Redenção – Epílogo – 51 | [Minha Redenção]

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– Fico feliz que ela tenha escolhido ficar. – Frigga sussurrou para Loki enquanto os dois observavam Diana na parte de baixo do terraço.

A morena mantinha os braços em cima do parapeito e seu rosto virado para o horizonte de Asgard. Ela parecia pensativa, presa no mundo particular de suas dores. A deusa estava extremamente preocupada com sua filha de consideração, mas sabia e sentia que ela passaria por aquilo de cabeça erguida.

– Eu também. – Loki sussurrou de volta.

– Ela precisa de você, filho. Ela precisa de você mais do que nunca.

O deus da trapaça assentiu para a mãe. Ele sabia disso e faria de tudo para tê-la de volta. Infelizmente, depois de tantos momentos terríveis que Diana passou, ela não seria totalmente a mesma que pisou em Asgard, a mesma com a língua petulante e o sarcasmo ácido que só ele conhecia bem e sabia apreciar. No entanto, ele faria de tudo para trazê-la de volta e aceitá-la com as cicatrizes que agora a faziam o que é.

– Por que não me contou? – Loki questionou a loira. Frigga sabia que ele se referia ao bebê.

Ela engoliu em seco. Também não havia superado a forma com que seu neto que nem havia nascido tinha sido tirado de seus braços. Hela passou dos limites assim que tocou em Diana para sacrificar mais uma parte da filha. Que tipo de mãe faria aquilo por uma vingança? A deusa estremeceu ao pensar naquilo. Ela nunca encostaria um dedo em um bebê para saciar sua sede de vingança.

– Eu queria contar, mas isso não cabia a mim. Era totalmente o direito de Diana lhe dizer. Acredito que ela tinha tomado coragem em algum momento, porém fomos interrompidos.

O amargo gosto do ressentimento que a loira ainda levava da deusa da morte lhe subiu à língua.

Loki suspirou novamente. Aquele também era seu filho. Ele nunca tinha imaginado que um dia seria pai, nem também havia sequer pensado que amaria alguém de uma forma tão avassaladora como agora ama Diana. Sempre pensou que aquilo era fraqueza, que Thor não passava de um bobo enfeitiçado por um par de pernas e um bonito cabelo cor de caramelo de Jane.

Ele riu ao pensar naquilo, estava completamente enfeitiçado por um par de pernas extremamente bonitas e forte e um lindíssimo cabelo cor de chocolate com pontas enroladas. Os olhos expressivos, os lábios cheios que viviam eternizados em um sorriso irônico. Como ele sentia saudades de beijá-la e tomá-la em seus braços. Estava sendo paciente, Loki havia sido instruído desde pequeno que era necessário desenvolver o dom da paciência, porém o desejo incessante que sentia por Diana não colaborava com os ensinamentos de Frigga.

– Acredito que sim, era o direito dela. Eu entendo a dor que ela está passando e tenho esperado. – Loki disse.

Frigga sorriu com aquilo. O seu sonho era ver seu filho usando seus dons de paciência em algo tão bom e recíproco quanto o amor que sentia por Diana. Ela sabia, que no futuro ele estaria um tanto mudado, mas nunca descobriu que uma garota seria a razão de tanta luta.

Loki apertou a mão da mãe e se afastou dela, desceu as escadas e se aproximou da silenciosa morena, apreciando a vista que somente o palácio dourado proporcionava. Ele sentiu que ela enrijeceu de leve ao seu lado, porém quando seus olhos encontraram os dele, ela visivelmente relaxou. O deus da trapaça entendeu a reação naquele momento, porque Diana ainda estava em alerta. Todos ainda estavam naqueles dias que se passaram. A guerra muda as pessoas.

– Uma joia por seus pensamentos. – Loki disse atraindo a atenção de Diana.

Ela sorriu levemente ao ouvir aquilo. O coração de Loki retumbou no peito, ele tinha sentido falta daquele sorriso também.

– Só estou pensando o quanto essa paisagem é bonita, sempre achei isso desde que cheguei. – Ela disse baixinho.

