Redenção – Não faça mais isso! – 40

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Estava acordada há um tempo. Mais um maldito pesadelo me fez acordar num pulo e achar que estava em perigo, contudo quando olhei para meu lado esquerdo uma criatura incrivelmente linda dormia profundamente e da forma mais serena possível.

Os cabelos dele caíam nas costas fazendo contraste com a pele branca. As costas definidas estavam descobertas pelo lençol negro. A luz do sol entrava pela varanda iluminando o rosto dele. Seu nariz fino e lábios estreitos, definitivamente, eram as coisas que eu mais gostava. Principalmente os lábios.

Loki parecia completamente indefeso ali deitado. Sempre achei que dormir ao lado de alguém era uma atitude de muita confiança, pois acredita-se que a pessoa que está ali compartilhando a cama com você não vai te matar ou lhe fazer mal algum, apenas aproveitar o momento de paz contigo. O peito dele subia e descia devagar. Olhei ao redor. Eu não deveria ter feito isso, e muito menos aparecido aqui ontem a noite… na verdade, não faço ideia do que pensar. Tempos atrás eu achava que deveria ter algo com Bucky, mas… nunca me pareceu certo.

Passei a mão por meu rosto para afastar aqueles pensamentos malucos. Loki ainda ressonava ao meu lado. Será que se eu me levantasse ele iria acordar? Me remexi devagar na cama e o homem ao meu lado nem se mexeu. Coloquei os pés pra fora da cama e encontrei o carpete do quarto. Dei pequenos passos até a ponta da cama encontrando lá os trapos que um dia fora meu robe. Maldito seja esse asgardiano, eu não tenho roupas para sair daqui.

Andei até as poltronas perto da lareira. Do lado de fora um silêncio constante. Ainda deve ser cedo. Me aproximei de uma das poltronas e encontrei uma cota verde. Meus olhos brilharam. Mesmo que fosse cedo eu não poderia sair do quarto de Loki completamente nua. E se os guardas me vissem? E se Frigga aparecesse?

Peguei a cota e rapidamente cobri meu corpo. Olhei por sobre o ombro e Loki continuava ressonando na cama. Será que estava fazendo certo em escapar dali? Certamente eu não deveria ser tão impulsiva assim, porém me sinto insegura. Ele havia dito que me ama, porém acabamos de chegar aqui, e acabamos de passar pouquíssimo tempo juntos. Eu precisava me afastar dele até minhas lembranças voltarem e assim saber onde meu coração pertence.

As mangas da cota verde cobriam minhas mãos e tinha que ficar puxando elas a todo tempo. Passei pelo pequeno corredor até a porta dando pequenos pulinhos para chegar até a saída mais rápido. Assim que coloquei minhas mãos na maçaneta e a girei olhei novamente sobre o ombro. Loki continuava em sua quietude e paz. Fechei os olhos e fiz uma careta. Eu deveria voltar? Balancei a cabeça em negação.

– Droga! – Sussurrei – Me perdoe, Loki!

Coloquei os pés no chão gelado do corredor e fechei a porta dourada do quarto. Virei-me para as escadas e as desci rapidamente. O corredor, felizmente, estava vazio. Entrei em meu quarto e suspirei de alívio. Encostei-me na porta e fechei os olhos tentando raciocinar pelo menos por alguns minutos.

A noite de ontem havia sido incrível e também totalmente maluca. Por que diabos eu havia cedido tudo aquilo? Minha mente estava um caos completo, mas meu corpo sabia muito bem o que queria. Eu não tinha lembranças de amar Loki, mas meu coração palpitava ao vê-lo e as palmas de minhas mãos suavam como uma adolescente vendo o garoto que gosta nos corredores da escola.

– Eu tô… completamente ferrada. – Bati de leve a cabeça na porta.

Me afastei e andei até o pequeno banheiro. O dia estava apenas começando e com certeza alguém viria aqui. Até mesmo Loki viria aqui… Droga. Será que ele me procuraria? Entrei no pequeno cômoda. Na parede esquerda havia um amplo espelho. A cota verde de Loki cobria meu corpo. Fiz uma pose engraçada.

– Até que eu ficaria bonita se usasse uma cota assim. – Sorri para o espelho e coloquei as mãos na cintura.

Balancei a cabeça negativamente para mim mesma.

O que você está fazendo, Diana? Parece até uma criança. Costumava ser mais séria – disse para a minha imagem no espelho.

Arrumei a cota novamente em meu corpo.

Encontrei a pequena torneira perto da banheira. Fiquei surpresa, e feliz, ao encontrar algo parecido com a Terra. Assim que meu banho estava pronto, larguei a cota e entrei. Fiquei lá até a água esfriar e meus dedos enrugarem apenas pensando nos últimos acontecimentos e principalmente em meu envolvimento impulsivo com o moreno.

