Redenção – Segunda Chance – 4

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 Filament.io 0 Flares ×

 

 

 Eu estava em um campo enorme e bonito. A noite era uma das mais belas que eu já vi, assim como a lua tão alva, límpida e próxima o céu estava repleto de estrelas e no meu lado esquerdo, para minha surpresa, eu conseguia observar a Via Láctea, tudo estava completamente perfeito.

Olhei para baixo e vi que me encontrava em cima de meu cobertor de florzinhas e uma garrafa de champanhe e duas taças estavam ao meu lado com um pote de vidro com flores entalhadas, dentro delas tinham morangos lindos e suculentos.

Meu telescópio estava a minha esquerda e eu soltei um gritinho de animação e me levantei indo até ele, era impossível existir uma noite tão linda e maravilhosa como aquela, meus olhos rapidamente se encheram de lágrimas que escorreram por meu rosto, o sorriso deu o ar de sua graça. Todo aquele cenário me fez sentir livre e viva como nunca havia me sentido antes de tudo acontecer.

Ouvi um leve farfalhar atrás de mim, mas a excitação de ver tudo aquilo era maior do que minhas preocupações e também o fato de estar longe de Asgard e daquela cela. Tudo estava extremamente perfeito e eu queria realmente aproveitar aquilo porque minha sorte era como um balão, alguém sempre viria estourá-lo.

De repente mãos seguraram de forma possessiva e firme a minha cintura, me fazendo dar um pulo de susto. Virei rapidamente batendo em um corpo alto e forte que ainda mantinha suas mãos geladas sobre mim, levantei meu rosto e dei de cara com o gafanhoto asgardiano, vulgo príncipe Loki. Seus olhos pareciam mais verdes do que o normal e ele estava trajado de uma calça escura e sua mesma cota verde, que agora tinha traços de estrelas douradas

Ergui minhas sobrancelhas fazendo uma cara do tipo:

”Mas o que diabos está acontecendo? O que ele está fazendo me segurando desse jeito?”

Eu estava surpresa por aquela criatura aparecer logo ali em um lugar que eu julgava meu paraíso pessoal, e o mais estranho é que eu não me sentia incomodada com ele ali, na verdade o sentimento de pertencer aquele lugar era muito grande. Ainda perdida em seus olhos pude perceber um sorrisinho que era um misto de deboche com afeição aparecer em seus lábios, seus dedos subiram de minha cintura e tiraram um fio de cabelo que estava em meu rosto.

Eu queria muito tagarelar sem parar como sempre faço, mas naquele momento todas as perguntas e farpas sumiram. Ele começou a acariciar minha bochecha de leve fazendo com que eu pendesse meu rosto em seus dedos. Fechei os olhos sentindo apenas seu toque carinhoso em minha bochecha e o aperto firme e protetor em minha cintura.

– Diana? – Disse ele de forma doce.

– Hmmmm? – Respondi em um pequeno sussurro, nem lembrava a última vez que alguém fez um carinho como aquele em mim.

– Está na hora de acordar.

Quando ele disse aquilo meus sentidos gritaram como se tivessem acordado de um susto e afastei meus olhos dos dele, que eram completamente hipnotizantes, olhei em volta e percebi que o céu estava clareando e as estrelas sumindo. O que eu estava fazendo ali? Deveria estar presa em Asgard como nos últimos dias.

– O que está acontecendo? – Disse empurrando sua mão gentilmente de meu rosto, porém a outra continuava em minha cintura.

– Você só precisa acordar e logo. – Sua voz começou a ficar grossa e impaciente.

– Loki, exijo que me expl… – Seus olhos se reviraram com minha postura extremamente teimosa.

– Acorde logo, midgardiana. – Disse com desprezo e me dando um cutucão forte e dolorido na cintura.

Abri meus olhos desesperada e levei uma de minhas mãos onde ele havia me cutucado sentindo algo um pouco gelado e me fazendo sentar em um sobressalto, a mão dele estava no mesmo lugar e eu a segurava com um aperto que poderia massacrar – talvez em minha consciência inocente eu pudesse machucá-lo, mas ele não se importou com isso. – Estava próximo demais de mim e uma de suas mãos segurava meu ombro direito e eu deduzi que ele estava tentando me acordar, e o mais estranho é que ele estava muito próximo a mim.

– Ei, você sabe o que é espaço vital? Qual é seu problema?! – Disse entredentes empurrando sua mão de minha cintura.

– Você estava igual uma maluca que é chorando ai e perguntando ”o que diabos está acontecendo? Porque está aqui?” achei que estava tendo outro surto. E não é apenas um problema, são muitos. – Disse ele erguendo as sobrancelhas.

– Estava sonhando, apenas isso. – Disse encostando-me à cabeceira da cama e respirando fundo, ele ainda estava próximo demais. – Você não respondeu minha pergunta, por acaso sabe o que é espaço vital?

