Redenção – O baile de Frigga – 15

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– Vamos Diana, preste atenção em mim! – Disse Thor puxando meu queixo para manter meus olhos nos dele. Um de seus braços se encontrava estendido esperando que eu também fizesse o mesmo. – Não esqueça que não deve tocar minha mão…

– Já sei, devo manter ela próxima, porém sem tocar. – Repeti entediada. Quando iríamos começar a ação?

Thor esboçou um sorriso e juntou as mãos perto do corpo e me fez uma reverência, ainda extremamente entediada fiz a reverência que todas as mulheres deviam fazer, inclinando minha cabeça, colocando meu pé direito para frente e abaixando minha mão na altura da cabeça.

O príncipe de Asgard levantou sua mão esquerda e prontamente levantei a minha direita abrindo um pequeno sorriso, a lenta melodia que saía da flauta de Frandall me deixou atenta ao passo que Thor iria fazer. Ele, Vostalgg e o loiro que se encontravam atrás de nós decidiram que iriam me ensinar a dança asgardiana, pois finalmente chegara o dia do baile. O tão esperado aniversário de Frigga.

– Agora é o momento de dançarmos com as mãos sem nos tocarmos. – Thor disse com sua voz de trovão, eu assenti mostrando a ele o quanto estava concentrada em aprender a dança típica de meus amigos.

O loiro fixou seus olhos nos meus e eu tentei fazer o mesmo me sentindo um pouco incomodada. Ele começou no ritmo da música eu o segui para frente e para trás, depois nós fizemos uma volta sem quebrar o olhar e sempre no ritmo da música, as duas primeiras voltas foram para a esquerda, após isso mais outras duas para a direita.

Thor abaixou a mão e parou de frente para mim, eu sabia o que deveria fazer naquele momento, já havia sido instruída por Frandall. Cheguei mais perto de Thor e ele repousou sua mão esquerda em minha cintura de forma firme, passei minha mão direita para cima, minha palma ficava virada para fora e as costas encostavam-se à lateral de seu rosto. A conexão entre nossos olhares jamais deveria ser quebrada. Minha mão segurava o longo vestido rosa que eu vestia naquela manhã ensolarada de Asgard, quase da mesma forma em que as princesas dos contos de fadas faziam quando eram conduzidas por seus príncipes.

Ele deu um passo para trás me levando junto com ele e começamos a dança ritmada em que os passos se transformavam em círculos, fizemos duas vezes até que chegou a hora de girarmos, abaixei minha mão e a coloquei em seu peito. Como ele me conduzia pela cintura podia sentir quando era a hora certa de girar e fizemos isso por todo o salão até que não pude aguentar mais, meus pés pediam clemência.

Sentei-me perto das escadas douradas do salão e comecei a observar tudo enquanto Frandall se aproximava com uma caneca de ouro maciço cheia de água, eu precisava mais daquilo do que hidromel – que, aliás, eu ando adotando como um companheiro para todas as horas – ele se sentou ao meu lado me lançando sorrisos simpáticos e cheios de charme. Eu já conhecia a fama do loiro com as mulheres de Asgard e eu entraria no jogo dele só para me divertir um pouquinho, isso tudo tem estado num tédio interminável, principalmente quando peguei uma gripe que derrubaria até o Hulk, eu presumo. Tive que ficar isolada em meu quarto, mais precisamente na cama recebendo um chá em um tom de oliva completamente sem açúcar e fumegante, a mesma serviçal sempre me levava ele junto com algumas sopas e os pães costumeiros deste planeta. Da primeira vez que tomei o chá eu perguntei a ela quem havia me enviado e ela respondeu-me da seguinte maneira: O príncipe mandou lhe enviar.

Naquele momento lembrei-me que devia agradecer a Thor por todas aquelas regalias e por ter se preocupado comigo enquanto estive doente, o chá horrível fez efeito, pois depois de dois dias e meio consegui finalmente sair do quarto para participar dos jantares de Odin, que me parecia estranhamente satisfeito, e para minha surpresa a satisfação se dirigia precisamente a mim.

– Vejo que não treinou mais as danças agitadas, Diana. – Disse Frandall sorridente me entregando a caneca de água interrompendo meus devaneios.

