Fanfic – A mulher do meu destino – 29 — Les pensées qui glacent la raison

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Mesmo com o passar dos dias eu não conseguia deixar de sentir raiva de Other quando olhava para o rosto de Aredhel. Ainda era visível a marca roxa, a qual ficava menor lentamente. Sentia tanto ódio quando via minha esposa se curvar disfarçadamente ao fazer algum movimento que lhe causava dor no local do corte. Todavia, Aredhel parecia não se importar com os ferimentos, dizia-se feliz por estarmos vivos.

Mas isso não era o suficiente para mim… Meu sangue fervia por vingança.

A recuperação de Aredhel, de certa forma, fora rápida. Realmente o fato de ela ter comido a maçã influiu demais em sua resistência e força, mas ainda estava longe de se igualar a mim ou a Thor. A raça humana era mais frágil e fraca, e isso nem a maçã poderia mudar. Essa situação me preocupava e tirava o sono. Eu tinha uma esposa tenaz, independente e que sempre estava se metendo em situações perigosas.


Para meu alívio, Aredhel deixou de lado parte de seu treinamento e passou a se dedicar à educação de Váli. Ele já estava perto de completar dois anos e Aredhel vivia dizendo que ele não parecia uma criança normal. Ela ficava espantada com a habilidade dele formar palavras com os brinquedos, prestar atenção ao que falávamos e como ele parecia memorizar as coisas com extrema facilidade. Eu achava tudo isso normal, afinal ele era meu filho, então imaginei que era óbvio que ele teria uma inteligência incomum. Entretanto, em outras características, Váli era diferente. Apesar de ser filho de uma midgardian, ele era mais forte. Ele era muito curioso e, em virtude disso, ele vivia se acidentando, mas não se machucava. Achava isso muito peculiar. Aparentemente, a mistura de nossas raças criava seres fortes.

— Loki. Ele forma palavras com aqueles blocos que o Will trouxe — comentou Aredhel, em um desses dias.

— Certo, nosso filho é um gênio. E qual o problema? — fiz pouco-caso.

— Bom. Nenhum, mas tem que admitir que não é comum. Crianças normalmente não têm esse tipo de habilidade, não nessa idade.

— Nosso filho não é como as crianças de Midgard — retruquei serenamente. — Não tem nem como comparar — quase ri.

— Sei — ela crispou os lábios em uma linha. — Não existem homens como você e nem bebês como nosso filho. Você é convencido demais! — bufou e riu.

— Claro. Acredito que em breve ele já poderá começar a aprender magia — dei de ombros.

Aredhel desviou o olhar e seu rosto assumiu uma expressão irritantemente familiar. Era a cara que ela fazia quando estava escondendo algo de mim. Eu não deveria ter ficado surpreso. Ela estava comportada demais ultimamente.

— Aredhel. O que você está escondendo? — indaguei com severidade na voz, cruzando os braços.

— Eu… Nossa… Como você sabe? — gaguejou.

— Você pode mentir bem para todos os reinos, menos para mim — encarei-a. — Já avisei… Não tem capacidade para competir comigo.

Ela revirou os olhos e fez uma careta.

— Bom… Eu sempre leio livros de lendas para ele — começou. — Mas como percebi que ele presta atenção e memoriza as histórias, achei que seria interessante começar a ler livros de magia para ele — confessou e mordeu o lábio inferior, como sempre fazia quando estava nervosa.

— Aredhel você é um perigo — meneei a cabeça. — Cuidado com o que está fazendo. Ele ainda é muito pequeno — adverti.

— Acalme-se. Não vou ensinar a praticar até que ele fique um pouco maior, ok? — afirmou em meio a um sorriso.

— Vou ficar de olho em vocês dois — dei um suspiro preocupado.

— Confie em mim — deu-me um beijo no rosto.

— Que alternativa eu teria? Se eu disse que não você vai fazer do mesmo jeito — resmunguei contrariado.

Ela riu animadamente.

— Por falar em magia — prosseguiu. — Quando você vai me ensinar a esconder as coisas e a me teleportar?

Sabia que esse dia chegaria. Isso cheirava a problemas.

— Aredhel, as duas técnicas são mais difíceis. O teleporte nem eu domino tão bem. Só consigo a curtas distâncias. Enfim. Tem muitas outras magias que você ainda tem que aprender. Temos que ir com calma — expliquei calmamente.

— Certo — fez um muxoxo.

