Fanfic – A mulher do meu destino – 30 — When all I want is you

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Prontamente saí à procura de Aredhel. Era óbvio que ela seria a primeira pessoa com quem eu compartilharia a novidade. Afinal, ela, além de minha mulher, foi a pessoa que me apoiou desde o início. Na verdade, pelo que ela contava, apoiava a minha ascensão ao trono, antes mesmo de nos conhecermos.

Imaginei que ela estaria no salão para o almoço, mas chegando lá não a encontrei. Eu havia avisado que provavelmente não poderíamos almoçar juntos, então imaginei que ela já tinha almoçado. Precisava encontrá-la. Em um dos muitos corredores, abordei um servo e perguntei por ela.

— Oh, príncipe Loki — o servo fez uma mesura exagerada —, vossa esposa se encontra na cozinha — falou meio sem jeito.

— De novo — murmurei meio irritado e vi o servo engolir em seco.

Aredhel tinha a mania de fazer amizade com os servos e guardas. Dizia-se pouco amigável, mas adorava ficar de conversa com serviçais. Segui para a cozinha e ela estava conversando alegremente com a criadagem. Ao me verem entrar no local, todos pareceram ficar nervosos e procuraram logo algo para fazer. Aredhel estava de costas para mim, mas pela agitação percebeu se tratar de minha pessoa.

— Meu príncipe! Você por aqui? — sorriu com ironia, se virando na minha direção.

— Preciso falar com você. É urgente — retruquei sem muita paciência para as provocações de Aredhel.

— Certo, certo… — ela arqueou uma sobrancelha. — Tchau meninas! Bom trabalho! — acenou, pegou uma maçã e saiu me acompanhando para fora da cozinha.

Seguimos em direção ao nosso quarto. No caminho aproveitei para reprovar o comportamento de Aredhel.

— Você não perde essa sua mania de se misturar com os serviçais — reclamei.

— Qual o problema? Eu não vejo qual o problema em conversar com eles — resmungou e cruzou os braços.

— Você é a esposa de um príncipe, deve se comportar como uma princesa — rosnei. — Você nunca ouviu falar em hierarquia?

— Ah, não! Por favor, você também não! — bufou e jogou os braços para o alto. — Essa conversa de hierarquia era algo que eu detestava em meus pais. Meus pais podem não ter dinheiro, mas às vezes são arrogantes e esnobes. Isso sempre me irritou. Todos são iguais, não importa sua origem, posição social, raça ou o que for. Antes de ser princesa e sua esposa, eu sou uma simples humana! Eu não ligo para essas formalidades e costumes monárquicos. Na verdade eu detesto! — sibilou.

— Acho melhor começar a se acostumar — alertei, abrindo a porta do quarto para entrarmos.

— Por quê? Por acaso vou ser excluída de algum baile? Ou proibida de visitar algum reino se agir de maneira diferente? — perguntou com sarcasmo.

— Não, Aredhel. Porque em poucas semanas você será rainha de Asgard. — anunciei, abrindo um sorriso de satisfação.

Aredhel me fitou chocada e em seguida abriu um largo sorriso.

— Você conseguiu amor! — deu pulinhos. — Você será rei! — abraçou-me.

— E você será minha rainha — beijei-lhe a testa.

— Mas como foi isso? Quando soube? — empolgou-se.

Relatei a ela a conversa que eu tivera com Thor. Expliquei que o processo de seria iniciado ainda naquele dia e que levaria algumas semanas para a cerimônia.

— Fico muito feliz por vocês dois. Você finalmente vai poder ter o trono que sempre quis e Thor poderá ser feliz ao lado de Jane — comentou radiante. — Acredita que todos o aceitarão facilmente como rei? — franziu o cenho meio preocupada.

— Eles não tem escolha, Aredhel — sorri cinicamente. — Gostando ou não, eu serei o rei deles.


Na semana seguinte a família de Aredhel veio nos visitar. Finalmente eu pude falar com William novamente. Enchi o rapaz de perguntas. Pedi todos os detalhes da produção dos filmes. Ele me deu todas as informações sem desconfiar de nada. Ao contrário, parecia bem empolgado ao dar todos esses detalhes. Não me surpreendi. Isso só provou que toda a inteligência da família havia fica do Aredhel. Começava e me perguntar se ela realmente não seria adotada.