Ele torceu o nariz me olhando por cima e se afastou um pouco, e assim consegui respirar tranquilamente. Minha cabeça parou de imaginar coisas nada inocentes, cruzei os braços e puxei mais minha manta cobrindo minhas pernas desnudas por causa do maldito vestido preto que ainda estava em meu corpo.

– Vão vir trazer o café da manhã daqui a pouco, por isso te acordei midgardiana mal agradecida. – Disse bufando como uma criancinha o que me fez revirar os olhos.

– Eu não sou mal agradecida. – Disse bufando – Só não precisava ser tão hostil ao me acordar, não sabe que dormir é sagrado?

– Você não acordava de maneira nenhuma, se não estivesse respirando e babando juraria que estava morta. – Disse dando de ombros e soltando um risinho.

Mas o que? Babando? Quem esse gafanhoto metido a besta pensa que é? Diana O’connor não baba enquanto dorme.

É O QUE? EU NÃO BABO! – Disse passando a mão na boca e limpando a maldita babinha do sono.

Ele ergueu suas sobrancelhas de modo sugestivo como se dissesse: ”Eu falei que tinha babado e muito durante o sono. ” e soltou uma risada alta ao ver a cara de tacho que tinha feito, ótimo, agora virei motivo de piadinha daquele asgardiano metido.

Levantei-me jogando a coberta de lado e indo para a mesa que tinha na cela, Loki era muito mimado mesmo estando preso, era visível o tratamento de realeza que ele tinha. Tentei de todas as formas arrumar o ninho que meu cabelo se encontrava, puxei-os em um coque e me sentei à mesa de frente para o maldito príncipe.

A mesa estava cheia de comidas asgardianas que tinham um cheiro delicioso, os talheres, pratos e copos eram de ouro maciço e pesados, pude avistar um pudim a minha frente e minha excitação foi tão grande que Loki percebeu e soltou outra risadinha e empurrou a travessa daquele manjar dos deuses gregos para mim. Sorri para ele em agradecimento e ataquei meu doce favorito.

Depois de comermos e eu finalmente limpar meus lábios me encostei-me à cadeira e suspirei, Loki mantinha seu olhar em um ponto vago da mesa, o que me deixou desconfortável. Os dias na cela eram completamente entediantes o que quase me deixava maluca e para que isso não acontecesse eu começava a cantar, desenhar ou falar com ele mesmo não sendo respondida, hoje foi o único dia que ele me dirigiu a palavra e me acordou, algumas vezes ele nem colocava seus olhos sobre mim e outros ao contrário, era quase impossível ficar confortável com seu pesado olhar em tudo que eu fazia.

– Bem… – Comecei a dizer – Esses dias aqui estão me deixando maluca. – Disse dando um sorriso amarelo, seus olhos se levantaram rapidamente e sustentaram meu olhar.

– Está dizendo que minha companhia a incomoda? – Disse ele realmente curioso.

– Não… é… sim, mas não. – Disse gaguejando e fazendo com que seu olhar ficasse confuso. Pigarreei – Não é isso, é que não temos muito que conversar e como percebeu eu sou uma tagarela e tanto. Acho que vou ficar maluca presa aqui.

– Eu já estava ficando maluco com tanto tédio até seu falatório e cantoria me trazer um pouco de sanidade. – Disse da forma mais normal possível

Espera, o quê? Ele está dizendo que eu o mantinha em sã consciência cantando e falando sem parar? Acho que hoje o gafanhoto acordou com disposição para falar. Quem sabe eu não pudesse conhecer mais sobre ele, não é mesmo?

– Ahn… Sempre que precisar manter a sanidade estarei presente. – Disse soltando um risinho.

Ele abriu um dos mais lindos sorrisos me deixando sem ar. Loki se levantou e foi para a cama pegando seu livro preto. Ahhhh não! Eu quero conhecer mais o metidinho asgardiano, o bom humor exala dele hoje.

– Então, você poderia me contar o porquê de estar aqui. – Disse fazendo minha melhor carinha de cachorrinho abandonado.

Seus olhos encontraram os meus e ele fechou o livro.

YESSSSSSSSSS! 1×0 para Diana.

– Eu fiz algumas coisas das quais ainda me orgulho. – Disse ele mostrando um sorrisinho que me deu um frio na espinha, será que esse cara é um psicopata? – Eu que deveria me tornar o Rei de Asgard, Thor não tem cérebro para isso, mas como posso perceber nem Odin entende isso.

Bom, eu sei quem é Odin, pois Aaron havia me dito. Ele é o rei de toda Asgard e amado por muitos. Meu amigo também me disse que Loki queria tomar o lugar do pai, mas quem diabos é Thor?

– Por que você não pode ser o rei?

– Porque eu sou um bastardo, Gigante de Gelo, salvo por Odin na guerra entre Asgard e Jotunheim. – Disse dando de ombros.

