Fanfic – A mulher do meu destino – 31 — Protège moi de mês désirs

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Chegara o dia tão esperado, o dia de minha coroação. Todavia, para desgosto de meu orgulho, poucos seriam os presentes. Pela ausência da confirmação de presença de muito dos convidados presumi que boa parte também ficara contra a decisão de Thor. Pouco me importava, achei que seria bem melhor ter que aturar um número menor de bajuladores. Eu tinha a plena consciência que os sentimentos, dos que viriam ao evento, se resumiriam a curiosidade e a falsidade.


Estávamos juntos, Aredhel e eu, na banheira pouco antes da cerimônia. Aredhel estava carinhosamente lavando meus cabelos, enquanto conversávamos sobre o meu grande dia.

— Váli poderá assistir a cerimônia? — fitou-me com olhos sonhadores. — Eu acho importante que ele possa assistir a ascensão do pai, mesmo que não compreenda muito o que está acontecendo — comentou alegremente.

— Claro que pode. É bom que os outros reinos vejam que o trono já possui um herdeiro — falei orgulhoso.

— Seu cabelo está tão comprido — murmurou enquanto jogava água em meus cabelos.

— Tens razão. Acho que está na hora de cortá-lo. Quando mais jovem eu cuidava mais de minha aparência.

— Sério? Tem certeza? — perguntou-me espantada.

— Por quê? Prefere-o comprido? — questionei.

— Ah… Na verdade acho você bonito com qualquer tamanho de cabelo — respondeu sorrindo.

Beijei-lhe o rosto.

— Então vou encurtá-lo — falei decidido.

— Se quiser, posso cortá-lo para você.

Assim que terminamos o banho, me sentei em um banco e ela começou a cortá-los. Quando Aredhel terminou, notei que não cortara muito, os deixou na altura de meus ombros.

— Então? — encarei-a e franzi o cenho.

Ela me olhou longamente e entreabriu os lábios, mas permaneceu em silêncio. Eu cruzei os braços, esperando.

— É meio estranho — enfim murmurou. — É como ver você quando era mais jovem. Tal qual no primeiro filme de Thor. Só que eu ainda não tinha te visto pessoalmente com essa aparência. É estranho… — passou as mãos por meus cabelos, os penteando para trás.

— Não gostou? — fiquei sem entender muito bem o comentário.

— Não, eu gostei sim. Você está lindo — disse com um sorriso bobo nos lábios. — Parece mais jovem… — deu-me um beijo nos lábios.

Pus minha vestimenta completa, incluindo minha capa e meu elmo. Eu estava distraído, terminando de me arrumar quando Aredhel me chamou. Virei-me e fiquei encantando com a visão que tive.

— Que tal? Gostou? — inquiriu meio tímida, com o rosto rosado.

Aredhel estava com um vestido longo, preto e verde, cheio de detalhes dourados. Usava os cabelos soltos e na cabeça usava uma pequena tiara dourada que pertencera a Frigga. Acredito que eu deveria estar sorrindo bobamente, tal qual devo ter ficado no dia de nosso casamento.

— Você é tão bonita — sussurrei maravilhado. — E fica linda com minhas cores. Fico feliz que aceitara usar a tiara de minha mãe — sorri abertamente.

Ela ficou toda sem graça e sorriu timidamente. Aquele jeito acanhado de Aredhel me encantava. Aproximei-me dela, coloquei uma mecha de seu cabelo atrás de sua orelha e a beijei levemente nos lábios. Tive vontade de ir além com aquele beijo, mas teríamos mais tempo para isso após a cerimônia.

— E eu, como estou? – indaguei puxando minha capa, tentando distrair a minha mente.

— Está perfeito. Um verdadeiro rei! — disse toda sorridente.


Adentrei no salão vitorioso, mantendo minha pose altiva. Os poucos convidados presentes me aplaudiam. Aredhel me aguardava na escadaria, logo abaixo de Thor. Váli estava nos braços de uma serva na base da escadaria. Aproximei-me e ajoelhei diante de Thor. Ele, todo sorridente fez um breve discurso. Após aplausos, me levantei e subi as escadas em direção a Thor. Ele me entregou o Gungnir e deu-me um forte abraço, quebrando o protocolo.

A partir daquele momento eu era rei de Asgard. Sentei-me no trono todo sorridente e assisti Thor tomar o lugar que me pertencia anteriormente. Aredhel subiu mais alguns degraus e aproximou-se da escadaria de meu trono. Ela agora era minha rainha e nosso filho herdeiro de meu trono. Definitivamente, era um dia glorioso para mim. Eu tinha alcançado tudo o que mais desejava.


