Redenção – Operação resgate – 34

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Midgard

A luz colorida da Bifrost tomou os olhos de Thor e Loki. O deus da trapaça olhou em volta e deu um suspiro, a última vez que esteve naquele reino seus planos de conquista fracassaram e o sacode que levou dos Vingadores não foi brincadeira. Apesar dos acontecimentos passados, Loki foi encorajado por sua mãe a voltar àquele lugar e fazer as coisas diferentes dessa vez, ele estava indo atrás de sua Redenção.

Os dois observaram o campo vazio em que aterrissaram. Onde diabos estariam? E o pior de tudo, como encontrariam Diana? Heimdall disse algo sobre ela estar em New York. Loki se lembrava do local em que instalara o caos, seus lábios se repuxaram em um pequeno e discreto sorriso, ele se regozijava ao lembrar-se em como o poder estava em suas mãos naquele momento.

– Precisamos achar um jeito de chegar a New York. – Thor disse balançando o Mjonir para voar.

– Você é muito perceptivo, Thor. – Loki debochou do irmão. O loiro revirou os olhos para o deus da trapaça e levantou voo.

Loki observou o deus do trovão planar no céu à procura da cidade que nunca dorme. Thor olhava apreensivo para todos os lados tentando se localizar. O deus da trapaça suspirou, seria uma viagem e tanto até encontrar Diana, e ele nunca esteve tão apreensivo para esse reencontro.

Diana observava seu corpo no vestido de gala no estilo sereia, o vermelho veludo do vestido fazia um contraste com sua pele morena. Seus cabelos caiam em cachos grossos pelas costas e a sandália alta com tiras lhe dava uma certa leveza mostrando seus pés.

Ela observava aquele vestido e sua mente a incomodava como se sempre usasse aquele estilo de roupa. Antigamente não se sentia tão confortável com saltos, mas agora era algo simples e costumeiro. A moça estava um tanto ansiosa, sua mente não tão silenciosa como antes. Ela tinha muita vontade de tomar o soro novamente para espantar os pensamentos, ou fantasmas como sua mente costumava nomear.

Hoje seria a festa de gala na HYDRA para que ela apresentasse seu projeto. O vértice, com toda a certeza, seria um grande sucesso e com a queda da SHIELD a organização iria conquistar outras civilizações e conhecer mais sobre o desconhecido de nosso universo.

Diana abriu a porta de seu quarto e ouviu o burburinho lá embaixo. Agentes, coordenadores, simpatizantes, até mesmo governadores estavam lá para ouvi-la falar. O frio em sua espinha começava a aumentar cada vez mais, e se sem querer acabasse falando alguma estupidez? Não queria nem pensar no que os espectadores achariam de seus erros.

Ainda observando minusciosamento o grande salão abaixo dela não percebeu alguém se aproximando dela. O Soldado Invernal se encontrava trajado em roupas finas e elegantes, diferentes de seu uniforme medonho. A máscara finalmente havia libertado os raios de beleza em seu rosto. Diana se virou e teve um sobressalto, aquele era o rosto dele?

Em momento algum a moça havia visto o rosto de seu professor e sempre imaginava como seria. Apesar de prestar mais atenção em seus olhos esverdeados. Os dois não conversavam muito, mas Diana se sentia próxima dele, pois quando sua mente gritava quase a ensurdecendo, o soldado parecia sentir o mesmo e compartilhar da mesma dor.

O soldado ainda a observava, ele sentia que seu coração pulava algumas vezes ao olhar para aquela mulher, de onde ela teria vindo? Alguns flashes na mente de Bucky mostravam Diana gritando de dor, a aparência triste com muitos machucados e ele sentia como se também fosse responsável por aquela dor. Sabia que a garota ficava fora do ar por algum tempo assim como ele, claro que isso não acontecia perto dela ou de outras pessoas na organização. Bucky se permitia ficar fora do ar no silêncio de suas noites mal dormidas.