Uma batida na porta fez com que eu me assustasse. Levantei-me rapidamente da banheira e saí a procura de uma toalha. Eu tremia de frio. Será que era Loki batendo em minha porta para me questionar?

Quem é? – Gritei enrolando a toalha no corpo e tentando pegar minha mala e achar algo pra vestir.

A pessoa que estava na porta bateu novamente e dessa vez de forma impaciente. Meu sangue gelou nas veias. Com certeza era Loki.

Ah… merda, merda e merda! – Larguei a toalha no chão e corri para a mala. – Tô indo!

Puxei o zíper rapidamente e peguei uma blusa larga. Uma calça jeans era a primeira coisa embaixo da blusa então a peguei e coloquei as roupas de forma desesperada. Meu cabelo parecia um ninho de pássaro, porém não havia nada que eu pudesse fazer no momento. A batida na porta ficou cada vez mais impaciente.

Diana! – Uma voz feminina gritou do outro lado.

Levantei minha cabeça e olhei pra porta. Não era Loki. Suspirei de alívio e puxei a calça para que ela subisse mais rápido. Fechei seu zíper e o botão. Me aproximei da porta e a abri. Jane estava lá com seu sorriso costumeiro. A moça vestia um belo vestido cor de oliva. Ele desenhava suas curvas, era frente única e deixava os braços desnudos. Por que diabos ela estava tão bem arrumada? Sorri para a moça e larguei a maçaneta da porta. Olhei pelo corredor e não havia mais ninguém.

– Bom dia! – Me disse.

– Oi! – Sorri para ela ainda observando o corredor.

A porta do quarto de Loki era de frente para o meu, e se de repente ele abrisse aquilo e me visse? Jane tagarelava algo que, definitivamente, eu não estava ouvindo. Peguei minha amiga pelo braço e a puxei para dentro do quarto. Fechei a porta.

– Ai meu braço… – Jane reclamou e se virou para mim – Pra que tudo isso?

Virei-me para minha amiga e suspirei.

– Jane! – exclamei – O que faz aqui? – perguntei sorrindo, tentando esconder o nervosismo em minha voz.

Jane franziu o cenho e me olhou de cima embaixo. Ela se virou e olhou para o quarto.

– Puxa! Esse quarto é bem legal! – Jane olhou ao seu redor – Eu só vim aqui pra te chamar. Nós vamos tomar café e… – Jane parou e olhou para o banheiro – Ei! O que é aquilo verde no chão?

Meus olhos se arregalaram e eu corri para minha amiga ainda tentando disfarçar o nervosismo.

– Nada! – disse entrando em sua frente para que ela não fosse até o negócio verde no chão – Onde será o café da manhã? – Mudei de assunto.

Jane levantou as sobrancelhas desconfiando de toda minha falsa animação. Ela tentou olhar por sobre meu ombro, mas eu me levantei um pouco e entrei em seu campo de visão e sorri.

– O que acha de me ajudar a escolher uma roupa pra tomar café? – Chamei sua atenção.

– Acho que está bem assim. Ninguém vai se importar com uma mera calça jeans. – Jane deu de ombros. Ela havia esquecido o assunto antigo.

– Ótimo! Então vamos, pois estou faminta. – Suspirei de alívio arrastando minha amiga para perto da porta.

Um par de tênis estava por ali. Os calcei rapidamente e então saímos pelo corredor. Passei por ele rapidamente ainda desconfiada e nervosa. O medo de encontrar Loki no café da manhã era maior do que encontrá-lo por ali.

Já sentadas à mesa me aproximei de Jane para lhe falar. As serviçais que traziam as comidas me olhavam de cima a baixo com uma expressão de estranheza. E sem contar que no caminho inteiro os guardas me fitavam como se eu estivesse completamente nua. Fiquei imaginando suas expressões se eles me vissem saindo do quarto de Loki com sua cota.

– E você disse que ninguém iria se importar com uma mera calça não é, Foster? – disse para ela entredentes.

Frigga não havia chegado ainda. Thor estava do outro lado da mesa de frente para Jane e comia enquanto conversava com Sif, Frandall e Volstagg como me foram apresentados. Eles haviam dito que tinham me conhecido enquanto eu estive aqui e lamentaram pelas minhas lembranças perdidas.

‘’Deveria ser um crime se esquecer de mim, querida Diana.’’

Frandall, o loiro, disse antes de beijar minha mão de forma galanteadora.

Eu olhava a todo momento para a porta com medo de Loki aparecer ali e ter que enfrentar seu olhar. O que eu deveria fazer? Como deveria agir?