– Espera, um gigante de gelo daqueles da mitologia nórdica? – Disse levantando as sobrancelhas em dúvida, eu não acreditava no que estava acabando de me lembrar.

– Acho que alguém se lembrou das histórias que os midgardianos contam sobre nós.

Minha mãe tinha me dado um livro sobre mitologia e meus favoritos eram os deuses gregos, tinha lido pouquíssimo sobre a mitologia nórdica, mas me lembrava de que minha história favorita naquela parte do livro era sobre Jotunheim e seus gigantes de gelo.

– Você é um Jotun. – Disse com um tom de admiração, abrindo minha pequena boca em um ”o”

O sorriso dele se abriu de forma esquisita e suas sobrancelhas se levantaram mostrando a confusão em seu olhar. Qual era o problema? Eu achava maravilhoso todos aqueles desenhos dos gigantes de gelo e seus poderes.

– Eu sou o monstro da história que contam para as crianças, sou a escória de Asgard e não pertenço a Jotunheim. – Disse com um ódio intenso na voz. Loki abaixou os olhos para a mesa.

Então essa é a verdade, Loki sente como se não tivesse uma identidade própria, como se não pertencesse a lugar algum e eu o entendia.

– Você não é um monstro. – Nem acreditava que pensei alto demais, Loki ergueu seus olhos me fitando surpreso.

– Você sabe o que eu fiz Diana? – Meu nome em seu sotaque arrastado fez todo meu corpo se arrepiar. – Sabe o que fiz aqui e em Midgard, precisamente em New York?

Como assim? Ele esteve na Terra? Precisamente na minha cidade?

– Não sabia que esteve em Midgard. – Disse de forma sincera e assustada.

– Eu quase destruí New York inteira, Diana e não sabe disso? Fingi ser Odin para roubar o trono e também forjei minha própria morte. Onde esteve 20 anos atrás? Ou quatro anos atrás? Os anos em Asgard passam mais rápidos do que em Midgard.

Quatro anos atrás? Essa não, eu não queria me lembrar de tudo o que houve naquele maldito ano.

– Não estava em New York há quatro anos. – Disse tentando esconder também a raiva em minha voz. – Mas talvez eu entendesse suas razões por estar destruindo New York, na verdade os seres humanos me irritam na maior parte do tempo.

Ele me olhou dessa vez sem esconder a surpresa em seus olhos e eu também fiquei surpresa com o que disse, apesar de ser a verdade eu nunca disse isso a ninguém. Os poucos colegas que tinha eram os de trabalho que eu trocava algumas palavras, porém nada concreto, pois preferia ficar sozinha em minha companhia.

– Por que não tem medo de mim? – Sua voz era completa dúvida.

Eu me levantei da mesa e fui até sua cama me sentando um pouco perto dele.

– Talvez porque nós temos mais coisas em comum do que eu possa imaginar. – Coloquei minha mão por cima da dele.

Rapidamente ele fechou os olhos e quando os abriu novamente eles se encontravam vermelhos. Seu corpo começou a tomar uma tonalidade de azul celeste e algumas espirais se formaram em sua pele. Sua mão estava cada vez mais gelada embaixo da minha e eu não conseguia sentir medo, ele ficava cada vez mais…

– Lindo… – Disse suspirando.

Seus olhos encontraram os meus e meu rosto parecia estar em brasas, abaixei meu olhar tentando esconder o quanto estava constrangida. Sua outra mão subiu para o meu queixo levantando-o de forma gentil fazendo com que eu mantivesse meu olhar no dele.

– O que está fazendo, midgardiana? – Disse franzindo suas sobrancelhas e entreabrindo os lábios.

Ouvi passos indicando que alguém entraria pelo corredor e dei um pulo de susto, me afastando de Loki e indo me sentar próximo ao campo de força. Um homem alto, loiro, robusto e extremamente bonito com uma armadura prata e uma capa vermelha entrou no corredor empunhando um martelo em mãos e parou diante da cela. Olhei para trás a procura do asgardiano e ele se encontrava com o livro na altura do rosto escondendo sua expressão.

– Diana O’connor? Preciso que venha comigo. – Disse em sua voz retumbante como o trovão.

Assenti engolindo em seco, fui até minha cama e peguei o cobertor de florezinhas colocando como uma capa também sobre meus ombros, o homem a minha frente abriu o campo de força e senti o olhar de Loki em minhas costas, saí e me coloquei a seu lado.

– Me siga, por favor.

O obedeci e segui andando de cabeça baixa. Saímos do corredor das celas, passamos por mais dois corredores até entrarmos em um pátio alto, o piso de lá era dourado e ao meu lado esquerdo tinha um pequeno lago límpido e cristalino, uma árvore enorme estava próxima ao lago com umas frutas douradas que me lembravam maçãs.