Era o fim de minha tranquilidade. A ideia de Aredhel querer ler livros de magia para Váli me preocupava. Já me bastava ter que me preocupar com ela e agora teria que temer Váli também? Se Váli fosse tão ávido por conhecimento como Aredhel, eu teria sérios problemas.


Eu havia mudado, isso era fato e inquestionável. Agora eu era muito menos frio, afinal eu tinha uma família novamente. Amava perdidamente uma mulher e meu filho também. Mal me reconhecia. Quando eu olhava para Aredhel eu pensava “você nunca saberá o que me tornei por causa de você”. Todavia minha real natureza não havia mudado.

Aredhel era importante para mim, mas os outros Midgardians não. Eu havia desistido de governar Midgard por dois motivos. Primeiro por causa daqueles insetos chamados Avengers. Segundo porque agora eu tinha chance de governar o que eu realmente desejava, Asgard. Se eu não tivesse essa chance e se Thor não tivesse sinalizado que abdicaria, a Midgard da realidade de minha esposa seria meu próximo alvo. A Midgard dela não possuía “heróis” para defendê-la e também não seria algo que Thor viria saber. Na verdade, a outra Midgard nem fazia parte dos nove reinos, deixando a mercê de qualquer um.

Algumas vezes eu imaginei a reação de Aredhel se eu resolvesse dominar o mundo dela. Sei que ela ficaria contra mim, mas eu daria um jeito de contornar a situação. Na realidade Aredhel compactuava das mesmas ideias que eu a respeito dos humanos e de Midgard. Ela só não concordava com meus métodos. Era contra a ideia de dominação pela força. Além disso, Aredhel era minha esposa e tínhamos um filho, ela não me abandonaria facilmente. Na verdade nem que ela quisesse me abandonar ela conseguiria. Aredhel me pertencia e nada e nem ninguém a tiraria de mim.

Mas esses planos de dominar o mundo de Aredhel foram suspensos. Agora eu tinha outro objetivo, para ter a Midgard dela pululando minha mente. Assombrava-me o fato de que o que os Midgardians faziam por lá estava interferindo em minha realidade. Eu estava decidido, acabaria com os filmes que nos envolvessem, nem que isso custasse algumas vidas. Nada e nem ninguém colocaria em risco a minha família.

Tomada a minha decisão, comecei a planejar minha ida a Midgard de Aredhel. Primeiramente eu tinha que me informar mais sobre o mundo dela. Eu temia que se eu começasse a enchê-la de perguntas sobre Midgard e sobre os filmes, ela fosse desconfiar. Eu precisava encontrar uma maneira de fazer as perguntas sem que ela percebesse. Não me agradava a ideia de esconder as coisas dela, mas nesse caso era extremamente necessário. Aredhel, ao contrário de mim, se importava com os midgardians. Ela jamais concordaria que eu “eliminasse” certas pessoas. Ela sempre foi contra a morte de “inocentes”. Pensei em perguntar sobre os amigos e o irmão dela também, quem sabe poderia usá-los para obter mais informações e evitar perguntar tudo para ela.

— Você tinha outros amigos além de Lucy e os dois outros que faleceram? — perguntei certo dia.

— Não… — murmurou cabisbaixa. — Você sabe que eu não era muito popular. Na verdade eu nunca me importei muito com isso — deu de ombros.

— E esses amigos trabalhavam com você?

— Não. Lucy, Peter e Phillip estudaram comigo algumas matérias na faculdade. As de cálculo.

— Você me falou que trabalhava com computadores e Internet, é isso? O que você fazia exatamente lá em seu mundo? — interpelei casualmente.

— Sim, exatamente. Eu dava aulas particulares de informática. Não era uma carreira, mas ajudava a pagar as contas — fez uma careta.

— Ah, por isso tinha também muitos livros com títulos sobre Internet e informática na sua casa. Quando estive com o Agente Barton vi que vocês utilizavam essa tal de Internet para pesquisarem. O que se pode encontrar nela? — indaguei tentando não parecer muito interessado.

— Ah, de tudo — sorriu levemente. — A Internet é uma grande rede. Ela praticamente interliga todos os computadores do mundo. Tirando é claro algumas restrições de acesso, protocolos de segurança, redes particulares… — murmurou pensativa. — Bem, resumindo, como algumas limitações…

— Hum. Todo tipo de informação? — indaguei curioso.

— Todo — afirmou com certa empolgação. — Basta saber onde procurar. Você pode conseguir acesso a informações básicas e, até mesmo, itens confidenciais. Mas para acessar esses seria mais complicado — explicou.