– Ah! Essas eu aprendi muito bem, Frandall. – Sorri para ele pegando a caneca. – Ah, obrigada por isso. – Levantei um pouco como se estivesse brindando.

– Ainda não acredito que não é uma asgardiana, você é como uma parte desse palácio e parece que sempre esteve aqui. Aprendeste tão rápido as danças e os costumes, até mesmo a lutar. O que mais escondes? – Ele disse concentrando seus belos olhos azuis nos meus e enrugando um pouco a testa. Será que esse é o truque para enlouquecer as mulheres?

– E eu sinto como se tivesse vivido sempre aqui, tudo é tão fácil, vocês foram amáveis comigo. Menos na minha primeira noite. – Nós dois rimos alto lembrando de minha reação exasperada com os guardas.

– Você chegou fazendo um estardalhaço e tanto, três de nossos soldados abatidos por socos e pontapés. Onde aprendeu isso?

– Bom, digamos que na minha adolescência eu aprendi a me defender muito bem e então usei isso a meu favor.

Enquanto eu e Frandall jogávamos conversa fora pude ver que Thor havia voltado para o grande salão junto de Sif e Volstagg, que também havia saído sem que eu percebesse.

– Não acredito nisso, Frandall. Você já está jogando seu ‘’charme infalível’’ para Diana? – Disse Sif em ironia me arrancando risadas.

– Esse aí não tem jeito mesmo. – Volstagg soltou uma risada alta.

Thor apenas balançou a cabeça em desaprovação sentando ao meu lado.

– Eu não estou jogando charme para a Lady Diana. – Disse cortês, na frente dos outros ele me chamava assim, pois mesmo relutante tive que permitir.

– Ah, por favor, você não precisa de tudo isso na frente deles, Frandall. – O repreendi. Não gostava que ele e ninguém me tratassem daquela forma, eu apenas sou uma convidada/prisioneira – um tanto esquisita – do Rei.

– Tudo bem Lad… – O fuzilei com o olhar – Quero dizer, Diana. Antes que esses enxeridos atrapalhassem nossa conversa, eu gostaria de convidá-la para me acompanhar no baile de hoje a noite.

Os quatro rapidamente dirigiram seus olhares para mim me deixando um pouco constrangida, pois Sif, Volstagg e Thor tinham uma expressão zombeteira que me deixava um tanto sem graça. Já Frandall me fitava ansioso por minha resposta.

– Bom, claro que sim, só me garanta que suas dez mil esposas não irão me abater aqui mesmo. – Eu sorri e os três guerreiros não conseguiram segurar a gargalhada deixando o loiro que se encontrava a minha frente corado.

– Bom… Eu não tenho dez mil esposas, na verdade eu não possuo nenhuma. – Soltou uma risada constrangida. – Creio que irá se divertir comigo no baile e…

– Não se preocupe, Frandall. Eu só estava brincando, estou honrada por ter sido convidada por você.

– Obrigada, Diana. Agora eu preciso me arrumar e procurar um traje que esteja a sua altura porque a senhorita tem uma beleza refinada. – Ele tagarelou.

– Vá! – Ele assentiu.

O loiro abriu um sorriso enorme e estufou o peito, pegou uma de minhas mãos e deu um beijo estalado e saiu dali cantarolando alguma melodia asgardiana, eu só conseguia rir assim como os meus outros três amigos. Lembrei-me então que deveria agradecer Thor e lhe fazer algumas perguntas sobre um certo gafanhoto.

– Thor, peço desculpas primeiramente, eu havia me esquecido de agradecer por ter enviado aquele remédio através da serva, e os pãezinhos também. Obrigada por sua preocupação… – Soltei rápido até que o príncipe loiro me interrompeu.

– Eu o quê? – Disse franzindo o cenho me deixando confusa.

– Ahn… Não foi você que enviou o chá que ajudou na minha melhora? – Disse surpresa.

– Bom, na verdade não, Diana. Eu não conheço dessas receitas, minha mãe sabia muito bem disso e deve ter ensinado…

– Loki. – Dissemos em uníssono, ele em forma de afirmação e eu de surpresa.

‘’O príncipe mandou lhe enviar’’

A voz da serva tomou conta de meus ouvidos me fazendo lembrar do que ela disse, é claro, Loki continua sendo príncipe de Asgard, eu apenas confundi e associei a Thor, afinal quem diria que Loki se preocuparia comigo?