O homem a minha frente virou para o lado direito e foi se sentar em um banco que tinha um tom de prata com a luz da lua tão grande acima de nós. Ele se sentou lá e bateu ao lado dele como um pedido para que eu fizesse o mesmo e fiz.

– Diana, é um prazer conhece-la. – Disse me mostrando um sorriso perfeito. – Sou Thor, o deus do trovão e filho de Odin.

– É um prazer, Thor deus do trovão. Diana O’connor, astrofísica de Midgard. – Disse sorrindo também para ele.

Ele soltou uma pequena risadinha estrondosa.

– Você é como Aaron disse, uma figura. – Sorri de volta para ele. – Precisamos conversar a respeito de sua liberdade.

Meu coração palpito. Será que eu poderia voltar para a Terra? Assenti mostrando que ele poderia continuar.

– Pois bem, quando soube que uma Midgardiana havia chegado a Asgard eu sai de Vanaheim o mais rápido possível, precisava protegê-la, sabia que meu pai não iria deixá-la viver por muito tempo.

– Você poderia me contar o porquê de um Midgardiano ser considerado inimigo por aqui?

– Bom, uma vez fui banido de Asgard pela minha falta de humildade e meu pai, Odin, me enviou à Midgard, lá eu consegui aprender a lição pela qual fui enviado e acabei me apaixonando por uma midgardiana chamada Jane Foster. – Seu olhar se tornou triste e sonhador me passando sua dor.

”Até então estava tudo bem, nós podíamos nos ver e viver a paixão intensamente até que um dia Jane foi sugada por um vórtice onde foi levada até o Éter que poderia trazer escuridão a todos os nove reinos. Malekith, o elfo negro, foi despertado pelo lançamento do Éter que tomou posse do corpo de Jane e trouxe seu exército à Asgard começando uma guerra na qual minha mãe, a deusa Frigga, morreu tentando proteger seu povo. Eu e Loki conseguimos conter toda essa guerra apesar de ter pensado que ele havia morrido. Jane foi liberta do Éter trazendo paz aos nove reinos. Quando voltamos para Asgard pensei que meu pai iria perdoar tudo o que houve aqui, estava pensando em pedir para que Jane viesse morar comigo em meu reino, mas meu pai completamente infeliz e cheio de ódio culpou a mulher que eu amo pela morte de minha mãe e a baniu de Asgard, me proibiu também de visitá-la fazendo com que me monitorassem sempre para que não pisasse mais em Midgard. Meu coração se quebrou em inúmeros pedaços, Diana. Eu a amo tanto que poderia desistir de meus poderes para que fosse um simples midgardiano. Sei que encontraria a plena felicidade ao lado dela. Como já deve saber, Loki tomou a forma de Odin enquanto estava em seu sono e governou Asgard por algum tempo até ser pego e preso novamente.”

Eu não conseguia fechar minha boca e tirar minha cara de espanto, aquela história era uma loucura completa. Eu poderia rir de tudo isso se não estivesse em tempo real conversando com o deus do trovão, agora eu entendi o porquê de ser considerada uma escória aqui, para a proteção de uma simples humana a Rainha Frigga perdeu sua vida.

– Diga alguma coisa, Diana, por favor. – Implorou Thor.

– Acho que faz sentido eu ser considerada uma escória, se eu fosse uma asgardiana com certeza repudiaria uma simples humana. – Disse sincera.

Thor assentiu de leve mostrando sua tristeza, era visível o quanto ele estava mal pelo fato de ficar 20/4 anos sem ver Jane.

– Mas então, sobre minha liberdade?

– Meu pai queria executá-la em praça pública por ter reagido aos soldados, mas eu consegui convencê-lo de que estava confusa e com medo de tudo que estava acontecendo. Aaron me ajudou com isso também, ele parece gostar muito de você.

Sorri sem graça, Aaron é uma pessoa incrível.

– Mas parece que não serei condenada a morte não é mesmo? – Disse aliviada.

– Não, mas também não poderá voltar para casa, eu sinto muito.

Engoli em seco, eu não poderia voltar para Terra e então isso quer dizer que passaria toda minha breve vida naquela cela? Seria possível?

– Então quer dizer que ficarei presa pelo resto de meus dias? Eu enlouquecerei.

– Aí vem uma parte boa, você não ficará mais na cela. – Disse sorrindo de lado para mim quando soltei o ar que segurava. – Você terá um quarto no palácio e será minha ajudante em missões, Lady Sif te ensinará a lutar. Vocês duas se darão muito bem.

– Ahn? – Disse surpresa – Não acredito que Odin aceitou isso tão fácil, Thor. Eu acho que não mereço toda essa ”recepção” por parte da realeza de Asgard.

– Não seja boba, aceite esse presente. Meu pai não deixará você voltar à Midgard com medo de que possa trazer um exército de lá e conquistar toda Asgard. – Disse ele rindo e eu o acompanhei. Como se eu pudesse, era apenas uma astrofísica maluca. – Ele prefere que se torne uma de nós em sua breve vida.