Diana se sentiu um tanto estranha conversando. Ela passou os dias no quarto refletindo sobre tudo o que aconteceu e quanto estava se sentindo mudada por dentro. As comemorações em Asgard eram estranhas após uma guerra, eles estavam festejando há dias. A morena não se sentiu confortável para aparecer em todos os dias de comemoração e muito menos para conversar com outra pessoa que não fosse Loki, Frigga e Jane. E mesmo assim, ela não passava muito tempo acompanhada deles.

Loki assentiu para ela. Ele queria tomar suas mãos e levá-la dali, prendê-la em seus braços e tirar tudo que lhe afligia para que voltasse a ser quem era ante. Diana suspirou, ela também sentia falta de Loki desesperadamente, porém percebeu que deveriam ser pacientes, ir com calma. Ela tinha medo de perdê-lo novamente.

– Você sabe que não vai me perder, não é? Eu não a deixei antes e não vou deixá-la agora. – Ele disse como se tivesse lido seus pensamentos.

Diana engoliu em seco. Seu choro travou na garganta. Ela o queria ardentemente, mas tinha medo, receio, suas mãos tremiam e a cena dele morrendo em seus braços sempre lhe voltava a memória como um lembrete do que havia feito. Ela balançou a cabeça de leve. Estava agradecida por ter ouvido aquilo e por ter Loki ao seu lado agora que mais precisava. O pontinho de luz que vivia dentro dela morreu, mas ainda tinha em quem se segurar, ainda havia braços para descansar.

– Por que não me contou sobre… – Loki se interrompeu.

Diana sabia que ele falava do bebê. Sua garganta se inchou.

– Eu ia falar… no baile e então…

Loki apertou os punhos reprimindo seu ódio. Hela havia levado seu filho e o feliz momento em que Diana revelaria. Nunca iria perdoar a maldita deusa da morte por ter tirado de si a felicidade que mal chegou a tocar.

Allya andou pelo pátio do reino e atraiu a atenção de Diana. Ela olhou para Loki e percebeu que ele olhava para o mesmo lugar. Ele se lembrou de que quando segurou Diana e a descansou em um lugar seguro, voltou para o salão e Allya estava entre os braços do pai morto com sangue em seus cabelos e no rosto. Ela chorava baixinho enquanto cantava uma conhecida canção de soldados em Valhala. Ele fez de tudo para ajudá-la, a tirou dali mesmo com muitos esforços enquanto a menina sussurrava que era sua culpa, que ela havia matado o próprio pai.

Naquele momento, Loki descobriu como Diana estava se sentindo e percebeu que deveria ser paciente com ela, precisava lhe dar o tempo que merecia assim como necessitava da ajuda dela com Allya. A menina era tão pequena e frágil, eles precisavam ajudá-la, precisavam cuidar dela.

– O que aconteceu com ela? – Diana disse ao ver o quanto a menina parecia perdida dentro de si. O mesmo sentimento era compartilhado por ela.

Diana a viu nos funerais coletivos que fizeram em Asgard para todos os seus mortos, ela levou flores para o pai e ficou agarrada ao barco dele até quando a tiraram de lá para finalmente despacharem todos os que estavam ali e logo após lançarem flechas com fogo. Os asgardianos acreditavam que o fogo poderia purificá-los e exterminar a dor em seus corações.

Allya havia perdido o pai. Uma menina tão pequena participou de uma guerra daquele porte e perdeu o patriarca, a pessoa que ela mais se agarrava após a morte da mãe doente. Diana se sentiu mal ao perceber que se fechou somente para sua dor enquanto tantos outros sofriam em diferentes graus.

– Sif disse que ela enfiou a espada no peito do pai antes que você pudesse quebrar o brisings, logo que saiu do transe, já não havia como salvá-lo. – Loki disse com pesar em seu coração.

