Redenção – Onde pertenço – 41

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Meu braço descansava no de Loki. Ele me guiava devagar pelos corredores do palácio enquanto caminhávamos em silêncio. Eu, de forma alguma, me sentia desconfortável ao seu lado, só um tanto… perdida. Perdida não de uma forma ruim, somente desconfortável.

Sinceramente Asgard e o palácio eram algo completamente novo pra mim assim como o fato de não me lembrar completamente do que tive com Loki. Claro que Jane havia me dito sobre a nossa história a partir do que tinha revelado a ela, mas me sentia como se faltasse algo. As memórias eram realmente importantes pra mim.

O que me deixava, pelo menos um pouco, tranquila eram as mãos de Loki sempre próximas a mim. A cada vez que me tocava parecia que minha pele o reconhecia e clamava por ele como fogo sendo incitado pela gasolina.

Mesmo me sentindo como um peixe fora d’água, a proximidade do moreno me trazia um sentimento… Um sentimento não, era mais como uma sensação aconchegante como se estivesse sendo reconfortada nos braços de alguém que amava.

Assim que passamos por um longo corredor dourado com uma tapeçaria fina nas paredes, Loki parou bem na frente de uma majestosa porta, também dourada. Ele soltou gentilmente meu braço e se pôs entre mim e a porta. Seus olhos demonstravam uma centelha de excitação. Qual era o motivo de tanta diversão?

Levantei uma de minhas sobrancelhas em questionamento. A parte esquerda de seu lábio se levantou em um sorriso leve o deixando extremamente convidativo. Okay! Se concentra, Diana!

– Feche os olhos! – Ele ordenou tentando esconder o sorriso.

– Mas… por que eu deveria fechar os olhos? – questionei soltando um risinho nervoso.

Loki revirou os olhos e riu de leve.

– Sempre teimosa. – Levantou as sobrancelhas em desafio.

Suspirei e fechei os olhos ainda tentando esconder meu sorriso. Senti as mãos de Loki nas minhas e o barulho da porta dourada se abrindo. Ele me guiou até dentro do recinto. Estava escuro e a sala era um tanto gelada. O moreno soltou minhas mãos e se afastou. Abracei meu corpo tentando conter os arrepios e meus pelos eriçados por causa do ar gelado dentro da sala.

O barulho de cortinas sendo puxadas e a luz do fim de tarde em Asgard me surpreenderam. Em um movimento involuntário ergui minha cabeça para onde vinha a luz. Loki se aproximou novamente e segurou em minhas mãos. Ele me guiou novamente, e acredito eu que para o centro da sala.

– Pode abrir os olhos agora. – ele sussurrou perto de meus ouvidos.

Mais uma vez meus pelos se eriçaram, porém, dessa vez, o motivo não era o ar frio. Levantei uma sobrancelha ainda de olhos fechados e abri um pequeno sorriso. Assim que abri meus olhos encontrei o paraíso.

As paredes da sala eram repletas de livros de todos os tamanhos e capas. O chão me parecia porcelanato por ser tão brilhante e bonito. Uma grande mesa de mogno se encontrava perto das janelas, próxima a uma lareira elegante.

Meus olhos brilharam de excitação e eu me afastei, involuntariamente, de Loki. Passei rapidamente por algumas estantes observando os livros. Os títulos eram em letras completamente estranhas, no entanto eu sabia o que significavam. Aquilo me surpreendeu e então eu parei e olhei para Loki sem me preocupar em esconder a surpresa.

– Como… como eu consigo ler isso? E… – ri de leve – Isso é maravilhoso, Loki, essa biblioteca é incrível.

Loki continuou em seu lugar no meio da biblioteca. Seus olhos brilhavam ao olhar para mim. Ele compartilhava de minha excitação e parecia se deleitar com o meu interesse veemente em leitura. O moreno levantou os lábios em um sorriso torto charmoso e se aproximou.

– Você teve um ótimo professor. – disse chegando cada vez mais perto.

