Redenção – A moeda de troca – 25

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Hel caminhava em direção ao castelo imponente. Meu coração batendo no peito descompassado. A imagem a minha frente parecia sair de um filme de terror, daqueles antigos em que o herói vai até o lugar mais sombrio e medonho para resgatar a mocinha. A mão ossuda de Modgud ainda segurava meu braço fortemente. Graças a armadura que Loki havia me dado não teria marcas arroxeadas em minha pele.

A Rainha dos mortos parou de frente ao portão feito de ossos. Ela virou e a parte caveira dela  olhou para a Guardiã como se desse uma ordem. Rapidamente Modgud me soltou e puxou uma pequena alavanca negra a frente. O portão tenebroso se abriu.

– Entre. – Hel bradou.

Ela passou pelo portão e Modgud fez um sinal para que eu fosse a sua frente. O pátio do castelo ficava cada vez mais tenebroso, apenas iluminado por tochas com chamas flamejantes de um tom azul. Passamos um corredor até chegarmos ao grande salão.

A magnificência do salão me deixou abobalhada. O local muito mais iluminado que o pátio. Hel subiu as escadas negras até chegar ao enorme trono de ossos. Ela se acomodou, cruzou as pernas e apoiou os braços no trono. Suas sobrancelhas erguidas e a expressão um tanto divertida.

– Diana O’connor… – Seu tom me fez tremer – Já fugiu de mim algumas vezes.

Oi? Eu nunca havia visto Hel em toda a minha vida, como haveria de ter fugido dela? 

– Poderia ficar muito tempo contando tantas vezes que sua vida escapou entre meus dedos, porém há uma, que com certeza me deixou decepcionada. Na verdade eu desacreditava que você viria a mim daquela forma, e felizmente não veio. Realmente ficaria desapontada se morresse por uma doença tão boba, graças aos cuidados de Loki você sobreviveu e mais uma vez fugiu de mim.

Meus braços se arrepiaram ao me lembrar de como fiquei doente, e também da viagem astral que tive com Frigga, foi a primeira vez que havia encontrado Helheim e foi onde a nossa corrida para salvar a deusa começou.

– Não estamos aqui para falar de morte, não ainda. – Ela passou as unhas pelos lábios e sua expressão se tornou pensativa – Sei que vocês querem Frigga de volta. Sua alma deveria estar em Valhala, mas a roubei porque sabia que poderia ter algo muito mais valioso em troca.

– E o que seria mais valioso que a alma de uma deusa? – Questionei.

Seus olhos extremamente azuis me olhavam com diversão e insanidade, como se estivesse criando em sua mente uma estratégia perfeita.

– Ora, um colar muito valioso, talvez? – Hel gesticulou para o Brisings em meu pescoço.

Rapidamente meus dedos foram de encontro à jóia e eu a apertei em minhas mãos tentando enscondê-la dos olhos de Hel. O discurso da Rainha dos mortos não estava sendo nem um pouco convincente, havia mais significados em suas palavras do que ela fazia parecer. Olhei totalmente desconfiada para a deusa. Se ela quer o Brisings porque não negociou com Freyja?

– Não há motivos para desconfiar. Eu quero o Brisings, e vocês querem Frigga. – Ela bradou.

– Então porque não aceitou a proposta de Freyja? – Respondi no mesmo tom.

– Não era de meu interesse negociar com ela porque queria conhecer a garota que enganou a morte. – Ela me observou dos pés a cabeça como se tentasse ver algo dentro de mim.

Seus olhos encontraram Modgud um pouco atrás de mim, as sobrancelhas se levantaram como se estivessem se comunicando por olhares. Gostaria de ter Loki por perto, pois sentia que talvez, algo nada amistoso aconteceria.

– Diana… Será que poderia chegar mais perto? – Hel se levantou do trono e estendeu a mão para mim.

Recuei alguns passos, mas Modgud segurou em meu antebraço de forma bruta e me empurrou até a escada negra, perdi o equilíbrio e cai sobre os degraus com um baque. Tentei colocar as mãos para impedir que me machucasse, todavia meu peso só machucou meus pulsos. Minha bochecha contra o chão. Levantei os olhos e econtrei a Rainha dos Mortos de pé olhando para mim.

