Redenção – Obediente – 47

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Loki não apareceu e por muito tempo eu fiquei sentada. Haviam tantas lágrimas e eu demorei para finalmente me recuperar. Levantei-me do chão e sai cambaleando pelo quarto. Minhas mãos encostaram-se onde eu pudesse ter apoio e então deixei o recinto. Desci as escadas douradas e fui para o meu quarto tentando dormir um pouco.

Imaginei que ele deveria estar no jantar e por isso não o encontrei quando corri para seus braços esperando que ele me salvasse de mim mesma. Deitei em minha cama e me enrolei como uma bola. Os joelhos na altura do tronco. Abracei minhas pernas e deixei as lágrimas silenciosas caírem até molhar o travesseiro em que eu descansava minha cabeça.

Fechei os olhos e lutei para manter as palavras de Astrid longe de minha cabeça e todas as imagens que se formaram enquanto ela narrava aquela história trágica e sangrenta que era meu passado. Tentei pensar em Loki e em como eu adorava sentar-me sobre os balaústres da sacada enquanto ele observava a visão com as mãos em minha coxa fazendo um carinho gostoso ali.

Adormeci devagar enquanto pensava em todos os momentos bons até ouvir a porta de meu quarto se abrir. Eu quis me virar e olhar para onde vinha o som, porém meus olhos pareciam estar grudados uns nos outros. Forcei e lutei, mas o sono me guiava a passos lentos para a inconsciência. Agora que eu sabia que havia uma criança dentro de mim as razões pelo sono constante e o cansaço excessivo me abriram os olhos e o que restava era aceitar que minha vida estava prestes a mudar.

Senti a presença de alguém atrás de mim e rapidamente reconheci: era Loki. Seu perfume amadeirado tomou o quarto e me fez sorrir de leve. Ele estava ali, meu anjo trapaceiro estava ali para embalar meu sono. Senti sua mão em meu cabelo e ele acariciou de leve minha testa retirando alguns fios que cobriam meus olhos. Me remexi na cama e tentei abrir os olhos.

Consegui ver seu rosto e então abri um pequeno sorriso. Ele se limitou a levantar as sobrancelhas em questionamento. Meus olhos deviam estar inchados e vermelhos de tantas lágrimas. Seus dedos passaram gentilmente por meu rosto até chegar em meus lábios. Suspirei. Eu precisava dele. Astrid disse que eu havia feito Loki se render, porém quem estava rendida aos seus encantos.

Ele sentou-se no colchão e me puxou para seu colo gentilmente. O silêncio foi rompido por um soluço meu. Loki me puxou para mais perto e me olhou preocupado. Agradeci mentalmente por ele não me fazer perguntas das quais eu não estava pronta para falar. Me agarrei em sua blusa e encostei minha cabeça em seu peito. O cheiro dele me trazia boas lembranças.

– Estou aqui, kjæreste¹. – Ele sussurrou para mim e acariciou meus cabelos.

Me agarrei a ele e fui levada para os sonhos enquanto o carinho me acalentava. Acredito que ele me abraçou a noite inteira e assim eu dormi, nos braços do homem que eu amava.

 

No dia seguinte eu acordei um tanto melhor apesar da enorme dor de cabeça. Uma bandeja com o café da manhã descansava na cômoda ao lado da cama. Loki não estava lá, porém havia um bilhete:

‘’Tive que sair para auxiliar Thor nos assuntos que dizem respeito ao reino.

Creio que voltarei antes mesmo que você acorde, mas caso tenha acordado coma!

Você precisa se alimentar.

Não chores mais. Estou voltando o mais depressa para você.’’

Sorri com aquele bilhete e imaginei que nem em outra vida Loki seria capaz de demonstrar tanto quanto ele estava demonstrando por mim. Ele continuava sendo o Loki de sempre: fechado para o mundo, porém aberto para mim.

Rapidamente me lembrei do que Astrid disse sobre ele estar aos meus pés. Puxei a bandeja para perto e meu estômago roncou ao ver as guloseimas que me esperavam. Salivei de desejo e estava prestes a enfiar um pão doce na boca, mas antes parei e olhei para o meu ventre. Estava sentada em ‘’perninhas de índio’’ na cama. Levantei a blusa, não se notava nada em minha barriga ainda. Coloquei a mão ali e dei leves batidinhas enquanto dizia:

– Se comporte! Eu preciso comer e esse pão está com uma cara deliciosa. Obedeça seu… – Sorri antes de terminar a frase – Obedeça seu pai e me deixe comer. – Sussurrei enquanto acariciava minha pele naturalmente bronzeada da barriga.

Enfiei o pão doce na boca e gemi em satisfação por finalmente comer algo tão bom sem sentir um maldito enjoo só de sentir o cheiro de comida. Sorri e anotei mentalmente que talvez nosso filho poderia ser mais obediente que eu e Loki juntos.