A moça sorriu para ele, sorriu de verdade depois de muito tempo não sabendo mais como era sorrir. Bucky se surpreendeu com aquela reação, no entanto seu coração foi abraçado por brasas. Uma quentura tão gostosa, uma quentura aconchegante que havia esquecido a tempos.

Maria Hill observava Loki a todo momento em que ela e Thor conversavam. O deus da trapaça já estava ficando impaciente com toda aquela ladainha. Os dois finalmente acharam New York, uma espécie de automóvel na cor amarela havia levado os dois até o centro da cidade. Loki havia feito um feitiço para camuflar-se, afinal todos ali se lembrariam de um baderneiro como ele.

Thor e a agente conversavam sobre os acontecimentos tanto em Asgard como em Midgard colocando-se a par de tudo. O deus do trovão se preocupou com o ataque que Nick Fury sofreu e lamentou por sua morte. Maria Hill dizia que todos ali estavam trabalhando para fazer o melhor pela SHIELD e por Fury, deveriam estar atentos a qualquer ataque e que o Capitão América e a Viúva Negra estavam foragidos.

– Foi por isso que eu e Loki viemos, precisamos ajudar uma amiga de muito valor e Heimdall nos avisou sobre ela estar em New York em uma espécie de base secreta. Acreditamos que ela estava aqui, afinal ela possui uns… Ahn…

– Poderes especiais. – Loki observou.

Maria Hill se interessou por essa revelação. Era um tanto normal para ela falar sobre pessoas com poderes especiais, afinal ela estava conversando agora mesmo com uma espécie de deus que voava e tinha um martelo que somente ele poderia segurar. A agente camuflada nas ruas havia reconhecido Thor e se preocupou, afinal as coisas por aqui já não estavam nada boas e com ele estava Loki, claro que Hill queria saber o porquê e até mesmo ficar em estado de alerta caso o deus da trapaça quisesse atacar novamente.

– Que tipo de poderes? – Hill questionou.

– Ela é como uma… Jotun. – Thor começou. Loki revirou os olhos e interrompeu o irmão.

– Por acaso algumas coisas foram congeladas por aqui?

Hill arregalou os olhos e se lembrou do ataque. O Capitão havia percebido gelo nos asfaltos e em sua janela, como se alguém tivesse congelado a fechadura com suas próprias mãos.

– Acho que nossas situações estão se conectando, Thor. – A agente suspirou. – Essa sua amiga está trabalhando para a HYDRA.

Os irmãos se entreolharam. Hill suspirou mais uma vez e começou a contar sobre a organização rival da SHIELD.

Algum tempo depois…

– Como vamos achá-los? – Thor questinou seguindo Hill juntamente com Loki.

Ela passava pelos corredores rapidamente e entrou em uma pequena sala fechando a porta e deixando os dois deuses lá fora sem entender seus propósitos. Após alguns minutos a agente saiu com um pequeno tablet em mãos. Um pontinho vermelho piscava freneticamente na tela, alguns escritos confundiram Thor.

O que seria aquilo?

Ele pensou.

– É assim que vamos achá-los. – Hill apontou para o ponto vermelho.

– O que é isso? – Loki questionou.

– Esse ponto vermelho é Jane Foster. – A agente revelou pegando Thor de surpresa.

– Jane? – Hill assentiu para ele.

– Ela entrou em contato de alguma forma com Fury. Ela estava nos antecipando para com os ataques da HYDRA, afinal ela está lá dentro. Não sabemos o que aconteceu, até porque foi implantado nela uma escuta, então nossa comunicação era escassa. Jane nos pediu ajuda para salvá-la e mais uma amiga que estava sendo torturada para que a organização obtivesse respostas.

Uma amiga.

Loki pensou.

Que tipo de respostas essa tal de HYDRA queria e por que Diana estaria trabalhando juntamente com uma organização inimiga? Ela sempre zelou pela bondade e lutou pelo certo. Aquela história estava muito mal contada.

– Então, podemos ir? – Hill questinou.

Loki piscou freneticamente voltando para a realidade.

– Por que você iria? – Ele questionou.