— Precisa ter um conhecimento grande para usar tal ferramenta? — questionei sem muita vontade. Afinal, eu já tinha um certo conhecimento a respeito disso.

— Bom, precisa ter um pequeno conhecimento de informática. É algo que a maioria das pessoas em meu mundo já sabe utilizar, pelo menos os mais novos. Meus pais, por exemplo, não sabem quase nada sobre informática, mas o Will sabe muita coisa — falou despreocupadamente.

— Por falar nele, notei que seu irmão também gosta dessas coisas de heróis e vilões como você. Ele trouxe um monte de revistas sobre quadrinhos e deu-me para ler — comentei.

— O Will? — riu. — Ele é tão viciado quanto eu! Na verdade é a única coisa que temos em comum. Ele conhece todo esse universo, desde os quadrinhos até aos filmes — afirmou toda empolgada.

Deixei escapar um sorriso vitorioso. William era a chave que eu precisava para alcançar meus objetivos. Sem dúvida ele era a melhor pessoa para me dar as informações sobre aquele lugar. Seria uma pessoa que eu veria, até com certa frequência, e que, tranquilamente, traria todo o material que eu precisasse sem que eu tivesse que me deslocar até a outra Midgard. O irmão dela era praticamente desprovido de inteligência. Tolo o suficiente para me dar todas essas informações sem imaginar meus reais objetivos. Além disso, ele se mostrava extremamente empolgado com a minha pessoa. Enquanto eu aguardava uma nova visita da família de Aredhel, eu sondaria cautelosamente o que pudesse com ela.

— Loki… — ela disse de repente, tirando-me de meus devaneios. — Por que agora todo esse interesse por meus amigos e pelas coisas da Terra? — franziu o cenho, claramente desconfiada.

— Porque eu queria saber mais sobre você. Tudo que diz respeito a você me interessa — respondi cinicamente me aproximando dela.

— Oh. Que fofo! — falou enrubescendo.

— Eu também era o personagem preferido de seu irmão? — perguntei em dúvida.

— O Will ser fã de vilões? — fez um muxoxo. — Não mesmo! Ele gosta dos bonzinhos. O personagem predileto dele é o Capitão América — revirou os olhos.

Fiz uma careta. Deveria ter imaginado que ele, acéfalo como era, preferiria os amiguinhos de Thor.

— Bom, deixe-me ver se entendi — passei as mãos por sua cintura. — Você prefere os malvados? — sussurrei em seu ouvido e beijei-lhe demoradamente seu pescoço.

Ouvi-a suspirar.

— Sim — disse com o riso na voz. — Eu até sou fã de alguns heróis, mas prefiro os maus. E você sempre foi meu malvado preferido — afirmou com um sorriso malicioso.

— Hunf — afastei-me. — Até imagino quem seja um desses heróis. Stark! Aliás, para alguém que diz que prefere os vilões você ajudou demais aquele grupo de Midgard. Pensa que esqueci o que Thor me contou quando fui preso? — bufei. — Ele contou que foi você quem informou que o meu cetro podia fechar o portal. Que você se arriscou ajudando os Avengers. Por isso estava toda descomposta quando apareceu para me ajudar a me levantar — reclamei meio irritado.

— Você sabe que eu não concordava com a morte das pessoas — rebateu indignada e franziu o cenho.

— Mas precisava rir de mim? Como justifica você ter rido de mim quando tentei controlar o Stark? — vociferei.

— Loki, eu ri porque foi engraçado. Tem que admitir que o sarcasmo de Tony é hilário. Eu adoro — falou meio rindo.

— Então admite que gosta dele? — rosnei furioso largando a cintura dela.

— Não confunda as coisas — ela fechou a cara. — Esse seu ciúme já está me enchendo! Você fala como se eu já tivesse lhe dado motivos para desconfiar de minha fidelidade! Fala como se todos os homens olhassem para mim! — ficou irritada. — Eu não sou bonita! Coloque isso na sua cabeça! — apontou um dedo em meu peito. — O único homem que se interessou de mim, além de você, foi Phillip. Eu atraía os homens como um repelente atrai os insetos. Então pare de fazer esse papel ridículo! — bufou.

Eu a olhei por alguns instantes, chocado. Sabia que Aredhel tinha uma baixa autoestima, mas era estranho para mim ouvi-la dizer que não era bela.

— Não sabes o que diz — toquei seu rosto. — Você é linda — murmurei e a vi corar. — E se eu a desejo, outros podem desejar também. Além disso, eu vi o quanto ficou preocupada com Stark quando eu o joguei pela janela — fui sério.

