Redenção – Precisamos conversar – 5

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Acordei completamente assustada e me sentei em um pulo na grande cama, olhei em volta tentando lembrar onde estava. Minha respiração começou a ficar mais rápida e desesperada, levantei-me rapidamente tentando me orientar em meio a pouca claridade que aquele quarto estranho se encontrava.

Dirigi-me a grande janela que pendia cortinas enormes e grossas. Com medo e desconfiada toquei-as e tentei juntar coragem para abri-las e saber onde estava.

‘’Respira fundo Diana, tenha coragem!’’ – Disse para mim mesma enquanto observava o quarto.

Puxei com mais força do que imaginei a grande cortina, fazendo um ruído esquisito que me deu um arrepio na espinha. Observei do lado de fora e me surpreendi com a lua extremamente grande e brilhosa, e as casas eram de certa forma esquisitas, nada estava aceso e era possível ouvir barulho de ondas ali perto.

O desespero começou a tomar conta de mim, onde eu estava? Não é New York! Não pode ser! Não posso estar longe de casa, não posso… Olhei para a cama e encontrei meu cobertor favorito, se ele estava aqui então quer dizer que não estava em uma enrascada total, ou quem sabe?

O quarto estava meio escuro, mas era possível ver que o céu estava clareando. Voltei para a cama me enrolando na coberta e tentando não pensar nos malditos pesadelos que eu tive, deitei-me de lado e fechei os olhos tentando reorganizar meus pensamentos, talvez apenas estivesse sonhando de novo.

‘’Isso não é real’’

Repetia freneticamente tentando conter os flashes de lembranças e do pesadelo, eles me perseguiam. Minha mandíbula estava dolorida da força que eu fazia com meus dentes tentando achar nesse ato uma forma de me lembrar onde eu estava e jogar fora todos os flashes na minha possível lixeira mental.

Abri os olhos e puxei a coberta olhando novamente em volta, agora eu sabia onde estava. Asgard!

– Acabei chegando ali através de um vórtice e agora eu preciso escolher bem meus passos, ainda sou uma ‘’ameaça’’ aqui. Thor e Odin podem dizer que confiam em mim, mas eu devo confiar neles? Não! Não posso confiar em ninguém além de mim mesma, aprendi isso a mais de quatro anos atrás. – Repeti para mim mesma como um mantra.

Apesar de tudo eu preciso manter o foco, ainda tenho uma missão neste lugar e quando completpá-la posso pedir algo em troca, minha volta para a Terra.

A estrondosa risada de Volstagg entrou por meus ouvidos quase me dando um mini ataque cardíaco tamanho o susto que tive, olhei em volta. A mesa do café estava posta e ao meu lado se encontrava Thor levantando sua xícara e jogando-a no chão e gritando ‘’Mais um’’ fazendo todos na mesa rir. Meus olhos encontraram Lady Sif que tomava seu hidromel tentando esconder o sorriso do qual a deixava extremamente bonita, aliás todas as mulheres de Asgard eram tão elegantes e donas de um beleza extraordinária o qual me deixava com a auto estima depois do chão.

Ela mantinha seu olhar com aquela expressão de adoração para Thor, é bem visível o quanto ela sente uma atração muito forte por ele, o que é bem óbvio porque o asgardiano loiro tem borogodó.

Peguei algo na mesa tentando comer apesar de estar sem fome, a risada de Volstagg parou e o silêncio se instalou na mesa enquanto eu colocava algumas coisas em meu prato. Levantei meu olhar e percebi que todos que estavam à mesa pararam para me observar:

– O que houve? – Disse constrangida

– É o que nós queremos saber, Diana. – Disse Frandal de forma direta.

– Não estou entendendo. – Tentei desconversar

Lady Sif finalmente tirou os olhos de Thor e me analisou de cima a baixo com um olhar de preocupação, eu realmente gostava dela. No jantar nós conversamos o suficiente para eu crer que ela pode se tornar uma pessoa especial.

– Suas olheiras estão gritando uma noite mal dormida, Diana. – Diz ela dando um gole em seu hidromel e dando de ombros.

Droga! Todos iriam descobrir sobre minha noite mal dormida e ficariam me questionando sobre isso.