– Vocês precisam de cobertura e duvido que conheçam as ruas de New York como eu conheço, e preciso saber o que a HYDRA está aprontando.

Hill começou a andar novamente com o tablet em mãos, passando por corredores. Algumas portas abertas chamaram atenção de Loki e uma em especial, dentro de um esquife de vidro, estava lá, seu cetro. O deus da trapaça teve uma ideia.

– Você só irá poder ir se eu tiver algo em troca. – Loki parou de andar.

Hill girou nos calcanhares e empinou o queixo. Thor cutucou o irmão. Loki lhe ofereceu um olhar de repreensão, ele sabia o que estava fazendo.

– O que o faz pensar que pode decidir ou não se vou? – Hill fuzilou Loki com os olhos.

– Você não pode atacar uma organização inteira sozinha, há poucos agentes por aqui, seu diretor está morto e precisa de pessoas lá dentro para que possa obter informações. Eu e Thor vamos entrar de qualquer jeito e sair de lá com Diana e a maldita midgardiana Jane. Nós três saímos bem dessa, mas somente se eu tiver algo para me defender caso as coisas não saiam como planejamos. – Loki revelou.

Hill levantou as sobrancelhas.

– O que você quer?

Loki observou novamente o esquife. A gema em sua lança brilhava como se o chamasse, como se sentisse falta de estar nas mãos firmes dele. Thor e Hill observaram a arma junto com ele e se entreolharam.

O estrondoso aplauso após uma dança tomou o salão e assim uma música lenta começou a tocar. Diana estava com sua taça de champanhe nas mãos atenta a tudo, apesar de estar em um baile ainda deveria fazer seu trabalho de agente e garantir a tranquilidade naquele importante evento.

Uma mão se pôs a sua frente. Ela teve um leve sobressalto ao observar que era o soldado invernal. Ele tinha uma expressão de questionamento como se a convidasse para dançar. Ainda surpresa, Diana assentiu e deixou de lado sua taça e repousou sua mão sobre a dele. Os dois foram para a pista e se misturaram aos casais de agentes, governantes e simpatizantes. O local se encontrava lotado.

As mãos firmes dele a seguravam na cintura. Os dois dançavam de forma leve e descontraída pelo salão. Diana olhou em volta e sua respiração foi se tornando ofegante. As pessoas ao seu redor pareciam querer sufocá-la. Flashes em sua mente a deixavam zonza, os vestidos de linho mudavam de cor, o rosto das pessoas cobertos de névoa. O salão elegante e chique mudava de cor e aspecto.

Diana olhou para seu companheiro e não conseguia ver seu rosto. A cor de suas roupas havia mudado, onde estaria? Ela apertou os olhos e respirou fundo, ao abrir novamente estava um local completamente diferente, era dourado e cheio de pessoas em vestidos mais elegantes ainda, espécies de garçons passavam para lá e para cá com taças de ouro. Ela olhou para si mesma, seu vestido se tornara preto.

– Diana! – A voz do soldado falou juntamente com outra.

Ao se virar a moça encontrou um par de olhos verdes e cabelos escuros que iam até abaixo da orelha. Ela franziu o cenho. Quem era ele? Por que seu coração pulsava tanto ao vê-lo?

– Você está bem? – A fisionomia dele mudou novamente e se tornou a do soldado invernal.

A moça fechou os olhos e balançou a cabeça levemente. As imagens do salão dourado se dissiparam aos poucos. A realidade tomando sua consciência. O que diabos era aquilo? Quem era aquele homem tão bonito? Ao olhar novamente para o soldado invernal encontrou seus olhos esverdeados, e seu coração deu um leve solavanco.

– Eu preciso me sentar um pouco antes de apresentar a teoria. – Bucky assentiu para ela e os dois procuraram um local para que a moça organizasse os pensamentos.

Algum tempo depois…

A moça se encontrava na parte de cima das escadas para que todos vissem. Jane estava feliz pela amiga, mas ainda assim preocupada e com medo pelo conhecimento que Diana estava dando a todas aquelas pessoas com tantas intenções ruins.