Thor permaneceu apenas mais alguns dias em Asgard e logo anunciou a sua partida, dizendo que retornaria sempre que eu precisasse de ajuda. Afirmou que, apesar de escolher viver em Midgard, continuaria servindo Asgard, a qual sempre deveria lealdade. Eu desejei boa sorte, ele se despediu de todos e finalmente partiu. Fandral, Volstagg e Sif, passaram a me servir, ou melhor, me vigiar. Todos ainda me olhavam com desconfiança, inclusive Heimdall.


Passado os primeiros dias de reinado, passei a frequentar a biblioteca para ler o material que William me trouxera. Como já era de meu conhecimento e acabei por confirmar, as Infinity Gems eram seis ao todo: espaço, tempo, mente, realidade, poder e alma. No que dizia respeito à localização das Infinity Gems, coincidência ou não, os locais que eram citados nas revistas existiam realmente. Quanto ao que diziam sobre minha pessoa, a história era mais confusa. Havia inúmeras histórias minhas, várias versões e “universos”. Algumas eram até interessantes, outras eram ridículas. Comecei a temer que resolvessem fazer filmes sobre as mais absurdas.

Fiz algumas visitas, secretamente, aos locais onde estariam localizadas as Joias. Sempre usava a desculpa de ter que resolver algum problema em algum reino. Nessas visitas eu fui reconhecer melhor o local e tentar localizar as Gems. As pistas eram muito confusas, não condiziam exatamente com os quadrinhos. Percebi que tanto os quadrinhos quanto os filmes, não reproduziam com exatidão a nossa realidade. Inclusive a classificação, a cor e até as características de algumas Gems eram bem diferentes das definidas nas histórias em relação a minha realidade.

Nesse meio tempo William continuava me fornecendo informações sobre as Gems e sobre os responsáveis pelos filmes. Conforme eu havia solicitado ele veio em segredo algumas vezes e trouxe o que eu pedira. Era um idiota que fazia tudo o que eu pedia sem imaginar minhas reais intenções.

Fiquei pesquisando por algumas semanas. Quanto mais eu lia, mais eu me convencia de que talvez Thanos estivesse de posse de uma das Infinity Gems. O que quer que ele tenha usado para invadir Asgard, possivelmente também usara para trazer Aredhel para essa realidade. A única pista que eu tinha era que a luz que trouxera Aredhel era roxa, tal qual a luz que emitia o portal aberto em Asgard durante a invasão. Para abrir um portal, por menor que fosse, era necessária muita energia, o que condizia com o poder das Joias. Mas se eu estava de posse da Gem do espaço, o Tesseract, qual era a Gem que ele possuía?

Depois de muita pesquisa e viagens eu milagrosamente havia encontrado uma das possíveis Gems. Estava abandonada em uma caverna de um reino que visitei. O local era muito bem vigiado, mas utilizando-se de minhas habilidades, consegui resgatá-la sem problemas. Não eram apenas a busca pelas Infinity Gems que havia evoluído, meus poderes também.

A Gem em questão se tratava de uma pequena pedra amarela que teria o poder de modificar as realidades. Passei os meses seguintes tentando aprender a dominar o poder da pedra. Eu mal acreditei quando finalmente consegui algum avanço. Estarrecido, testemunhei que o poder dela era infinito. Eu inicialmente conseguia recriar locais, depois comecei a recriar pessoas, cidades e, por fim, uma realidade inteira. Era uma arma extremamente fascinante e muito perigosa.

Contudo, eu ainda precisava encontrar as outras Gems. O Tesseract estava em Asgard e o Aether mandei para o Collector, por uma questão de segurança. Eu não achava seguro ter duas Joias do Infinito guardadas no mesmo lugar. Se alguém tentasse roubá-las, levaria todas de uma vez. Minha insegurança provou ser fundada, pois foi algo que quase aconteceu quando Other invadiu Asgard. Por pouco ele não levou consigo o Tesseract, então poderia ter levado o Aether. Esta pedra eu guardaria comigo. Ninguém deveria saber de sua existência. Nem mesmo minha esposa.

Os meses passavam e as buscas por outras Gems e minha prática na criação de realidades alternativas, prosseguia. Cheguei a conseguir recriar Asgard e a cidade de Midgard que quase destruí. Era incrível o poder daquela pedra e como ela se encaixava perfeitamente com minhas habilidades. Com ela eu poderia criar ilusões perfeitas, praticamente reais. Novamente eu estava experimentando o prazer de ter tanto poder nas mãos. Imaginava-me tendo em poder as demais pedras juntas, eu seria invencível. Era tudo que eu poderia desejar.


