The Guardian – CAPÍTULO X – “Sob ataque”

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Google+ 0 Filament.io 0 Flares ×

– Bom dia, flores do dia. – Luze disse, quando encontrou Luke e eu na mesa do café da manhã do hotel.

– bom dia. – respondemos em uníssono.

– bom dia. – Cal apareceu.

Estava com os cabelos molhados, criando gotinhas que se espalhavam pelo rosto. Vestia uma regata branca, deixando em evidência seus músculos definidos. Era a primeira vez que via Cal sem coturnos. Ele usava uma calça de moletom e chinelos.

– bom dia! – Luze disse, animada. – parece que alguém resolveu deixar de lado o look dark e se concentrar no que tem a apresentar. – tentou soar engraçada. Foi constrangedor.

– pensei que dessa forma chamaria atenção somente de quem importa. – disse, enquanto me fitava fixamente.

– ok! O dia começou cheio de emoções, eu vou pegar um ovo. – bradou Luke, afastando-se da mesa e levando Luze pelo braço.

– posso? – perguntou Cal, apontando para a cadeira vazia ao meu lado.

– você está vendo alguém sentado aí? – perguntei, mal humorada, dando de ombros.

– não, mas não sei se a ideia de eu estar sentado ao seu lado, assim, tão próximo, incomoda você ou ao seu… Namorado. – falou, com certo desdém na voz.

– oh, agora eu tenho um namorado? – espantei-me.

– nao vejo outra razão para você levar um cara para o seu quarto no meio da noite.

– agora você está me espionando? – provoquei.

– só o meu trabalho, você sabe. – Cal piscou e deu de ombros.

– não que eu deva satisfação a você… Mas Luke estava me contando algumas coisas sobre ele e sobre o CRT. – contei a Cal sobre a conversa que tive com Luke, omitindo a parte de Luke ter sido criado.

– é claro que ele não poderia lhe falar depois, ou em outro lugar. – Cal despejou. – tudo bem, Arianne. Eu prometi que seria cuidadoso. – sorriu, cinicamente.

– você é um babaca. – eu disse, enquanto meus amigos voltavam à mesa. – eu perdi o apetite. Com licença. – subi pelas escadas até meu quarto, que ficava no 3° andar.

Quando cheguei ao meu quarto já estava ofegante.

– você não imagina como fica sexy ofegando dessa forma. – um garoto estava escorado na porta do meu quarto. Kevvin. Reconheci.

– o que… O que você quer? – balbuciei. – Cal me contou que não é permitido brigar aqui. – ameacei.

– humm… Cal lhe contou muitas coisas, não é mesmo, Arianne? – sibilou Kevvin, passando as mãos pelos meus cabelos e andando ao meu redor. – ele lhe contou o que somos? – perguntou.

– si…sim. – gaguejei.

– oh, então seria uma pena se ele soubesse que eu estou tentando dificultar o trabalho dele… Você sabe, de lhe proteger.

Meus joelhos tremiam muito e gotas de suor se formavam em minha nuca, devido ao medo que estava sentindo. De Cal eu não sentia mais esse medo aterrador. Cal estava lá para me proteger e jamais me machucaria. Cal falara sobre os guardiões não poderem brigar em Vegas. Mas não disse nada quanto à ataques contra humanos.

Dei a cotovelada mais forte de toda minha vida. O que me garantiu um belo roxo no cotovelo. E uma gargalhada cínica de Kevvin.

– que bonitinha, ela acha que pode me machucar. – Kevvin segurou meu pescoço, me mantendo com os pés no ar, enquanto me segurava contra a parede. – vamos combinar o seguinte, linda: você não tenta fugir e eu não te mato. O que você acha? Fica bom assim para você?

Eu estava sem ar. Meus pulmões ardiam e tive que parar de tentar chutar Kevvin.

– não. Não está bom pra ela. E para você, vai ser pior ainda. – a voz de Cal surgiu no corredor. Kevvin me jogou no chão, de lado, de forma brusca.

– ora, ora… O príncipe veio resgatar a princesa em apuros. – Kevvin ironizou. – você é patético.

– Ari, segura. – Cal deslizou sua Draga pelo carpete para que eu pudesse alcançá-la. – você sabe o que fazer. – disse.

Por trás de Kevvin, enfiei a Draga na altura do coração do guardião e vi ele brilhar e desaparecer em minha frente.

Cal correu até o local onde eu estava tremendo e chorando.

– Anjo, você está bem? Ele machucou você? – Cal segurou meu rosto com as mãos e me fitava preocupado.

– e… E… Estou. – disse, sem ter certeza. – Oh, Cal, obrigada por ter aparecido. – eu o abracei e, chorando, encharquei sua regata.

– Xiu, tudo bem. Tudo bem. – ele acariciava minha cabeça, me abraçando. – estou aqui. Tudo vai ficar bem. – ele dizia.

– por favor, não me deixe sozinha. – choraminguei. – por favor, não desapareça. – pedi.

– tudo bem, anjo. Estou aqui. – falou baixinho. – não irei à nenhum lugar sem você. – prometeu. – nenhum lugar. Estou aqui, está bem? – disse, afastando meu rosto para me olhar.

Apenas assenti, me sentindo derrotada.

– vai ficar tudo bem, anjo. – Cal parecia sentir-se vencido também.

– acho que você deveria nos levar logo onde quer que precisamos ir e acabar logo com isso. – disse, secando as lágrimas insistentes de meu rosto e tentando me esquivar de Cal. Eu não podia me envolver com ele e, naquele momento, chorando em seus braços, era impossível não pensar em um envolvimento maior.

