Redenção – Fora de controle – 29

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Pov Autora.

Jane Foster costumava não gostar muito de tempos chuvosos, desde que viu Thor pela última vez e passou por toda aquela loucura juntamente com Loki. Após ser deixada aqui sem alguma explicação e nunca mais ter ouvido notícias de seu amor asgardiano, Jane decidiu que voltaria a se concentrar nas coisas que realmente importavam em sua vida.

Um relâmpago cruzou o céu escuro, enquanto ela dirigia o carro, fazendo com que seu coração saltasse em uma animação antiga. Sua casa a alguns metros de distância. Ela torceu o nariz e aconselhou a si mesma para que esquecesse o que viveu com Thor e deixasse de lado aquela pontinha de esperança de que um dia ele voltaria para vê-la e explicar tudo que aconteceu.

Jane costumava pensar que se visse Thor em carne e ossos iria surtar, talvez pegar o maldito mjonir de suas mãos e lhe dar umas boas marteladas na cabeça por deixá-la aqui totalmente sem respostas e sozinha. E como estava se sentindo sozinha ultimamente.

Ela estacionou a pequena caminhonete na frente da casa nova, um tanto rústica, no Novo México. Pegou suas pastas, a chave e bateu a porta rapidamente esperando não molhar toda sua pesquisa. Correu em direção a pequena escadinha e subiu rapidamente até chegar à soleira da porta. Ao pegar a chave para enfiar na tranca da porta, percebeu que a mesma estava entreaberta. Jane respirou fundo e apoiou suas pastas no beiral da janela ao lado da porta. 

Avistou um guarda chuva preto encostado na soleira e o segurou firmemente. Abriu a porta e sentiu que a maçaneta estava absurdamente gelada, como se estivesse congelada. Ela empurrou a porta e entrou encontrando tudo extremamente quieto e escuro. O assoalho da sala com uns pingos d’água. O coração de dela deu um solavanco e sua mente gritou: será que Thor voltou? 

A pequena Jane andou com o guarda chuva para cima como se tentasse se defender de algo, sua mão esquerda tateando a parede para não cair estatelada no chão como uma garotinha indefesa. De repente o barulho de uma respiração fez com que congelasse no local e soltasse uma espécie de ameaça:

– Quem quer que seja, apareça! Eu estou com um guarda chuva e não tenho medo de usá-lo! – falou em alto e bom som.

Uma risadinha divertida vindo do centro da sala fez com que Jane corresse com o guarda chuva/arma para a porta da cozinha. Felizmente a mulher não caiu nessa corrida e fez uma nota mental para agradecer a adrenalina em seu corpo por isso. Encontrou o interruptor e acendeu a luz da cozinha fazendo com que os feixes iluminassem um pouco a sala de estar. Havia alguém sentado em sua poltrona. Uma silhueta feminina encapuzada cobrindo os olhos da luz como se fosse um vampiro.

– Não! Apague a luz! Eu… Não quero que se assuste. – Ela disse com um tom cansado na voz.

Ainda congelada na frente da porta da cozinha, Jane sem querer apertou o botão do guarda chuva e ele se abriu num solavanco.

– Quem é você? O que quer comigo? Se quiser pode levar a carteira, mas não me machuque… – Jane disse em desespero.

– Eu não quero lhe fazer mal… Na verdade eu preciso de sua ajuda. – disse Diana se levantando.

Jane abriu a boca em um pequeno ”o” ao observar Diana. A moça estava ensopada da cabeça aos pés. Quando ela se levantou, o capuz de sua blusa cinza caiu revelando o emaranhado de seus cabelos castanhos. Jane soltou um arquejo de surpresa e medo ao observá-la. Sua aparência decadente como se não dormisse a dias e seus medonhos olhos… Vermelhos.

– Preciso de sua ajuda para… Para abrir a Bifrost. – Diana revelou.

Pov Diana.

– Aqui está seu chá! – Jane disse me entregando uma xícara com alguns desenhos de coração.

– Obrigada! – agradeci e peguei a xícara já bebericando o líquido quente.

Jane ficou um tempo com seu guarda chuva ou arma como ela disse antes, apontado para mim enquanto eu explicava o que houve comigo em Asgard. Ao ouvir o nome de Thor percebi que as defesas da moça começaram a cair, e após ter terminado  de contar tudo o que aconteceu, ela sugeriu que nos sentássemos e que eu contasse o que estava havendo comigo e meus olhos vermelhos.

– Depois que voltei para a Terra, as coisas ficaram… estranhas – disse olhando para minhas mãos que insistiam em ficar em um tom azulado quando me sentia nervosa. – Eu tentei voltar para minha vida antiga. Tentei voltar a dar aulas, mas tinha alguns sintomas estranhos.

”No começo, eram apenas dores no corpo e febres durante a noite. Depois os pesadelos começaram. Eu sabia que estava sonhando, mas não conseguia me controlar. Sempre voltava ao momento em que eu e Loki fomos pegos e eu estava lutando. Toda manhã quando acordava tinha algo quebrado ou congelado.
Alguns dias atrás estava dando aula e uma garota me fez perguntas sobre novas galáxias e criaturas de outros planetas me deixando um tanto… nervosa. Meus músculos começaram a doer assim como minha pele, como se as runas estivessem sendo tatuadas à fogo em minha pele. Disse que precisava de um minuto e corri para o banheiro me trancando em uma das cabines. 