Ela se abaixou ao meu lado e puxou meu rosto para que olhasse para ela. Suas sobrancelhas erguidas e a testa franzida como se duvidasse que eu fosse real. Ela observou todos os traços de meu rosto e começou a recitar algo na mesma língua que Loki e Freyja costumavam falar:

”Budzenie lodu O krwi

Obudź O krew bogów

Kiedy budzi

Panowanie Wszechrosyjskiego ojca zakończy

A ci, którzy się ich moc

Zasada dziewięciu światów

I chaos będzie rozprzestrzeniać.”

Meus olhos foram ficando pesados ao ouvir aquelas palavras, o corpo dormente. Lutava para deixar os olhos abertos, porém minha visão escurecia. Um barulho ensurdecedor tomou meus ouvidos. Parecia que estava sendo atropelada por um trem.

– Senhora… É ela. – Modgud sussurrou para Hel que mantinha seus olhos cheios de expectativa nos meus.

Um baque fez Hel parar de entoar a canção e olhar assustada para a entrada do grande salão. Suas mãos se apertaram em meu rosto. Meus olhos se fechando.

– Diana!

A voz conhecida gritou por mim. Aquela voz. A voz que tanto amo. Ele está aqui. Lutei para deixar meus olhos abertos, porém a última coisa que ouvi foi o rosnado de Modgud e um tilintar de espadas. A escuridão me arrastou bruscamente e eu apaguei.

Alguns minutos depois…

Uma discussão ao longe me fez franzir o cenho e colocar a mão no rosto para tentar dissipar a maldita dor de cabeça que me infernizava.

– Já lhe demos o que quer, agora deixe-nos ir, maldita. – Freyja rosnou me fazendo recobrar os sentidos.

Senti que estava sendo segurada. Um perfume amadeirado tomou minhas narinas. Haviam mãos. Mãos fortes que me seguravam cuidadosamente.

– O que eu quero e o que eu tenho… Tudo tão divergente.  – Hel disse de um jeito sombrio.

Tentei abrir meus olhos e entender toda aquela conversa esquisita, mas a sonolência me levava de volta a todo momento.

– Já me cansei de seus joguinhos. – Disse a voz.

Hel riu baixinho e melodiosamente.

– Mas acabei de começar a jogar…

O barulho de algo sendo jogado me assustou. Meus olhos se abriram rapidamente. Encontrei Frigga em carne e osso ao lado de Freyja tentando protegê-la das investidas de Modgud. Loki me apertava contra seu peito enquanto corria. Eu queria gritar para que Freyja e Frigga viessem atrás de nós, mas não encontrava minha voz.

De repente vultos pretos tomaram o castelo. Hel em cima de seu trono com uma lança dourada estendida como se desse o aval para que seus servos nos destruíssem. Frigga atingiu Modgud no ombro com uma de suas espadas pequenas e puxou Freyja. Elas começaram a correr até nós.

As manchas escarlate no céu de Helheim ficavam cada vez mais vívidas. Vultos nos perseguiam. Enquanto os outros lutavam contra almas, eu lutava arduamente contra a sonolência que teimava em me arrastar. Loki chegou ao grande pátio escuro e iluminado por chamas azuis. As almas grunhiam e tentavam nos atingir. Alguns Loki’s apareceram atrás de nós, suas gemas verdes me fitavam enquanto investia contra os vultos.

– Não vamos conseguir chegar a ponte a tempo. – Frigga gritou para o deus da trapaça.

– Me diga algo que eu não sei. – Ele rosnou para ela e aumentou o ritmo da corrida.

Naquele momento lembrei-me de Thor e seu imponente mjonir que poderia acabar com todas essas almas malditas apenas com as descargas elétricas do trovão. Puxa, eu adoraria que ele estivesse aqui.

– Freyja! Chame Heimdall. – Frigga gritou para a deusa do amor.

– Temos que chegar a ponte primeiro… – Ela se virou para combater meia dúzia de vultos que a encurralavam.