Havia chegado o tão esperado evento na outra Midgard. O que selaria o destino daqueles malditos filmes. Eu havia planejado sequestrar William e levá-lo comigo ao evento. Ele poderia facilmente reconhecer as pessoas que eu havia escolhido eliminar. Depois de algumas pesquisas e muito planejamento, eu tinha decidido matar inicialmente alguns diretores, roteiristas e, principalmente, o ator que me interpretava. Dias antes de minha partida procurei Aredhel para lhe informar da necessidade de viajar.

— Aredhel, eu terei que partir em uma jornada pelos nove reinos, preciso me atualizar de algumas situações e me apresentar como rei em outros reinos nos quais ainda não fui. Também tenho que apresentar minhas formais desculpas a alguns reinos e tentar remediar alguns conflitos — menti descaradamente.

— Você não está pensando em ir até Jotunheim, não é? — olhou-me preocupada. — Por favor, isso é loucura! — falou com urgência.

— Não. Ainda não irei a Jotunheim — respondi calmamente. — Isso ficará para outra oportunidade.

— Quanto tempo ficará fora? — perguntou com o semblante triste.

— Talvez alguns meses — fui evasivo. Sabia que minha ida para a outra realidade podia levar muito tempo, em virtude das diferenças de passagem de tempo.

— É uma pena eu não poder ir com você — murmurou com tristeza.

— Eu também lamento — acariciei seu rosto. — Mas não é seguro levarmos Váli e sei que você não ficaria longe dele.

— E quem administrará Asgard nesse tempo?

— Fandral e Heimdall ficarão encarregados de algumas questões. E se for necessário estão autorizados a tomarem algumas decisões em meu nome — expliquei.

Nunca imaginei que delegaria tais funções à Fandral, muito menos a Heimdall, pessoas que nunca confiaram em mim. Eu não tinha alternativa, precisava fazer isso e não achava uma boa ideia chamar Thor. Ele poderia vir atrapalhar meus planos, caso descobrisse algo. Fandral e Heimdall não seria ameaça nenhum aos meus interesses.

— Fico feliz que esteja se dando melhor com eles — ela disse de repente, em meio a um sorriso.

— Não confunda as coisas Aredhel. Ele não confiam em mim e tão pouco são meus amigos. Apenas recebem ordens minhas e as cumprem por lealdade ao reino — falei seriamente.

— Queria que fosse diferente… — disse baixinho.


Não me agradou mentir para Aredhel, mas não me sentia culpado. Estava fazendo isso pelo bem dela e de nosso filho. Dois dias depois já estava pronto para minha partida.

— Até a volta Váli — dei um beijo na cabeça de meu filho. — Eu amo vocês dois — recostei minha fronte na de Aredhel e a beijei.

— Eu também te amo — ela falou com a voz embargada e os olhos cheios de lágrimas. — Vá com cuidado.

— Sempre tenha em mente que tudo que faço hoje é por vocês. Vocês são tudo para mim — encarei-a seriamente.

Ela assentiu em silêncio, eu a abracei e os deixei no quarto. Partia-me o coração ter que deixá-los, mas eu sabia que era o certo a fazer.


Parti para a Midgard da outra realidade. Fui direto para a casa dos pais de Aredhel. Surpreendi William no que parecia ser o seu quarto. Com o susto ele caiu de uma cadeira. Fiquei surpreso de desta vez a água tenha sido tão precisa.

— William, pegue o que você juntou sobre os envolvidos nos filmes e vamos! — vociferei. Não tinha tempo a perder.

— O quê? Como assim? Aonde vamos? — perguntou-me com os olhos arregalados, de joelhos no chão.

— Não me faça perguntas. O que precisa saber é que irá comigo. Vamos logo! — rosnei.

William, todo assustado, se levantou em um átimo e começou a se arrumar. Ele pegou uma mochila e colocou algumas revistas e papéis dentro. Nesse momento, a porta do quarto se escancarou. Era a praga daquele velho rabugento: Wilson.

— O que está acontecendo? — o velho me lançou um olhar reprovador.

— Não lhe interessa! — bradei e com um movimento de minha mão fechei a porta na cara dele.

O velho esmurrava a porta enquanto me xingava. William ficou paralisado, pálido, me olhando.

— O que houve? — ouvi a voz Mary perguntar do lado de fora, com a voz assustada.

— O marido psicopata da Ared! — o velho lazarento guichou. — Está trancando com Will! Ele fechou a porta na minha cara! Eu sabia que Ared tinha a mão podre para homens! Ela nunca faz nada direito!