A risada estrondosa de Volstagg me assustou. Olhei para os guerreiros do outro lado na mesa. Eles riam de algo e eu não fazia ideia do que era. Jane olhava para mim e ria também. Peguei um pedaço de pão e comi devagar enquanto olhava para eles.

– O que eu perdi? – Sorri amarelo.

– Volstagg comentava que mesmo tendo perdido suas lembranças, seu jeito não muda. – Frandall disse levantando o copo de ouro maciço para mim como se estivesse brindando.

– O que quer dizer com isso, Volstagg? – perguntei.

Ele riu e pegou um pedaço de carne e enfiou na boca e em seguida tomou um gole de hidromel.

– Você continua perdida em seus pensamentos como sempre e sabemos o motivo disso – ele disse dando de ombros.

– Sabem? – Minha voz saiu baixa, porém eles ouviram.

– Claro! Você ainda continua tentando entender como veio parar aqui. – Volstagg riu alto e todos acompanharam.

Ri também e tomei um bom gole de hidromel. Uma figura loira apareceu na porta e me remexi na cadeira aliviada por não ser Loki. Uma pontinha de decepção pintou meu coração, porém tratei logo de enterrá-la. Minha cabeça estava cheia de pensamentos e questionamentos. Sinceramente ficar sem aquele soro era um inferno, mas se eu quisesse respostas deveria aguardar e aguentar tudo voltando de uma vez.

Frigga andava ao meu lado esquerdo e Jane ao meu lado direito. Estávamos passeando pelo jardim do castelo enquanto as duas discutiam sobre uma possível festa para Thor. Aparentemente o aniversário do loiro estava chegando e a rainha queria fazer uma surpresa para o filho.

– Já faz um tempo que não comemoramos o aniversário de Thor, afinal com todos esses acontecimentos não houve sequer um pouquinho de paz em Asgard. Não que eu tenha participado – observou a loira me olhando e piscando.

Soltei uma risadinha e observei a paisagem ao meu redor. O límpido lago me fascinava. As árvores ao redor eram bem altas e extremamente verdes. As duas tagarelavam sem parar. Me afastei um pouco das duas e continuei olhando a paisagem. O tinir de espadas me chamou a atenção. Pude ouvir vozes de crianças e tentei segui-las.

– Eu vou… – Olhei por sobre o ombro e vi que Frigga e Jane já não estavam mais lá. – Ali! – Completei e ri sozinha.

As duas com certeza haviam percebido que eu estava completamente fora do assunto e decidiram me dar um tempo. Eu não me lembrava de Frigga, porém sabia que tínhamos uma certa ligação. O olhar que ela dirigia a mim era uma espécie de amor maternal com agradecimento e eu me sentia muito bem perto dela, principalmente por lembrar minha mãe.

Segui o som do tinir das espadas e encontrei um pátio de treinamento. Crianças estavam lá lutando veemente com pequenas espadas. Elas pareciam muito bem concentradas, e fiquei surpresa principalmente por serem tão novos e estarem treinando seriamente.

– Allya! Levante o cotovelo… Isso! – Sif dizia levantando o cotovelo da garotinha que havia me abraçado na noite anterior.

Ela mantinha a postura ereta e o braço também. Um arco estava em suas mãos e ela se concentrava no alvo a sua frente. Assim que Sif soltou seu braço, a garota soltou a flecha e ela posou no meio do alvo. Fiquei animada com aquilo. Ela era muito boa. Bati palmas e me aproximei.

– Uau! – eu disse olhando pra ela.

– Diana! – A garota exclamou e largou o arco e correu para os meus braços.

Me abaixei e a abracei. O amor que Allya transmitia para mim era completamente surreal. Eu sentia no meu mais profundo que eu e ela éramos muito mais ligadas do que com qualquer outra pessoa. Minha melhor amiga era uma garotinha de aproximadamente dez anos.

– Você viu? Eu fui muito bem! – Ela sorriu pra mim.

– Sim! Foi mesmo – disse enquanto ela se afastava.

Passei a mão por seus cabelos ruivos.

– Toma! É sua vez! – Ela me estendeu o arco.

Olhei para o pequeno arco e levantei a sobrancelha. O que ela queria dizer com aquilo? Eu não sabia atirar com arco e flecha. Ou sabia? Levantei meus olhos e encontrei Sif sorrindo para nós. A olhei em desespero como se dissesse: Eu sei fazer isso?

A morena assentiu para mim e foi ajudar um garotinho loiro a empunhar a espada. A guerreira se dava muito bem com os pequeninos e os ajudava sempre. Talvez seja por isso que eles lutam tão bem entre si, afinal tem uma professora e tanto. Levantei-me e peguei o arco de Allya nas mãos. Estendi para ela. A garotinha franziu o cenho, porém pegou a arma.