O moreno se aproximava ainda mantendo seu contato visual comigo. Senti o calor de seu corpo no meu e me encostei na estante engolindo em seco. Aqueles lábios convidativos e seus olhos… malditos olhos hipnotizantes. Seu antebraço encostou-se no meu e seu nariz estava a centímetros do meu.

Desci meus olhos para seus lábios e ofeguei baixinho. Mesmo tendo decidido me afastar dele para tentar fazer com que minhas lembranças voltassem, era quase impossível manter-me longe do moreno. Parecia algo magnético como a atração entre prótons e elétrons dentro do núcleo.

– Na verdade… eu sempre fui uma ótima aluna. – eu sussurrei ainda olhando seus lábios.

Loki se aproximou. Seu nariz tocou o meu. Eu prendi a respiração e fechei os olhos esperando seus lábios doces se encostarem nos meus. O hálito do moreno bateu em meu rosto e eu esperei ansiosamente por um beijo.

A respiração dele passou por meu pescoço me fazendo arrepiar. Ainda de olhos fechados franzi o cenho. Ele não ia me beijar?

– Sim, você é uma boa aluna. – ele sussurrou perto de mim.

Abri meus olhos e vi que Loki estava com uma das mãos esticadas pegando um livro atrás de mim. A todo momento eu pensei que, finalmente, ele ia me beijar, porém o descarado estava só me atormentando com toda essa sensualidade. Maldito.

Loki se afastou assim que pegou um livro grande e cor de vinho. Ele levantou suas sobrancelhas pra mim e sorriu. É claro o quanto o moreno está se divertindo as minhas custas. Respirei fundo e pisquei os olhos tentando me concentrar. Fechei a cara para Loki. Ele se sentou à mesa com o livro em mãos ainda com sua sobrancelha levantada.

Ao se sentar, Loki olhou pra mim e gesticulou como se perguntasse: Não vai se sentar? Revirei os olhos e me aproximei da mesa de mogno. Puxei uma cadeira e me sentei ao lado dele. Observei atentamente o título do livro e franzi o cenho. Levantei meus olhos para ele.

– A história de Asgard? – questionei.

O moreno assentiu abrindo o livro cor de vinho.

– Não está curiosa para saber de onde veio? – respondeu-me. Levantou seus olhos para mim e sorriu de leve.

Assenti para Loki ainda sem entender onde ele queria chegar. A única coisa que me lembrava era que o soro que criei na HYDRA havia me dado habilidades especiais, e que Asgard não tinha nenhuma ligação comigo.

– Mas… eu não sou de Asgard. – disse para ele.

– E também não é de Midgard. – me respondeu levantando as sobrancelhas.

Ao dizer aquilo Loki levantou seus olhos para mim. O que diabos ele queria dizer com aquilo? Estava mais perdida do que cego em tiroteio em toda aquela história. Maldita seja aquela HYDRA que retirou minhas memórias.

Me aproximei mais dele e então mergulhamos dentro do nascimento de Asgard e toda a sua trajetória até aqui.

Após ter passado o fim de tarde com Loki na biblioteca e respectivamente jantarmos no salão com Thor, Jane, os guerreiros e Frigga, eu finalmente voltei para meu quarto. Havia acabado de tomar um banho digno e vesti uma blusa grande para dormir.

Dentro de minha mala estava meu celular. Eu não sabia o porquê de ter trazido ele pra cá mesmo sabendo que não teria como carregá-lo enquanto estivesse aqui. Meu fone também estava próximo e então peguei os dois. Mesmo estando à vontade em Asgard eu sentia falta da normalidade que só a Terra poderia me dar.

Recordei-me de meus quinze anos. Eu ficava na praia na parte da tarde, quando não tinha tarefas da escola, apenas desenhando e ouvindo música. Eu sempre simpatizei com a música, e houve até certos momentos em que eu esquecia de tudo por causa de um simples fone de ouvido.

– Bons tempos aqueles. – Suspirei.

Conectei o fone no celular e abri a pasta de músicas. A minha playlist não era tão atualizada assim, afinal eu fiquei fora do ar por muito tempo enquanto estive em Asgard e com a HYDRA, no entanto as músicas que estavam lá eram suficientes para me trazer de volta o sentimento de paz e de lar.