O velho estava testando a minha paciência. Para ele tudo era culpa de Aredhel! Parecia odiar a própria filha. Se William demorasse mais um pouco eu não responderia por mim. Aredhel corria o risco de ficar órfã de pai.

— Vamos William! Não tenho o tempo todo! — gritei.

William juntou o resto das coisas dele e me acenou com a cabeça indicando que estava pronto. Conjurei uma tigela com a água do lago e coloquei sobre a mesa. Agarrei o braço de William.

— Agora pense no local da tal Comic-Con! — ordenei.

— Como? — o paspalho me fitou chocado.

— É para lá que vamos. Tenho alguns assuntos pendentes para resolver por lá — anunciei com sarcasmo.


Partimos para o evento, chegamos direto em um corredor longo, repleto de portas no caminho. William me informou que se tratava dos bastidores do local. Perguntei a ele se tinha conseguido mais alguma coisa interessante no material que juntou e ele me atualizou pouca coisa. Nada que interferisse no que eu havia planejado. A única boa nova era que seriam apresentados os rascunhos dos roteiros dos próximos filmes. Eu precisava ter aqueles papéis.

Segui arrastando William pelos corredores procurando minhas vítimas. Vez ou outra cruzávamos com algum segurança ou funcionário, os quais eu imediatamente tirava de nosso caminho. Eu apenas os desmaiava com algum golpe ou os enganava com alguma ilusão. Em respeito à Aredhel, tinha dito a mim mesmo que só mataria alguém quando fosse necessário. Mas aquele lugar parecia um labirinto e minha paciência com os midgardians estava acabando.

William e eu encontramos a nossa primeira vítima, o diretor do filme. Entramos em uma sala, que William chamou de camarim, na qual tinha uma placa com a palavra “Marvel” na porta. Ao entrarmos o homem nos olhou e sorriu para mim.

— Meu amigo! Já está pronto? Mas a apresentação é só mais tarde — o homem dizia despreocupadamente. — Pensei que chegaria aqui fantasiado de algum personagem de Star Wars — riu.

Não pude deixar de sorrir da ingenuidade do pobre homem. Apesar de não entender sobre o que ele falava, ele estava visivelmente me confundindo com o ator. Agarrei-o pelo pescoço de supetão e ele me encarou assustado.

— Eu não sou aquele verme — disse entredentes. — Onde estão os roteiros dos futuros filmes? E onde encontro o meu querido sósia? — ironizei erguendo o diretor do chão.

O homem olhou-me assustado e em seguida gritou por socorro. Em poucos segundos um segurança entrou na sala. Com minha magia arremessei o guarda contra a parede o fazendo desmaiar.

— Não teste minha paciência, diretorzinho. Colabore — sorri cinicamente.

O diretor, apavorado, apontou para uma pilha de papéis em cima da mesa.

— Junte tudo William! — rosnei. — Agora onde encontro o atorzinho? — perguntei calmamente encarando o homem.

Saímos da sala e seguimos por mais alguns corredores. O diretor vinha quieto e pacificamente atrás de mim. Depois de ter visto apenas uma pequena amostra de meus poderes, o homem havia se conformado e nem tentara fugir. Andamos por mais um tempo até chegarmos à frente de outro camarim indicado pelo diretor. Na porta exibia a lista de alguns atores, entre eles, estava o nome do qual eu procurava. Deixei escapar um sorriso de satisfação. Havia um segurança que se aproximou casualmente e, mais uma vez, o fiz voar. Entrei e vi meu sósia sentado tomando bebericando algo em uma xícara. Ele me olhou espantado, boquiaberto. Levantou-se todo sorridente e veio em minha direção.

— Nossa… — olhou-me de cima a baixo. — Você é o cosplay mais incrível que já vi até hoje. Realmente fiel ao personagem. Realista demais, perfeito — murmurou e inclinou a cabeça. — Jesus… É como olhar para um espelho. Temos até a mesma altura! — exclamou estupefato. — Perdoe-me. Eu não o cumprimentei. Você é? — indagou estendendo a mão para mim.

Puxei para frente o diretor do filme, até então escondido atrás de mim. O homem estava trêmulo, olhou para o ator e balançou a cabeça negativamente. O ator olhou para ele com um semblante confuso e depois olhou para mim com um olhar questionador. Eu sorri com malícia.

— Você está enganado. Eu sou o original — meu sorriso se alargou. — Sou Loki de Asgard e vim encarregado com um propósito glorioso. Eu vim por um final definitivo nesses filmes. Eu vim matar vocês! — anunciei com sarcasmo.

Gabi Luz

Escritora, nerd e "moça da informática".