— Eu não podia deixar de ficar preocupada — meneou a cabeça e me olhou como se eu tivesse falado algum disparate. — Minha presença lá estava alterando o curso da história. Se eu não tivesse sinalizado para Tony, ele não teria colocado a pulseira a tempo, nem teria colocado a armadura e… — de repente parou de falar e olhou-me com receio. — Oh-oh.

— Continue Aredhel — trinquei os dentes. — Continue contando como você me traiu! Conte como você o ajudou pelas minhas costas! — sibilei com raiva.

— Loki, não seja injusto. Só queria que você não o matasse.

— Ainda assim me traiu! — rosnei impaciente.

— Loki, eu fiquei ao seu lado. Tentei fazer você desistir daquela loucura, mas você não me ouviu! — rosnou de volta.

— Você podia ter me apoiado até o fim! Não sabe a raiva que me deu quando você me enfrentou! — passei a mão pelo rosto, me lembrando do momento. — Petulante! Se não fosse por sua suposta vidência, eu a teria matado naquela hora! — rebati.

— Eu não podia ficar quieta! Poderia até gostar de você, mas não cruzaria os braços e apenas assistiria você destruir a Terra! O que eu podia fazer? Será que vamos sempre discutir sobre o passado? — cruzou os braços irritada.

Dei um suspiro e a abracei.

— Desculpe-me. Eu não queria discutir com você. Acho melhor a gente mudar de assunto — reconsiderei, voltando a me acalmar.

— Você que tocou no assunto — resmungou e ficou um tempo calada. — Nossa… Quantas vezes você pensou em me matar? — murmurou pensativa.

— Esqueça isso — beijei-lhe a fronte. — Não gosto de lembrar disso. Você tem razão, passado é passado. Deixemos essas coisas de lado. Acho que agora temos coisas mais interessantes para fazer — comentei maliciosamente e a beijei.


Eu ainda não tinha conseguido descobrir como Other e os demais abriram aquele portal para Asgard. Por outro lado, iniciamos um novo projeto para aumentar a segurança do salão de relíquias. Criei uma forma de gerar uma barreira mágica, a fim de evitar que portais fossem abertos diretamente na sala. Thor pareceu ficar satisfeito com a medida, mas eu acreditava que ainda era insuficiente. Uma manhã, antes do almoço, Thor me procurou para uma conversa.

— Loki, precisamos conversar seriamente — ele me abordou com um semblante carregado.

— Diga. Algo errado? — interpelei inocentemente.

— Não. Mas o assunto é de seu interesse — afirmou com seriedade.

— De meu interesse? — surpreendi-me. — Continue.

— Depois dos últimos acontecimentos, quero lhe informar que tomei uma decisão. Abdicarei do trono em seu nome — anunciou de supetão.

Acredito que meu queixo caíra naquele momento. Fiquei surpreso. Pensei que este dia jamais chegaria. Sem me conter, abri um largo sorriso.

— Agora confia em mim? — perguntei com ironia.

— Continuo não confiando plenamente em você, Loki — encarou-me. — Mas confio em seu trabalho, na sua dedicação por Asgard e confio no que sente pela família que constituiu. Sei que pensaria duas vezes antes de cometer outro desatino, uma vez que agora tem mulher e filho. Vi o quanto ficou arrependido por seus crimes — disse com serenidade.

Ouvi-o quieto. Thor se aproximou e deu uma batidinha em minhas costas.

— Sei que será um grande rei — sorriu de leve. — Se nosso pai estivesse vivo, hoje estaria feliz de ver como temos trabalhado de forma grandiosa juntos. Mas sabes bem que não desejo o trono e tão pouco permanecer em Asgard. Agora que acredito em sua redenção, acho que posso deixá-lo em meu lugar e voltar para Midgard — falou todo esperançoso.

— Acredito que Odin ficaria chocado com todos esses acontecimentos recentes — falei ironicamente.

— Certamente — riu com a voz rouca.

— Quando começamos esse processo? — indaguei, mal contendo a ansiedade.

— Daqui a algumas semanas — revelou. — Precisamos de tempo para os trâmites e para organizar a cerimônia de sua coroação.

— Certo… — anui.

Thor se retirou e eu mal podia conter meu sorriso de vitória. Em breve Asgard seria minha. Ocuparia do trono de Odin. Eu finalmente seria rei!

Gabi Luz

Escritora, nerd e "moça da informática".