– Vamos atirar juntas! – disse para ela – Porém preciso de um arco maior não acha?

Eu sorri para ela. A ruivinha me devolveu o sorriso da forma mais encantadora possível. Com sua mão livre, Allya segurou a minha e fomos até uma espécie de baú de armas pegar um arco para mim.

{…}

Puxei o cordão de meu arco e respirei. Meu cotovelo estava elevado. A flecha tocava levemente meu lábios. Soltei a flecha e ela parou centímetros acima do meio do alvo. Allya bateu palmas para mim assim como eu fiz para ela.

– Acho que estou enferrujada. – Eu ri.

Allya sorriu e pegou seu arco do chão. Ela pegou a flecha em sua aljava e a colocou no arco. Esticou a corda e soltou. A flecha atingiu o alvo com perfeição. A ruguinha na testa da garotinha era extremamente fofa e o semblante sério a deixava mais fofa ainda.

– Diana! O que aconteceu? – Ela me questionou ainda séria.

Suspirei.

Sabia que a garota me questionaria em algum momento sobre o que havia acontecido, porém nem eu mesma fazia ideia. Maldita HYDRA que me fez esquecer de um serzinho tão incrível como Allya.

– Pessoas ruins me levaram. – disse séria pra ela.

– E o que aconteceu? – Allya me questionou.

– Eu fiz com que eles se arrependessem. – A ruivinha levantou as sobrancelhas e a ruguinha em sua testa ficou mais visível.

– Então… Isso quer dizer que chutou a bunda deles? – ela me perguntou ainda séria.

Não consegui segurar a risada. Me aproximei da ruivinha e me agachei na altura dela. Passei a mão por seus cabelos e segurei seu rosto delicadamente.

– Definitavamente eu chutei a bunda deles, meu amor.

Passei calmamente pelo primeiro corredor. Esse era um antes do corredor que dava para meu quarto. O dia havia sido agitado e animado. Já tinha até me esquecido de toda a confusão mal resolvida com Loki, afinal fiquei até a parte do almoço treinando com Allya. Até mesmo quando almoçamos o asgardiano não apareceu o que me preocupou. Será que ele havia fugido? Saído? Ou teria aprontado alguma? Jane me disse que Loki aprontava e muito.

Finalmente cheguei ao corredor de meu quarto. Aquele era o único momento que eu teria para descansar até a hora do jantar, então precisava de um banho e roupas mais confortáveis do que aquela calça jeans.

Peguei na maçaneta da porta e a girei. Entrei em meu quarto arrancando os tênis e os chutando. De repente uma mão me puxou e empurrou a porta com as minhas costas. O baque de meu tronco com o material fortificado da porta me fez fechar os olhos pelo susto. Assim que o abri enrijeci o corpo. Loki segurava meus braços delicadamente. Apesar do susto o movimento brusco do moreno não havia sido violento.

– O que… O que faz aqui? – questionei.

Loki levantou as sobrancelhas e levantou os lábios em um pequeno sorriso.

– Eu vim buscar o resto da minha roupa. – Ele gesticulou para a cota verde no banheiro.

Sorri amarelo para ele como se não tivesse culpa de nada.

– Você rasgou meu robe. – eu disse e ele riu soltando meus braços, porém aproximou seu nariz do meu.

– Justo! – disse ele olhando para os meus lábios.

– É… Eu sou sempre justa. – Sorri ainda nervosa.

– Comigo não! – rebateu erguendo as sobrancelhas.

Suspirei e passei a mão pelos cabelos tentando arrumar a bagunça que estava.

Olha… eu…

– Foi decepcionante acordar e não vê-la em minha cama, Diana. Não faça mais isso!

Ele disse indo até o banheiro e pegou a cota do chão. A segurou em seus braços e se aproximou novamente de mim. Seus lábios perigosamente próximo dos meus.

– Eu… ahn! – Gaguejei.

Merda!

– Eu queria convidá-la para um passeio antes do jantar. Me daria essa honra? – disse ele cordial.

O olhei de cima a baixo. Seu cabelo estava devidamente penteado para trás.  A calça preta e a camisa branca faziam contraste com sua pele. Ele parecia à vontade perto de mim.

C-claro! – Sorri para ele.

Loki abriu a porta e me ofereceu o braço de forma cavalheira. Olhei para ele novamente e para o corredor. Suspirei baixinho. Lá se vai meu cochilo da tarde.

– Você vem? – o moreno questionou levantando as sobrancelhas.

Descansei meu braço no seu, e então Loki me levou até o misterioso passeio.

Karol

Jovem com alma de criança. Cabeça nas estrelas, pés no chão e olhos no céu. Escritora amadora nas horas vagas e sonhadora em tempo integral.