– Então tudo faz sentido agora, quando acordei ardendo em febre pude ver Loki em meu quarto assim como você e Aaron, ele foi para lá me medicar através de seus conhecimentos e…

– Sim Diana, achei que ele tinha dito a você, afinal enquanto você estava doente, Loki fazia vigílias em seu quarto todas as noites.

– Por isso Odin tem estado tão satisfeito em relação a mim, por que não me disse isso, Thor? – Respondi exasperada.

– Bom, eu achei que você tinha conhecimento disso e…

Sif e Volstagg acompanhavam nossa conversa boquiabertos assim como eu, será possível que Loki tenha feito mesmo isso? Ele me curou, velou meu sono e… Preocupou-se comigo. Acho que estou meio zonza ou enjoada.

– Onde está Loki? – Depois de respirar fundo algumas vezes, porém ainda envolvida em topor decidi que eu precisava vê-lo e não poderia deixar para outro momento.

Thor ainda resmungava palavras que se tornaram inaudíveis para mim, eu só queria achar o gafanhoto, mas para quê? Eu realmente não faço ideia do que vou fazer, do que meu corpo e a adrenalina juntos podem fazer.

– Ele se encontra em seus aposentos originais. – Revelou Sif me fazendo parar de andar de um lado para o outro.

– Espera, Loki não se encontra mais em sua cela? – Os três assentiram me deixando furiosa. – Isso que dá me deixarem como uma prisioneira no quarto por três dias.

– Você precisava se recuperar e… – Começou Volstagg.

– Para que lado fica o quarto? – O interrompi, minha voz saiu tão forte quanto eu pude imaginar e os três me olharam surpresos.

– Corredor da biblioteca, há uma escada que leva para os aposentos dele. – Disse Sif surpresa.

Eu assenti para eles e puxei meu longo vestido de uma cor rosa queimado cheio de detalhes dourados, corri o mais rápido que pude para sair do salão.

– O que vai fazer? – Esbravejou Thor.

– Eu ainda não sei! – Gritei de volta para ele.

Tudo bem, eu sou uma maluca mesmo, pode admitir você aí, sério. Estava parada diante das escadas assim como Sif me orientou e não faço ideia do que vou falar para o gafanhoto, eu deveria agradecê-lo, mas não quero entrar assim de supetão já agradecendo seus cuidados, eu precisava de uma desculpa… Pensa Diana sua cabeça dura, o que diabos você veio fazer aqui?

Um click em minha mente me faz lembrar de algo, é como se uma lâmpada se acendesse em minha cabeça como naqueles desenhos animados que eu tanto amava. O baile, é isso, eu devo perguntar a ele se irá comparecer e assim poderemos engatar uma conversa costumeira e então entrarei no assunto de meu repouso e do chá milagreiro que havia recebido.

Decidi então finalmente subir as escadas douradas devagar observando lá em cima uma porta marrom com batentes dourados e pilastras da mesma cor. Juntando meu nervosismo com o vestido longo, a subida se tornou extensa me fazendo bufar, puxei mais para cima aquela coisa enorme – por que diabos todas as mulheres de Asgard usavam aqueles vestidos sempre? Sinto falta de minhas bermudas e calças jeans – quando finalmente cheguei lá em cima me deparei com a porta do quarto de Loki.

Vamos Diana, não seja covarde! – Sussurrei para mim mesma.

Cheguei mais perto da porta e levantei minha mão para finalmente bater nela, porém minha respiração ficou, digamos um pouco descontrolada. O que diabos eu estou fazendo? O que deu em mim pra simplesmente sair correndo do salão e vir aqui jogar conversa fora com o Loki?

– Ai! Eu não acredito nisso, Diana! – Disse um pouco mais alto do que eu previa. Ouvi barulho de passos dentro do quarto.

Merda, merda, merda cinco vezes!

Virei-me rapidamente de costas para a porta agarrando o vestido e saindo mais rápido possível do hall que dava para o quarto de Loki, mas antes que eu pudesse descer o segunde degrau da grande escada, a porta atrás de mim foi aberta. Imagine só, agora estou congelada.