Diana reprimiu um grito de ódio. Aquilo tudo havia acontecido por causa de uma vingança. Ela sabia como Allya estava se sentindo, porém Naveen não tinha poderes e estratégias como Loki para escapar da morte. Algo em seu peito queimou, ela não poderia se esconder ou deixar sua dor reprimi-la até o fim. Loki e Allya, e principalmente Allya precisavam dela. A luta nunca terminaria, porém Diana teve a plena certeza que eles encontrariam a paz que tanto desejavam.

– Ela precisa de você. – Loki disse.

Diana assentiu e buscou a mão dele. Seus olhos queimaram de força de vontade. Seu coração parecia ser renovado. Ela não pôde segurar o filho nos braços, mas ainda tinha Allya que precisava de um pai e de uma mãe. Diana olhou nas duas gemas cor de esmeralda de Loki e teve a certeza de que Allya precisava deles dois.

***

Estrondosos aplausos tomaram o salão de baile. Thor beijava Jane de forma cinematográfica. Diana sorriu ao ver aquela cena. Pétalas de flores eram jogadas por todo o lado. Finalmente os dois estavam casados. Lágrimas escorreram de seus olhos ao ver o sorriso de Jane e o quanto Asgard estava feliz pelo deus do trovão e sua midgardiana.

Eles começaram a dançar animadamente entre os convidados e assim a animação foi passada para todos eles. Até Odin e Frigga dançavam e sorriam. Tudo estava tão animado. Uma pontinha de receio estava no coração de Diana, parecia que toda vez que estavam felizes, algo aparecia para arrancá-los de seus dedos.

Sif e Aaron dançavam enquanto riam e se beijaram. Diana sorriu para aquela cena.

Ela levantou os olhos e encontrou Loki a olhando intensamente. Suas mãos logo secaram as lágrimas do rosto e ela sustentou o olhar. Ele parecia ensandecido. Era quase palpável o desejo que os dois sentiam e a saudade. Loki estava sendo paciente e esperando pela decisão de Diana para voltar a se encaixar entre seus braços.

O deus da trapaça se aproximou e percebeu que a morena entreabriu os lábios. Suas mãos escorregaram devagar pelos ombros dela e foram de encontro às mãos de Diana. Ela fechou os olhos e aproveitou o carinho que a tanto tempo não sentia.

Ele a puxou para mais perto. Suas mãos subiram para o rosto dela e então os narizes se roçaram. Diana quebrou a distância entre os dois e beijá-lo naquele momento havia sido como a primeira vez que sentiu os lábios finos de Loki nos dela. Explosões, constelações e o sentimento de saber exatamente onde pertencia a tomou novamente. Ela quebrou o beijo deixando Loki atônito e começou a puxá-lo para longe dos convidados. Diana correu e sorriu, um riso escapou de seus lábios. Loki sentiu fogo crescer dentro de si ao vê-la sorrir daquele jeito, ainda havia esperança. Sua Diana ainda estava ali.

***

Diana’s pov

Eu bati a porta do quarto de Loki com força. Suas mãos foram direto para minha cintura e eu ri. Ele me prensava contra a porta dourada e eu só conseguia ouvir o som de sua respiração que mais parecia a mais bela orquestra sinfônica. Estava louca por ele, louca de saudade. Não podia deixar que meu coração me fizesse afastar de onde eu pertencia e de onde encontraria paz.

Era nos braços dele que eu me sentia mais forte, bem e em paz. Em nenhum outro lugar. Loki parecia ser o sol que recarregava minhas energias. Uma energia pura e limpa que só ele poderia me dar. Nada e ninguém me traria sensações como aquelas. Meus pelos se arrepiaram ao sentir seus lábios em meu dorso.

Puxei seus cabelos e colei meus lábios no dele e como na primeira vez, Loki me ergueu em seus braços e eu enrolei minhas pernas em sua cintura. Minhas mãos passearam por seu corpo assim como as dele no meu. Nós pertencemos um ao outro. Havia entre nós uma conexão tão mágica que a cada movimento que nossos dedos faziam nossos pelos se arrepiavam.