Minha pele começou a ficar azulada e cheia de runas e eu entrei em desespero. O famoso ataque de Smurf como eu carinhosamente apelidei. Acho que foi isso que piorou as coisas porque quando toquei numa parte da cabine ela congelou, e quando eu ia começar a surtar mais ainda por estar fazendo um cosplay de Elsa , ouvi a conversa de umas alunas de outra sala falando sobre a palestra do Dr. Eric Selvig e me lembrei de sua entrevista na TV. Lembrei que você havia mencionado ele ao responder algumas perguntas e então eu percebi que tinha alguém que pudesse me trazer até você. ”

– Com essa oportunidade forcei-me a me acalmar e saí do banheiro à procura do Dr. e assim consegui seu endereço. Me desculpe por te assustar assim, eu realmente não quis parecer um… sei lá, uma assassina que invade a casa das pessoas – soltei uma risadinha ao terminar.

– Ahn… – Jane piscou os olhos freneticamente – Só não entendo como posso te ajudar, Diana. Como posso abrir a Bifrost se nem faço ideia de como ela funciona?

Mordi meus lábios e respirei fundo pensando em tudo o que já havia estudado. Minha mente, de repente, deu um estalo e me lembrei de que poderia haver algo que nos ajudasse e muito.

– Eu tenho a impressão de que as respostas estão em meu apartamento, mas ainda assim precisarei de sua ajuda. Sabe o que dizem, não é? Duas mentes pensam melhor que uma – disse bebericando meu chá.

– Em seu apartamento? – perguntou com a voz doce e delicada.

– Sim! Gosta de New York, Jane? – disse sorrindo.

Empurrei a porta de meu apartamento e entrei. Fiz uma mesura para que Jane passasse por lá também. Alguns papéis em cima da mesinha de mogno me chamaram atenção. A cozinha estava da mesma maneira que havia deixado ao sair.

– Sinta-se se à vontade, Jane – sorri para ela e a mesma me devolveu o sorriso indo se sentar no meu pequeno sofá cor de creme.

Passei pela cozinha e um feixe de luz vermelho no chão me chamou atenção. Observei toda a extensão embaixo da cadeira encostada ao balcão, mas não vi nada. Dei de ombros. Jane soltou um gritinho agudo e fino.

– Ei? O que aconteceu? – levantei minha cabeça a fim de ver o que havia acontecido.

– Escorreguei em uma pequena pista de gelo – Jane apontou para o chão e soltou uma risadinha.

Soltei um sorriso amarelo e dei de ombros como se estivesse me desculpando. Avisei a ela que iria pegar o que precisávamos lá em cima. Subi para meu quarto e encontrei a antiga chave embaixo de minhas lingeries. A peguei e fui abrir a gaveta de meu criado mudo. Sim, eu trancava aquela gaveta por ter muitas pesquisas. Pesquisas que poderiam revelar muito sobre novas galáxias que um dia eu descobri, porém não contei a ninguém. Você deve estar se perguntando o porquê de ter deixado muita informação em sigilo. Pode ter sido um erro, mas não me arrependo, afinal isso faz parte de meu passado junto com aquele maldito…

– Diana? – Jane me chamou lá embaixo.

– Sim?!

– Sua campainha está tocando…

– Ah merda! Tudo bem… Estou indo – fechei novamente a gaveta e levei a chave junto comigo.

Desci as escadas de dois em dois degraus. Jane se encontrava encostada perto do balcão observando alguma coisa.

– Ei… Não querendo ser curiosa, porém já sendo… O que tem nessa carta? – perguntou.

– Não faço a mínima ideia. O porteiro me entregou semanas atrás e eu a abri, mas não tem nada escrito nela…

– Na verdade, Diana… Tem… – Jane me olhou em desespero.

A campainha tocou incessantemente.

– O que tem nela, Jane? – fui até a porta e a destranquei.

– Está escrito…

Puxei a porta ainda olhando para Jane.

HAIL H.Y.D.R.A. – Ela disse ao mesmo tempo que ele.

Lá estava parado a minha porta com seu costumeiro sorriso debochado.

Ele apoiou uma das mãos na porta como se a qualquer momento fosse empurrá-la. Sorriu para mim e observou dentro de meu apartamento. Soltei um arquejo de surpresa. O que ele estaria fazendo ali? Meus batimentos cardíacos se apressaram, minhas mãos começaram a suar e o conhecido frio se instalou em minha espinha. Respirei fundo tentando me acalmar, pois sabia que a qualquer momento meu surto de Smurf começaria. Apertei a pequena chave na palma de minha mão e a escondi atrás de mim rapidamente.

– Não vai me convidar para entrar, anjo? – Ele disse para mim.

Tho… Thomas?! – Sussurrei.

Karol

Jovem com alma de criança. Cabeça nas estrelas, pés no chão e olhos no céu. Escritora amadora nas horas vagas e sonhadora em tempo integral.