– Diana? – Loki chama meu nome me causando arrepios, seu sotaque arrastado deveria ser proibido em toda Asgard.

Fechei meus olhos tentando pensar em alguma desculpa que viesse a mente, mas nenhuma ideia apareceu. Droga! Eu teria que encará-lo. Virei-me novamente, todavia desta vez para Loki que me encarava meio surpreso por eu estar ali na porta de seu quarto.

ANDA! FALA ALGUMA COISA!

Minha mente gritou me deixando zonza, minha pulsação estava alta em meus ouvidos e não ficaria surpresa se ele pudesse ouvir.

– Ahn… – Droga, não gagueje. – Ah! Oi. – Fiz um sorriso amarelo.

Seu cenho se franziu mostrando toda a confusão que sua mente deveria estar; em seus olhos havia a pergunta: O que faz aqui? Então nem esperei que se pronunciasse.

– Eu… Ahn, perguntei a Thor sobre você e ele me disse que voltou para seus aposentos. – Ridículo, que desculpa mais ridícula.

Seus olhos se estreitaram percebendo que havia algo errado e a forma que eu estava nervosa o deixou atento a tudo que eu dizia. Merda! Como enganar o mestre da enganação e trapaça?

– Fico feliz que tenha saído daquela cela. – Digo sincera e seu olhar parece suavizar pelo menos um pouco, tudo bem, não estou tão ferrada assim. – Bom, eu já vou indo.

Droga, eu deveria falar com ele sobre o baile. Eu adoraria que ele fosse pelo menos para se divertir um pouco, pois pelo que ouvi falar as festas asgardianas são incríveis, cheias de hidromel, danças e comida, isso sim é vida. Ri de meus pensamentos, eu estou me tornando uma preguiçosa que adora farrear.

Os olhos de Loki me examinaram com mais atenção por eu ter começado a rir do nada de meus pensamentos, definitivamente eu ando meio maluca, aposto que aquele chá tinham outros ingredientes que tiraram minha sanidade ou só acordei de bom humor mesmo.

– Vejo que está melhor. – Ele aponta sério.

Ele entrou no assunto, meu Odin e agora?

– Ah sim, eu estou, aliás não era nada tão forte assim e…

– Claro, você diz isso porque não se viu aquele dia. – Disse sarcástico se referindo ao dia em que acordei ainda febril rodeada por Thor, Aaron e Loki.

Soltei um muxoxo, será que estava tão horrível assim?

– Tudo bem, eu concordo que deveria estar um trapo velho, mas não é pra tanto né? – Repliquei brava, pude ver uma centelha de um sorriso nos lábios de Loki.

– Definitivamente um trapo velho.

Mas como é? Eu bufei.

– Ahn, eu nem vou te responder, asgardiano, pois se fizer isso serei presa por má educação. – Ele soltou uma risada baixa.

– Quer dizer então que a midgardiana tem uma língua afiada, isso é interessante. – Ele puxou um dos fios de seu cabelo negro para trás me fazendo esquecer de tudo que ele havia dito. Como pode ter tanto charme?

Loki observou o quanto eu fiquei desnorteada e sorriu novamente fazendo minha mente gritar o quanto eu sou idiota por demonstrar o efeito que ele causa em mim, pigarreei e coloquei uma de minhas mãos apoiadas na cintura tentando reverter esse jogo.

– Você não sabe o quanto. – Sorri de forma maliciosa e seu sorriso desapareceu, assim como eu queria. – Enfim, mudando de assunto. – Puxei meu cabelo para trás, aquele lugar devia estar em chamas. – Você comparecerá ao baile de hoje?

Seus olhos se tornaram duros e ele franziu os lábios transformando seu belo rosto em uma carranca de raiva e frustração.

– Não! – Ele respondeu seco.

– Ah, Odin não permitiu sua entr…

– Não é isso, eu não quero ir. – Loki me interrompeu.

Refleti por alguns minutos tentando entender o porquê do gafanhoto estar tão retraído, até me lembrar que aquele baile era uma comemoração por mais um aniversário de Frigga, o Pai de Todos não queria deixar de oferecer uma homenagem a sua falecida esposa. Loki se sentia desconfortável em ir à comemoração porque sentia falta da mãe.