Foster olhava discretamente para os lados a espera da tropa de Fury para acabar com tudo aquilo. Será que suas informações não foram o suficiente? O estrondoso aplauso dos convidados fez Jane se assustar e dar um pequeno pulinho. Diana havia terminado seu discurso e agradecia aos convidados pela atenção. Ela desceu as escadas e esticou o pescoço à procura da amiga.

Jane decidiu que precisava de um pouco de ar. Diana ao achar a amiga começou a segui-la, no entanto foi interrompida por governadores que queriam lhe falar. Jane entrou em um corredor vazio e ficou observando os grandes quadros. Aquela era a casa do diretor da HYDRA e pai de Thomas. O local servia como uma fortaleza e a base central da organização. Haviam muitos corredores, muitas portas que com certeza escondiam segredos medonhos.

Jane respirava rapidamente. Suas sobrancelhas unidas enquanto ela observava as pinturas. De repente uma mão puxou seu braço fortemente para dentro de uma porta. Ela nem teve tempo de gritar. O local estava completamente escuro e a moça não via absolutamente nada. A mão em seu braço ainda a segurava deixando descargas elétricas em seu corpo.

Ela deduziu que seria um homem, pois quando foi puxada seu corpo se chocou com o dele. O tronco largo a fez deduzir isso. O homem pôs a mão em sua boca e a puxou novamente para o fundo da sala onde possuía uma pequena sacada. Lá estava mais iluminado. Jane tremeu ao observar que estava em um quarto com a vista para a parte mais vazia da mansão. Ainda de costas para o homem, Foster torceu para que fosse alguém da SHIELD e não um agente da HYDRA. Porque se fosse, ela seria morta agora mesmo.

– Jane. – A voz de trovão estrondou em seus ouvidos, a moça mal podia acreditar no que estava ouvindo.

Ela se virou rapidamente e encontrou o rosto de seu amado. Seus olhos se encheram de lágrima, seu peito de amor juntamente com raiva. O que diabos ele estava fazendo ali? A saudade ardia no peito de Jane como uma maldita labareda.

– Thor?! – Ela sussurrou.

O deus do trovão soltou um pequeno sorriso para ela. Jane suspirou e se jogou nos braços de seu amado. Ela puxou seu pescoço para mais perto e colou seus lábios nos dele. Ódio, fúria, amor, decepção e saudade embalaram o beijo dos dois. Jane estava quase se perdendo quando lembrou-se de ter sido abandonada por ele.

A moça soltou-se de Thor e se afastou. O deus do trovão continuava de olhos fechados como se lhe tivesse sido jogado um feitiço. Jane levantou a mão e lhe esbofeteou o rosto. Rapidamente o loiro abriu os olhos surpreso e observou o rosto de sua amada. A raiva emanava dela. Thor sentiu-se triste pelo que causou a sua amada.

– Você… Você me abandonou! – Jane aumentou a voz.

– Shhhh! – Thor se aproximou dela. A moça fugiu.

– Bem, isso foi uma cena e tanto. – Loki disse saindo de um canto escuro do quarto e soltou um risinho.

Jane pulou de susto e observou o deus da trapaça.

– Você não devia estar morto? – Foster observou pausadamente ainda tentando compreender o que estava acontecendo ali.

Loki sorriu para Jane e deu de ombros debochando de sua observação.

– O que diabos está havendo? – Jane ralhou.

– Precisamos de sua ajuda. – Thor disse atraindo a atenção dela. – Viemos resgatar você e Diana.

Foster arregalou os olhos. Ela sabia que Diana havia conhecido os irmãos encrenca, mas nunca pensou que Loki viria atrás dela. Apesar de saber do beijo dos dois, o deus da trapaça havia agido em seu normal e traído a confiança de Diana.

– Eu só… Só quero sair daqui e tirar Diana também. – Jane suspirou.

– E vamos fazer isso. – Loki disse virando de costa para os dois.