Após terminar o café da manhã e de me lavar, decidi que sairia para caminhar um pouco. Loki não havia voltado tão cedo, então deduzi que os assuntos com Thor estavam rendendo. Eu não queria incomodá-lo, então não questionei os soldados sobre seu paradeiro. Não queria que ele se afastasse daquilo e de toda a ajuda que estava dando para Asgard. Aquele era o lugar onde ele deveria estar.

Andei pelos corredores dourados à procura de alguém, ou especificamente Jane. Bati na porta de seu quarto, porém ela não atendeu. Decidi visitar a biblioteca e enquanto seguia o conhecido caminho para o melhor lugar de todo o palácio, depois da cozinha, senti uma leve pontada na cabeça.

Franzi o cenho e apoiei minha mão na parede. Olhei para o corredor e uma sensação de dejavú me tomou. Respirei fundo. A conhecida náusea começou e eu forcei minha visão que começava a se encher de pontinhos pretos. Fechei os olhos por alguns instantes tentando me acalmar. Seria melhor me sentar no chão? Assim que meus olhos se fecharam eu tive uma espécie de visão. Loki e eu andávamos lado a lado para a biblioteca enquanto conversávamos sobre algum assunto que não entendi. A pontada em minha cabeça ficou mais forte e flashes sobre nós dois dentro da biblioteca apareceram e embaralharam minha mente.

As lembranças estavam voltando com uma enxurrada de informações das quais eu desconhecia. Reconheci que aquelas memórias não faziam parte de minha atual volta para Asgard. Meus cabelos estavam menores e minha linguagem corporal ao lado dele não era nada comparada com a qual tínhamos hoje.

De repente ouvi uma voz chamando meu nome ao longe. Franzi o cenho e pisquei os olhos freneticamente. Voltei a atual realidade e suspirei. A pontada já havia amenizado, porém a náusea não. Escorreguei pela parede e encostei a cabeça na mesma. Sentei-me no chão e passei a mão pelo meu rosto. Mantive a cabeça erguida e respirei fundo.

A voz me chamou de novo e então eu olhei para o fim do corredor. Freyja estava lá e me olhava com o cenho franzido. Ela se aproximou de mim e se ajoelhou ao meu lado, passou a mão pelo meu rosto e retirou alguns fios cor e chocolate dos meus olhos. Seus olhos me fitavam em preocupação.

– As memórias estão voltando. – Ela mais afirmou do que perguntou.

Assenti para ela e engoli em seco. Suas mãos geladas em meu rosto me fez suspirar. Senti a quentura de minha pele diminuir um pouco. Amaldiçoei umas cinquenta vezes a HYDRA por me enfiar goela abaixo um maldito soro que me tirava as memórias e ainda mais: me fazia passar tão mal.

– Você quer sair daqui? – Ela sussurrou. Assenti em resposta.

Freyja apoiou seu braço por baixo do meu e me levantou. Eu coloquei meu peso nela e arrastei os pés quando ela me guiou. Os sintomas estavam passando lentamente. Abaixei minha cabeça e encontrei o pescoço de Freyja, o Brisings estava ali, porém quando ela andava a joia se mexia e eu pude ver marcas de queimadura onde o colar tocava.

Franzi o cenho. Loki havia me contado sobre o colar e como ele reagia às outras pessoas. Ele havia dito que quando Frigga me deu a joia só aceitava o meu toque e de mais ninguém até acharmos Freyja, afinal ela era dona do colar. A deusa parou de andar e me dirigiu uma pergunta.

– Sabe, Diana. Talvez eu possa te ajudar com suas memórias… conheço um feitiço que possa acelerar o processo pelo qual está passando.

Estranho. Se Freyja conhecesse um feitiço provavelmente Frigga estaria sabendo e me comunicaria disso. Pelo que eu conhecia das duas sabia que eram tão unha e carne quanto qualquer irmã e que dividiam todos os feitiços. Aquilo estava ficando cada vez mais esquisito.

– Frigga sabe disso? – Encontrei minha voz e questionei.

A loira ignorou meu comentário e me arrastou junto com ela para o lado do quarto real. Freyja estava hospedada perto do quarto de Frigga e assim que chegamos um arrepio subiu por minha coluna. Não estava com um pressentimento muito bom. Freyja não parecia ela mesma. Quando a deusa abriu a porta do quarto meus olhos se arregalaram ao observar a figura que estava lá dentro. Seu tom de pele pálido me causou arrepios e assim que coloquei meus olhos nela lembrei-me de um antiga memória sobre uma ponte, relâmpagos e um local assustador.

Karol

Jovem com alma de criança. Cabeça nas estrelas, pés no chão e olhos no céu. Escritora amadora nas horas vagas e sonhadora em tempo integral.