Eu me deleitava em seus beijos e na forma que seu corpo reagia ao meu. Ele me levou para a cama e me jogou entre os conhecidos lençóis negros. Aquela era sempre minha parte favorita. Loki se levantou e retirou a camisa me fazendo arquejar ao olhar para ele. Eu o adorava.

Seu rosto desceu e nossos narizes se encostaram. Quebrei a distância lhe envolvendo com um beijo ardente e saudoso. Nada se comparava a tê-lo assim, entregue em meus braços. Nada se comparava ao amor que explodia entre nós e nos envolvia em sua aura. Eu sou dele e ele é meu.

***

Sorri ao sentir o nariz de Loki roçar em minha nuca. Virei-me para ele e acariciei seu rosto. Lembrei-me de como me senti quando o vi ajoelhado diante de mim demonstrando que me amava. Loki nunca faria aquilo por ninguém, mas por amor a mim ele fez. Ele disse que eu era a redenção dele, mas desde o dia em que nossos olhos se encontraram eu senti meus joelhos se renderem a ele e meu coração saltar ao perceber que seríamos, não somente eu e ele, mas sim nós.

– Diz de novo? – Disse para ele.

Loki sorriu e franziu o cenho.

– Dizer o quê? – Ele sorriu.

Loki sabia o que eu estava falando e pedindo. Seus olhos possuíam um brilho malicioso e divertido. Fiz uma cara de quem dizia: por favorrrrrr. Loki suspirou e enfiou seu nariz entre meu pescoço. Sua voz me trouxe arrepios por todo o corpo.

– Você é minha redenção. – Ele sussurrou.

Eu ri de leve com a cócegas que fez ao falar. Afastei meu rosto do dele para olhar em seus olhos.

– Sempre soube que eu iria ganhar. – Disse com um sorriso vitorioso nos lábios.

Loki revirou os olhos e apertou seus braços em minha cintura. Soltei uma risada leve e aproximei meus lábios do dele. Era sempre um prazer inenarrável beijá-lo.

– Meu coração se rendeu a você desde o dia em que eu fui presa por engano e meus olhos encontraram os seus naquela maldita cela. – Disse verdadeiramente. – Portanto, você é a minha redenção. A primeira e a única.

Loki me olhou intensamente. Suas mãos se apertaram mais em minha cintura e ele juntou a testa na minha. Meu coração martelava. Ele soltou minha cintura e pegou uma mão minha e a colocou junto a dele em seu peito. O coração dele batia na mesma sincronia que o meu.

– Eu te amo. – Sussurrei para ele.

Loki fechou os olhos. Um leve sorriso tomou seus lábios. Eu sabia o quanto ele desejava ser amado, desde um menino. O deus da trapaça era grato por ter o amor de Frigga, mas sempre quis mais e eu pude dar isso a ele. Meu coração se alegrou e encheu-se de orgulho por eu, mesmo sendo um brinquedo quebrado, poder fazer alguém se sentir amado e especial.

– Eu também te amo, midgardiana insolente. – Abriu os olhos e sorriu.

Puxei seu rosto para o meu e colei nossos lábios. Sua mão se soltou da minha e ele me apertou mais forte ainda como se quisesse se fundir a mim. Ele é meu e eu dele, nada mais iria nos separar e nos tirar de nossa aura. Loki me puxou mais para si e me prensou entre seus braços na cama. Suspirei.

Ele trilhou beijos pelo meu rosto e pelo meu corpo. Em momento algum eu me sentia mais amada como naquela hora. E então eu percebi que aquela era a história de uma astrofísica, midgardiana, mestiça, insolente e um deus trapaceiro que fez escolhas erradas e depois muitas escolhas certas. Éramos a redenção um do outro.

Aquela era a história de dois seres que precisaram ouvir seu coração e se render ao amor para usufruir do destino que os aguardava. E Deus, como eu queria aquele destino ao lado de Loki, ao lado de minha redenção.

Karol

Jovem com alma de criança. Cabeça nas estrelas, pés no chão e olhos no céu. Escritora amadora nas horas vagas e sonhadora em tempo integral.