– Então já que não tenho escolhas, eu aceito sua proposta e gostaria de saber qual será nossa primeira missão, Capitão. – Disse batendo continência arrancando risadas dele. Seu bom humor me deixava à vontade.

– Por enquanto quero que apenas se comporte e procure Lady Sif para começar os treinamentos, deve acordar cedo amanhã. – Torci o nariz, odiava acordar cedo.

– Tudo bem, isso é um sacrifício que aceito fazer. – Disse levantando as mãos como se me rendesse. – Thor, só mais uma pergunta… por que Loki não pode ter mais uma chance?

Thor levantou seus olhos mostrando toda sua curiosidade para mim.

– Acha que ele merece? – Disse franzindo suas grossas e loiras sobrancelhas.

– Todos nós merecemos, não é?

– Sempre achei isso, apesar de tudo o que Loki fez ele continua sendo meu irmão e eu também o amo, gostaria de vê-lo como era antes, alegre e usando suas travessuras para o bem.

Exatamente, Loki era o deus da trapaça, eu gostaria de agradecer minha mãe pelo livro e por minha memória não me dar uma rasteira. A mitologia nórdica me serviu de alguma forma.

Concordei com Thor e ele disse algo sobre mostrar meus aposentos, o segui chegando ao topo de uma das torres do palácio. O quarto era de realeza, a cama e o dossel eram dourados, o colchão branco com uma simples manta verde. Ao lado existia uma porta da qual eu deduzi que seria um banheiro e no lado direito um grande armário dourado estava encostado na parede e logo a frente uma penteadeira com um grande espelho. O tapete felpudo perto da cama era preto e lindo.

Thor me deixou a sós para que pudesse finalmente tomar um banho e me arrumar para participar do jantar na sala principal. Enquanto a água caía sobre meu corpo só conseguia pensar sobre a segunda chance que Loki merecia ter, ele não me parecia um ser perigoso. Era tão gentil comigo, apesar do maldito cutucão de hoje cedo.

Saí do banheiro agradecendo aos deuses pelo banho digno de uma princesa e fui para o armário procurar algo que eu pudesse usar. Finalmente me vi livre do vestido preto que usava desde meu aniversário. Guardei-o no fundo do armário, comecei a procurar entre os outros vestidos lindos que tinha ali, até achar um azul claro. Ele tinha detalhes em dourado e abria uma fenda na perna, suas mangas abriam em meus ombros e iam até os pulsos deixando meus braços a mostra, ele marcava minha cintura de uma forma sensual e o decote era canoa.

Fui tentar arrumar meu cabelo na frente da penteadeira e optei por fazer uma trança firme de lado, peguei algumas pulseiras douradas que estavam ali e um bracelete me chamou muito a atenção, era uma espécie de espiral com duas estrelas brilhantes nas pontas, coloquei em meu braço. Achei um sapato de salto dourado também dentro do armário. Parece que a moda de salto de Midgard chegou também em Asgard. Saí do quarto, desci as escadas e segui o som alto de vozes e música.

Assim que entrei no grande salão dourado e alto do palácio, a música parou e todos viraram seus olhares para mim, meu coração acelerou. Eu não gostava de ser o centro das atenções em lugar algum, meu rosto parecia estar em chamas.

Thor levantou de sua mesa segurando uma espécie de caneca de ouro e pegou em meu braço me conduzindo para perto de um homem velho e assim todos voltaram ao normal. Ele estava na parede do salão em uma mesa particular com alguns nobres – deduzi – sua armadura era parecida com a de Thor, porém dourada a capa era vermelha, um tapa olhos estava no lado direito escondendo um ferimento de guerra.

Tentei dar o meu melhor sorriso, mas a timidez me pegou de vez, Thor o reverenciou e eu fiz o mesmo.

– Pai de Todos – Disse ele – Essa é Diana O’connor, nossa nova convidada.

Continuei com a cabeça abaixada mostrando respeito.

– Diana O’connor – A voz dele lembrava uma pessoa que estava constantemente irada – Seja bem vinda à Asgard, vejo que nossos modelos lhe caíram muito bem. – Disse com um certo tom de tédio na voz.

Estava claro que ele desprezava minha raça pelo que havia acontecido com sua esposa.

– Agradeço seu elogio, majestade. – Disse envergonhada.

Ele assentiu com a cabeça e Thor me levou para outra mesa onde se encontrava quatro guerreiros e entre eles Aaron, meu sorriso se iluminou. Finalmente alguém que me faria sentir à vontade além de Thor.

Sentei-me ao lado deles e Thor me apresentou seus amigos, a famosa Lady Sif, Frandal, Volstagg e Hogun. Eles foram gentis comigo e Sir Frandal ainda tentou me passar umas cantadas que me fizeram rir e corar.

