúmeras sagas dos quadrinhos.

Haveria mais filmes… Filmes que nos envolviam e brincariam com nosso destino. Eu não deixaria que mais ninguém ditasse o que aconteceria em minha vida ou colocasse em risco a vida de Aredhel e Váli. Eu tinha que colocar um fim nesses filmes. Essa seria minha primeira prioridade, depois as Joias, Other e Thanos.

Dei um beijo na testa de Aredhel e retirei-me avisando que retornaria rapidamente. Agora eu só tinha uma coisa em mente. Acabar com os filmes de uma vez por todas.

Gabi Luz

Escritora, nerd e "moça da informática".