Consegui vários dados: os nomes desde o diretor até o nome do ator que me interpretava. William também trouxe outros quadrinhos e revistas com reportagens sobre os prováveis outros filmes que viriam a ser produzidos.

Ele me informou que no dia seguinte, na Midgard dele, haveria um evento chamado Comic-Con. Este evento contaria com a presença do diretor e do ator que me interpretava, entre outras pessoas. Meus olhos brilharam diante dessa informação. Pelo horário do evento e da partida deles da outra realidade, calculei que seria dali a apenas alguns meses em Asgard. Não poderia ser mais perfeito! Poderia colocar em prática meu plano, sem que isso colocasse em risco minha ascensão ao trono. Até lá eu já seria rei e Thor nada poderia fazer para me impedir. Se Thor descobrisse meus planos antes, talvez mudasse de ideia sobre abdicar.

William também trouxe informações importantes sobre as Infinity Gems. Conforme eu havia ouvido falar, eram de fato seis. O irmão de Aredhel entregou-me vários quadrinhos com informações sobre as Joias. Pedi a ele que me trouxesse mais informações, tanto sobre as Gems quanto sobre os filmes, mas que mantivesse segredo sobre tudo. Disse a ele que deveria vir me ver sem que Aredhel soubesse. William prontamente prometeu que Aredhel nada saberia. Percebi que ele faria isso com prazer. Pelo jeito ele realmente tinha uma rixa com a irmã. Ele acreditou que tudo não passava de mera curiosidade minha. Era bobo tal qual Thor.

Aredhel ficou muito desconfiada da minha proximidade com o irmão dela.

— Desde quando você e Will ficaram tão amigos? — estreitou os olhos, me fitando com curiosidade. — Vocês passaram a visita inteira juntos, cochichando pelos cantos.

— Ah! Está com ciúmes de mim e de seu irmãozinho? — provoquei-a.

— Pior é que estou! Will sempre roubava meus amigos — resmungou.

— Você é tão ciumenta — ri de lado.

— Sou extremamente ciumenta. Você nem imagina o quanto — afirmou com um semblante sério.

— Então estamos empatados. Imagine que em vez de ter um irmão você tivesse uma irmã. Agora você tem uma ideia de como me sinto em relação a você e Thor — falei com ironia.

— Ela nem se atreveria a se aproximar de você. Na verdade, ai da mulher que se engrace por você — rosnou.

Eu ri. Nunca imaginei que Aredhel fosse tão ciumenta.

— Você fica linda com ciúmes — dei um beijo em seus lábios.

— É sério, meu amor. Eu, com ciúmes, posso ser pior que você — disse com um ar sombrio.

— Não se preocupe. Só tenho olhos para você — acariciei seu rosto.

— E eu só para você — sorriu de volta.


Ainda na mesma semana Thor informou seus amigos e começamos a preparar os avisos e convites para a cerimônia de coroação. Cada reino seria devidamente informado sobre a mudança de governo. A cerimônia foi marcada para dali um mês. Sif, Volstagg e Fandral ficaram visivelmente contra minha ascensão. Cheguei a presenciar algumas discussões entre eles e Thor sobre isso.

— Isso é loucura, Thor! Como você pode confiar Asgard à Loki? Ele que tentou usurpar tantas vezes esse trono! Ele quase lhe matou e destruiu Midgard! — acusou Sif, apontando para mim.

— Sif tem razão, meu amigo! Como pode confiar nele agora? – apoiou Volstagg.

— Quem garante que ele não irá nos conduzir à ruína? – foi a vez de Fandral se intrometer. — Com o passado dele, creio que levaremos milhares de anos para conquistar a confiança e o apoio dos demais reinos. Muitos podem ficar contra.

Eu ouvia tudo calado com um sorriso no rosto. Eu sabia que eles ficariam contra, mas não me importava.

— Meus amigos — Thor ergueu as mãos —, eu entendo a desconfiança de vocês, mas pensem em tudo o que aconteceu nesses últimos anos. Loki administrou com maestria Asgard enquanto esteve no lugar de meu pai. Tem me auxiliado com esmero, vem defendendo com unhas e dentes nosso reino. Ele mudou, agora tem uma família. Até devolveu a Casket — explicou.

— Boa parte dos problemas que enfrentamos recentemente são consequências dos desatinos dele no passado! — rebateu Sif.

— Eu sei Sif, mas ele está arrependido. Ainda mais quando isso quase custou a vida de Aredhel e de meu sobrinho — falou Thor calmamente.