Quando terminamos de comer, Aaron me chamou para o pátio que eu e Thor estávamos há algumas horas, ele queria me mostrar os limites do palácio e ficou eufórico ao saber de minha liberdade e o fato de ser treinada por Lady Sif.

Meu pensamento continuava em um certo gafanhoto asgardiano que com toda certeza aproveitaria bem aquela festa e talvez fosse gentil comigo e me levasse para conhecer os limites do palácio. Eu adoraria saber mais sobre ele e sobre Asgard e suas histórias.

Aaron ia tagarelando em minha frente até que parou e se virou para mim

– Diana, você ouviu o que eu disse? – Disse franzindo suas sobrancelhas grossas.

– Ahn… – Seu olhar acusador veio sobre mim. – Me perdoe Aaron. Não consegui te acompanhar. – Disse soltando um risinho.

– Deve estar cansada, não é? – Disse sorrindo torto para mim.

A verdade é que eu estava preocupada, e aérea, com o pensamento no maldito príncipe Loki, eu precisava vê-lo e contar sobre minha liberdade, mas não queria que ele estivesse naquela cela. Não poderia ficar de braços cruzados e impedir que ele não tivesse a mesma segunda chance que eu tive.

– É verdade, estou e muito. – Menti torcendo para que ele acreditasse – Acho que vou para meus aposentos.

Aaron assentiu, chegou próximo de mim, pegou uma de minhas mãos e beijou as costas dela de forma cordial, sorriu para mim e voltou de onde viemos.

Tudo bem, agora eu só precisava lembrar como eu acharia o corredor das celas.

Depois de algumas tentativas em vão e andando em círculos pelo pátio a espreita, achei o corredor que me levava às celas. Desci algumas escadas e finalmente cheguei lá. A única cela que mostrava quem estava dentro era a primeira, justamente a de Loki.

Respirei fundo e fui para perto do campo de força:

– Loki! – Disse em um tom baixo. Ele estava deitado na cama com as mãos atrás da cabeça.

Ele levantou a cabeça e na hora que me viu deu um pulo da cama, foi para perto do campo de força. Estava sem sua cota verde, o que me mostrava seus belos músculos marcados pela espécie de blusa que usava, seus olhos me mediram devagar de cima a baixo. Corei um pouco.

– O que está fazendo aqui? – Disse ele.

– Eu precisava vê-lo, saí daqui sem me despedir.

– O que veio fazer aqui? Por que está usando essas roupas? – Disse meio irritado.

– Thor me disse que Odin me libertou para viver em Asgard, não posso voltar para casa. Agora irei me tornar um soldado e ajudarei Thor em suas missões. – Soltei rapidamente com uma sensação de que deveria me explicar, seus olhos se tornaram frios me fazendo tremer.

– E veio fazer o quê? Tripudiar em cima de mim? Mostrar que está livre para viver em Asgard e eu não? É isso, Diana? – Ele disse com raiva e alto demais.

– Shhhhhhhhhhh! É claro que eu não vim fazer isso, pensei que éramos amigos. – Disse inocente arrancando uma risada de escárnio dele.

– Eu não tenho amigos, Diana.

– Mas eu me considero sua amiga e vim tirá-lo daqui. – Soltei rapidamente, seus olhos se arregalaram e ele chegou mais perto do campo de força.

– O quê? – Disse confuso.

– É isso que você ouviu, será que poderia nos levar para algum lugar onde não achem a gente? – Disse sussurrando.

Ele levantou as sobrancelhas surpreso com meu plano maluco, eu o entendia, a confiança de Loki era algo extremamente difícil de se ter.

– O que a leva a pensar que poderíamos fugir daqui? Por que está me ajudando, Diana?

– Todos merecem uma segunda chance. – Repeti aquilo sorrindo amarelo e assim pude perceber uma batalha sendo travada dentro de sua mente.

– O que está fazendo, midgardiana? – Disse me arrancando um sorriso, ele estava cedendo. – Qual é o plano? – Fui até onde o campo de força poderia ser desativado e o desliguei, Loki saiu da cela e parou ao meu lado me olhando.

Antes que eu pudesse pensar em algo um soldado entrou no corredor trazendo outros dois com ele. Os mesmos tentaram segurar Loki que se defendeu rapidamente deixando-os caídos ali perto, o outro me segurou pelos cabelos desmanchando minha trança e deixando meus cachos naturais caírem por minhas costas, soltei um grito de dor pela força que ele pôs em meu cabelo, aquilo ficaria dolorido por dias.

Loki avançou no soldado socando seu nariz e o fazendo cair também, estava parecendo uma estátua no lugar até que o lindo gafanhoto puxou-me pelo pulso me obrigando a correr de salto.

– Eles morreram? – Disse desesperada.

– Não, só os desacordei. – Revirou os olhos. – Você é muito lenta. – Bufou.