Passei o dedo pela tela a procura de uma música. Havia uma chamada Storm da banda Lifehouse. Eu costumava ouvi-la e muito no Texas. Lembrei-me que tinha dezessete anos quando me apaixonei por aquela música. Era algum tempo antes da trágica morte de meus pais. Um pouco antes de todo o inferno e loucura acontecer. Dei play na música e coloquei os fones em meus ouvidos desfrutando da voz envolvente do vocalista.

A porta que dava para a sacada do quarto estava aberta. Arrastei meus pés para fora. A noite estava quente e aconchegante. As luzes no resto da cidade ainda continuavam acesas. Asgard me parecia tão agitada à noite como qualquer outra cidade dos Estados Unidos.

Sentei-me na pequena mureta que me separava do chão. Meu quarto era no térreo, então eram mais ou menos alguns centímetros que me separavam de um pátio escondido do palácio. Havia uma fonte minúscula ali e também um jardim muito bem cuidado. Parecia que Frigga ou Loki haviam escolhido aquele quarto a dedo para que eu o ocupasse.

Uma batida na porta fez com que eu virasse para trás. A porta se abriu devagar. Loki entrou com sua costumeira calça negra, porém sem camisa como eu o havia encontrado na outra noite. Ele fechou a porta e se aproximou da sacada e se pôs ao meu lado. Franziu o cenho ao me ver com os fones de ouvido. Será que ele sabia o que era aquilo?

Claro que Loki sabia o que era música, no entanto ele nunca havia escutado uma música da Terra. Tirei os fones de meu ouvido e sorri para ele. Virei minha atenção para o jardim e suspirei.

– É uma bela visão. – disse gesticulando para o jardim.

Pelo canto de meus olhos pude ver que Loki assentiu ainda me olhando. Ele parecia quieto demais. O que será que ele veio fazer aqui?

– Você… você já ouviu alguma música de Midgard? – questionei.

Voltei minha atenção para ele. Loki fez um ‘’não’’ com a cabeça e olhou novamente para os fones em minhas mãos.

– Quer ouvir? – disse sorrindo?

Loki olhou novamente para o fone em minhas mãos e depois para mim. Ele parecia estar ponderando a situação. Sorri abertamente e entreguei um lado do fone para ele.

– Você coloca aqui. – disse mostrando como se fazia colocando a minha parte em meu ouvido.

Ele fez o mesmo e olhou para mim com uma centelha de expectativa em seus olhos. Selecionei novamente Storm em minha playlist e deixei tocar. O moreno abaixou seus olhos para o chão e franziu o cenho. Ele parecia estar concentrado na letra e na voz do cantor.

‘’Se eu pudesse apenas ver você

Tudo estaria bem

Se eu pudesse ver você

Esta escuridão se tornaria luz‘’

Olhei para o moreno perto de mim. Ele continuava olhando para o chão. Aquele trecho tocou no profundo de meu coração. Aquela parte lembrou-me que longe dele eu apenas via escuridão. Mesmo tendo Bucky eu não conseguia me sentir confortável ou sentir a paz que estava em meu peito nesse momento simples.

Às vezes sentia que eu precisava de algo, precisava de algo para sentir, finalmente, que tudo estava bem e então percebi que talvez eu nunca teria aquilo até ver Loki naquela comissão com a HYDRA. Mesmo sem ter ideia de quem era o moreno de cota verde, meu peito clamava por ele. Parecia que eu o conhecia de alguma forma e que através de seus olhos eu poderia enxergar quem eu realmente era.

E quando ele pôs seus olhos sobre mim, eu não soube o que fazer. Parecia que me olhava em adoração. Seus olhos espelhavam o sentimento dentro de mim que eu não conseguia entender.

Ainda olhando para seu rosto eu me aproximei e enrolei meus braços em seu abdômen. Encostei minha bochecha em seu tronco e fechei os olhos aproveitando daquele momento e daquela música. Eu não vi sua reação naquele momento, mas percebi o quanto ele relaxou quando meus braços tocaram seu corpo.