— Apesar de ter mentido no passado dizendo que era vidente, eu confio mais em Aredhel governando do que nele — murmurou Volstagg.

— Verdade… Quem sabe ela consiga domá-lo. Ela já mostrou várias vezes que não se deixa dobrar por ele — comentou Fandral meio rindo.

— É. Isso é verdade. Ela faz o que quer — riu Sif.

Thor e Volstagg riram. Fiquei visivelmente irritado com o comentário. Eu agora era considerado um fraco? Acreditavam que Aredhel poderia mandar em mim? Isso era ridículo, mas eu tinha que concordar. Minha esposa sempre acabava fazendo o que queria. Realmente era patético eu não conseguir controlar minha própria mulher. Finalmente eu tinha a chance de brilhar e isso não poderia atrapalhar minha ambição de ser rei. As coisas teriam que mudar, e logo!

— Ficou irritadinho com o comentário, Loki? — disse Fandral com ironia clara na voz.

— Oh! A verdade dói não é Loki? Você vive iludido que manda em algo. Mas quem manda em você é ela — Sif falou venenosamente.

— O meu casamento não diz respeito a vocês! — rebati irritado.

— Basta dessa discussão — disse Thor voltando a ficar sério. — Enfim. Eu já tomei minha decisão. Loki tomará definitivamente meu lugar no trono de Asgard — afirmou com severidade.

Ninguém falou mais nada. Thor dispensou a todos e fui atrás de Aredhel. Ainda estava irritado e o fato de não encontrá-la em lugar algum, só piorou o meu humor. Imaginei que ela estivesse novamente com a criadagem. Fui caminhando furiosamente em direção à cozinha e quando abri a porta com certa violência, assustei os servos do local.

— O que houve Loki? — indagou Aredhel franzindo o cenho e se levantando da cadeira em que estava sentada.

— Você vem comigo — rosnei e agarrei-a pelo pulso —, precisamos conversar!

— Ei! — reclamou enquanto eu a arrastava para fora da cozinha. — O que houve?

No corredor ela soltou o pulso de minha mão e me enfrentou.

— Diga o que você quer. Não precisa sair me arrastando! — sibilou.

— Aredhel, já estou cansado dessa sua mania de me enfrentar! Fica me provocando! Eu já falei que não quero você com a criadagem! — respondi com raiva.

— Mas qual é o seu problema? — rebateu, levando as mãos aos quadris. — Eu sempre fui assim. Não estou te provocando. E eu não fico te enfrentando porque tenho prazer em fazer isso, apenas brigo com você quando está errado. Além do mais, eu gosto da companhia deles, eu não tenho amigos aqui e você sabe disso.

— Não me interessa! — vociferei. — As coisas têm que mudar! Exijo que mude de comportamento! Você é minha mulher e me pertence! Eu serei rei e você deve me obedecer! — estava quase gritando.

— Ah… Então é isso? — cruzou os braços. — Acontece, “senhor futuro rei”, que não sou um objeto ou brinquedo seu. O senhor não é meu dono e nem manda em mim! — retrucou, petulante.

— Basta! — gritei, mandando às favas o resto de paciência que me restava. — Essa sua teimosia já está me fazendo perder a paciência! Você vai me obedecer senão… — trinquei os dentes e agarrei-a pelo braço.

— Senão o quê? Vai me bater? — gritou comigo puxando o braço.

— Aredhel, eu nunca… — comecei a falar.

— Já notou o quanto estamos brigando ultimamente? — interrompeu-me, me encarando com seriedade. — Desse jeito vamos acabar nos separando.

Aquela última frase dela fez algo se romper dentro de mim e perdi o autocontrole de vez.

— Nós nunca vamos nos separar! — disse entredentes e segurei mais firme o seu braço. — Você nunca irá me abandonar! Antes prefiro ver você morta! — berrei com raiva.

Aredhel me olhou com misto de choque e indignação. Com um puxão, se solto de minha mão e saiu correndo.

Fiquei furioso. Dei um murro na parede e acabei abrindo um pequeno buraco. Por Helheim, o que eu estava fazendo? Meus sentimentos estavam brigando com minhas ambições. Eu tinha feito tudo para alcançar meus objetivos e para ter Aredhel ao meu lado, agora eu não conseguia administrar as duas coisas.