– Olha, eu sei como se sente, mas negar isso não vai adiantar de nada. Aposto que Frigga ficaria muito feliz em saber o quanto sente falta dela, mas também ficaria mais feliz ainda se você seguisse em frente, ir à comemoração é um bom começo para tudo no palácio voltar aos eixos.

Ele pareceu ponderar minhas palavras, todavia é quase impossível calar Loki.

– Você acha mesmo que todos que virão comemorar vão me tratar da mesma forma que antes? Eu sou o monstro que eles sempre ouviram em histórias, eu matei pessoas na terra e voltei como um prisioneiro, o que mais vou ouvir serão insultos…

– Então não dê a eles o poder de te insultar, se agir da forma que eles esperam, você ouvirá insultos, mas se fizer as coisas diferentes talvez você possa se surpreender com o resultado. – Soltei rapidamente.

Loki se calou ao ouvir o que disse me deixando surpresa por isso.

– Loki, você deve decidir se irá ou não, mas quero que saiba que ficarei muito feliz se aparecer por lá, ficaria honrada se você me desse o prazer de uma dança. – Me curvei como Thor ensinou e ele riu, pois geralmente os homens faziam os convites.

– Diana, você não sabe dançar como os asgardianos. – Ele disse rindo.

– Está aí mais um motivo para ir ao baile e comprovar se eu sei ou não dançar como os costumes de Asgard. – Disse em tom de desafio. – Eu preciso ir agora, pense nisso! – Puxei meu vestido e comecei a descer as escadas douradas deixando um Loki pensativo para trás.

Algumas horas depois

– Droga, esse vestido é ridículo – Joguei mais um vestido para fora do armário no chão de meu quarto, já se aproximava a hora do baile e eu estava decidindo a droga do vestido que iria usar.

Puxei todos os outros que se encontravam no cabide para um lado só e percebi que havia uma caixa em tons roxos com detalhes dourados típicos de Asgard, puxei ela para fora sem reprimir minha curiosidade e a abri soltando um arquejo de surpresa. O vestido que se encontrava lá dentro era preto, frente única, com um decote delicado e sensual, as costas ficavam nuas e sua saia se abria como um copo de leite com leves transparência e pedrarias douradas por todo seu comprimento, havia uma manga no vestido rendada e transparente que deixava tudo em um toque de mistério e sedução. Aquele era o vestido mais lindo que eu já pude ver em toda a minha vida.

– MEU ODIN! – Gritei animada e saí correndo para o banheiro e fui colocá-lo.

Quando finalmente saí de lá e me fitei no espelho não pude acreditar naquilo, eu estava estonteante, procurei rapidamente meu bracelete de estrela e peguei uma gargantilha dourada que ficava dentro da penteadeira, fiz cachos grossos em meu cabelo e amarrei a parte de cima para que meu rosto e pescoço ficassem à mostra. As maquiagens asgardianas eram sempre acompanhadas de brilho então coloquei alguns perto de meus olhos chamando atenção para eles.

– Você está maravilhosa, mulher. – Disse para mim mesma no espelho rindo.

Enquanto terminava de retocar o estranho batom cor de vinho, ouvi batidas na porta que me fizeram pular de susto, seria Frandall? Dei de ombros deixando de lado o pequeno pote com o batom lá dentro, limpei meus dedos e fui abrir a porta. Assim como presumi, Frandall estava lá parado com uma cota dourada em detalhes pretos, assim como tinha algumas partes de sua armadura e a espada guardada em sua cintura. Sorri para ele que me observava dos pés a cabeça, seu sorriso se abriu quando viu o meu e me ofereceu o braço.

– Lady Diana. – Ele disse e eu bufei tirando algumas risadas do loiro a minha frente. – Nós podemos ir?

– É claro, Sir Frandall. – Ele franziu o cenho em desaprovação. – Só estou devolvendo o que me disse.

Ele assentiu e me conduziu pela escada assim que fechei a porta de meu quarto, nós estávamos conversando e eu ria de suas piadas e histórias malucas assim como as enrascadas que se meteu por fazer as mulheres se apaixonar e querer sair de fininho.

– Se me permite dizer está mais do que linda esta noite. – Ele sorriu.

– Fico agradecida, Frandall. – Sorri de volta.