– e eu acho que você precisa parar de agir como uma criança mimada e aceitar logo que eu vou proteger você eternamente. – bradou.

– uau! Só preciso saber quem foi que me “mimou”, porque não lembro de ter pais presentes para isso. – disse. – o que, aliás, me parece muito culpa de um certo grupo de criaturas estranhas que não se importaram com a vida do restante da humanidade. – eu começara a me sentir furiosa e levantei, dispensando a mão de Cal.

– agora sim, você parece uma criança mimada. – Cal sorriu, irônico e sombrio. – e, caso você não tenha percebido, você faz parte do mundo dessas criaturas estranhas, então, acho melhor você ir se acostumando. – disse, secamente.

– não lembro de ter pedido para fazer parte de nada disso. – continuei. – aliás, eu nem entendo a utilidade que você tem na minha vida. – provoquei.

– da próxima vez eu deixo um Menjox comer sua alma, então! – Cal disse, tranquilamente. – ou um guardião enfurecido te sufocar contra a parede. O que você prefere? – a calma que Cal mantinha me dava ainda mais raiva.

– não! Você não fará isso, porque é seu trabalho! – gritei.

Cal estava enfurecido, mas não visivelmente. Eu sabia que por trás daquela calma, ele se sentia vermelho de raiva e eu imaginava que ele jamais me machucaria, mas, naquele momento, não tive certeza de nada. A calma dele era sombria.

Cal suspirou, em deboche.

– você precisa parar de repetir isso. Por. Favor. – disse, pausada e friamente.

– galera, o que houve com a parede? – perguntou Luiza, chegando ao corredor com Luke. A boca formava um “O”.

A parede estava rachada, amassada. Como se algo muito forte tivesse batido contra ela. Mas fora minha cabeça, com as mãos de Kevvin. Estranhamente, eu não estava sentindo nenhuma dor na cabeça.

– você não sentiu nada, Arianne? – Cal perguntou, franzindo o cenho.

– absolutamente. Senti que ele estava me sufocando. Mas nenhuma dor física. – expliquei.

– precisamos nos apressar. – disse Cal, tenso.

– hello? O que aconteceu aqui? – Luiza estava assustada.

– vem comigo, Luze. – Luke a levou pelo cotovelo, enquanto ela seguia esbravejando e xingando por não obter respostas novamente.

– o que? Por que? – perguntei, me dirigindo a Cal, ainda sem entender aquela pressa repentina.

– Porque sim. – Cal disse, friamente. – vamos, temos que ir ao Cassino Chanelle. E algo me diz que não voltaremos aqui. Leve suas coisas. – disse e me deu às costas.

Entrei em meu quarto, torcendo para que eu estivesse em um pesadelo, pedindo para acordar a qualquer momento. Alguma coisa estava, claramente, errada comigo. Não era como se eu fosse algum tipo de mutante superdotada, por que, não, definitivamente, eu não era superdotada. Mas, pela tensão de Cal, tinha algo acontecendo.

– você pretende ir assim em um cassino? – apontou Luiza, dentro de um vestido vermelho colado, com um grande decote no colo e uma racha que ia da metade da coxa direita até o pé. – nem pensar que você conseguirá entrar em um cassino vestindo calças jeans e sapatilha, Arianne.

– uau, você está linda. – Luke babava, se referindo à Luiza. – e, Ari, realmente, você precisa colocar uma roupa… adequada. – Luke vestia um smoking preto com gravata borboleta.

– por favor, não me façam colocar um negócio desse. – apontei para o vestido de Luze, choramingando.

– você precisa se vestir! – Luze bradou. – vou te ajudar, vamos ali embaixo na lojinha comprar um vestido. Cartão de crédito sem limites, de nada. – Luze me puxou escada abaixo e nos dirigimos até a pequena boutique que se encontrava no térreo do hotel.

Luiza escolheu o meu vestido, claro. Ele era, de fato, lindo. Mas eu jamais imaginara usar aquilo.

O vestido era verde-água e tinha uma racha que ia da metade da minha coxa até o tornozelo. Era em pedrarias finas no busto e tinha um decote discreto na frente. As costas ficavam nuas.

Luiza me fez vesti-lo e me sentou em frente a penteadeira no meu quarto do hotel.  Quarenta e cinco minutos depois, eu não me sentia eu mesma.

– eu nunca pensei que vocês fossem demorar tanto tempo para… – Cal dizia, enquanto Luiza saía à minha frente do quarto do hotel. Cal interrompeu a fala no momento em que pôs os olhos em mim. – uau. – disse, boquiaberto. Vestia um smoking preto, igual ao de Luke e seus cabelos levemente bagunçados, de um jeito arrumado. Eu estava sem ar.

– hilário o seu choque em vê-la assim, Cal. – Luiza gargalhou.

– você está linda, Ari! – Luke disse, simplesmente.

– você está… linda. – Cal disse, finalmente. – mas, acho melhor irmos andando. – pigarreou, limpando a garganta. E estendendo o braço para mim. – Mademoiselle. – disse, em um Francês perfeito. – me dê a honra de acompanha-la e… antes que você reclame, ao menos finja estar feliz com a situação. – sorriu, tristemente.

– tudo bem. – eu disse, aceitando seu braço. – estou feliz. – e não era verdadeiramente uma mentira.

Sheron Vargas

Estudante HARD de Psicologia, profissional de RH, catequista católica, escritora aspirante e jogadora de futsal (E THE SIMS) nas horas vagas. 22 anos; paixãozinha básica por filmes, séries, etc, etc e etc e, claro, por romances ficcionais (<3)