Jamestory – Lembranças [04]

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A espada acendia-se em chamas douradas quando inimigos se aproximavam.

Jaziel era filho do Arcanjo Miguel, o arcanjo guerreiro. Isso explicava o poder e a habilidade em batalha que James possuía. Embainhou a espada e atravessou o portal da Umbra.

Ao chegar do outro lado, um leve cheiro de enxofre já irritava as narinas. Era uma dimensão sombria, estéril, completamente morta, onde só havia fedor e criaturas rastejantes decrépitas. Vez ou outra um destes espíritos imundos conseguia escapar para o plano terreno, onde podiam interagir com o ambiente possuindo um corpo humano. Por mais que em seu plano fossem fracos, davam muito trabalho quando impregnavam-se a um corpo.

Yesh e James andaram por alguns minutos na paisagem devastada, até que avistaram uma casa muito rudimentar. A magia de localização levava até ali. Ao chegar na casa, encontrou um cenário bagunçado. Uma frágil mesa de 6 lugares, cinco cadeiras de madeira, duas delas caídas ao chão. Em uma das cadeiras , com o escoro virado para a parede, estava pendurado um sobretudo, com as bordas rasgadas. Certamente fora deixado para trás para despistar qualquer um que tentasse rastrear seu dono. Em cima da mesa haviam alguns papeis desorganizados, em letras incompreensíveis e símbolos estranhos.

-O que faremos agora? Perdemos o rastro deles. -Disse Yesh.

-Há um outro jeito.

-Qual?

-Clarividência. Posso vasculhar este mundo.

-Esta é uma magia poderosa, que exige esforço. E mesmo assim você verá pouco. Tem certeza?

-Preciso tentar.

James sentou-se na posição de Lotus no chão, desenhou um círculo azul em sua volta. Fechou os olhos e começou a recitar a magia. Enquanto as palavras saíam de sua boca, o círculo brilhou emanando luz azul, e os olhos de James brilharam na mesma cor e intensidade.

-Tem um forte ao norte. Não consegui ver muito mais do que isso.

-Vamos, por aqui.

 

 

 

 

No plano terreno, Lily tentava se acalmar. Ao servir uma xícara de café, derramou o líquido negro pela mesa, pois suas mãos ainda estavam trêmulas. Era exaustivo e desgastante o conflito interno que sofria. Tentar lutar contra a própria natureza é extremamente difícil. Por um lado, os egoístas instintos demoníacos a disseram para fugir, deixar que acontecesse. O importante era se salvar. Por outro lado, seu instinto materno lhe dizia para lutar e salvar Noah. Agora restavam apenas dúvidas, culpa e remorso. Mas era tarde demais.

Jamestory – Mauricio Martins

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Mauricio Souza

Católico, Escritor, Músico & Compositor, RPGista, Universitário, Membro do CLJ e Bad Joke Guy