– Ah isso? Elas sempre aparecem quando acordo cedo. – Disse dando uma risadinha pelo nariz.

Eles se entreolharam me excluindo de uma conversa que só eles conseguiam compreender, continuei comendo e tentando disfarçar ao máximo meu desânimo. O silêncio era quase ensurdecedor para mim, porém quando descobri algo para iniciar um assunto, Thor falou antes de mim:

– Hoje começa seus treinos com Sif, Diana. Espero que esteja pronta. – Soltou um risinho.

– Ah, eu estou. – Disse sarcástica.

Pelo menos conseguir arrancar risadas de todos fazendo com que o clima voltasse ao normal.

Eu e Sif nos dirigimos para parte de trás do palácio dourado de Odin. Pude observar um local de treinamento, algumas crianças estavam ali e quando avistaram Lady Sif começaram a acenar freneticamente arrancando pequenos risinhos da morena ao meu lado.

– Eu vou treinar com as crianças? – Disse incrédula.

– Acha que é fácil aprender a manejar espadas, lanças e escudos, Diana? – Disse ela rindo.

– Bom, na verdade eu vi em alguns filmes e…

Ela me lançou um olhar do tipo ‘’O que diabos seriam filmes?’’ e então eu fiz um gesto com a mão dispensando explicações. Nós fomos em direção às crianças e uma menina em especial me chamou a atenção, seu cabelo é de um vermelho extremamente vívido e seus olhos muito azuis, algumas sardas charmosas salpicavam seu rosto e me parecia ser a mais agitada de todas.

– Lady Sif, quem é essa? – Disse ela correndo e pulando no colo de Sif que já parecia acostumada com isso.

– Olá Allya, essa é Diana a mais nova integrante do grupo, ela treinará conosco de agora em diante, a recebam bem porque depois de mim ela será responsável por vocês aqui também. – Disse me lançando um olhar encorajador.

– Oi crianças! – Disse acenando timidamente – Espero que vocês gostem de mim.

Allya colocou sua mãozinha em meu ombro e agarrou meu pescoço dando impulso para ir ao meu colo, a segurei pela cintura e a acomodei em meus braços, ela colocou suas mãos em cada lado do meu rosto e deu leves batidinhas abrindo um lindo sorriso.

– Você é bonita. – Disse ela sincera.

– Você é linda. – Disse dando uma pequena risadinha. – Olha esses cabelos maravilhosos.

Seu rosto ficou levemente corado o que a deixou com um aspecto muito mais fofo do que o normal, aquela garotinha realmente tinha ganhado meu coração só com um sorrisinho envergonhado.

– Tudo bem mocinhas, vamos começar a treinar? – Disse Sif nos observando com um sorriso.

Eu e Allya assentimos juntas e a coloquei no chão. Todas as crianças desembainharam suas pequenas espadas e foram para os bonecos de palha que serviam para o treino.

Sif me puxou gentilmente pelo braço e me levou para o canto do pátio onde tinha um alçapão, ela o levantou revelando muitas espadas e escudos, eu deveria escolher a minha.

– Vamos, escolha uma! – Disse ela entusiasmada.

Observei atentamente as espadas, todas eram lindas e extravagantes, porém, uma me chamou a atenção no meio de muitas. Era dourada com uma grande pedra azul piscina perto do cabo também dourado com algumas tiras de couro enroladas, era visível o quão feminina era aquela espada, porém mortal nas mãos de quem realmente sabia usá-la. A peguei rapidamente examinando, não era pesada para mim e então fitei Sif decidida, aquela era minha espada.

Escolhi um escudo também dourado que tinha o elmo dos soldados de Asgard com uma estrela embaixo, fui até Sif e começamos o treinamento que ela dizia ser simples, estava na cara que eu ia apanhar muito até aprender algo e algo me dizia que que apanharia dos pequenos guerreiros que lutavam bravamente contra os bonecos de palha.

Minha espada e escudo estavam em um lado do quarto, havia acabado de chegar do jantar e o tédio me consumia dentro daquela torre, não avistei Aaron o dia todo, pois fiquei a manhã e a parte da tarde treinando golpes com Sif e as crianças.