Olhei por cima do ombro de Loki desesperada e tonta. Uma de suas cópias investia contra vários vultos. Me apertei em seus braços quando, infelizmente uma alma o apunhalou pelas costas. Sua imagem vacilou e sumiu. Suspirei de alívio ao sentir que ele estava ali me segurando.

Olhei para seu rosto sério. O maxilar rígido e os deliciosos lábios comprimidos. Sua testa com um vinco de preocupação. Eu realmente o amo. Maldição como eu o amo. A tontura me tomou novamente. Levantei minha mão e toquei seu rosto.

– Loki… – Sussurrei para ele. – Loki. – Chamei um pouco mais alto. Seus olhos encontraram os meus em meio a tanto caos. Respirei fundo, sentia aquilo me incomodar a muito tempo. Como um incêndio. Cada árvore, cada casa e cada folha queimava dentro de mim a cada dia mais, mas agora eu não me importava, só queria jogar cada vez mais gasolina e queimar junto com tudo o que existe aqui dentro. – Eu… – Puxei seu rosto para que ele olhasse para mim – Eu te amo.

Suas gemas esverdeadas se arregalaram para mim. Eu sabia que meu corpo inteiro queimava por ele, queimava de desejo e amor. Seus lábios tremeram e as narinas se inflaram. A tontura me tomou de novo e dessa vez mais forte do que antes. Eu ia apagar.

– Freyja! Frigga! – Loki gritou – Por aqui.

Elas o seguiram. Loki me apertava cada vez mais em seus braços. Saímos do pátio. Não haveria tempo para chegar a ponte. Vultos e mais vultos tentavam nos encurralar. Um barulho ensurdecedor me atraiu a atenção.

– Vamos! – Loki gritou para elas. Ele subiu rapidamente um pequeno morro e lá embaixo uma luz incandescente feria meus olhos.

Ele ia… Ah essa não.

– Loki não… – Frigga disse em desespero.

– Não há tempo, temos que ir agora ou seremos trucidados pelos servos de Hel. Quer ficar aqui e tentar matar aquilo que já está morto? – Ele rosnou para ela.

– Não… – Sussurrei para ele.

– Shhhh… Vai ficar tudo bem! – Ele sussurrou para mim de volta – Agora!

Loki, Feyja e Frigga pularam dentro da luz incadescente no chão de Helheim. Foi tudo tão repentino que não consegui sequer gritar. Sabia que Loki estava me segurando, porém as cores do arco íris da Bifrost não me deixavam olhar para ele ou para qualquer coisa ao nosso redor.

A luz explodiu em pequenos fragmentos coloridos e de repente tudo se tornou negro e frio, extremamente frio. Abri meus olhos. Loki e as duas mulheres se encontravam desacordados ao meu lado, seu braço agarrava minha cintura de forma possessiva. Uma nevasca impedia minha visão. O vento uivava e chicoteava meu rosto. Onde estaríamos agora?

Cena pós-crédito

                                                      Hel

Meus servos se dissiparam de minha sala. Sentei-me no trono e observei a jóia dourada em minhas mãos. O Brisings só era mais um peão em meu jogo.

– Por que deixaste eles partirem, senhora? – Modgud questionou raivosa enquanto estancava o sangue escarlate do ombro.

Suspirei ainda brincando com a jóia em minhas mãos. Nem Modgud e nem ninguém poderia entender o que iria acontecer, e felizmente ninguém saberia o que iria acontecer até que chegasse a hora.

– Aquiete-se Gurdiã, eu tenho tudo sob controle. – Disse para ela sorrindo.

– Mas a senhora não conseguiu o que queria e… – Modgud ralhou.

Levantei-me do trono e segui para fora do Grande Salão. O pátio de meu castelo mostrava sinais de luta. Tochas apagadas e pó de almas se reintegravam do chão. Não conseguia segurar o sorriso ao ver que as peças do meu xadrez caminhavam. A rainha esperando para dar o seu grande xeque.

– Eu já consegui o que queria… – Sussurrei para mim mesma enquanto observava o caos que nascia dentro de Helheim e futuramente nos nove reinos.


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Karol

Jovem com alma de criança. Cabeça nas estrelas, pés no chão e olhos no céu. Escritora amadora nas horas vagas e sonhadora em tempo integral.