– Tente correr de salto um dia com alguém te puxando, não conseguirá correr mais do que eu. – Disse irônica.

Um alarme disparou em nossos ouvidos, estávamos ferrados.

– Deveria ter pensado em um plano, não acha mesmo? – Grunhiu ele me arrastando para o pátio do palácio. – Preciso de minha lança.

– Não tive muito tempo para pensar nisso tudo, Loki. – Disse raivosa, ele era um mal agradecido.

Na nossa frente apareceram vários soldados asgardianos e Loki parou me puxando para trás dele, Thor desceu para o pátio voando e empunhando seu martelo, olhou rapidamente para mim e depois para Loki e o dirigiu um olhar raivoso.

– O que está fazendo, irmão? Deveria parar de tentar fugir e pagar por todos os crimes que cometeu.

– Não acho que deveria ser punido por fazer coisas certas, irmãozinho. – Disse Loki em um tom muito irônico.

– Pare de usar Diana, deixe sua mente em paz. – Disse Thor entredentes.

Loki voltou seu olhar para mim me prendendo nele, me senti um pouco aérea e enjoada até ouvir sua voz em minha mente.

”Se disser a eles que me libertou porque quis será morta nesse mesmo momento por Odin, finja que tomei sua mente e você sairá intacta. ”

”Mas você irá pagar pelo que fiz, não está certo Loki.”

Surpreendi-me por conseguir me comunicar com ele em forma de telepatia, ele estava em minha cabeça e não tinha medo disso. Não queria que o machucassem por causa de um erro meu.

”Não importa! – Disse alto me fazendo torcer o nariz – Me obedeça, Diana!”

Ele tentou impor isso a mim, mas eu resisti.

”Pare com isso, sua tola e me obedeça. Se você for morta agora não adiantará de nada, podemos fazer um plano melhor e dar o fora daqui. ”

Assenti rapidamente balançando a cabeça, o enjoo finalmente passou e minha mente clareou, olhei para Thor e ele estava com um olhar raivoso dirigido a Loki.

– Leve sua midgardiana, eu não preciso mais dela. Já fui pego. – Disse ele pegando em meu braço com força e me empurrando para frente.

Aaron apareceu do nada e me puxou pelo braço de forma gentil e envolveu minha cintura, perguntou se estava tudo bem, apenas assenti mantendo meu olhar em Loki.

Os soldados nos levaram para a sala do trono onde Odin se encontrava.

Thor contou a ele o que houve e seus olhos acusadores encontraram os meus, parecia que ele sabia de meus planos de fugir dali soltando um de seus maiores e mais perigosos prisioneiros. Tentei de toda forma sustentar meu olhar no seu, se eu me envergonhasse estaria claro minha suposta traição.

Todos estavam discutindo na sala o fato de Loki estar sempre aprontando e tomando a mente das pessoas, suas mãos estavam presas em algemas que um dia eu usei. Aquilo me preocupou, mas não podia demonstrar, não na frente de todos.

– Silêncio! – Disse Odin com sua voz tenebrosa fazendo até os cabelos de minha nuca se arrepiarem de medo. – Quero ouvir de Diana o que houve.

Eu dei um passo vacilante à frente e fui tomada novamente pelo enjoo, passei a mão pela testa e me lembrei de que Loki estava me usando para salvar minha pele e talvez a dele.

– Eu comecei a ouvir vozes no pátio que me levaram de volta à cela, Loki estava lá e me fez abrir a cela e me levou com ele. Queria que eu o ajudasse em algo que não me disse. Estava com muito medo, ele me ameaçou. – As palavras fluíram de minha boca.

É o que? Ele estava se incriminando.

Odin me olhou com um misto de pena. Ele acreditou cegamente naquelas mentiras.

– Loki, você não tem caráter, usar uma midgardiana de mente fraca para seus trabalhos sujos? – Disse Odin raivoso.

Espera ai seu velho babão. Mente fraca????

– Isso só faz parte de meus outros planos, Odin. Eu ainda tomarei seu lugar. – Disse ele debochado, não estava ajudando toda essa falta de respeito da parte de Loki. Ele seria morto.

– Levem-no daqui, o prendam até que eu decida o que fazer com ele.

Os soldados levaram Loki que matinha seu olhar um tanto significativo no meu como se estivesse agradecendo por algo, franzi o cenho e abaixei meu olhar triste.

– Fico feliz que esteja bem, senhorita Diana. Loki é imprevisível e perigoso, graças aos deuses você está inteira. – Disse sincero, espera ai. O velhote estava sendo um tiquinho bondoso comigo?

– Obrigada, majestade. – Disse me curvando.

Thor estava ao lado do pai conversando com ele e Aaron chegou mais perto de mim:

– Tem certeza que está bem, Diana? Posso te levar até as curandeiras… – Começou a tagarelar

– Estou bem, Aaron.