A morena começou a andar pelo salão à procura de Jane. Um aceno foi reconhecido. A loira chamou sua amiga. Ao se encontrarem Jane a parabenizou, os olhos da moça estavam distantes e ela parecia um tanto preocupada.

– Aconteceu alguma coisa, Jane? – Ela perguntou.

– Ahn… Não. Só preciso que você venha comigo.

Diana assentiu e começou a seguir a amiga. Um impulso a fez olhar para trás e encontrou os olhos de Bucky. Os dois se observaram por algum tempo, as inúmeras perguntas não respondidas refletidas no olhar. O soldado estava um tanto preocupado com Diana, ela parecia estar atormentada com seus pensamentos. Uma movimentação estranha entre os agentes de plantão fez com que o soldado apurasse seus sentidos.

As duas chegaram a um corredor afastado, Jane tentava tagarelar sobre a apresentação como se enrolasse Diana.

– Certo, o que está havendo? – A moça parou a loira e questionou.

– Tem alguém que quer vê-la. – Jane suspirou.

– Alguém? – Diana questionou.

– Sim! Fique aqui, eu já volto. – Foster tocou o ombro da amiga e lhe deu um abraço reconfortador. – Confie em mim.

A loira saiu a encontro de Thor no local que haviam combinado. Eles, juntamente com Hill e um feitiço de Loki iriam atrair a atenção dos agentes para que Loki falasse com Diana e a trouxesse para que enfim os dois fugissem dali juntamente com os outros. Hill iria conseguir informações através de Diana.

A moça olhou em volta. Alguns agentes passavam rapidamente comunicando-se entre si com seus pontos no ouvido. Diana começou a andar devagar pelo corredor, aquilo não estava cheirando nada bem. Uma mão agarrou seu ombro e a puxou pela porta. Seu tronco bateu na madeira da porta que se fechou rapidamente. Seus olhos se fecharam com o impacto. Ao abri-los novamente, Diana soltou um arquejo.

– Quem… Quem é você?! – Ela questionou em desespero.

Aqueles malditos olhos verdes, os cabelos abaixo da orelha. Um jaleco preto trajado de forma fina e elegante. Uma lança em suas mãos. Aqueles olhos, ela conhecia. Os olhos que ela havia visto enquanto dançava com Bucky.

Loki observava Diana e a inspecionava. Nenhum arranhão. Tudo em seu lugar. Nada diferente, até ouvir seu questionamento.

– Diana! – Loki disse seu nome com o sotaque arrastado. A pele da morena se arrepiou.

Os olhos cor de chocolate estava assustados. As sobrancelhas unidas. Ela não o conhecia. O que diabos fizeram com ela?

– O que… Eu não lhe conheço. – Diana tentou se desvencilhar de seus braços.

Loki arregalou os olhos. Parecia que haviam lhe enfiado uma estaca de gelo no estômago. O que aqueles malditos tinham feito com sua Diana?

– Diana… Sou eu, Loki! – Ele rugiu.

A moça continuava a observá-lo como se não o reconhecesse. Mas ao ouvir aquele nome, seu coração saltou como se tudo, todas aquelas dores de cabeça e os fantasmas em sua mente, estivessem relacionado a ele.

– Eu… Eu não o conheço. – Diana disse.

Loki a olhou com um ódio e soltou um grunhido. Suas mãos foram de encontro ao rosto da moça e ela achou que ele iria machucá-la, no entanto, o homem grudou seu corpo no dela como se quisesse fundir-se nela. Os lábios macios e nada gentis tomaram os seus. Diana se surpreendeu com aquilo, sua mente gritava por socorro e questionava quem era ele e o porquê de estar lhe beijando, mas sua mente gritava mais ainda, pois seu corpo reagia a ele, seu corpo clamava pelo homem à sua frente como se soubesse a quem pertencia.

A moça fechou os olhos e leves explosões tomaram seus sentidos. Era como se estivesse tudo em chamas e ela quisesse realmente se queimar. Mas, quem era ele? Diana abriu os olhos e empurrou o homem com toda a sua força. Loki se surpreendeu com a força da moça e mais ainda ao ver os olhos dela num tom carmim.

