Nerds de Fé II

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Continuando a série, agora em Nerds de Fé  II, vamos dar um passo a mais para entender a relação entre Fé e Razão.

Este assunto pode ser abordado partindo de diferentes perspectivas, seja metafísica, antropológica, cultural, religiosa, teológica, sociológica e inclusive por ciências exatas, como a física. E ainda, pode adotar mais de uma destas perspectivas, de maneira integrada, formulando uma tese interdisciplinar mais abrangente.

Falar da integração da Fé e da Razão, partindo delas mesmas, pode deixar o assunto um tanto abstrato, e quando não se é acostumado a abstrações, fica difícil entender. Então neste post, vou contextualizar as perspectivas acima citadas para que tenhamos um ponto de partida concreto, da nossa realidade cotidiana, para que se entenda bem o assunto.

A Fé a Razão são atributos, ou faculdades, próprios do ser humano, de modo que são vivenciados diariamente, no agir, pensar e no falar. Em comum acordo entre filosofias e ciências exatas, entende-se que o ser humano é dotado dos sentidos: tato, olfato, paladar, visão e audição; e razão: faculdade de pensar, processar as informações dos sentidos, manifestação linguística e cultural etc.

Porém, historicamente se percebe que o ser humano tem um desejo de transcendência inerente ao seu ser, e isso se manifesta por exemplo na inquietação acerca da morte e do tempo, que nas religiões se transforma em existência após a morte e na eternidade, como percebe-se nos ciclos infinitos de existência de algumas religiões orientais e na vida eterna em Deus própria do Cristianismo.

Ao longo da história, nunca houve nenhuma civilização inteiramente ateia, e ainda hoje não existe. E ainda, desde que se tem registro humano, se tem também relatos de práticas de religiosidade, especialmente de rito fúnebre e de respeito aos mortos.

E ainda, antes das religiões institucionalizadas, como conhecemos atualmente, se recorria a divindades para explicações acerca da vida cotidiana, seja na moralidade, espiritualidade e até questionamentos acerca da origem e finitude humana e do mundo. E isto se percebe nitidamente nas narrativas mitológicas. Mitologia é muito mais do que contos e lendas de deuses e heróis… mas este assunto renderá outros posts específicos.

E quanto às ciências exatas e Deus?

Bom,  muitos físicos afirmam que dada a ordem natural  e harmônica do cosmos e a relação de causa e efeito, não é possível aceitar que o acaso e caos geraram a ordem, é logicamente inconcebível. E ainda, as questões sobre a origem da vida, pois partindo do princípio que energia e matéria não podem gerar vida a partir de si mesmos, de onde surgiu a vida? Então muitos físicos afirmam que é necessário um organizador do universo, como o Demiurgo de Platão, ou o que é mais aceito, Deus, entendido como Causa Incausada, Motor Imóvel e Princípio não Principiado.

Neste post, trouxe uma série de informações de distintas ciências já relacionados, como por exemplo a antropologia associada à cultura, religião e história, ou também o passo da física para metafísica e teologia.

Como a intenção é a de provocar que se reflita sobre o tema, não tenho aqui intenção de esgotar o assunto, ou provar verdades, mas com as informações aqui citadas já servem de provocação para os que pretendem aprofundar o assunto.

O assunto é ainda muito mais abrangente e com muitas especifidades, mas para que se entenda a relação entre Fé e Razão, é importante que se entendam estas noções básicas…

“A fé consiste em acreditar quando está além do poder da razão acreditar. Não é necessário que uma coisa seja possível para que nela se acredite.” (Voltaire)

Abraço!

Eduardo Martins

Seminarista Católico; Acadêmico; Nerd; Jogador e Mestre de RPG. Quando tenho tempo livre, faço mais coisas também!

  • Sheron Vargas

    Queria ver mais disso por aqui! Adorei o texto, boa reflexão 🙂