Finalmente chegamos ao salão dourado que se encontrava repleto de guirlandas de flores no teto, a grande mesa de mogno se encontrava abarrotada de comida e alguns servos passavam por aí servindo hidromel. Haviam muitos nobres ali, convidados dos outros reinos da Yggdrasil só para comemorar mais um ano de Frigga, se ela estivesse viva.

Meus olhos varreram a sala encontrando Lady Sif, Thor e Volstagg. Ela se encontrava mais linda do que era possível em um vestido vermelho e longo, com a famosa fenda na perna, as mangas ficavam transparentes e seus cabelos estavam presos em uma trança grande mostrando sua feição selvagem, em sua cintura pendia a bainha dourada de sua espada deixando-a com um ar perigoso e sensual.

Thor não estava atrás com uma cota prata e com partes de sua armadura, não esquecendo da capa vermelha, o mjonir estava repousado em sua cintura assim como a arma de Sif, a parte de cima de seus cabelos se encontrava amarrado e o resto desengrenhado o deixando com um ar de liberdade, seus olhos e o sorriso mantinham o ar selvagem de sempre.

Volstagg também estava apresentável com a caneca dourada de hidromel em uma das mãos e na outra um pedaço de carne enorme, ele comia e conversava com outros nobres rindo de tudo que eles falavam. Em sua barba havia resquícios de molho, aquela refeição deveria realmente estar muito boa.

Frandall percebeu que eu havia encontrado nossos amigos e me conduziu até lá, Sif voltou seu olhar para nós, me fitou de cima a baixo e sorriu orgulhosa. Thor também fez o mesmo e sorriu para mim de um jeito carinhoso.

– Você está incrível, Diana. – Soltou o príncipe de Asgard.

– Obrigada, Thor. – Fiz uma reverência para ele, uma de suas mãos fez um gesto que eu entendi como um: não precisa de tudo isso.

– Eu tenho minhas dúvidas de que não seja mesmo uma asgardiana.

Disse Sif sorrindo para mim, me soltei do braço de Frandall e a abracei surpreendendo a guerreira com meu aperto, todavia logo ela retribuiu meu abraço demonstrando todo o carinho que sentia por mim.

Odin subiu ao trono e fez um pronunciamento muito bonito sobre Frigga e finalmente abriu a festa dizendo:

– Nós asgardianos festejamos na tristeza e na alegria, sempre juntos e será assim até o fim dos tempos.

Todos gritaram uma palavra que eu ainda não conhecia e aplaudiram dando início as músicas.

Eu realmente me sentia em casa, como se sempre fizesse parte daquele lugar, me sentia amada e bem recebida por eles, nunca havia tido amigos tão verdadeiros como Sif, Thor, Frandall e Volstagg. Uma música agitada começou a tocar me deixando animada, o meu acompanhante me chamou para dançar e eu aceitei de prontidão pegando uma caneca de hidromel.

Fui tomando por partes enquanto Frandall e eu dançávamos animadamente, ele batia palmas enquanto eu girava sorrindo perto dele, após terminar de beber deixei a caneca de lado e seguramos a mão um do outro acima de nossas cabeças e continuamos dançando, hora e outra não nos tocávamos, pois fazia parte da dança. Uma camada fina de suor se fez presente em meu corpo, meus cabelos começaram a grudar um pouco nas costas e então puxei-os para frente deixando a mostra minhas costas pelo decote do vestido.

Dançamos três músicas sempre sorrindo, bebendo e conversando, Frandall é realmente uma pessoa incrível e percebi que ele queria apenas minha amizade, nada mais que isso, acho que ele me pediu para acompanhá-lo para fugir de possíveis confusões.

Enquanto eu ria e dançava já um pouco alta por ter tomado três canecas de hidromel, a música de repente parou o salão se aquietou me assustando um pouco e me fazendo parar onde estava, todos começaram a abrir caminho como se um deus estivesse passando, assim que minha visão se fez livre pude perceber o porquê de toda aquela surpresa estampada no rosto de todos, era Loki.

Ele estava entrando no salão com seu olhar fixo nos meus, eu pude ver uma centelha de sorriso enquanto ele me observava dos pés a cabeça. Ele estava tão lindo com sua cota verde, pedaços de armadura protegiam seu tronco, botas douradas e o elmo de chifres dourado nas mãos, os cabelos penteados para trás e o sorriso irônico nos lábios. Droga, ele apareceu, eu não acredito nisso.