– Por que fez isso? Eu não o conheço. O que faz aqui em nossa base secreta?

– Precisamos sair daqui. – Ele se aproximou e a segurou novamente nos braços.

Diana puxou novamente e olhou ao redor. Abriu a porta e saiu para o corredor.

– Eu não tenho que sair daqui, aqui é minha casa. – Ela disse.

– Eles usaram você, Diana. A fizeram esquecer de mim, de nós. – Loki disse fazendo com que Diana se enfurecesse.

– Nós? Eu nem o conheço. A HYDRA nunca me usou, eles me salvaram da SHIELD que apenas queria me usar como um rato de laboratório.

Loki piscou os olhos freneticamente. Ela sabia de seus poderes? A SHIELD queria usá-la? Jane havia revelado tudo aos dois.

– Jane nos disse que a HYDRA está lhe usando, Diana. Eles querem que você seja um portal para Asgard, depois disso a matarão, pois sabem que o tal soro que sempre toma está em falta.

Diana arregalou os olhos. Como ele sabia do soro? Como sabia do precioso soro que lhe acalentava os pensamentos?

– Jane… Jane é uma traidora. – Diana enfureceu-se.

– Não… Ela quer salvá-la e nós vamos sair daqui. – Loki segurou novamente os braços de Diana.

Os olhos da moça se tornaram carmesim puro, o ar no corredor começou a esfriar. Diana empurrou Loki para a outra parede se soltando dos braços dele.

– Você é um inimigo e deve ser eliminado. – Ela disse em uma voz calma como se estivesse programada para fazer aquilo.

O que haviam feito com sua Diana? A transformaram em uma máquina de matar. A moça partiu para cima de Loki e o bombardeou com socos e chutes. Loki a todo custo tentou se defender com sua lança e se surpreendeu com a agilidade e destreza dela. Ela havia sido treinada para matar sem piedade e de forma rápida. O deus da trapaça se defendia elegantemente, mas estava começando a acreditar que não venceria aquela luta.

Os dois rolaram no chão. Diana fez uma estaca de gelo com seu punho e quando ia infincá-la no coração de Loki, ela observou seus olhos se distraindo. Um martelo voou na direção da estaca e o destruiu. Diana levantou a cabeça e observou como estava enrolada nos tecidos de seu vestido. Ao longe um homem loiro com uma capa vermelha a olhava preocupado. Jane estava atrás dele.

– Você! – Diana levantou-se quase caindo – Nos traiu, Jane!

Quando a moça estava quase indo atrás da loira, o homem ao seu lado fez um gesto com a mão e um baque atingiu Diana. Ela caiu no chão ainda acordada, porém muito zonza. Thor falava alto com o irmão para que ele a deixasse ali, não poderiam levá-la agora. Loki olhava para ela ainda em desespero, estagnado no chão por não acreditar no que havia acontecido, ela não exitou ao tentar matá-lo.

Diana pôs sua mão sobre o chão e usou sua força, ele começou a congelar. Loki se levantou rapidamente puxando o pé com muita força e fazendo cacos de gelo saltitar para todos os lados. Ela tentava de toda a forma prendê-los ali no chão até alguém chegar para que fossem presos e após isso, executados.

Os três sumiram de sua vista e ela tombou no chão. Lágrimas molharam seu rosto. Por que era tão triste vê-los ir embora? Ela estava arrasada por ter fracassado? Estava assim por ter deixado invasores inimigos descobrirem coisas importantes sobre a HYDRA ou por uma parte bem pequena de si lhe fazer as mesmas afirmações sobre estar sendo usada?

– Diana! – Uma voz gritou por ela. A moça elevou seus olhos, era o soldado invernal.

Ela tentou se levantar, mas caiu novamente. Os braços de Bucky seguraram a moça. Ela tinha um corte na testa por ter rolado no chão com Loki. O soldado invernal tinha ouvido o alerta de invasores na festa. Mas ao chegarem no local perceberam ser uma armadilha e ele logo ouviu o estrondo ali perto, seus pensamentos se dirigiram para a moça que não os deixavam em paz.