Eu não queria parecer ser um rei fraco. Sempre me incomodou a ideia de parecer com algo do tipo. Aredhel nunca foi passiva e isso era uma das coisas que mais me atraía nela. No fundo eu nunca iria querer que ela mudasse. Estava com raiva dos comentários dos amigos de Thor e da possibilidade de Aredhel querer me deixar. Eu jamais desejaria vê-la morta, mas não aceitaria que ela me deixasse.

Será que ela teria coragem de tentar me abandonar? O que me adiantaria reinar sem ter ela ao meu lado?

Parecia que eu tinha prazer em criar um inferno em minha vida. Eu sempre acabava descontando minha raiva e frustração em Aredhel. Logo nela, que era meu único bálsamo nessa vida, minha luz na escuridão. Ela era para mim como um rio em tempos de seca, um abrigo na tempestade, um oásis no deserto. Agora ela estava com raiva de mim e eu nem sabia como me desculpar.

Fui atrás dela e encontrei-a sentada no jardim com o olhar distante. Parecia entristecida e estar absorta em seus pensamentos. Sentei-me ao seu lado e ela não me olhou. Na verdade nem e moveu, continuou olhando a paisagem.

Dei um pigarro e voltei-me na sua direção.

— Aredhel, meu amor, perdoe-me — murmurei e pousei a mão sobre a dela. — Eu estava irritado com algumas coisas e sempre fico irracional com a ideia de que você possa me deixar. Eu jamais desejaria vê-la morta… Na verdade, isso seria meu pior pesadelo…

— Eu sei Loki… — fez uma pausa e deu um suspiro. — Mas cada vez fico mais preocupada com esse seu jeito obsessivo de levar a vida… A forma possessiva com que me cerca… Você tenta o tempo todo ter o controle de tudo — murmurou sem me encarar.

— Eu sinto muito — suspirei em desalento. — Não quero que você mude. Eu sempre gostei de você assim. Atrevida — deixei escapar um meio sorriso. — Você é a única capaz de colocar alguma humanidade em mim — soei um pouco irônico.

— Você é muito cabeça dura, isso sim — bufou baixinho. — É tão teimoso quanto eu — deu um sorriso fraco.

— Você me perdoa? — indaguei preocupado.

— Claro, Loki… — meneou a cabeça. — Se eu fosse ficar com raiva de você toda vez que você fala algo ríspido em um momento de raiva, eu já não estaria com você há muito tempo. Aliás, nunca nem teria me aproximado de você — falou calmamente ainda sem me olhar.

Aquilo me doeu, mas infelizmente eu sabia que era verdade.

— Você pensou em me deixar? — mal conseguia disfarçar a tristeza em minha voz.

— Não, Loki — murmurou fitando as próprias mãos.

— Aredhel, então por favor, olhe nos meus olhos. Esqueça o que passou — com uma das mãos a fiz olhar para mim. — Você e Váli são tudo para mim — falei apertando a mão dela.

Ela me encarou, franziu o cenho e abriu um sorriso tímido.

— Não quero que meus medos e frustrações acabem nos separando. Sou seu marido, mas o que temos vai além disso. Você é meu par, minha melhor amiga… Meu sol guia… Eu te amo e não consigo me imaginar sem você. Serei teu rei e teu escravo se for preciso, mas não me deixe — as palavras sinceras jorraram sem controle.

— Oh, meu amor — ela levou a mão ao próprio peito. — Eu não vou te deixar. Pare com esse medo insano — murmurou com lágrimas nos olhos.

— Mais do que o trono… Mais do que qualquer coisa, tudo o que quero é você — confessei.

Aredhel sorriu para mim com lágrimas escorrendo por sua bochecha. Segurei seu rosto entre minhas mãos e beijei-a nos lábios com carinho. Depois fiquei a observando por um tempo.

— Sabe… O amor não é uma coisa fácil — comentei meio rindo.

— Verdade… — riu baixinho. — Mas é tudo aquilo que não se pode deixar para trás — deu-me um beijo em meu rosto.

Levantei-me, ajoelhei diante dela e peguei sua mão.

— Aredhel, você me daria a honra de me fazer o homem mais feliz dos nove reinos, aceitando ser minha rainha? — inquiri em meio a um sorriso torto.

— Sim, meu amor. Sim — afirmou sorrindo.

Aredhel se aproximou de mim e em seguida me beijou.

Eu seria rei e ela seria minha rainha e nada e nem ninguém poderia mudar isso.

Gabi Luz

Escritora, nerd e "moça da informática".