‘’E eu caminharei na água

E você me pegará, se eu cair

E eu me perderei nos seus olhos

Eu sei que tudo vai dar certo’’

Eu não sabia onde pertencia. Na verdade eu nunca senti que pertencia a lugar nenhum, nem mesmo na Terra, nem mesmo no colo de minha mãe ou no abraço de Thomas. Eu nunca senti que pertencia a algum lugar até este presente momento.

O moreno enrolou seus braços em minha cintura e então eu suspirei. Aconcheguei-me mais em seu peito e inalei o seu cheiro inebriante.

Os últimos acordes da música foram tocados e então ficamos em completo silêncio por alguns minutos. Assim que toda aquela aura se dissipou devagar, eu levantei meus olhos para ele. Loki mantinha seus olhos verde esmeralda em mim. Ele parecia ter entendido a mensagem da música que eu coloquei.

Afastei meu rosto mais um pouco para poder enxergá-lo melhor. Seus lábios estavam próximos dos meus. Abri um pequeno sorriso e fechei os olhos.

– Eu nunca senti que pertencia a lugar algum… – disse para ele ainda de olhos fechados – Mas nesse momento eu sinto que…

– Olhe pra mim. – ele sussurrou.

Abri meus olhos e encontrei os dele. Loki me olhava como no dia em que o reencontrei na Terra. Ele me olhava em adoração, e creio que eu fazia o mesmo.

– Cheguei aqui ainda sentindo que não pertencia a lugar algum, mas agora… agora aqui em seus braços eu sei que não pertenço a lugar algum mesmo, mas sim a uma pessoa só.

Loki aproximou devagar seu nariz do meu e fez um carinho. Fechei meus olhos esperando que o beijo viesse.

– Sinto que posso dizer o mesmo. – ele sussurrou para mim.

Ao ouvir aquilo meu coração palpitou. Ele estava reconhecendo que pertencia a mim. Ele havia admitido mais uma vez que seu amor, sua alma e seu coração eram meus e eu não pude me sentir mais vitoriosa do que naquele momento.

Busquei ansiosa seus lábios e finalmente selei nossa jura eterna de amor. Nós pertencíamos um ao outro. Eu sou dele, e ele é meu.

‘’Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu;

Cânticos 6:3’’

Autora’s pov

Frigga andava de um lado a outro em seu quarto. Visões e mais visões atrapalhavam sua noite. Ela estava preocupada com o que viria após toda essa calmaria. Sabia que Diana possuiria um papel fundamental para ajudar o planeta, mas tinha medo.

A loira tinha medo de tudo dar errado e perder a sua única filha de consideração. Diana havia arrebatado seu coração desde que apareceu nas visões da deusa. Ela sabia que tudo que a moça passaria não seria fácil, mas passaria e renasceria como uma fênix.

O espelho em seu quarto mostrava uma Freyja também apreensiva. A irmã de Frigga estava em um dos nove reinos. As duas eram completamente ligadas e se comunicavam sempre.

A deusa de Asgard havia lhe contado suas visões confusas. As duas não sabiam o que iria acontecer agora que Diana havia voltado para o reino, porém pressentiam que não era algo prazeroso e muito menos calmo. O caos estava para chegar como a profecia dizia sobre a morena.

– Quando ela acordar o caos reinará. – Freyja sussurrou novamente a última parte da profecia para Frigga.

– Freyja, você não está ajudando! – A loira guinchou em desespero.

– O que acha que temos que fazer, Frigga? Isso é uma profecia, ela vai se cumprir querendo ou não. – a deusa disse em um tom baixo.

– Eu… eu… acho que deveria me deixar sozinha agora, Freyja. Preciso trabalhar para desfazer essa maldita profecia. Loki e Diana estão em paz. Sabe a quantos deuses eu enviei minhas preces para que Loki encontrasse paz? – ela disse entredentes.

