The Guardian – CAPÍTULO XII – “Crise de identidade”

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Já passava das 22h quando decidimos informar o restante do CRT sobre o desaparecimento de Cal. Ao que parecia, todos os guardiões tinham uma espécie de rastreador implantado em suas costas, o que eu achei bizarro. Mas se ajudaria a localizar Cal, eu ficaria mais tranquila.

– o sinal se perdeu no limite da cidade. Ele não deixou nenhuma mensagem, nada? – indagou Triston, o líder de tecnologias do CRT.

Eu não havia checado o quarto para procurar por bilhetes.

Subi as escadas que levavam até o quarto em que estava hospedada no cassino e vasculhei gavetas e travesseiros. Ao lado da cama de Cal havia uma escrivaninha. Não havia papel ali. Mas algo estava estranho. Uma pequena mancha de um líquido vermelho manchava a escrivaninha cor de mogno. Sangue. Mas não era apenas uma mancha. Era um recado.

Entreguem Traxxo Digge e talvez voltem a vê-lo“.

As palavras ainda pairavam em minha cabeça. Entreguem Traxxo Digge. O que ou quem diabos era Traxxo Digge? Traxxo Digge, segundo o que Cal dissera se tratava do sobrenome da guardiã loira que tentara me matar e fora expulsa do CRT. Como iríamos entregar uma mulher com a qual nao podíamos sequer lutar contra?

– como vamos entregar aquela mulher? E para quem vamos entregar? – perguntei ao grupo.

– acredito que não estejam se referindo à Mellina. – Gary estava pensativo. – pareciam estar se referindo à algum… Objeto. – deduziu. – que eu imagino o que seja.

– um objeto com o sobrenome de uma guardiã? – Luke estranhou. – que objeto seria esse?

– Mellina era uma guardiã do CRT por algum motivo. Quando fora convidada ao CRT, lembro vagamente de uma proposta que fizera aos diretores na época. Ela era uma guardiã comum, como Cal, e como eu, na época. Mas sempre teve sede por poder, o que queria a qualquer custo. Mellina era uma guardiã muito inteligente e astuta e, quando eu ainda não era do CRT, os diretores eram um tanto quanto… corruptos. Vendiam lugares no Conselho por pequenas trocas. Quando Mellina ascendeu ao CRT, tinha apenas um colar velho, que dizia ter grande valor sentimental para a mesma. Os diretores pediram-lhe que dessem o que de mais valioso tinha e então Mellina entregou-lhes o colar, prometendo vingança. Os diretores descobriram o real poder do colar e expulsaram Mellina. Ela era corrupta, claro. Mas isso jamais fora motivo para expulsar algum guardião do CRT. O que realmente os motivou a expulsá-la era o fato de a mesma saber do poder do colar e ter escondido. – explicou Gary.

– e qual o poder do colar? – indagou Luke.

– o colar Traxxo Digge tem o poder de dar os dons aos guardiões imortais. E de criar novos, como é o seu caso, Luke. – explicou.

– espera, Cal não nasceu com seus dons? – perguntei.

– Cal recebeu os dons quando foi amaldiçoado a ser guardião. O que explica a origem do colar, se você parar para pensar. Mellina fora criada na mesma época que eu e Cal e como estava com o colar quando recebeu os dons, imagina-se que o colar, de alguma forma, absorveu algum poder do Trono. O único meio de um guardião ganhar dons ou de algum guardião ser criado nos dias de hoje é se o Trono quiser ou se o Traxxo Digge for usado. – disse Gary.

– então eu fui criado de forma “errada”? – perguntou Luke.

– não. O Traxxo Digge está em poder do CRT hoje em dia. O sequestrador, ou seja lá o que for, sabe que sou pai de Cal. E sabe que o Traxxo Digge está em meu poder.

– então precisamos trocar o colar por Cal! – exclamei.

– não podemos dar esse poder à qualquer guardião, Arianne. – explicou Gary.

– mas por que minha mãe me deixou aquele origami com o nome do colar quando fugiu? – perguntei, confusa.

– creio que não foi sua mãe que lhe deixou o origami. – disse Luiza. – acho que foi o sequestrador da sua mãe e você não entendeu a mensagem. Estavam pedindo à você o Traxxo Digge, para que lhe entregassem sua mãe de volta. – deduziu.

– mas eu era uma adolescente! – protestei, atônita.

– o sequestrador não sabia que você não tinha conhecimento da história, Arianne. Sinto muito. – lamentou Gary.

Tudo aquilo estava me deixando nauseada. O que significava tudo isso? Cal não voltaria mais? Minha mãe estava morta? Por que pediam insistentemente esse maldito coloar à mim?

– e por que pedem ele para mim? Qual o sentido? – choraminguei. – eu nem sei quem ou o que eu sou. – eu já estava desesperada.

– com licença, senhor Schereave. – Triston disse, voltando à sala principal do CRT, onde estávamos a noite toda. – acredito que vá querer saber sobre isso. – mostrou-nos a tela do tablet. Nela, minha foto de quando tinha 4 anos. Meu nome estava escrito em azul. Mas havia algo errado. O nome de minha mãe estava trocado e meu sobrenome também. A tela trazia a informação de uma Arianne cujo sobrenome era Traxxo Digge e seus pais se chamavam Peter Sttun e Mellina Traxxo Digge.

Sheron Vargas

Estudante HARD de Psicologia, profissional de RH, catequista católica, escritora aspirante e jogadora de futsal (E THE SIMS) nas horas vagas. 22 anos; paixãozinha básica por filmes, séries, etc, etc e etc e, claro, por romances ficcionais (<3)