Ele se aproximou da mesa de mogno e pegou uma caneca de hidromel, virou-se para Odin que estava sentado em seu trono ainda embasbacado por seu filho ter aparecido assim de repente, Loki brindou para ele e disse em alto e bom som:

– Este brinde é em homenagem à Frigga, sei que ela gostaria de saber o quanto este palácio sente falta dela. – Disse sério e tomou um gole, Odin assentiu sorrindo e fez um sinal para que os músicos começassem a tocar novamente.

Devagar os nobres voltaram a si e foram se dispersando novamente para o meio do salão e começaram uma dança lenta por causa da melodia, Loki foi se aproximando de mim enquanto eu continuava como uma estátua grega no salão. Frandall colocou em uma de minhas mãos uma caneca dourada com hidromel e eu bebi rapidamente sentindo minha garganta queimar e uma pequena zonzeira dominar meu corpo.

Ele chegou finalmente a minha frente bebendo hidromel, seu olhar era zombeteiro para mim e eu tentei de alguma forma me recompor – tentei, eu juro. – ao se aproximar ele me deu um sorriso pequeno.

– Você disse que iria me provar que sabe dançar como os asgardianos. – Loki disse em desafio e deixou a caneca de hidromel em algum lugar, fez o cumprimento que Thor havia ensinado para danças lentas e estendeu sua mão direita para mim.

Ainda desnorteada coloquei a caneca de hidromel na bandeja que uma serva segurava e devolvi o cumprimento estendendo minha mão esquerda para ele, começamos a dança sem desviar os olhos um do outro, eu deveria estar me sentindo um pouco desconfortável assim como me senti com Thor, mas não, parecia que com Loki tudo estava nos eixos, a gravidade não tinha mais poder sobre meu corpo e eu me sentia dançando entre estrelas e galáxias.

Abaixamos as mãos juntos, tamanha conexão a nossa e então cheguei mais perto dele, sua mão se apoiou em minha cintura me puxando. Nossas testas estavam a centímetros de distância e eu sentia olhares em minhas costas, todavia tudo que eu enxergava era apenas os olhos verdes de Loki.

Dançamos como se não houvesse ninguém perto ou nos olhando e comentando sobre aquilo, só sentíamos um ao outro e a conexão de nossos olhares, eu sabia que todo movimento que eu fizesse ele iria me segurar. Até finalmente a música acabar, eu me sentia como se estivesse pegando fogo e pudesse incendiar tudo ali. Loki me curvou impulsionando seu corpo sobre o meu, nossos narizes a poucos centímetros, abaixei meus olhos para seus lábios hipnotizada, eu poderia beijá-lo ali mesmo.

Todos aplaudiram a dança como de costume no final das músicas, Loki me puxou para cima ainda com os olhos nos meus. Eu ofegava e suava me sentindo queimar por dentro, a fagulha havia sido acesa e agora me encontrava em combustão.

– Vamos todos para o pátio, guardas, mande os barcos se posicionarem! – Esbravejou Odin.

Franzi o cenho diante daquelas palavras e me afastei dos braços de Loki, ele pareceu voltar a si assim como eu e saiu por uma das aberturas do salão me deixando sozinha naquele incêndio todo, olhei em volta, todos saíam do salão e iam em direção ao grande pátio, mas para que? Sif se aproximou de mim com uma surpresa nos olhos, ela havia visto aquilo, assim como Thor que sorria, Volstagg boquiaberto e Frandall surpreso. Droga, o que eu fiz?

– Vamos Diana! – Disse Sif.

– Para onde?

– Vamos lançar lanternas em homenagem à Frigga.

Percebi que Loki havia saído por outro local e sinceramente eu queria esclarecer o que houve ali, minhas células clamavam por sua presença.

– Tudo bem, eu só vou ali e já volto. – Disse andando rápido em direção a grande porta por onde Loki havia saído deixando Sif falando sozinha.

Passei por um corredor ao ar livre com várias tochas que crepitavam pelo fogo iluminando o local, o céu estrelado de Asgard como sempre maravilhoso me parecia mais límpido e nítido esta noite, subi as escadas douradas em direção ao terraço do palácio, então era ali que Loki decidiu se esconder.