– Eu sei… você fez e ainda faz de tudo para que Loki e Thor sejam felizes e é algo admirável em você, Frigga. No entanto eu creio que não conseguirá impedir que essa profecia se cumpra. Está no sangue dela.

– Os antigos deuses não podem estar tão furiosos assim conosco, Freyja… não… – Frigga sussurrou.

– Minha querida, descanse um pouco. Eu irei ajudá-la para impedir que todo o caos aconteça. Lutaremos juntas como sempre fizemos. – Freyja levantou a mão como se pudesse acariciar o rosto da irmã.

Frigga assentiu, e então a deusa do amor desfez o feitiço de conexão entre ela e o espelho. A deusa de Asgard, e sua irmã, desapareceu de sua visão. As duas sabiam o quanto deveriam lutar para que Asgard ficasse em paz entre os nove reinos.

Deuses antigos… – Freyja sussurrou

Saiu de perto de seu espelho e se sentou na mesa perto da janela de seu quarto. A noite caía em Vanaheim. A deusa mantinha um pressentimento ruim sobre si mesma. Ela tocou de leve o colar em seu pescoço e suspirou.

Atrás da loira um movimento leve e calculado se iniciou. Uma alma apenas aguardava o momento de dar o bote e cumprir o que havia prometido para sua Senhora. A alma sabia que se não fizesse o que lhe havia sido imposto sofreria eternamente nas mãos dela, e o que mais a alma temia era aquilo.

Sua Senhora era temida, e a alma sabia que as razões por Hel ser temida eram claras. Todos em Helheim sentiam sua fúria e ódio enquanto caminhava entre eles.

A alma se aproximou da deusa loira e se concentrou. Sua senhora havia lhe dado uma espécie de adaga que poderia imobilizar a deusa por uma hora, e assim completar o trabalho. Ao se aproximar mais da loira sentada ela esperou o momento certo.

Freyja sentiu um calafrio em suas costas e o pressentimento ruim voltou. Ela olhou sobre os ombros e encontrou a alma negra atrás de si. Rapidamente a loira se levantou e afastou-se.

– O que fazes aqui, ser imundo? – ela gritou.

A alma tremeu ao ouvir a voz da loira. Sabia que não era digna de estar na frente de um ser iluminado como Freyja, a deusa do amor.

– Anda! Responda-me! – Ela disse entredentes.

Freyja era a deusa do amor, porém não havia simpatia entre os seres imundos de Helheim.

A alma mais uma vez tremeu ao comando da voz da deusa, porém ao lembrar dos olhos cor de violeta de sua Senhora a alma tremeu mais ainda. Ela imaginou-se queimando eternamente entre o fogo de Helheim. Imaginou todas as lembranças de seus entes queridos sendo disseminadas e a dor lancinante que era aquela experiência em sua mente.

Sem pensar duas vezes a alma correu para a deusa e as duas travaram uma batalha esquista. Freyja jogou a alma no chão e tateou sua cintura à procura de sua espada. Não estava ali como havia pensado.

Ahnaru – ela disse criando uma ilusão com seus feitiços.

A alma abriu um sorriso medonho e riu. Ela estava protegida dos malditos feitiços da deusa loira. Ao perceber que Hel havia sido mais esperta que ela, Freyja correu para o seu armário à procura da espada dourada.

Assim que a deusa segurou a espada e se aprontou para o ataque um baque fez com que ela ofegasse.

O baque havia sido da lâmina enfeitiçada de Hel. A alma havia cravado no abdome da deusa, com uma pontaria perfeita, assim que a mesma se virou para enfrentá-la. Freyja soltou sua espada e colocou as mãos sobre a lâmina.

Ao tentar puxá-la sangue jorrou de seu tronco. Os olhos de Freyja rolaram nas órbitas e ela caiu desacordada no chão de mogno de seu quarto.

A alma sorriu em satisfação e disse em sua voz maligna:

– A Senhora dos mortos manda lembranças, Freyja.

Karol

Jovem com alma de criança. Cabeça nas estrelas, pés no chão e olhos no céu. Escritora amadora nas horas vagas e sonhadora em tempo integral.