Levantei-me da macia cama asgardiana e me dirigi à penteadeira observando meu cabelo, ele estava um palmo maior do que havia notado no mês passado, os cachos marrons caíam sobre minhas costas chegando quase à cintura. Passei a mão por meu rosto tentando tirar um pouco da maquiagem que usava para os jantares no palácio.

Decidi que iria passear um pouco pelo pátio, observar o lago e quem sabe colher uma daquelas maçãs douradas que me pareciam suculentas. Abri a porta do quarto e desci as escadas de minha pequena torre, passei por alguns guardas e entrei em outro corredor que dava acesso à sala do trono e pude ouvir algumas vozes vindas de lá.

– Tudo está tranquilo em Asgard, porque nos preocuparmos com a Midgardiana? – Disse uma voz estrondosa que deduzi ser um nobre.

– Precisamos manter nossos olhos nela. – Disse Odin, sua voz era irreconhecível.

Então quer dizer que o Poderoso Pai de Todos tinha dúvidas de que eu pudesse destruir Asgard, soltei um risinho quase inaudível e sacudi a cabeça. Estava certa em escolher meus passos e ter certeza do que dizer e fazer, estou sendo observada e não posso dar nenhum indício de que farei algo errado.

– O Conselho Real está encerrado. – Disse Odin novamente.

Ainda no começo do corredor me escondi atrás de uma pilastra e esperei que todos saíssem da sala do trono, eu precisava deixar Odin ciente de meus passos dentro do Palácio, não queria arranjar mais problemas do que eu tenho.

Enquanto os nobres sumiam no final do corredor me dirigi à porta da sala do trono e bati ouvindo um ‘’entre’’ do Rei.

Adentrei no salão fazendo a costumeira reverência, apesar de não gostar disso e de Odin não ser meu Rei, eu lhe devia respeito.

– Com licença, Vossa Alteza. – Disse de um jeito estranho, era complicado usar esses termos quando se vivia em New York.

– Diana O’connor, como tem passado? – Disse tentando esconder sua indiferença na voz.

– Estou bem, obrigada. Os cuidados que estou tendo aqui são maravilhosos. – Disse sincera e ele assentiu. – Queria pedir sua permissão para passear pelo pátio e encontrar meu amigo soldado, Aaron.

– Mas é claro. – Disse ele surpreso por estar pedindo permissão. – Não precisa me pedir isso, apenas deixe os soldados que estão em guarda avisados.

É claro, eles estão ali para me vigiar.

– Tudo bem! – Disse tentando sorrir de forma simpática – Obrigada por isso.

– Não há de quê.

– Com sua licença. – Disse fazendo uma reverência e saindo da sala do trono.

Sentei-me no mesmo banco em que conversei com Thor alguns dias atrás e fiquei observando o lago. Meus pensamentos estavam longe e malucos dentro de minha cabeça, o gafanhoto asgardiano não parava de aparecer no meio dos outros pensamentos me deixando preocupada em saber como ele estava, precisava dar início a missão.

Nem percebi quando Aaron se aproximou e sentou ao meu lado passando seus braços em meus ombros em um desajeitado abraço, dei um pequeno pulo de susto e soltei uma risadinha e o abracei de volta.

– Você está gelada, Diana. – Disse preocupado. – O que está fazendo aqui fora?

– Vim procurar por você, mas não sabia onde estava e também não quero me arriscar andando por ai e ser presa de novo. – Disse fazendo uma careta.

– Vamos combinar de que quando não nos vermos de dia, podemos nos encontrar aqui na frente do lago, o que acha? – Disse entusiasmado.

– Claro, eu vou precisar te contar o que houve no meu dia. – Disse fazendo uma careta.

Arranquei boas risadas de Aaron falando sobre Allya e meus treinos com Sif e as crianças; Descrevi também minha espada e ele gostou do fato de eu estar aprendendo a lutar.

– Mulheres guerreiras me fascinam. – Disse levantando uma sobrancelha me fazendo rir um pouquinho alto.

{…}

Ele me contou como foi seu dia em treinamento de manhã e que resolveu mais alguns assuntos da guarda a tarde, por isso não pode ir me ver treinando com Sif, porém prometeu que amanhã passaria por lá e me ajudaria.