Pude observar sua silhueta encostada a um dos balaustres de mármore observando a movimentação do pátio onde todos seguravam uma espécie de lanterna nas mãos, eles acenderam com o fogo e esperavam ansiosos as palavras de Odin.

Terminei de subir as escadas e me coloquei ao lado de Loki, seu olhar se encontrou com o meu e ele não disse nada, eu podia ver a minha confusão refletida em seus olhos. O que estávamos fazendo, afinal? O que estamos fazendo um ao outro?

Uma lanterna escondida no chão me chamou atenção, eu a peguei e a acendi na grande tocha que iluminava o terraço, e observei muitas pessoas fazendo preces e pedidos, até que Odin fechou os olhos, disse algumas palavras e soltou a sua lanterna que começou a flutuar no céu, assim todos lá em baixo fizeram o mesmo.

Segurei mais firme a lanterna em minhas mãos e fechei os olhos fazendo uma prece à Frigga, ela disse que estaria de olho em mim de alguma forma então ela devia saber aquilo, espero que de alguma forma a rainha venha me ajudar.

Ainda encostada nos balaustres de mármore soltei minha lanterna sorrindo ao ver milhares iguais as minhas flutuando pelo céu de Asgard, o mar estava iluminado cheio de lanternas e aquilo me emocionou, lágrimas traiçoeiras escaparam de meus olhos, todavia limpei rapidamente para que Loki não as visse. Pude sentir seu olhar em mim, ele estava tenso e parecia querer fazer uma pergunta.

– Diga logo! – Eu disse me virando de frente para ele séria.

– O que estamos fazendo? – Ele franziu o cenho em dúvida.

Ah! É o que eu gostaria de saber, aquela pergunta já vinha me incomodando há muito tempo.

– Eu sei o que fez por mim. – Soltei fazendo com que Loki me olhasse questionador. – Sei que me salvou, Loki, você me mandou o remédio e cuidou de mim, velou meu sono até que eu melhorasse. Por que fez isso?

Ele me olhou surpreso e abaixou seus olhos colocando as mãos atrás das costas como sempre faz.

– Eu não faço ideia, Diana. Eu só quis ajudá-la de alguma forma, acho que não gostaria de te ver…

Ele não concluiu o pensamento, mas fez o meu coração bater em resposta, Loki não me queria morta, realmente se importou comigo daquela forma, se importou comigo para vir ao baile que não queria.

– Eu… Eu sou como um brinquedo quebrado, não faço ideia do que sinto, o que tem feito me desperta algo que em momento algum eu havia sentido, é tão intenso, mas eu não sou correta…

– Se você é como um brinquedo quebrado o que acha que eu sou? Sou o caos, Diana.

Ele se aproximou cada vez mais de mim e apoiou suas mãos na lateral de meu rosto, meus olhos se encheram de lágrimas e algumas desceram – enxeridas – molhando minha face, eu sorri percebendo o quão quebrado somos e na nossa loucura conseguimos fazer bem um ao outro.

– Sinceramente eu não faço ideia do que seja isso, sou uma tempestade furiosa, um furacão por dentro e…

Loki pôs a mão e minha cintura e fixou seu olhar em meus lábios

– Eu não me importo com isso. – Me interrompeu, seus olhos me fitavam de forma selvagem cheio de desejo. – Não me importo mesmo.

Ele me puxou para perto de si e colou seus lábios nos meus me fazendo soltar um suspiro de satisfação e fechar meus olhos, explosões e fogo estavam por todos os lados. Coloquei minhas mãos sobre seu pescoço e o aproximei cada vez mais de mim. Eu me sentia como se estivesse dançando com ele, mais estrelas e galáxias apareceram e nós dois estávamos lá no meio desfrutando de tudo isso.

Quebramos o beijo juntos parando para respirar, ofegantes e confusos, porém sedentos um pelo outro. Levantei meus olhos para ele e pude ver refletido nos seus o desejo que continha em mim, aproximei meu rosto do dele mais uma vez colando nossos lábios.

Eu poderia beijá-lo para sempre.

Karol

Jovem com alma de criança. Cabeça nas estrelas, pés no chão e olhos no céu. Escritora amadora nas horas vagas e sonhadora em tempo integral.