– Então eu te levarei até seus aposentos. – Disse ele segurando minha mão e puxando, soltei a mão dele e me mantive no lugar.

– Eu queria falar mais um pouco com o Rei, será que pode me esperar lá fora? – Ele me olhou confuso, apenas sorri o incentivando que fosse.

Enquanto ele saía pedi para falar com Odin e ele aceitou de bom grado.

– Majestade, como sabe Loki entrou em minha mente e também acabei dividindo a cela com ele, queria dizer-lhe que fui capaz de ver e sentir algo relacionado ao príncipe. – Escolhi bem minhas palavras, estava certa de minha maluca decisão.

– O que viu? – Disse ele interessado.

Vasculhei minha mente tentando manter as palavras de uma forma que não mostrasse minha cumplicidade com Loki e não o comprometesse demais.

– Vi o futuro que ele tem em mente, senti que a prisão fez com que ele pensasse em seus atos e estivesse começando a abrir brechas para a redenção. Não sei por que, mas ele mostrou que lá no fundo consegue ser puro. – Disse sinceramente atraindo os olhares surpresos de Thor e Odin, eu dizia tudo o que senti ao conhecer Loki.

– Por um momento enxerguei a aura de Frigga, e você Thor? – Disse Odin espantado.

– Eu também, pai – Disse Thor com a mesma expressão. – Como viu isso, Diana?

– Eu não sei, foram flashes e intenções que consegui captar enquanto ele mantinha seu controle sobre minha mente e creio que gostaria de ajudar a trazer o antigo Loki que você mesmo alegou sentir falta, Thor. Sempre quis ajudar as pessoas.

Odin e Thor se entreolharam espantados mais uma vez, eu queria que meu discurso chulo e mal preparado desse certo, precisava daquilo.

– Meu pai, eu já disse a você que tenho esperanças em Loki. – Disse Thor.

Sorri discretamente, adorava Thor e sua grande fé.

Odin olhou de mim para Thor diversas vezes e enfim suspirou.

– Eu dou a missão de consertar Loki a vocês dois, porém ainda estarei de olho em tudo e se ele vacilar nem que for um pouquinho será decapitado em praça pública. – Disse sério me fazendo engolir em seco.

– Eu prometo ajudá-la, pai. Loki não sairá de nosso controle. O que acha, Diana?

– Ahnnnn… Fico feliz em que tenha me concedido essa missão, majestade. Prometo não decepcioná-lo.

– Como podemos começar? – Disse Thor eufórico como uma criança que ganha um doce.

– Acho que seria bom tirarmos ele daquela cela. – Disse rapidamente atraindo os olhares deles.

– Não! – Disse Odin nervoso e batendo seu cetro no chão me fazendo tremer. – Loki não sai da cela enquanto não for confiável.

Ai meu Santo Odin, ele ficaria ali para sempre então.

– Que tal, se ele se comportar e me ajudar com algumas tarefas ele possa sair pelo pátio junto a mim e Thor ou com algum soldado me escoltando? Preciso ter a confiança dele em mim e assim conseguirei seguir com o plano. – Disse tentando uma saída.

Os dois se olharam de novo como se estivessem conversando por telepatia como Loki fez comigo.

– Tudo bem! – Concordou Odin – Mas será escoltada onde for com ele e quando Thor estiver em missão outro soldado ficará vigiando.

– Concordo com o senhor, majestade. – Disse o reverenciando. – Eu posso ir para meus aposentos?

– É claro! – Disse ele

– Eu te levo lá, Diana. – Disse Thor.

– Não é preciso, o soldado Aaron me acompanhará. – Eles assentiram e eu saí da sala do trono.

Encontrei Aaron me esperando lá fora como pedi e então enquanto ele me levava para meus aposentos contei a ele sobre o plano, ele ficou completamente nervoso e disse que estava me metendo em perigo. Disse a ele que precisava de sua ajuda, mesmo relutante aceitou.

Cheguei ao meu quarto e só conseguia pensar no meu aval para tentar fazer brotar redenção no coração de Loki, estava eufórica e feliz.

O príncipe asgardiano teria sua segunda chance e eu trabalharia da forma mais árdua que eu pudesse para que ele fosse perdoado pelos seus crimes em liberdade. Queria descobrir o que mais deixava ele livre de toda aquela capa de ódio, rancor e bipolaridade. Nunca é tarde para se obter redenção e Loki me mostrou que merecia me salvando de ser morta por traição.

Deitei na cama macia asgardiana e puxei minha coberta de florzinhas.

Adormeci com a frase pulsando em minha mente:

” Sempre existirá uma segunda chance, então não desista nunca, Diana.”

 

Karol

Jovem com alma de criança. Cabeça nas estrelas, pés no chão e olhos no céu. Escritora amadora nas horas vagas e sonhadora em tempo integral.