– Você sabe como Loki está? – Disse de repente e ele bufou.

– Por que se importa com ele? É um assassino. – Respondeu entredentes.

– Não importa, eu preciso pensar em algo para começar a missão que me foi dada. Precisava vê-lo. Pode me levar até lá? – Ele manteve seu olhar no meu cheio de significados que não entendi.

– Você é muito inocente não é mesmo, Diana?

Eu realmente não entendi o que ele quis dizer com isso, Loki merecia ser ajudado e senti que deveria ser eu a fazer isso.

– Por que está dizendo isso?

– Loki não irá mudar, Diana. Ele é um assassino, traiu Thor e usurpou o trono de Odin enquanto estava em seu sono. Acha mesmo que com sua ajuda ele se renderá? – Disse desacreditado.

Aquilo entrou em meu coração como pequenas agulhas, meu balão de expectativas foi estourado com aquele comentário de Aaron, eu entendia sua raiva para com Loki, só não achei justo ele não confiar em mim. Eu sei o que é ser um brinquedo quebrado.

– Eu esperava que você me apoiasse nisso, Aaron. Você é meu amigo. Vou tentar fazer o possível para ajudá-lo, não tenho certeza de que vai dar certo, mas tentativas são sempre bem vindas. – Disse ofendida.

– E é como seu amigo que peço que desista dessa missão. – Respondeu ele nervoso.

– Não me peça para desistir disso, Aaron. Estou aqui presa e não vou voltar para Terra, preciso fazer algo antes que fique maluca da cabeça e acabe socando alguém. – Aumentei minha voz.

Shhhhhhh! Não grite. – Disse ele olhando para os lados.

– “Não faça ‘‘Shhhhh” para mim. – Fiz cara feia e me levantei. – Vou falar com Loki sozinha, não precisa me esperar, sei encontrar meus aposentos por conta própria.

Desci as escadas que davam acesso para as celas, andei até a primeira que se mantinha aberta. O lindo asgardiano estava sentado de costas para o campo de força lendo como sempre e o que me deixou completamente atônita é que ele estava sem a cota verde e sem sua estranha camisa preta, os músculos das costas eram visíveis e os cabelos tocavam seu pescoço de uma forma que eu invejava.

Ele se virou meio de lado ainda concentrado no livro e pude ver o lado de seu braço também torneado, estava quase certa quando o chamei de ‘’deus grego’’, porém ele é um nórdico e meu santo Odin, que belos braços e belas costas… O que eu vim fazer aqui mesmo?

Eu ainda mantinha meus olhos em seu braço quando ouvi um pigarreio. Essa não, ele percebeu que eu estava mais uma vez o secando, se olhar arrancasse pedaço Loki já estaria todo despedaçado. Soltei uma pequena risadinha com meus pensamentos nada organizados e tentei focar meus olhos nos dele.

Quando percebi que ele me olhava com confusão pisquei algumas vezes e me mexi desconfortavelmente, meu rosto devia estar em brasas. Cheguei mais perto do campo de força e ele colocou o livro de lado, suas sobrancelhas se arquearam me analisando de cima a baixo. Olhei para baixo também com medo de estar faltando algo, meu vestido verde água aberto em fenda na perna se mantinha intacto e também o bracelete dourado de estrelas estava em meu braço.

– Não deveria estar aqui, midgardiana! – Disse ele fazendo todo meu corpo se arrepiar com aquele sotaque arrastado e sua voz grossa.

Ele franziu suas sobrancelhas e tentei dar meu melhor olhar despreocupado que era possível, precisava pensar em algo rápido para conversar com o gafanhoto para mascarar minha preocupação em saber se ele estava bem, mas pelo que vejo – e que bela visão essa – ele continua entediado dentro dessa droga de cela. Ele estava esperando uma resposta e então soltei a melhor que poderia falar nesse momento:

– É… – Droga, eu sempre gaguejava na frente dele. Soltei um pequeno pigarro e dei continuidade. – Nós precisamos conversar asgardiano!

Karol

Jovem com alma de criança. Cabeça nas estrelas, pés no chão e olhos no céu. Escritora amadora nas horas vagas e sonhadora em tempo integral.