A morena observou o homem. Seu coração acelerado, sua estava mente gritando, os lábios do invasor ainda pareciam estar nos seus. O local em sua cintura onde ele tocou com um desejo voraz ainda formigava. Diana não entendia aquilo. As mãos de Bucky em sua cintura. O caos em sua mente.

– Paz… Um pouco de paz. – Ela sussurrou fechando os olhos. Puxou suas mãos e cobriu os ouvidos como se muitas vozes estivessem gritando.

– Diana! Olhe pra mim. – Bucky a sacudiu de leve para que ela lhe desse atenção. Não deu certo.

O soldado sentiu uma vontade enorme de livrá-la daquilo, de tirar seu tormento. A puxou para mais perto de si e a abraçou. Ele se surpreendeu consigo mesmo, pois não se lembrava de como era ter um corpo próximo de si de forma tão carinhosa e protetora. Ele a apertou. As lágrimas dela lhe molhavam o terno dele, sua respiração descompassada foi ficando devagar até que a moça abriu os olhos e levantou a cabeça encontrando o rosto do soldado. Ele a olhava com um misto de medo, incompreensão e carinho. Apesar de todos os acontecimentos anteriores a moça esqueceu o que havia passado e sentiu o pouco de paz que pedia. O soldado também sentia o mesmo, os dois compartilhavam a mesma dor e naquele momento estavam sendo a cura um para o outro. Diana encostou sua testa na do soldado e fechou os olhos ansiando por mais tempo naquele porto seguro. Sem saber muito o que estava fazendo, Bucky fechou seus olhos e aproximou seus lábios do dela e selou aquele momento de paz com um beijo calmo, cálido e extremamente tímido.

Thomas ofegava e se debatia. O carro em que estava andava em alta velocidade até certo ponto, depois disso ele estagnou. Algo impedia a visão do ruivo, ele havia sido sequestrado. Tudo acontecera rapidamente. Os agentes haviam caído em uma cilada e Thomas decidiu que se separassem para procurar os invasores.

Até que um impacto em sua cabeça o fez cair e desmaiar e quando acordou estava dentro de um veículo com sua cabeça coberta e uma maldita dor latejante. De repente o carro parou e portas bateram. Thomas se manteve em silêncio, sabia como reagir a um sequestro e principalmente a tortura. Estava pronto para isso.

A touca em sua cabeça foi retirada, o ruivo piscou freneticamente e observou um homem branco de olhos verdees, seus cabelos chegavam abaixo da orelha. Ele tinha uma expressão mortífera. Loki segurou Thomas pelos braços e o arrancou do veículo o jogando no chão.

O impacto foi tão forte que fez o ruivo tossir para trazer ar novamente aos seus pulmões. Ele olhou em volta e observou Jane, sabia que deveriam ter feito com ela o que fizeram com Diana, ela seria mais útil sem memórias. Uma mulher de cabelos curtos e negros o observou com um misto de raiva e satisfação. O loiro estava ao lado de Jane e mantinha a mandíbula cerrada.

Okay, todos ali o odiavam, era bem claro.

– Agora você vai começar a falar. – O de cabelos pretos o pegou pelo colarinho e o levantou. Thomas teve medo, mas não demonstrou.

– E se eu não quiser falar?  – Rebateu tentando esconder seu medo em deboche.

O homem levantou as sobrancelhas dando um pequeno sorriso maléfico. Thomas tinha medo sim de tortura, mas fazia de tudo para se mostrar forte. No entanto, só o olhar daquele homem o fez acreditar que tortura de agente algum se compararia ao que ele faria se não o obedecesse.

Acredite em mim, você vai implorar para falar tudo que sabe. – Disse Loki entredentes.

Karol

Jovem com alma de criança. Cabeça nas estrelas, pés no chão e olhos no céu. Escritora amadora nas horas vagas e sonhadora em tempo integral.